O herdeiro
Capítulo 1 Aposta

A aposta Dezesseis anos antes... O cheiro do local é forte, a mistura de álcool e nicotina estão ajudando a embrulhar o estômago de Roger Moraes, o tão temido herdeiro da Laços de Sangue, mas ali, olhando para o seu pai John Moraes e seu padrinho Dimitri Bittencourt, a única coisa que ele sente é repulsa. Os dois homens em que ele se espelhou a vida toda, neste momento o olhavam em expectativa, tentando persuadi-lo a fazer aquilo que achavam ser o certo. Roger deixou de ser o filho de um dos líderes para se tornar o pai da garotinha em questão. — Eu não farei isso. — Seu tom foi firme, nunca seria o causador da infelicidade da sua princesinha. Diante da resposta do filho, John estalou a língua em forma de reprovação. — Roger você sabe que isso não é uma escolha, é um dever. — O patriarca encarou o filho em forma de ameaça. O mesmo olhar que fazia Roger recuar quando era criança, mas agora ele é o pai da garotinha que todos ali presentes pretendem tirar um futuro feliz. Para Roger fazer Tayla perder o direito de escolher o próprio marido nunca seria um dever, seria uma escolha e ele estava disposto a lutar por ela. — É a felicidade da minha filha que está em jogo. — Ele protestou, ainda olhando nos olhos do pai, sem medo, sem respeito, apenas colocando o seu bem mais precioso a frente de qualquer juramento de sangue que já tenha feito. — Sua filha será feliz Roger. — Pela primeira vez Alfredo Bittencourt abriu a boca. A atmosfera entre pai e filho se suavizou, ambos desviando o olhar para o Bittencourt. — Não são seus filhos que estão em jogo. — Roger devolveu, mais ácido ainda, mais irritado do que antes. Alfredo antes de ser sócio de Roger, era seu amigo, praticamente irmão, ele deveria estar ao seu lado e não dos atuais líderes da máfia. — É aí que você se engana, meu filho também perderá o direito de escolher a própria esposa. — Alfredo o lembrou, já que o seu primogênito seria o destinado a cuidar da pequena Tayla. Roger encarava o amigo com faíscas no olhar, ele estava ferido, preocupado e com medo, realmente ele estava com medo, a possibilidade de sua esposa e filha odiarem-no era imensa e isso era a razão de seu maior tormento. Resultar no ódio eterno das duas mulheres que ele mais ama na vida estava fora de cogitação. — Christopher é dez anos mais velho que Tayla, isso nunca daria... — Roger voltou a negar, mas o pai o cortou. — Tayla é minha neta, eu também a amo e se estou aqui te dizendo que isso é o certo a ser feito, é porque é a verdade, ela não estará segura sem os laços concluídos. Saber que o perigo para a menina vinha de dentro da própria família deixava Roger ainda mais frustrado, uma parte dele sabia que aquilo era o correto, mas a parte maior queria que ele negasse até o fim. — Não, eu não aceito. — Ele negou firmemente, levantando-se da mesa de reunião e se dirigindo à porta. Alfredo olhou para o pai, concordando que aquela era a hora do segundo plano. — Então vamos apostá-la. — Os olhos azuis do comunicador brilharam em aprovação. Roger que já segurava a maçaneta da porta, parou no caminho, virando-se para encarar o Bittencourt. — Como? — Ele perguntou, querendo ter cometido um maldito engano na compreensão da frase, mas os olhares atentos dos principais integrantes da Laços de Sangue confirmaram que Roger não tinha entendido errado. — É simples Roger, uma partida de pôquer, se eu ganhar, Tayla tornar-se-á uma Bittencourt, mas se eu perder, acharemos um outro jeito. — Alfredo blefou, ele sabia que não existia outra maneira da menina estar segura. Roger sentiu o estômago arder com o impacto das palavras do até então amigo. Ele não estava preparado para aquilo, achava que de todos ali presentes, Alfredo seria quem o apoiaria. — Isso é um absurdo, minha filha não será apostada. — Ele se virou novamente para a porta, tentando convencer-se de que existia outra saída. Alfredo se levantou e andou até Roger. — Você sabe que Tayla não está segura. — Ele encarou os olhos castanhos do amigo, que refletiam angustia. Esse fato fez com que o Bittencourt insistisse, sabendo que ele cederia. — Christopher fará ela feliz, eu lhe prometo isso. — As palavras pronunciadas atingiram Roger em cheio. Ele sabia que a promessa era vazia, Alfredo não tinha como saber se os dois se tornariam amigos, não saberia garantir se os dois um dia se amariam. Roger por outro lado, sabia que o amor era algo estranho, que a união obrigatória de um casamento, poderia sim tornar-se um amor verdadeiro. E foi com esse pensamento que ele acabou aceitando a proposta. Com "Straight" em mãos Roger estava confiante, talvez desse tempo de voltar atrás e encontrar outra solução para esse problema, talvez o filho de um dos principais integrantes da máfia a conquistasse e a jovem nunca saberia que foi apenas uma obrigação do rapaz, talvez Tayla fosse feliz, mas assim que Alfredo colocou sobre a mesa a sua jogada de mestre, "Four of a king", as esperanças de Roger foram por água abaixo, ele acabara de perder Tayla para um Bittencourt. Se isso era o correto a ser feito, então por que o coração dele doía tanto? Alfredo nunca perdeu uma partida e essa não seria diferente. — Quando ela atingir a maior idade eu irei buscá-la e Tayla será uma Bittencourt. E assim foi selado o destino da jovem Tayla diante dos principais integrantes da Laços de Sangue... O aniversário Dias atuais... O mês de agosto tinha iniciado e com ele o aniversário de Tayla que estava completando dezoito anos, tinha saído do ensino médio com excelentes notas e recebido a carta de aceitação da universidade que sonhou a vida toda. — Estou tão orgulhosa de você. — Lúcia abraçou a filha. Tayla sempre foi o orgulho dos pais, na escola sempre estava entre as dez melhores da turma, na adolescência preferia estar em casa aproveitando um bom livro, em vez de sair com os amigos. Vinda de uma família de classe média, Tayla cresceu sabendo valorizar o que tem e isso é uma das suas principais qualidades. — Obrigada mãe, estou tão feliz. — A jovem agradeceu com lágrimas nos olhos. Hoje seria o dia em que comemorariam não só mais um ano de Tayla, mas também a sua aceitação na universidade que sempre sonhou. New York University, o lugar onde ela sempre quis se formar e dedicar horas do seu dia estudando a tão sonhada e emocionante medicina pediátrica. Roger ouvia o diálogo das duas mulheres da sua vida e a preocupação estava evidente em seu olhar. Os anos se passaram e a coragem de contar o que tinha feito a dezesseis anos nunca chegou. — Está tudo bem pai? Você parece preocupado. — Tayla perguntou aproximando-se dele. Roger, por sua vez, puxou-a para um abraço, temendo que esse