Correndo feito uma barata tonta, eu confiro pela milésima vez se a
porta do meu quarto está trancada. Sentindo a adrenalina percorrendo minhas
veias eu tento controlar os batimentos cardíacos e as mãos trêmulas enquanto
esborrifo um pouco de perfume, por pouco não derrubo o frasco no chão ao
desviar minha atenção para o tubo de batom vermelho mate. Reaplico uma
camada nos meus lábios já rubros e confiro se não manchei os dentes (sou
mestre em fazer isso!), aproveitando para checar meu hálito ao assoprar na
minha mão em concha. Eu estou tão agitada que não percebo o ridículo
daquilo, não faria diferença alguma se eu estivesse cheirosa ou com bafo
afinal!
Espio meu corpo para ter certeza se meu conjunto de lingerie está
devidamente em seu lugar, ajustando o fio dental no meu bumbum um pouco
incomodada com a sensação dele atochado lá no meio, mas ao mesmo tempo
admirada com a forma como ele acentua meus quadris outrora estreitos.
Prazer em finalmente te ver, bundinha! Penso enquanto me empino e
olho minha forma por trás do ombro. Realmente pareço ter mais bunda do
que de costume!
Coloco a playlist para tocar num volume médio e então meu estômago
embrulha quando percebo ter chegado a hora. Eu estou prestes a fazer algo
inimaginável, pelo menos para mim, e por um segundo cogito desistir.
Inspiro fundo, soltando lentamente o ar pela boca. Desistir agora não é opção.
Acalme-se, Candy! Você está no controle.
Posiciono-me de frente ao notebook, mais precisamente em frente à
câmera, e fito a tela do monitor.
Ali eu leio a seguinte mensagem:
Passo os dedos trêmulos pelos meus longos cabelos, prendendo-os numa trança lateral. Confiro pela última vez o meu reflexo no pequeno espelho do banheiro e suspiro. Eu não queria ir nesta festa! — Não adianta mudar de ideia agora, Candice! Você vai nem que eu tenha que te arrastar pelo campus! Gemo de frustração e encaro a minha amiga, que está me observando da porta com as mãos no quadril. — Nathy, eu deveria estar estudando para a minha prova de Constitucional! — tento arrumar uma desculpa, mas, ainda que ambas estudemos Direito, ela não se atenta muito com as notas como eu. Ela estala a língua e revira os olhos, ignorando as minhas palavras. Além de ser minha melhor amiga, Nathy divide o apartamento comigo, e por mais que sejamos totalmente diferentes e nos irritemos uma com a outra de vez em quando, nos amamos como irmãs. — Você prometeu que iria nessa festa comigo. Deixe de ser CDF pelo menos um dia! Suas notas são sempre ótimas. E tem uma coisa, acha que não sei que essa prova só será na próxima semana?! — É... — fico sem graça, pega no flagra. — Mas eu gosto de estudar com antecedência... — digo sem jeito, sabendo que estou ficando sem argumentos. — E outra coisa, a mais importante: você me PROMETEU! Então termine de se arrumar logo que o pessoal já está nos esperando – ela completa e aponta para o meu quarto, como se fosse uma mãe a me dar ordens. Olho para baixo, para as roupas que estou vestindo, sem entender. — Mas eu já estou pronta! — Ah não! Você não vai sair desse jeito comigo nunquinha! Nathy agarra a minha mão e sai me arrastando pelo quarto. Abre o closet, jogando várias roupas sobre a cama. Olho horrorizada para as peças que ela escolheu. Com certeza estavam faltando alguns metros de pano por ali. — Esses aqui vão ficar perfeitos em você! Troque logo essa roupa sem graça. Estou te esperando na sala. Seguro a minissaia jeans e o top preto nas mãos, imaginando se daria muito na cara se, naquele instante, eu fingisse que estava passando mal... Talvez de uma doença instantânea e contagiosa... — E solte esses cabelos! — ela grita da sala. — Não entendo por que você vive prendendo eles desse jeito, são lindos! Reviro os olhos antes de retirar a minha calça jeans e a camiseta cropped do corpo. Visto a minissaia e o top preto com