Capítulo 1 Chelsea Coxx A cordo com o barulho infernal do despertador, não sei porque ainda insisto com esse barulho irritante. Me levanto e vou direto para meu banheiro, tomei um banho relaxante e faço toda minha higiene matinal. Ao sair, entro em meu closet, sem saber o que usar, já que hoje o dia será longo na delegacia, e temos um rastro para seguir, contra uma quadrilha que está me dando a maior dor de cabeça nos últimos dias. Então opto por algo prático hoje, e não será uma saia e meu lindo salto alto de louboutin. Pego uma lingerie confortável, calça jeans skinny escura, uma blusinha branca e por cima uma camisa de seda bordô, calço minhas botas amigas de todas as horas, faço uma maquiagem simples e um batom vermelho, porque eu sou extremamente apaixonada em todos os tipos de tons de batons vermelhos. Pronta para mais um dia de trabalho puxado, me direciono ao lugar que a razão da minha vida dorme, em um sono tão gostosinho que dá até dó de acordá-lo. - Filho, acorda pequeno vai se atrasar para o colégio, chamo pela primeira vez e nada, nem sinal. E então me deixo levar no tempo, quando descobri que teria um bebê, foi um choque tão grande eu não estava pronta, não psicologicamente, estava começando na minha carreira de delegada eu e aquele ordinário do Charles estávamos brigando muito, porque ele não estava aceitando muito bem, ter uma namorada delegada e ainda por cima que tomaria as decisões na delegacia que trabalhávamos juntos, eu só podia estar louca mesmo quando me envolvi com aquele estrupício. Estrupício mas gostoso, porque certas coisas na vida, precisam ser tão difíceis de resistir. Solto uma risada e quando baixo os olhos me deparo com um par de olhos azuis, que eu também amo e que são idênticos aos da minha mãe, mas que também são iguais ao do safado do pai dele. Olho novamente e ele está me avaliando, assim como meu pai fazia sempre que eu ou as minhas irmãs aprontávamos algo, ele sempre descobria assim, nos olhando. - Hora de levantar mocinho! - Daqui a pouco sua tia Celine está aí pra vocês irem pra escola. - Mamãe, porque não posso ficar em casa hoje? - Porque pra você ser um detetive assim como seu avô você precisa estudar e ser muito inteligente pra resolver todos os casos, lembra? - É claro, vou ser o melhor detetive de Seattle não é mamãe? - Sim meu pequeno, você será o melhor! - Mas se quiser podemos jantar com a vovó e o vovô à noite, o que acha? - Eu acho magnífica essa ideia, perfeita mamãe. - Agora vá levante-se, se não nós dois iremos nos atrasar, e não queremos isso certo mocinho? Ben balança a cabeça concordando e corre para seu banheiro. Há cinco anos que Deus tinha me dado a maior benção da minha vida, nunca pensei que ser mãe e ainda mais sozinha e com uma carreira no início, iria ser tão difícil de conciliar tudo, mas no fim deu tudo certo. Arrumei sua cama, e vi que Ben não havia colocado seu aparelho auditivo, então provavelmente se eu falasse ele não iria escutar muito bem, já que do ouvido do lado direito ele escutava apenas 15% sem o aparelho, Ben já nasceu com a audição pequena, descobrimos logo que nasceu. Mas meu garotinho é tão guerreiro que nunca deixou se abater por não poder escutar cem por cento dos dois ouvidos, leva uma vida normal e com saúde e isso é o mais importante. No ano passado no seu primeiro ano na escola, um certo dia Ben chegou em casa um pouco triste, e logo achei estranho pois meu filho é sempre alegre. Então quando perguntei o que havia acontecido, ele me disse que alguns garotos pediram para ver seu aparelho e ele na inocência tirou e entregou para que eles pudesse ver, mas depois eles começaram a rir e zombar do meu menino, ao ouvir e ver a carinha dele naquele momento, meu coração ficou em pedaços, então expliquei pra ele, que ele nunca deveria tirar o aparelho fora de casa, e que aquelas crianças não sabiam o que faziam já que o aparelho auditivo dava a ele um super poder. Abro um sorriso ao lembrar da carinha que ele fez, quando me ouviu falar que ele tinha um super poder, e logo disse: - Mamãe qual o meu super poder? - Seu super poder é o da audição, você pode escutar a quilômetros de distância igual ao Superman. E então aqueles olhinhos que estavam tão tristonhos, deu lugar a um lindo sorriso, Ben assim como eu era apaixonado no mundo Marvel e da DC, meu companheiro de filmes e séries, quem me via em campo fria e durona, já mais imaginaria como eu amava estar em casa com meu filho ouvindo suas aventuras com suas tias ou seus avós e até mesmo na escola. Depois do episódio do aparelho fui a escola e conversei com a diretora que iria conversar com os pais das crianças já que eram da mesma idade de Ben, na mesma semana minha irmã mais nova Celine passou a dar aulas na mesma escola e logo tratei de mudar