fosse um dos últimos, já que a ida da filha para a casa dos Bittencourt estava próxima. — Não é nada filha. Parabéns, eu estou muito orgulhoso de você. — Ele foi sincero, escondendo para si mesmo o medo de perder as duas. Lúcia o olhava intensamente, ela conhecia o marido, sabia que ele estava escondendo alguma coisa, mas preferiu não o confrontar diante da filha. — Tem certeza que está bem? O senhor está pálido. — Tayla perguntou novamente, o encarando com os olhos castanhos preocupados. A preocupação da filha, tão parecida com a mãe, fez com que o homem apenas se odiasse mais, ele perderia a filha e também a esposa. E não existia maneira alguma de evitar isso. Perdê-las seria a sua ruína. — Eu... Eu preciso contar uma coisa a vocês duas, já deveria ter contado isso a muito tempo... — Ele começou sentindo a angustia tomar conta de cada parte do seu ser. Lúcia se aproximou dos dois olhando para o marido com carinho e evidente preocupação, ela amava tanto aquele homem, saber que algo o atormentava deixava a mulher na mesma situação. — Pode falar pai. — Tayla quebrou o silêncio que estava no quarto, fazendo seu pai parar de olhar sua mãe e encará-la agora. — Eu me arrependo tanto... — Ele começou, mas o furacão chamado Beatriz adentrou o quarto de Tayla sem bater. Roger, que já estava preparando-se para confessar, calou-se, olhando a morena, melhor amiga de sua filha. Beatriz ficou visivelmente envergonhada. — Desculpem-me, achei que Tay estivesse sozinha. — Ela começou a falar, diante dos três pares de olhos castanhos sobre ela. — Tudo bem Bea, meu pai queria contar-nos algo... — Tayla deixou que o pai continuasse, mas o assunto era familiar então Roger deixou para contar mais tarde. — Depois eu converso com vocês, pode se divertir filha. — Ele falou, pegando a mão da esposa e a levando do quarto. Lúcia tentou tirar o que quer que fosse do marido, mas para Roger contar aquilo seria mais do que doloroso, então ele optou por fazer isso na presença de Tayla. — Eu não queria ter atrapalhado vocês. — Beatriz se desculpou novamente. Mesmo Tayla estando angustiada e com um péssimo sentimento sobre o que o pai contaria, ela colocou um sorriso no rosto e falou: — Você nunca vai atrapalhar Bea, agora o que tem aí? — Ela pegou o embrulho da mão da amiga, sabendo o que era, afinal desde pequenas ambas trocavam o mesmo presente todos os anos, mas Tayla sempre se via ansiosa para pegar, sentir o cheirinho de novo e embarcar em uma nova aventura. O livro ainda estava na embalagem, ela o abriu com cuidado e leu o nome. — O Duque e Eu, de Julia Quinn, o primeiro livro da série os Bridgertons. — Sorriu satisfeita e logo o levou ao nariz inalando o delicioso cheiro. A aniversariante sempre foi apaixonada por romances de época. Bea a olhava em expectativa, esperando a hora que a amiga começasse a reclamar. — Eu não acredito, você faz isso todos os anos, agora terei que gastar para matar a vontade de ler o restante da série. O sorriso da melhor amiga de Tayla foi maldoso. Beatriz sabia ter sua beleza exótica, dona de um tom de pele negro, um rosto delicado, um sorriso encantador, os cabelos longos com cachos definidos e, para completar o pacote, os olhos de um verde quase amarelado, herança de família. Porém o que mais chamava a atenção na jovem eram a sua bondade, sua educação e seu caráter, coisas essas que ninguém seria capaz de tirar dela. — Eu tenho a série toda caso queira emprestado. — Beatriz ironizou, sabendo o quanto a amiga de infância era teimosa e amava ter seus próprios livros. A aniversariante revirou os olhos pronta para revidar, mas a presença do melhor amigo na porta chamou sua atenção. O sorriso de Theodoro para Tayla foi contagiante e ela sorriu de volta. O olhar castanho claro, o porte alto e o corpo bonito, estavam encostado no batente, olhando para as duas, estava confortável no quarto dela, afinal os três cresceram juntos, em uma amizade pura e fiel. — Você está linda Tay. — Ele caminhou até ela, pegou-a em seus braços, rodando-a e depositando um beijo em seu rosto. Bea reclamou algo, dizendo que no seu aniversário não foi paparicada assim, Theo a puxou também para o abraço e ambos permaneceram ali, desfrutando da amizade que nasceu no coração dos três há muito tempo. Quando Theodoro estendeu o presente em direção a Tayla, ela percebeu o olhar que ele dirigiu a Beatriz. — Vocês dois estão me escondendo algo! — Ela reclamou, abrindo o embrulho com cuidado. Quando a embalagem já tinha sido aberta, ela sorriu lindamente. — O Visconde que me amava, o segundo livro da série. — A emoção era tanta, não por apenas ganhar os presentes, mas sim por se tratar de livros. Qual melhor presente do que livros? — Ainda bem que esse ano você comprou o certo. — Bea empurrou o ombro de Theodoro o provocando. — Não teria como errar, já que você ficou na minha cabeça um mês inteiro! — Ele reclamou, ainda olhando para Tayla, que agora cheirava o segundo livro, mania essa que ele achava adorável na garota. Para Theodoro, tudo em Tayla era adorável, tanto que no começo da adolescência dos dois, ele se viu apaixonado pela menininha de cabelos lisos e olhos castanhos brilhantes, mas a coragem de contar os seus reais sentimentos nunca chegou. — Vocês são os melhores amigos que eu poderia ter. — Tayla comentou emocionada. — Feliz aniversário nanica. — Theo desejou, seguido de Bea que abraçou os dois novamente. Assim que Tayla colocou os novos livros na estante, eles desceram para a festa. Realmente tinha vários amigos dela ali presentes, a maioria era colega de classe do ensino médio. A festa estava perfeita até a campainha tocar, Tayla foi quem atendeu. A jovem garota abriu a porta sorrindo. — Em que posso ajudar? — Ela perguntou ao desconhecido na sua frente. Ele estava com um terno elegante e os olhos azuis presos nela. Tayla não deixou de reparar nos outros dois homens que o acompanhava. Ambos altos e devidamente uniformizados, seguranças, ela presumiu. Mas por que alguém teria que andar com dois seguranças? A jovem se perguntou. — Tayla como você cresceu! — O tom do homem saiu como se ambos se conhecessem há anos. — Acho que o senhor está se confundindo, eu não lhe conheço. — Não estou me confundindo, mas realmente você não me conhece, sou Alfredo Bittencourt. — Ele estendeu a mão para a garota que simplesmente aceitou o gesto. Mal sabia ela, que ele é o responsável por sua vida mudar de uma hora para outra. — Tayla Moraes. — Apresentou-se mesmo sabendo que ele a conhecia. — Gostaria de falar com seu pai, presumo que ele sabia que viria hoje, buscar o que agora pertence à família Bittencourt. Mesmo confusa, Tayla forçou-se a perguntar. — O senhor