relutância, sentindo- me muito exposta e totalmente diferente do que sou. Não tenho medo de mostrar um pouco de pele, mas aquilo já beirava a periguetice e, para piorar, eu não fui abençoada com um corpão como a minha amiga. Só estou fazendo isso porque, como Nathy jogou na minha cara há instantes atrás, eu havia prometido. Estava bêbada quando fiz a promessa, mas ainda assim eu dei minha palavra... — Satisfeita? — Adentro a sala do nosso minúsculo apartamento estudantil, dando uma voltinha, sem graça e me sentindo um pouco ridícula. Ela sorri, aparentemente satisfeita. Porém, quando seus olhos pousam no meu rosto, ela enruga o nariz. Nathy se aproxima de mim com um olhar determinado. O que será que está acontecendo? Fico até com medo e dou um passo para trás, mas ela me alcança. Liberta as minhas longas mechas loiras da trança e me bagunça os cabelos. Eu quase tenho um ataque de fúria com esse gesto, porém ela não me dá nem tempo para respirar. Antes que eu reclame, sou jogada no sofá. — Fique quieta que eu vou dar um jeito nessa sua carinha de boneca. Sinto as cerdas do rímel passando pelos meus cílios repetidas vezes, o pincel do blush contornando as maçãs do meu rosto e, por fim, o gloss besuntar os meus lábios. — Está gata demais! Agora sim está pronta pra a balada. Reviro os olhos, achando que ela está exagerando. Ela me leva até o banheiro, e quando vejo o meu reflexo no espelho fico pasma. Essa sou eu? Meu rosto, que antes aparentava ser tão delicado como o de uma boneca de porcelana, agora parece mais maduro e bem sensual. Caramba, eu estou incrível! — Vamos! — Nathy me desperta do meu momento narcisista. Sorvo uma grande lufada de ar e a solto lentamente pela boca, embaçando o espelho, antes de seguir minha amiga porta afora. *** — Minha prima me contou que largou o emprego só para fazer isso! Estava dando mais dinheiro do que o salário de merda dela. — Kate gesticula animadamente enquanto fala. Tento me afastar um pouco para não ser alvo do líquido que beira em seu copo, prestes a ser derramado. Escuto a conversa dos meus amigos quieta, enquanto beberico a minha cerveja. A música alta, o burburinho e os gritos de vitória das pessoas jogando bilhar na ampla sala abafavam as nossas vozes. Por isso não fico tão constrangida com o tópico da vez, já que ninguém fora do círculo consegue escutar. Meus olhos fazem uma varredura no ambiente, estamos em um canto da sala de TV do casarão, minhas costas estão apoiadas na parede cor de creme que se estende por toda a casa. Daqui consigo ver o centro do aposento onde se encontram quatro sofás marrons em corino assentados em um semicírculo em frente à tela plana. Ninguém parece estar assistindo à partida de football, os assentos estão ocupados por um grupo de pessoas rindo e conversando enquanto bebem e alguns casais com as línguas enfiadas nas gargantas de seus respectivos parceiros. — Deixa eu ver se entendi direito... A sua prima se prostitui? — Michael pergunta, curioso. Giro minha cabeça bruscamente ao voltar minha atenção para o meu amigo. — Não! Não é se prostituir! Ela não dorme com ninguém... Ela só faz shows virtuais. É como se fosse... É como se fosse strip-tease, mas ela vai além de tirar a roupa, sabe? Usa brinquedinhos e tal. — Caraca! E isso dá certo?! — Nathy parece mais interessada do que deveria. Quando percebe isso, tenta disfarçar: — Quero dizer, como ela sabe que vai ganhar o dinheiro se é virtual? — Então, pelo que entendi o site é bem organizado e confiável. As pessoas que assistem aos shows compram créditos, e os gastam em forma de gorjeta toda vez que gostam do show. Se quiserem fazer algum pedido especial, elas pagam a modelo usando os créditos e ela recebe o dinheiro na conta! — Não sei se eu teria coragem de fazer algo assim... Usar o meu corpo em troca de dinheiro? E se algum cara me pagasse e pedisse