Ben para a sala dela, pois assim ele teria mais segurança em falar com um adulto já que sempre foi apaixonado nas tias e avós. Ben volta trocando sua roupa e me tirando de meus devaneios. - Vem aqui mocinho, deixa eu te colocar o aparelho! - Coloco o aparelho em seu ouvido e continuo dizendo: - Vem vou te ajudar com as roupas. - Não precisa mamãe, eu já sou grande e sei me trocar sozinho. - E quando foi que você cresceu que eu nem vi? Dei uma mordida de leve em sua bochecha, e fazendo cosquinhas em sua barriga, ele soltou uma risada tão gostosa, o soltei e fiquei olhando meu mini homenzinho se trocando. - Acabe logo, vou preparar nosso café e espero você lá embaixo! - Tá bom mãe eu já estou indo! Morávamos em um apartamento de dois andares, três quartos na parte de cima, dois sendo suítes, no outro eu o fazia de escritório, já que muita das vezes eu acabava trazendo serviço pra casa. Uma sala espaçosa na parte de baixo, uma biblioteca e uma cozinha planejada, a sala era espaçosa com uma lareira de frente para o sofá grande e espaçoso, da sacada que havia na sala tinha uma vista do Myrtle Edwards Park, amava nossa casa, minha família não era rica, mas tínhamos condições de nos mantermos confortáveis, eu tinha um bom salário, minha mãe é Advogada tem seu escritório, no centro de Seattle, onde atende seus clientes, meu pai policial aposentado, mas que atua como detetive particular e não me gabando mas um dos melhores na cidade. E finalmente chegamos às minhas irmãs, temos poucos anos de diferença uma das outras, então somos bem unidas e fisicamente totalmente diferentes. Eu com meus 36 anos com meu cabelo médio com ondas e na cor castanho, puxando para meu pai quando mais novo, tenho os olhos grandes e expressivos em um tom amendoado nunca sei se estão castanhos claros ou um tom meio esverdeado, costumo falar que foi uma mistura dos olhos de minha mãe, com os olhos de meu pai e deu na cor dos meus, minha boca volumosa onde amo passar meus milhares de batons em tons de vermelho. Já minha irmã do meio Clara com seus 30 anos, puxou minha mãe, branca dos cabelos pretos e olhos azuis da cor do céu, seu jeito brincalhão e despojado às vezes a colocava em cada enrascada. Sorrio ao lembrar de algumas vezes que tive que tirá-la do sufoco, amo aquela maluca. E por fim, mas não menos importante Celine, minha caçulinha com seus apenas 23 anos, loira de olhos azuis como de minha mãe e alta, nossa princesinha, meiga e tímida e professora de Ben. Que por falar naquele menino cadê ele. - Beníciooo, grito da ponta da escada. - Desce logo ou vai se atrasar. - Então ele aparece no topo e diz: - Já estou indo mamãe, Tia Celine já chegou? E com isso a campainha toca. - Sim acabou de chegar. Recebo minha irmã que entra e vai logo pegar uma xícara de café e paparicar seu sobrinho sapeca. - O que houve, não tomou café em casa não? Sorrindo ela me olha e olha novamente pra Benício que está entretido com seu cereal, e fala: - Dormi na casa do Augusto ontem, mas antes que você fale alguma coisa, não fizemos nada, mas acho que ele não vai mais aguentar por muito tempo, ele tem estado nervoso ultimamente e sempre estressado, além de ultimamente estar sempre falando em casar, mas não sei se é isso que eu quero pelo menos não agora, mas também não estou pronta pra dar esse passo. - Como assim estressado e nervoso? - Ele te fez algo ou te machucou? Ela abaixa a cabeça e olha para Ben, logo se virando para mim novamente. - Não Chelsea, ele não me bateu. - Acho que é estresse do trabalho sei lá. Fico desconfiada pois ela nunca fala tanto sobre Augusto. E sempre que nos vemos ele é sempre tão formal com todos da família, sem contar que desde o primeiro dia que o vi, não fui com a cara dele. Resolvo deixar isso pra lá, pelo menos por agora, pois às vezes pode ser só cuidado excessivo com minha caçula. Então focando novamente nela digo: - Irmã, se você não está pronta e nem quer se casar agora, não se pressione tanto, tudo ao seu tempo e se o Augusto te ama de verdade ele irá saber esperar o seu tempo. - Esperar o tempo pra que mamãe? - Benício pergunta curioso. - Tempo de vocês irem pra escola, e eu para a delegacia! Respondo mudando de assunto, minha irmã me olha, me dando um sorriso em agradecimento e saímos cada um para seu destino .