quer entrar? — Sua resposta foi apenas um aceno de cabeça negando. Ela foi a procura do pai, encontrando-o dentro de seu escritório. — Pai tem um senhor na porta querendo falar com você. — Ela avisou. — Quem é? — Roger perguntou ainda encarando os papéis em sua mão. — Alfredo Bittencourt. — A jovem respondeu, percebendo quando o pai começou a empalidecer. — Ele não deveria ter vindo hoje. — Roger respondeu levantando-se caminhando até a filha. — Tayla, antes de tudo, eu quero que você saiba que eu te amo, mais do que tudo, amo-te de verdade. — A cada palavra, a sinceridade era mais evidente. — Pai eu também te amo de verdade. — Ela o abraçou. — Promete que vai lembrar disso? Apesar de qualquer coisa? — Ele implorou, segurando as mãos da filha. — Pai, o que foi? Você está gelado. — Só me prometa. — É claro que vou me lembrar, eu prometo. — E com um beijo na testa da filha, ele se afastou sentindo seu mundo desmoronar enquanto caminhava até o jardim da sua casa. Tayla voltou para a festa, mas a preocupação com o comportamento do pai ainda a perturbava e só se dera conta do quão grave era a situação quando viu sua mãe entrar pela porta chorando. Para Lúcia chorar, precisava ser algo muito grave. — Mãe, o que foi? — Perguntou subindo as escadas atrás dela. — Eu sinto muito, se eu soubesse antes, nunca teria deixado isso acontecer. Tayla apenas a abraçou em um gesto de apoio, sem saber o que estava acontecendo. — Mãe, acalme-se, não se esqueça da sua pressão. — Lúcia, precisamos conversar. — A voz de seu pai foi ouvida logo atrás das duas. Roger estava com uma expressão derrotada, ele segurava no corrimão da escada. Os olhos vermelhos demonstravam a força que ele estava fazendo para não derramar as lágrimas que marejavam seus olhos. — Eu não quero conversar com você, como pôde? Tayla é apenas uma menina e você fez isso? — Lúcia gritou e a forma como ela olhou para Roger fez o coração do homem se apertar ainda mais, tornando impossível segurar as lágrimas. Tinha uma decepção tão grande estampada nos olhos escuros dela, que Roger soube que seu casamento nunca mais seria o mesmo. — Pai, o que está acontecendo? — Tayla perguntou olhando o homem que sempre admirou, quebrar-se diante dela. — Filha, eu sinto muito, espero que um dia você possa me perdoar! — Roger disse de uma forma que arrancou o coração dela. — Pai, eu não entendo, o que eu tenho que perdoar? Mesmo sem saber o que era, a angustia estava ardendo no peito da jovem. — Seu pai perdeu você em uma aposta de pôquer, agora você terá que se casar com um Bittencourt, se você não for nós perderemos a nossa casa. — Nessa hora o mundo de Tayla caiu sobre sua cabeça. O quê? Como um pai apostou a própria filha? Casar? Ela nunca quis se casar, ainda mais com um desconhecido. Esse era o pensamento da jovem que sentiu seu coração se apertar. Nunca imaginou que o pai fosse viciado em jogos, mas apostá-la? Isso era demais! — Pai, você não fez isso! Diz para mim que não! — Ela gritou em meio ao choro. Pela primeira vez os pais viram a filha gritar, Tayla sempre foi calma, nunca nem se quer brigou com alguém e foi nesse momento que o pai soube que a filha nunca mais seria a mesma...

Capítulo 2 Mudança

A mudança Arrumar as malas foi a parte mais difícil para Tayla, ela não sabia quanto tempo passaria fora, não sabia se poderia se quer visitar os pais. O medo estava estampado em seu rosto. Lúcia que estava com ela no quarto, parou de arrumar as roupas da filha e a olhou. — Você não precisa ir filha. Tayla suspirou e olhou para o quarto. Ela havia crescido naquela casa, o único imóvel no nome dos pais, a única propriedade deles, ela nunca os faria perderem um bem tão valioso, não financeiramente, mas sim emocionalmente, afinal foram tantos momentos felizes em apenas um lugar. — Eu nunca deixaria vocês perderem essa casa mãe, ela faz parte da nossa história, faz parte dos nossos momentos felizes. — Seu pai foi quem estragou tudo, você nunca terá culpa de nada, fique e eu darei um jeito, nem que para isso eu precise matar alguém. — Eu irei, mas saiba que meu coração estará sempre aqui, com vocês, com essa casa, eu não posso e não vou deixar que o único imóvel da família seja tomado assim de nós. — A casa é o de menos, nós construiremos lembranças novas em outro lugar. Tayla voltou a suspirar. — Eu tenho medo daquele homem, sei que ele está disposto a me levar, se eu não for, ele voltará e será pior, eu sinto isso. — E era verdade, Alfredo Bittencourt estava disposto a levar a jovem. Tayla apenas abraçou a mãe, querendo diminuir não só a sua dor, como a de sua mãe também. Quando as duas desceram, todos os convidados da festa já tinham partido, somente Roger e o Bittencourt estavam na sala de estar. Os olhos castanhos, da aniversariante, fixados no Bittencourt, estavam repletos de medo. Medo do futuro desconhecido que a aguardava. Medo do casamento que poderia ter com aquele homem. Medo da crueldade que poderia sofrer. Ele por sua vez estava sério e calado, mas Tayla jurou ver tristeza em seu olhar. — Filha, eu sinto muito! — Lúcia disse em súplica. — Ei mãe, eu sei que a senhora foi pega de surpresa igual a mim, não se culpe. — Tayla a abraça apertado como se fosse a última vez. — Filha me perdoa. — Roger implorou. — Nunca imaginei que o senhor faria isso comigo pai, mas ainda é cedo para perdoar. — Confessou mesmo sentindo seu coração se apertar. Tayla ama seu pai mais que tudo na vida e nesse momento sente seu coração doer por ser assim tão fria com ele, nunca imaginou tratar o homem que mais ama dessa forma. — Vamos querida, já está anoitecendo. — Alfredo a chamou. Idiota! Era tudo o que Tayla pensava quando olhava para aquele senhor engravatado, marcando presença na sua sala de estar. Assim que Tayla saiu pela porta sentiu braços fortes a abraçarem. O cheiro familiar era delicioso e receber um abraço do melhor amigo era tudo o que ela precisava. — Como souberam? — Conseguiu perguntar mesmo sendo pressionada fortemente por ele. — Beatriz escutou quando sua mãe gritou com seu pai, aí dispensamos os convidados da festa. Queria que fosse tudo diferente, queria poder evitar isso. — Theo foi sincero. Beatriz estava parada ao lado da porta, a morena estava em prantos. — Eu também Theo, não sabe como está sendo difícil. — A jovem se esforçava para não chorar. — Mas pense minha linda, nós nos veremos todos os dias na universidade. — Ele disse tentando alegrá-la, mas não foi o suficiente. — Se me permitirem ainda estudar. — Tayla expôs seu pensamento, sentindo o corpo de Theo ficar tenso. Os amigos dela se assustaram com essa hipótese, ambos sempre sonharam em cursar o ensino superior, juntos, mesmo