algo que eu considerasse nojento? — Nathy diz, fingindo se arrepiar de nojo. — Amiga, você é a dona do show. Ninguém te obriga a fazer nada! Tem até como você colocar uma espécie de menu, com as coisas que faz e as que não, sem perigo algum... Sabe, eu estava pensando em fazer também, mas tenho medo que alguém me reconheça — confessa. — O que você acha, Candice? Quase me engasgo com a cerveja e encaro Nathy, com vontade de dar uns tapas naquela carinha linda dela. Ela sabe muito bem que sou envergonhada demais para falar desses assuntos... Bom, deixa eu me explicar. Não sou nenhuma santa, que isso fique bem claro. Já tive um namorado sério e saí com alguns homens. Mas não me sinto à vontade para falar de certas coisas. — Se ela não se importa em usar sua imagem como instrumento de trabalho, nem de que algum dia alguém poderá reconhecê-la, manchando para sempre seu futuro e ferrando com sua vida... Então, que ela seja feliz. — Nossa, Candice! Você é muito dramática. — Sou realista. — Encolho os ombros e volto a beber o conteúdo do meu copo de papel. Meu celular começa a vibrar no bolso da saia. As únicas pessoas que têm meu número são os meus amigos, que por sinal estão todos aqui, e meu pai. Saio correndo até o lado de fora da fraternidade, fugindo do barulho e atendo. — Alô? — minha voz soa um pouco sem fôlego. — Senhorita Greece? Não sei o porquê, mas a voz feminina e sóbria no outro lado da linha me faz arrepiar. — Sim... sou eu. — Estamos ligando pois a senhorita é o contato de emergência do senhor Thomas Greece... Sinto o meu sangue gelar e meu coração bater erraticamente. A pressão nos meus ouvidos é ensurdecedora, mas eu faço uma força e tento entender o que a mulher está falando. — ... Sofreu ataque cardíaco essa noite e está hospitalizado. Seu estado é grave. Conseguimos estabilizá-lo, mas ele precisa de tratamento e se não houver melhoras, uma cirurgia será necessária. Meus olhos se enchem de lágrimas e minha garganta se fecha. Imaginar o meu pai sozinho numa maca de hospital me sufoca de dor. — Onde ele está? Eu estou a caminho, só me diga... por favor... me diga que ele está bem. — Como eu disse, ele está estável agora, mas sua condição não é das melhores. Seu pai precisa de tratamento, mas infelizmente não podemos fazer muita coisa, pois o plano de saúde não cobre... Minha náusea piora e me dobro com ânsia de vômito, ainda com o celular colado na orelha. O que posso fazer? Meu pai é a única família que tenho. — Eu... eu vou dar um jeito. Estou indo para o hospital. Anoto tudo e só após encerrar a ligação, me permito vomitar na grama. As pessoas que passam por mim me olham enojadas, provavelmente achando que estou caindo de bêbada. Lágrimas escorrem quentes por meu rosto e mal consigo respirar com a dor pesando no peito, mas ergo a cabeça e me levanto com as pernas trêmulas. Limpo minha boca rudemente com as costas da mão e vou andando para o meu apartamento, à poucas quadras de onde está rolando a festa, mas ainda assim longe para uma caminhada. Corro pela rua escura com as calçadas ladeadas por árvores, sempre tive medo de me aventurar pelo campus à noite e sozinha, mas eu estou tão nervosa que mal penso na possibilidade de ser atacada. Chegando em casa a primeira coisa que faço é trocar de roupa. Não posso aparecer lá vestida dessa forma! Com minha bolsa à tira colo eu busco por meus documentos e o meu cartão contendo todo o dinheiro que eu havia guardado nos últimos meses na poupança. Quando enfim acho que tenho tudo em mãos eu respiro fundo e tento raciocinar. A cidade onde eu fui criada fica a três horas da faculdade onde estudo. Pego as chaves do carro da Nathy em cima do balcão da cozinha sem nem pensar duas vezes e vou embora às pressas. Minha amiga deve me perdoar quando souber o motivo do sumiço do seu precioso carro. Ou pelo menos, assim espero.