que a área fosse diferente, afinal Tayla queria cursar pediatria, Bea ser veterinária e Theo que já estava cursando administração há dois anos, uma vez que ele era mais velho que as duas. — Não diga isso, claro que irão deixar. — Bea falou tentando convencer a si. — Assim espero. — Tay completou e saiu do abraço do amigo. Indo correndo para os braços acolhedores de Bea. — Ainda nos falaremos todos os dias, certo? Tayla não sabia o que sua vida se tornaria, então ela apenas encarou os olhos verdes claros de Beatriz e respondeu sincera: — Juro tentar te ligar sempre que conseguir. Lúcia estava desesperada no jardim, quando soube que Tayla teria que ir embora, ela atacou o Bittencourt com todas as suas forças, os braços ainda latejavam com os socos que desferiu no peito do homem que estava levando a sua menina, mas ele não reagiu e tão pouco deixou que os seus seguranças os separassem, apenas deixou que Lúcia desferisse tapas e socos por ele todo, descontando toda a sua raiva. Nada daquilo adiantou, ela via o poder nos olhos azuis-claros do homem, sabia que ele estava decidido a levar Tayla. Lúcia sofria calada, no momento nada poderia evitar a ida da filha, seu maior medo era que Tayla pagasse pelos seus atos, ela temia que a consequência do que estava querendo fazer resultasse na filha. Então ela decidiu deixar a filha ir por hora, estava decidida a pensar calmamente e evitar problemas futuros. A cabeça fria é o segredo para a solução. Como dizia a sua falecida mãe. Quando Tayla se jogou nos braços da mãe, Lúcia só conseguiu encarar o maldito causador de tudo isso, seu olhar demonstrava o quanto estava disposta a recuperar a filha. Roger por sua vez evitava o olhar da esposa, ele estava angustiado, estava entre a cruz e a espada, ele sabia que aquilo não estava certo, mas sabia também que para evitar problemas maiores, Tayla teria que se casar com o Bittencourt. Não existia mais outra maneira, a única que existiu morreu junto com sua esperança de ganhar aquela maldita partida de pôquer há dezesseis anos atrás. Tayla entrou no carro preto, em silêncio, sem se despedir do pai e seguiu para sabe-se lá onde. O lugar que agora será a sua casa, sem data prevista para acabar. Lúcia encara a sua menininha ir embora e cai no gramado da casa aos prantos. — Você e essa maldita aposta acabou com a minha vida e com a vida da minha filha. — Ela gritou, pouco se importando com a presença dos amigos de infância de Tayla. — Meu amor, eu sinto muito, eu não tive escolha. — Roger tentava se desculpar e não percebeu o olhar atento de Theodoro em sua direção. — Não me chame de amor, você não tem mais esse direito, a única coisa que eu quero de você é o divórcio. — Dessa vez ela não gritou, ela apenas encarou o marido e ele percebeu que ela não estava mentindo, realmente queria o divórcio. Naquele dia Roger não perdeu apenas a filha, ele perdera também o casamento, já que Lúcia entrou decidida em casa e começou a fazer as malas. ∞∞∞ Tayla ainda chora baixinho no carro e Alfredo Bittencourt encara a cena com dor no coração. Ele sabia que não deveria ter feito isso, a aposta lhe custou muito, ele também perdeu o amigo de infância que amava como irmão, já que desde o dia que Roger perdeu a partida de pôquer ambos se afastaram. Alfredo tentou-se reaproximar, mas Roger cortou os laços, com ele e até mesmo com o pai, evitando fazer parte da Laços de Sangue, mas se não fosse ele quem “ganhasse” a jovem, poderia ser muito pior. — Fique tranquila menina, você será bem tratada lá. — Ele tentou consolá- la. — Eu não quero ser sua esposa, eu nem se quer quero casar. — Tayla acabou confessando. A risada do homem tomou conta de todo o carro. — Você não será minha esposa, eu posso ter muitos defeitos, mas esse não é um deles, acredite. Essa afirmação a deixou mais tranquila, mas não ao ponto de baixar a guarda. Se não é com ele, com quem será? Tayla se viu mais atordoada ainda, ela teria que se casar e nem ao menos conhecia o homem. O resto do percurso foi seguido em silêncio e a jovem rezava para que o carro nunca mais parasse, às vezes, a menina se beliscava para ver se não era um pesadelo, mas não, tudo era real, essa era a mais triste realidade dela agora. Tayla percebeu quando o carro parou na entrada de um condomínio muito elegante, a fachada era completamente deslumbrante, os vidros espelhados refletiam o carro preto elegante que a segurança da portaria deixou passar. Condomínio Bittencourt, a jovem não deixou de reparar no nome do local, tudo ali era daquela família, eles pareciam muito ricos e a aniversariante se sentiu ainda mais deslocada, esse não era o seu mundo, essa não era a sua vida. Quando o carro adentrou o local, a respiração dela falhou, o que já era lindo tornou-se incrivelmente belo, as casas eram parecidas em elegância, mas cada uma tinha sua beleza particular. O carro seguiu até o fim da rua, adentrando um grande portão preto, deixando à vista um lindo jardim iluminado pela luz da lua. A mansão era a maior e a mais bela do lugar, totalmente iluminada, a cor branca fazia contraste com o acinzentado do telhado e da escada, esta dava acesso à entrada principal. Simplesmente perfeito. Mas ela queria tanto estar agora olhando para as rosas da sua mãe em seu pequeno jardim e para a casa que chamou de lar desde que nasceu. — Vamos Tayla, desça. — Alfredo lhe estendeu a mão assim que o carro parou e ele desceu. A jovem saiu do carro ignorando a mão que lhe foi estendida. Não confiava em Alfredo Bittencourt e acreditava fielmente que não chegaria a confiar em algum dia. Olhando atentamente o local, em busca de uma possível fuga futuramente, Tayla acabou vendo as duas mulheres curiosas que andavam em sua direção. Uma é incrivelmente loira, os cabelos lisos e bem cuidados beiram o meio das costas e com lindos olhos azuis brilhantes, se tiver seus dezesseis anos é muito. Já a outra é uma senhora um pouco mais velha, com um sorriso meigo nos lábios, sua semelhança com a mais nova é impressionante, a única diferença são os olhos, já que os da mais velha são de um verde-esmeralda. — Querida essa é a Tayla. — Alfredo apresentou a jovem que estava grudada no carro. — Ela se transformou em uma linda mulher. — A senhora olhou encantada para Tayla. O olhar confuso da recém-chegada estava óbvio. Essa mulher a conhecia de onde? — Oi, eu sou Megan. — A adolescente puxou Tayla para um abraço apertado, sem saber o que fazer Tayla apenas permaneceu parada. — Megan tenha modos, ela ainda está assustada. — Alfredo chamou a atenção da filha. — Olá! Eu sou Angélica e essa é Megan, minha filha. — A jovem olhou para as duas e percebeu de onde vinha a semelhança, eram mãe e filha. — Sou Tayla. — Isso eu sei desde sempre Tay, posso te chamar de Tay, não é? — Megan perguntou toda feliz. Para Meg, a presença de Tayla ali era mais que boa, ela sempre sonhou com esse dia, que por fim, sua “irmã” chegaria. — Claro Megan. — Tayla tentou ser gentil, mas no momento ela só queria correr para longe dali. — Me chame de Meg, eu gosto mais. Agora vem, vou te mostrar seu quarto, eu mesma que decorei. — Disse e foi puxando a jovem casa adentro. — Megan vai com calma, é tudo novo para ela. — Eu sei papai. — A menina revira os olhos. Então ela é a filha do Alfredo e a loira elegante é a esposa. Tayla não evitou a respiração aliviada, por fim acreditando na palavra do homem, ele não era o noivo. Mas quem seria afinal? Depois de subir a escada e entrar eu um longo corredor, Megan abriu a segunda porta a direita. — Não é lindo? — Perguntou olhando o quarto branco com detalhes dourado. Tayla olhou o local, era muito bem decorado, a cama de casal coberta com um edredom branco e vários travesseiros. Era enorme demais para ela que media apenas um metro e sessenta e dois centímetros, a escrivaninha no canto combinava com a cama, também branca. — Bom, eu soube que você ama ler, então coloquei uma estante. — Megan comentou. Tayla se virou e viu a grande coleção de livros que estava a seu dispor. Megan havia colocado a estante na parede oposta à da cama, cada parte ali estava coberta de livros, exceto a janela de vidro, que estava bem no meio. — Nossa! — Tayla comentou, caminhando até lá e olhando atentamente os livros. A maioria estava na embalagem ainda. Mas mesmo assim preferia o seu antigo quarto, com pôsteres de sua banda favorita, colados na parede e sua pequena estante de livros. Ela queria estar no seu lar, aproveitando a companhia dos seus pais e amigos, não ali. Ela sentiria tanta falta. — Olhe o banheiro. — Megan abriu a porta e Tayla reparou na enorme banheira que estava ali, para ela, o lugar era extremamente luxuoso, não combinava com ela aquele ambiente. — E esse é o seu closet, vamos fazer muitas compras juntas, eu, você e a Bruna, vou te apresentar a ela, é a minha melhor amiga. Tayla se aproximou da porta do closet e o olhou. — Meu quarto era desse tamanho. — Pensou alto. Sem mais ter forças deixou as lágrimas caírem e se sentou na porta do closet ainda com Megan a encarando. — Desculpe, eu devo ter exagerado, eu costumo exagerar, mas não precisa chorar Tay. — Meg diz culpada, sentando ao seu lado e segurando a sua mão em um gesto de apoio. O ato pegou a jovem Tayla de surpresa, nunca imaginou que uma pessoa como Megan, criada em um mundo carregado de riqueza se sentaria no chão ao lado dela. — Tudo bem, a culpa não é sua. — Tayla tentou inutilmente secar o rosto, mas as lágrimas brotavam cada vez mais. — Por que você não toma um banho? Depois pode descer para jantar, você precisa conhecer o Christopher. — Megan sugeriu, dando uma piscadinha para a futura cunhada. — Eu vou tomar um banho sim, mas primeiro preciso pegar a minha mala. — Vá e aproveite seu banho, eu peço para alguém trazer as suas coisas. Assim que Megan saiu do quarto, Tayla entrou no banheiro e olhou para a imensa banheira. Não seria tão ruim assim usá-la, seria um excelente motivo para demorar a descer. E assim ela fez, encheu a banheira, despejou o sabonete líquido e entrou, tomando o cuidado de não molhar os cabelos, afinal se molhasse teria que secar, cabelos compridos significam horas de atraso. Depois de já não poder mais evitar descer, com as mãos trêmulas e frias, Tayla saiu do quarto e caminhou para a sala de estar. Ainda no topo da escada conseguiu ver três caras sentados com a Megan e seus pais. — Quando ela descer eu quero que se comportem meninos! Não a assustem mais do que ela já está! — Angélica alertava aos filhos. — Tudo bem mãe, mas ela ainda está igual as fotos? — Um deles perguntou. Tayla prestou atenção nesse detalhe. Fotos? Eles tinham fotos minha? Então eram a partir de fotos que todos a conheciam? — Olhe você mesmo, Elliot. — Meg deu um aceno com a cabeça. Assim que os três irmãos, que ainda não conheciam Tayla pessoalmente, olharam para ela, abriram a boca. — Uau! — Elliot deixou escapar enquanto olhava a linda menina de cabelos negros e lisos até a cintura, a pele branca combinava perfeitamente com a cor dos olhos, um castanho brilhante. — Tayla, venha aqui minha filha. — A jovem olhava para todos tentando adivinhar qual seria o Christopher. — Oi. — Seu tom foi baixo e envergonhado devido aos três pares de olhos claros sobre ela. — Esse é Elliot, meu segundo filho. — Angélica indicou o homem de olhos azuis fascinantes, cabelos castanhos e um belo sorriso, o mesmo que tinha perguntado sobre a tal foto. — Oi Tayla, você está muito mais linda do que nas fotos. — Elliot se levantou e deu um beijo na mão direita de Tayla. — Mamãe esqueceu-se de dizer que Elliot é muito atrevido. — Megan disse com um risinho. — Deixa o Chris ver isso. — O que estava sentado no meio comentou. — A propósito esse é Ethan, o meu terceiro filho. — Dos três ele era o mais parecido com a mãe, com lindos olhos verdes e cabelos de um tom de loiro claro. — Seja bem-vinda Tayla. — Ele comentou apenas isso, educado. — E esse é Matthew, o caçula dos homens. — Angélica comentou mostrando um jovem tímido que deve ser pouca coisa mais velho que Tayla, o cabelo dele era parecido com o céu noturno de tão escuro e brilhante, os olhos também tinham o tom azul fascinante, ele era muito parecido com o pai. — Megan vai chamar o Christopher, ele está demorando muito. — Alfredo mandou. Assim que Megan saiu, Tayla se sentou no sofá oposto aos irmãos, estes ainda a encaravam, principalmente Elliot que nem se quer disfarçava. — Então Tayla já está na universidade? — Ethan perguntou para quebrar o silêncio. — Fui aceita, ganhei a bolsa para medicina. – Ela contou com um sorriso orgulhoso. — Oh! Temos uma estudiosa aqui, a bolsa de medicina é muito difícil de conseguir. — Elliot constatou. — Sim eu tive o privilégio, mas não sei se vou estudar. Nessa hora Christopher se surpreendeu com a voz doce que escutou assim que se aproximou da sala de estar. Curioso ele encara a dona dessa voz, a jovem com enormes cabelos lisos estava vestida em uma regata branca e um shorts jeans de lavagem clara, encantadoramente linda, mas Tayla ainda não tinha se dado conta da presença dele, já que estava conversando e sorrindo para Elliot. Sem a permissão de Christopher, o seu corpo reagiu à garota e no mesmo instante ele ficou incomodado com ela sorrindo para o irmão. — Atrapalho? — Sua voz saiu mais brava do que deveria e nesse instante Alfredo soube que tinha feito à escolha certa...