Capítulo 2 — Porra! Quantas vezes eu tenho que pedir para que me entregue essa droga de contrato? Bato minhas mãos contra a mesa de mogno do meu escritório e me arrependo assim que sinto a dor se alastrar dos dedos até o braço. Minha paciência já se esgotou, essa assistente nova é lerda demais, já é a terceira vez que peço pela mesma coisa e nada! Preciso ler o maldito contrato antes que a reunião comece, e agora tenho menos de uma hora para me preparar. — De-Desculpa senhor Knight! A impressora estava sem tinta e tive que trocar o cartucho... — Achei que tivesse dito que era proativa na entrevista! Como deixou que algo assim acontecesse, hein? — Me...me perdoa! Já venho trazer os papéis... A assistente, da qual não lembro o nome, se desculpa profusamente antes de sair em busca do bendito contrato. Percebo uma lágrima escorrer pelo seu rosto no instante em que se vira e, vendo aquela cena, sinto que minha cabeça vai explodir. Merda! Massageio minha têmpora e inspiro fundo algumas vezes para controlar o estresse. — Cara, o que foi que você fez dessa vez? Aperto os olhos com força e passo as mãos pelos meus cabelos antes de olhar o meu irmão mais novo que acabara de entrar sem permissão, como de costume, na minha sala. — Eu não fiz nada, Gabe! Aquela assistente é que não sabe fazer o trabalho dela. — James, não precisava fazer a pobre coitada chorar... — Se não aguenta a pressão, então devo demiti-la! Eu avisei a maneira como as coisas são aqui na empresa logo na entrevista e ela aceitou. Gabe me encara por um longo momento sem falar nada e então balança a cabeça. — Cara, eu e Pete concordamos que precisamos conversar. Já sei sobre que os meus irmãos querem conversar, mas finjo ignorância a respeito. — Então conversem os dois, ué! Agora me dê licença, preciso organizar a papelada antes que os nossos clientes cheguem. — Não se faça de desentendido, James. Precisamos conversar, nós três. A porta se abre novamente e eu me levanto, achando que é a tal assistente me trazendo o contrato. Fecho a cara quando vejo que é o meu outro irmão. Cacete! Cadê. A. Porra. Da. Minha. Assistente. Imprestável? — O que você quer, Pete? — esbravejo. Meu irmão do meio levanta as mãos para o alto e me olha espantado. — Opa! Calma brother, só vim avisar que os slides e tudo o mais estão prontos na sala de reunião. Meus irmãos gêmeos me olham preocupados, o que só piora o meu humor. Odeio que me olhem dessa maneira. Não suporto que sintam pena de mim. Eu deveria ser o mais forte — sendo o irmão mais velho, ainda que por alguns minutos — sou eu quem devia me preocupar com o bem estar deles. — Obrigado por avisar, Pete. E você, Gabe? — Amanso o meu tom de voz o máximo que consigo. — Como já disse antes, eu consegui baixar os números, o projeto está bem mais viável sem perder a qualidade. — Ótimo! Os contratos estão prontos, mas preciso deles impressos! Mal termino de falar e a porta se abre novamente, minha ampla sala parece menor com tanta gente aqui dentro. — Aqui está senhor, desculpe a demora. — Ela me entrega os documentos com as mãos trêmulas e seu olhar fixo ao chão. — Evite que isso aconteça novamente, ou então será demitida. A mulher assente e vai embora. — James! Você não pode tratar uma funcionária dessa maneira, cara! — Gabe me admoesta e vejo que Pete concorda. — Brother, você precisa de umas férias, se divertir um pouco. Está ficando cada vez mais ranziza, pô! — Não preciso de nada disso! Amo o meu trabalho, por mais que seja estressante ás vezes... — Afrouxo a gravata, sentindo-me sufocado. Meus irmãos trocam olhares. — James... você só vive aqui no escritório. Não têm saído com a gente, nem com seus amigos. — É, brother. Nós não dissemos nada antes por respeito... mas não acha que já passou da hora? Merda! Não acredito que esses filhos da mãe estão me dizendo isso! Sinto o meu coração bater contra o tórax tão forte que fico com falta de ar. As lembranças tentam se apoderar de mim, me sufocando, mas eu luto contra elas e as bloqueio. — Vocês não sabem do que estão falando, porra! — Cara, nós sabemos que você odeia que toquem no assunto, mas já faz quase dois anos desde que ela se foi. — Gabe encolhe os ombros e sua expressão fica mais séria, algo incomum de se ver. A pressão no tórax aumenta a cada palavra que sai da boca de Gabe, minha visão fica turva e luto para não transparecer minha dor. Porra, eu não quero sentir isso! — Eu sei que você a amava e respeitamos o seu luto, mas já está na hora meu brother... — Fecho os olhos com força ao ouvir