Capítulo 3 Toque

O toque Assim que Tayla olhou para o dono daquela voz grave e rouca, sentiu seu coração se acelerar. Que homem era aquele? Talvez um filho de Adônis, pois a beleza era digna de um deus grego. Diferente dos irmãos, Christopher era o único que tinha barba, possuía os cabelos em um tom de loiro escuro com algumas mechas mais claras e o tom azul de seus olhos era diferente, não era tão claro quanto o dos irmãos, parecia um tom de azul-marinho perfeito. O homem em si era perfeito aos olhos de Tayla, aqueles olhos exóticos o marcavam, mas a barba o deixava ainda mais atraente. Tay nunca prestou atenção em homens com barba, mas depois que viu em Christopher, ela, com certeza, começaria a reparar. Talvez a beleza do homem nem fosse tanta, mas aos olhos dela, ele era o homem mais lindo que já havia visto. — Tayla, esse é o Christopher, o meu primogênito. — Foi Alfredo quem apresentou. Tayla nunca imaginou que seria possível existir tanta beleza em uma só pessoa. Christopher encarava a jovem com o cenho franzido, tentando mostrar indiferença. Aos olhos dos irmãos ele conseguia, mas o pai conhecia muito bem o filho e percebeu nesse momento que Christopher havia se interessado pela garota. — Tayla. — Ela se apresentou depois que Megan a cutucou. Christopher apenas a encarou e depois olhou para o pai. — Agora que já nos apresentaram, eu posso voltar para casa. — Christopher afirmou. — Pai, acho que você errou no noivo, Christopher nem se quer foi cavalheiro. Eu serei o marido ideal para ela. — Elliot disse tão casual que parecia estar apenas comentando sobre o tempo. Tayla paralisou no lugar. Então Christopher era o seu noivo? Teria que se casar com aquele homem incrivelmente belo e irritantemente arrogante que a ignorou cem por cento? Será que ele era a favor daquela mentira toda? Pelo visto não. Será que ela seria obrigada a consumar o casamento? O pensamento fez a jovem ruborizar, imaginar aquele homem como o seu marido a deixava com uma sensação diferente no estômago. Mas diante do olhar de todos, o rubor no rosto de Tayla foi causado pelas palavras de Elliot. E a raiva que Christopher tentava controlar se tornou ainda maior. Ele se controlava para não estrangular o irmão ali mesmo, na frente da sua família. Talvez a mãe o perdoasse, já que Elliot não servia para nada mesmo. Para Christopher aquilo era demais, ele deu um passo para frente em direção ao irmão, mas foi impedido pelo pai que segurou o seu braço. Depois, o silêncio que se instalou na sala chegou a ser palpável de tão tenso. — Para mim tanto faz, eu não pedi para casar com ela. — Ele falou com desdém, os olhos fixos em Tayla. Elliot sorriu e se levantou, sabia que a paciência de Christopher era curta e mesmo assim se sentou ao lado de Tayla e pegou a sua mão. A garota estava fria, não queria ser a causa das brigas dos irmãos. — Chega Elliot, Tayla é noiva do seu irmão, mesmo ele sendo contra. — Angélica chamou a atenção do filho atrevido. Elliot realmente tinha achado ela uma graça, se encantou pela garota, mas nunca seria capaz de roubar a mulher de um irmão, ele e Christopher sempre foram muito unidos. Sem contar que o punho do primogênito sabia machucar bastante. — Eu sei, só quero ver até quando ele será imune a essa beldade aqui. — Elliot disse se levantando e indo na direção do irmão. — Por mim ela está livre, pode fazer o que quiser, eu não a quero. — As palavras dele saíram pesadas e nesse instante a garota se levantou. O delicado rosto que antes estava ruborizado com o pensamento de Christopher sendo seu marido, agora estava com um tom de vermelho mais intenso, era raiva. Com certeza ela estava brava. — Parem de falar de mim como se eu não estivesse aqui! — Ao tom da sua voz, todos os olhares foram para ela. A aniversariante respirou fundo, esse definitivamente não era o aniversário que ela queria. — Eu também estou aqui porque fui obrigada, arrancaram-me da minha festa de aniversário anunciando que eu teria que casar com um Bittencourt, acham que se eu quisesse, eu estaria aqui? Não, eu não estaria e se dependesse de mim eu nunca teria o desprazer de olhar nessa sua cara arrogante. — Ela finalizou olhando para Christopher. O homem a olhou surpreso, não imaginava que uma pessoa tão delicada assim seria capaz de falar aquilo. Mas sua surpresa logo se transformou em raiva e ele estava pronto para responder Tayla quando Elliot abriu a boca. — É o seu aniversário? — É. — Tayla respondeu encarando o tapete, ela tinha deixado a raiva elevar as suas emoções e acabara de gritar com todos os Bittencourt. — Não sei se deveria te desejar os parabéns, devido a circunstância. — Ethan comentou a olhando com pesar. — Obrigada mesmo assim Ethan. Dona Angélica, se me der licença eu só quero subir para o quarto. — Claro querida, eu mando levar o seu jantar até lá. — Não precisa, eu perdi a fome. — Eu não sabia que era seu aniversário Tayla, será que posso te parabenizar? — Megan perguntou. — Claro que sim. — Ela respondeu sentindo todos os olhares nela. Megan se aproximou e a abraçou. — Sinto muito pela perda da sua festa, pode comemorar novamente se quiser. — Angélica também a abraçou. Elliot e Matthew se limitaram a falar parabéns de longe, já Christopher e Alfredo nada disseram. Antes de mais alguma palavra ser dita ela subiu, passou perto dele que estava próximo a escada. O perfume dela foi capaz de alucinar o homem e a única vontade que ele teve foi de ir atrás da garota. — Aonde vai Christopher? — Foi à mãe quem perguntou. Ele parou no segundo degrau da escada e olhou para Angélica. — Vou deixar bem claro que ela não pode falar assim comigo. — Chris deixa a garota, ela não está bem e você só está piorando. — Esse conselho veio de Ethan. Ele voltou para trás dando se conta do que estava preste a fazer, ele correria atrás dela, nem que fosse para brigar, mas iria, coisa que ele nunca fez antes e não seria agora que faria. ∞∞∞ Tayla ficou no quarto o restante da noite, mas quando a madrugada chegou, ela desceu para tomar água, andando na ponta do pé a fim de não acordar os demais. Foi até a geladeira e pegou a jarra de água, só teria que descobrir em que lugar ficavam os copos e começou a procurá-los. — Procurando algo. — A mesma voz que a fez tremer mais cedo, causou o mesmo efeito neste instante. A garota se assustou e quase derrubou a jarra de vidro, mas Christopher foi mais rápido segurando-a com as mãos, tocando de leve os dedos da moça. Ele a olhou dos pés à cabeça, foi inevitável não reparar o quanto ela era bonita. Essa era a primeira vez que se tocavam. Lentamente ele retirou a jarra de suas mãos, prolongando o toque delicado de ambos e depositou-a sobre o balcão da cozinha. — Belo pijama. — Ele sorriu e Tayla encarou seus lindos lábios. — Copos. — Foi a resposta dela, ambos se encarando fixamente. Tayla estava com as pernas bambas, por isso resolveu sentar. Christopher sabia intimidá-la. Ele foi até a segunda porta do armário e pegou, colocando água para ela e depois a entregou. — Obrigada. — Disse ainda sentada. — Minha intenção não era assustá-la. — Seu tom era baixo. A menina bebeu a água, logo após levantou-se para lavar o copo. Christopher estava tão perto da pia que Tayla sentiu seus braços roçarem, o corpo dele e a aproximação fizeram a jovem sentir o cheiro do homem, uma mistura de colônia masculina e um perfume adocicado. Era óbvio que ele estava com alguma mulher minutos antes. E por alguma razão ainda desconhecida, ela não se sentia bem com isso. Como poderia ela ser obrigada a casar com ele e levar chifres? Claro que eles não tinham nada um com o outro, mas era um noivado, não era? Não que ela apoiasse esse casamento, mas o respeito era bom e todos gostavam. Ela apenas o ignorou e saiu da cozinha, mas isso não foi o suficiente para ele. Christopher segurou seu braço e ela encarou a mão que a tocava. — Você pode tirar a mão de mim, por favor? — Disse já não aguentando tudo aquilo. Ele ficou sério e retirou a mão do braço dela. — Eu só queria saber se você está bem. — Isso não te diz respeito, não pense que só porque serei sua esposa, você poderá tocar-me, não sou obrigada a aceitar isso. — Disse o encarando, os olhos castanhos dela brilhando em ameaça, o nariz empinado e o tom da pele levemente avermelhado. — Não faço questão disso. — A frieza de sua voz combinou perfeitamente com a dela. — Não foi o que me pareceu. — Ela completou e saiu de lá praticamente correndo. Tayla não sabia de onde tinha arrumado forças para enfrentá-lo novamente, mas não aceitaria tudo de mão beijada, já que era para casar e não ser respeitada, ela pagaria com na mesma moeda, não seria a única traída desse casamento. O que um ato não pensado poderia fazer com uma pessoa? O erro do pai estava levando a filha a mudar. Do olhar doce ela passou para o frio. Do sorriso ela passou a chorar. E do sonho de amar alguém um dia, fruto de um casamento feliz, ela passou a desejar trair o marido da mesma forma que seria traída. Mas para isso ela teria que encontrar o amor. Nunca trairia o marido sem amar loucamente o amante... A carona Para Tayla a primeira noite na mansão foi impossível de dormir, não pelo fato de ter encontrado Christopher novamente durante a madrugada, e usar nada menos do que um pijaminha, mas sim, por não estar na sua casa, por ter a consciência de saber que seus pais não estavam no quarto ao lado, ali naquela mansão, os quartos ao lado eram ocupados por pessoas desconhecidas, pessoas em quem Tayla não confiava, dormir tornou-se impossível. A jovem abriu a porta que dava para a sacada, olhou o imenso jardim e o portão, tinham muitos seguranças ao redor da propriedade inteira, uma fuga seria impossível. Pegou o celular e apenas respondeu as mensagens, não estava com vontade de falar com ninguém, a mensagem da mãe foi a maior, dizia que estava muito preocupada, Theodoro perguntou se ela estava bem e Beatriz queria matar alguém, em especial Roger por ter feito essa bagunça toda. Tayla não sabia o que responder, ela também estava preocupada, não sabia o que seria da sua vida a partir de agora, poderia sentir de tudo, mas bem estar era o mais longe de definir e a vontade de matar alguém existia, mas essa pessoa não era o seu pai, era na verdade, o seu futuro marido. Por que ele tinha que ser tão atraente? Mas ao mesmo tempo tão arrogante? E quando a garota viu o dia clarear, ela resolveu aproveitar a banheira que estava disposta apenas para ela. Relaxar seria bom, depois de uma noite inteira em claro. Após quase uma hora submersa na água, Tayla se deu por satisfeita e se trocou, pegou a primeira roupa que viu, não estava ali para impressionar alguém. O jeans preto e a regata vermelha deixaram-na satisfeita, o cabelo que estava preso em um coque foi solto. Assim que Tayla desceu todos estavam na mesa, isso era raro, mas foi à ordem de Angélica, o primeiro café da garota na casa deveria ser na presença de todos. Todas as manhãs na casa dos pais, Tayla via Roger em seu habitual terno de trabalho, mas ali com quase todos os homens da família Bittencourt vestidos assim, era uma visão e tanto. Apenas Ethan e Matthew estavam com roupas casuais, já Elliot, Alfredo e Christopher, estavam se destacando em elegância. Megan e Angélica estavam lindas também, Tayla imaginou que aquilo fosse um costume em uma família como a deles. Talvez o jeans e a camiseta não tenham sido uma boa ideia afinal. — Bom dia. — Ela disse e se sentou ao lado de Megan, de frente para Elliot, ouvindo todos desejarem bom dia a ela. A jovem precisava se acostumar com todos os olhares, já que isso aconteceria com frequência. — Pelo visto você não dormiu bem. — Megan comentou reparando nas olheiras da moça. — Eu não consegui. — Tayla respondeu apenas isso e arriscou um olhar para Christopher, que olhava tudo menos ela. — Tayla hoje irei te acompanhar até a universidade, você vai estudar, não é? — Angélica perguntou mudando de assunto. Um sorriso genuíno brotou nos lábios da garota e isso não foi despercebido pelos presentes, nem mesmo por Chris que adorou vê-la sorrindo pela primeira vez, sem ser para o irmão. — Claro, é o que eu mais quero, eu estudei a vida toda para isso. — Respondeu imaginando o quão bom seria poder ver os amigos todos os dias. — Mãe eu posso acompanhá-la. — Elliot disse sorrindo para Tayla, mas ela encarou o prato. Chris virou para ele e o encarou sério. — Dá para você parar de dar em cima dela? — Seu tom saiu baixo, mas foi o suficiente para todos da mesa ouvirem. Elliot sorriu debochado, ele sabia que o irmão estava a fim da garota, mas não achou que fosse tanto. — Está com ciúme Chris? — Matthew, o caçula, perguntou. — Não, só não quero ser o corno da família. — Falou olhando para ela que logo em seguida quebrou o contato visual olhando novamente para o prato. — Elli só está brincando Chris, ele adora-te irritar. — Megan falou. — Eu sei. — Chris deu um soco no braço do irmão — mas é sério quando digo para se afastar dela. A família nunca tinha visto Christopher com este sentimento de posse, ele sempre foi mais fechado e não demonstrava afeto. — Qual universidade você ganhou a bolsa? — Matt perguntou. — New York University. — Ela respondeu agradecendo mentalmente por terem mudado de assunto. Um Christopher irritante ela conseguiria lidar, mas aquele Christopher com os olhos grudados nela e ameaçando o irmão, era demais. — Eu também fui aceito lá, caso você queira uma carona, podemos ir juntos todos os dias. — Ele sorriu simpático. E desse irmão Chris não tinha ciúmes, apenas assentiu para o olhar de pedido de permissão do caçula dos homens. — Eu adoraria, eu tenho meu próprio carro, mas ficou na casa dos meus pais. — Eu posso mandar buscar. — Christopher disse se levantando para ir ao trabalho. Tayla o olhou, era impossível ignorar um homem como ele, vestido com um terno elegante e aquela barba. Deus aquela barba... Ela nunca prestou atenção em barba, mas aquilo se tornou tão atraente de repente. — Você faria isso? — Ela se forçou a perguntar. — Claro. — Com isso ele saiu da cozinha e deixou a garota com um pequeno sorriso. E o restante da família surpresos. ∞∞∞ No início da noite Tayla ligou para a mãe e logo após para Beatriz, a melhor amiga praticamente surtou quando atendeu. — Por que demorou tanto para me ligar? — Bea foi apenas uma noite. E eu liguei para a minha mãe primeiro, ela está em um hotel. — Tay comentou sentindo seu peito apertar. Não queria que os pais se separassem, aquela sensação era horrível e ela se sentia culpada. — A noite mais longa que já tive, eu estava preocupada, sabia que você ficaria muito triste quando soubesse da separação dos seus pais. — Eu não queria que eles se separassem, me sinto culpada. — Você não tem culpa de nada, seu pai que errou apostando você, sua mãe está mais do que certa em se divorciar. — Eu sei. — Como você está com tudo isso? Tayla suspirou pesadamente, jogando-se na cama. — Ainda estou digerindo tudo. — Você vai ter que se casar com aquele homem? — Não, meu futuro