Pete, e quando os abro vejo tudo vermelho — Stacy não gostaria de te ver desse modo. Se afastando cada vez mais das pessoas e se tornando esse ser que parece prestes a explodir a qualquer segundo! Vôo pra cima dele com a mão fechada em punho, mas Gabe me segura antes que eu acerte o rosto do meu outro irmão. Me solto bruscamente dos braços de Gabe e me afasto dos dois, antes que desfigure os seus rostos. Chego a parar para pensar como seria mais fácil de nos discernir se eu fizesse isso, mas inspiro fundo e acalmo meus nervos. — Não abram mais a boca para falar sobre isso! — Afasto-me até minha mesa com o peito arfante — Eu estou bem da maneira como estou lidando com minha vida. O trabalho é a única coisa que me preenche o vazio que Stacy deixou. — Desculpa, James. — Eles dizem em uníssono. Quando enfim acho que o assunto está por encerrado, ouço o Gabe falar: — Mas você tem que admitir que está fora de controle. Tive que pagar uma nota na indenização de Suzanna. Olho para ele incrédulo. — Suzanna? Quem é essa? — Sua última assistente, aquela que se demitiu por justa causa! Esfrego as mãos no meu rosto quando enfim lembro-me de quem ele está falando. Suzanna se demitiu quando gritei com ela, e com razão, por ela não ter me passado a ligação do meu cliente mais importante. Tudo bem que pedi para avisar que estava fora enquanto eu redigia a porra do contrato desse mesmo cliente, mas fui claro ao dizer que se fosse relacionado a ele, era para me passar as malditas ligações. — Nós somos seus irmãos e te amamos, mas nem a gente está aguentando, bro. Encaro os dois sem palavras, tenho estado com a cabeça quente ultimamente, admito. Mas não imaginava ser tão grave assim. — O que vocês dois me sugerem então? Que eu tire as benditas férias? E então o que será das reuniões agendas nesses meses todos, hein? — Cruzo os braços à espera da brilhante resposta. Pete coça a cabeça e olha para o Gabe. Os dois se comunicam em silêncio, coisas de gêmeos, por isso também compreendo o significado daqueles olhares. — Nem fodendo! Literalmente! — Nego veemente com a cabeça, tremendo de raiva. — Mas você está precisando, cara! Vamos sair essa noite e arrumar uma gata para você. Posso sentir a pressão do sangue subindo até a minha cabeça. Só de me imaginar com outra mulher sinto como se estivesse traindo a Stacy. Confesso que sai com algumas mulheres, mas todas as vezes que terminava a foda eu me sentia péssimo. A culpa era tanta que sequer sentia prazer no ato do sexo, tinha que fechar os olhos e imaginar minha esposa para poder gozar. Lembrava-me do seu perfume de rosas misturado com seu suor, seus cabelos pretos revoltos contra o travesseiro e os sons que ela emitia a cada estocada minha. Desisti de buscar prazer em outras mulheres e desde então alivio a tensão com as mãos mesmo, buscando em minha memória a sua perfeição. — Não adianta, porra! Vocês não acham que já tentei? Depois desses vinte meses, acham mesmo que não transei com outras? Os olhares de alívio deles só aumentam minha raiva. Parece que a única coisa que os preocupavam era se eu havia transado. Caralho, do que adianta transar e não sentir a porra do desejo? — Não deve ter tentado direito então, brother. — Pete balança a cabeça sorrindo, me dá vontade de quebrar seus dentes. — Não se feche pro mundo, James. Há tanta mulher legal por ai... não tô dizendo que é para você se apaixonar de novo, mas se divertir e relaxar. — Não estou a fim de conhecer ninguém. — resmungo. — Mas é o que tô tentando dizer, cara! Não precisa conhecer! Não precisa sequer saber seu nome... — Não sou como você, Gabe. — Passo os dedos por meus cabelos curtos e os levo até a nuca. — Brother, faça o que quiser. Só por favor... Alivie essa tensão. Se não quiser sair por ai atrás de sexo gostoso o problema é seu! Mas não venha nos encher o saco, não aguentamos mais essa merda! Alguém bate na porta me impedindo de dar uma boa resposta ao Pete. — Entre! — Com licença. O senhor Mitchell e sua equipe chegaram. — Minha assistente comunica num sussurro irritante. Puta que me pariu! Os filhos da mãe ficaram me perturbando tanto que nem tive tempo de reler os papéis! Agora já era, a reunião deve começar. Minha pressão aumenta fazendo a dor de cabeça voltar com força total. Gabe e Pete me fitam preocupados quando me flagram massageando novamente a têmpora, um gesto comum ultimamente. Talvez eles tenham alguma de razão. Não concordo em tudo, mas realmente eu preciso relaxar um pouco e me aliviar dessa tensão. Antes que eu exploda de vez.