marido é o primogênito dele. O silêncio do outro lado da linha deixou Tayla preocupada. Beatriz não é de ficar calada. — Bea? — Estou digerindo também, calma. — A morena começou a contar do dez ao um. Tayla sorriu. Somente Beatriz para fazê-la sorrir em um momento assim. Há dois dias sua única preocupação era que roupa usar em sua festa e que livro começar a ler, agora ela está tão perdida, seus pais estão se separando e ela será obrigada a se casar com um homem extremamente lindo e desconhecido. Quando Beatriz chegou no um ela deu um grito, fazendo Tayla sair de seus pensamentos. — Meu Deus, como ele é? Tayla apenas gargalhou. — Bea você não tem jeito, respondendo a sua pergunta, ele é muito bonito, mas o que tem de belo, tem de arrogante. Beatriz suspirou do outro lado da linha. — Minha vida é tão sem graça perto da sua, mas, ainda assim, eu quero matar o seu pai. — Acredite, eu também estou muito chateada com o meu pai, tudo parece tão bom, mas você não quereria estar no meu lugar. Tayla começou a falar sobre tudo o que aconteceu desde que pisou na mansão Bittencourt. — Menina, você tem que me apresentar um dos seus cunhados, pelo jeito que descreveu eles devem ser o pecado em pessoa. — Diferente de Christopher, eles são bem legais. As duas conversaram mais um pouco, até que Megan bateu à porta e chamou Tayla para assistir a um filme. Ambas foram para a sala de estar. — Você começa amanhã? — Ela perguntou a respeito dos estudos. — Sim, estou tão feliz! Mesmo que não seja como pensei, estou feliz. Tayla recordou do dia em que sua carta de aceitação chegou, foi inacreditável, sua felicidade era imensa. E quando a carta de aceitação de Beatriz chegou, a festa foi armada, as duas melhores amigas estudariam na mesma universidade que o outro melhor amigo já era aluno. — Eu também não vejo a hora de sair do ensino médio. — Megan comentou. — Posso te perguntar uma coisa? — Tayla estava envergonhada. — Claro, somos amigas agora. — Qual é a sua idade? — Tayla ficou curiosa, depois que Bea perguntou a idade dos cunhados. — Eu tenho 16 anos, estou no último ano da escola. — Responde sorrindo. — Ah! — Tay responde, mas, na verdade, ela queria saber a idade do Christopher também. — Chris tem 28 anos, Elliot tem 25, Ethan tem 23 e Matt 18, igual você. — Eu sempre quis ter irmãos, uma família grande igual à sua, mas meus pais só tiveram a mim. — Eu às vezes, queria ser filha única, meus irmãos são muito chatos, nunca posso fazer o que quero. — Disse revirando os olhos. — Imagino, já pensou quando um namorado seu vier aqui? Meu Deus! Com tantos irmãos eu terei dó dele. — Tayla começou a gargalhar devido a careta de Megan e bem na hora que Christopher entrou. Ele paralisou com a imagem de Tayla gargalhando na sala de estar. Era a primeira vez que ele a via assim, tão relaxada, ele apreciou isso. Apreciou bem mais do que gostaria. — Vejo que vocês estão se dando bem. — Ele comentou, ainda sem tirar os olhos dela. No mesmo instante, a jovem parou de sorrir e abriu os olhos, encarando aquele olhar azul que tanto a intimida. — Sim, Tay é a irmã que eu sempre quis. — Megan diz e segura a mão da futura cunhada. — Sorte que ela não é nossa irmã. — Ele comentou ainda com o olhar em Tayla. A jovem corou no mesmo instante entendendo o recado dele. — Eu mandei trazer o seu carro, chega amanhã. — Obrigada. Eu poderia ir buscar, mas não quero falar com o meu pai por enquanto. — Ela acabou abaixando o olhar para o tapete. Lembrar do pai e da verdadeira razão de estar nessa casa, ainda doía. — Entendo, amanhã ele chega. — Christopher a encarou diferente dessa vez, ele estava triste por ela também estar nessa situação. Para não demonstrar isso ele se dirigiu a escada, deixando as duas a sós. — Estranho Chris estar aqui ainda. — Megan comentou confusa. — Por quê? — Faz anos que ele mora no apartamento dele, mas mamãe pediu para ele ficar só ontem, acho que ele não quer deixar você sozinha aqui. — Meg deu um sorrisinho safado. — Não diz besteira Megan, Christopher é lindo pode ter a mulher que quiser, duvido muito que eu seja uma delas. — Mas você é a futura esposa dele. — Ela disse, mas ambas não sabiam que ele ainda ouvia a conversa delas. Como Tayla ficou em silêncio, ele resolveu subir, mas sorriu ao saber que ela o achava lindo. ∞∞∞ — Está ansiosa querida? — A futura sogra perguntou na manhã seguinte. — Sim, muito! — Por ser o primeiro dia, Matt precisou ir mais cedo hoje, ele não foi no “tour” de apresentação da universidade, então alguém irá apresentar tudo a ele hoje, mas eu te levo ou você pode ir com o Willian, o motorista. — Angélica sugeriu. Tayla se recordou de quando fez o “tour” pela UNY, ela e Beatriz foram no mesmo dia que as cartas de ambas chegaram, Theodoro foi o guia delas, ela nunca esqueceria desse dia. — Eu a levo mãe. — Christopher surpreendeu a todos com o comentário, mas Elliot que não deixa nada passar, comentou risonho. — Chris já está caidinho. — Cala-te, imbecil. — Ele responde, mas não nega. — Vamos? — Sim. — Tayla subiu para pegar a mochila. Assim que ela saiu pela porta ele a olhou por completo. — Você vai vestida assim mesmo? — O que tem de errado? — Ela olhou para o vestido rosa a cima do joelho. Christopher não queria dizer que ela estava muito linda para uma simples aula. — Nada... Só que... — Ele não encontrou palavras, abriu a porta e ela entrou. — Você me acha inferior a você? — Ela perguntou assim que ele ocupou o lugar do motorista. — Não, claro que não, você está muito linda. Foi impossível a jovem não corar com o comentário dele. — Obrigada, Megan me emprestou alguns vestidos. — Sabia que tinha dedo dela nisso. — Ele disse arrancando com o carro. — Não brigue com ela, é raro eu usar vestido e ela me emprestou alguns, ela só quer me ajudar. — Tayla começou a se explicar, a jovem tentava ignorar o fato de andar no carro dele, a sós, em um ambiente tão elegante que, ainda por cima, tinha o cheiro dele em cada parte. — Eu prefiro jeans a esse vestido. – Ele acabou soltando. Tay sorriu com a careta que ele fez. — Vou me lembrar disso amanhã. — Ela comentou, recebendo em troca um belo sorriso. Agora o olhando de perto, com mais atenção, Tayla conseguia notar os fios loiros da barba bem cuidada, ele sabia ser atraente e o ar de seriedade o deixava ainda mais belo. A jovem foi puxada de seus pensamentos quando ouviu o celular dele tocar. Após apertar o botão no painel a ligação foi atendida. — Christopher Bittencourt. — Sua voz saiu profissional, já que esse era o celular da empresa. — Oi docinho, queria saber se você quer repetir a noite comigo de novo? — A voz feminina soou pelo carro todo, o que deixou Tayla sem reação e Christopher tenso. Ele desligou na cara da mulher. O clima do carro que antes era bom, tornou-se desagradável. — Tayla. — Ele tentou dizer algo, mas a garota desceu assim que percebeu que chegou à universidade. Não satisfeito Christopher socou o volante com força, mas logo em seguida desceu atrás dela. E pela primeira vez, o primogênito dos Bittencourt correu atrás de uma mulher. — Espera. — Ele segurou a mão dela. Tayla tentou ignorar a sensação que o toque transmitia e o olhou. Os dois encararam-se por um tempo até que ele falou. — Ela é só uma conhecida. — Tentou explicar o inexplicável. Desde quando dormimos com conhecidos? — E eu sou só a aposta, Christopher. — Tayla rebateu e entrou correndo para o lugar que será a sua salvação pelos próximos anos...

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