Capítulo 2 Joseph Foster O lho no relógio na mesa de cabeceira, para ver quantas horas já são, e ainda são quatro horas da manhã, acordei assustado novamente com o mesmo pesadelo que me persegue a cinco longos anos. Nunca vou me perdoar por tudo que aconteceu, mesmo minha família e amigos falando que não foi minha culpa, como não foi minha culpa se eu que estava à frente da direção. Balanço minha cabeça de um lado para o outro, para dissipar essas lembranças da minha mente, então decido caminhar. Levanto e vou até meu closet, coloco uma bermuda de treino, um tênis confortável e uma regata pois as noites nessa época do ano, em Nova York estão calorosas. Desço as escadas e vou em direção ao elevador, moro em uma das coberturas de um dos vários edifícios da minha família, somos donos de uma das maiores redes de hotéis, pousadas e resorts da América do Norte. Saio do hall de entrada e uma brisa fresca invade meus sentidos e começo minha corrida, é sempre assim quando tenho pesadelos que no caso são mais como lembranças, já que realmente aconteceu. Conheci Alícia na faculdade, eu tinha 22 anos e estava no meu terceiro ano cursando administração e hotelaria até que ela chegou, ela era apenas dois anos mais nova que eu, e frequentamos os mesmos lugares e tínhamos o mesmo grupo de amigos, ela cursava moda e estava no seu primeiro ano, até que aconteceu o primeiro beijo, ela era doce e carinhosa, até então estávamos focados nos estudos, mas sempre ficávamos juntos, no ano seguinte eu finalizei minha faculdade e começamos o namoro pra valer, dois anos depois Alícia foi morar comigo, em um apartamento que eu tinha perto da faculdade, eu mal ia para Seattle visitar meus pais, eles que sempre vinham, sentia muita saudade de casa e dos meus amigos que tinha lá, perdemos totalmente o contato, depois de tudo que aconteceu, eu nunca mais voltei em Seattle, achei melhor seguir minha vida, assim como soube por minha mãe que ela também estava seguindo a dela, o único com quem ainda mantinha algum contato era David meu amigo de infância, David cursou Administração, que assim como eu ficarei na presidência no lugar de meu pai, ele ficará na vice presidência no lugar de seu pai na nossa empresa em Seattle. Uma hora e meia depois chego novamente em meu prédio e adentro no elevador que me levará direto para minha cobertura, digito o código que somente eu possuo. Mudei para essa cobertura dois meses após o acidente, já não aguentava mais olhar para todos os lados do apartamento que dívida com Alícia e ver ela em todos os cantos e ver suas coisas, roupas, acessórios, seus livros e objetos de trabalho, então assim que decidi me mudar, entrei em contato com seus pais e perguntei se eu poderia doar, mas eles foram claros em mais uma vez me acusar de ser o assassino de sua filha e que eu não tinha o direito de dar nada que era da filha deles. Então arrumei tudo que tinha e mandei meu segurança entregar no endereço deles. Logo as portas do elevador se abrem na minha sala. Toda decorada por minha queridíssima mãe, uma arquiteta sensacional, que hoje atua mais em nossas redes de hotéis ou pousadas em Seattle, mesmo não querendo se estender muito, para não ter que fazer viagens cansativas e sem meu pai. É lindo e raro hoje em dia ver o amor que eles ainda transmitem um para o outro a força, garra e cumplicidade que ambos sempre tiveram um com o outro. Mesmo que eu e Alícia, estivéssemos brigando muito, eu estava no início da minha recém chegada a presidência do grupo Belleville Resorts & Hotéis, precisava mostrar ao meu pai que eu era capaz de dirigir nossa empresa, já fazia algum tempo que tanto eu quanto ela, estávamos bem distantes um do outro e isso estava me deixando louco, porque eu gostava dela. Nunca fomos de fazer planos para o futuro, mas já estávamos juntos há oito anos. Eu estava viajando muito, pois estávamos com planos para expandir os Resorts & Hotéis para a Europa, e ela nunca me acompanhava, dizia ser chato e entediante todos almoços e jantares de negócios, sempre aceitei pois jamais a obrigaria a fazer algo que não queria. Mas já fazia algum tempo que eu percebia sua recusa com tudo que eu estava conquistando e aquilo me deixava mal, pois sempre deixei claro meus objetivos e sonhos para com a empresa da minha família, só queria que ela estivesse ao meu lado. Mas então dois anos depois o acidente aconteceu e… Não, definitivamente Não! - Eu só posso estar ficando maluco, preciso de uma foda, pra aliviar tanto estresse e parar de pensar na pohaaa do acidente, por que se não estou, com toda certeza irei ficar se continuar pensando em tudo que aconteceu e tudo que perdi. Olho pra bancada na cozinha e meu celular toca sem parar, ao olhar quem é, atendendo rapidamente. - Oi, Isadora! - Quanto tempo! - Oi Joseph, como vai? - Bem, Isadora, porque me ligou? - Saudades querido, porque não nos vemos hoje? - Estarei na cidade por dois dias antes de voltar a Seattle. - E já faz um tempo que não nos vemos! - Ok Isa, você está no hotel de sempre? - Sim querido. - Passo pra te pegar as 20 hrs, até mais tarde! - Até Josh. Odeio esse apelido que aquele idiota do David inventou quando ainda éramos crianças e levou pra vida. Isadora é uma amiga nossa da época da escola, que sempre que está em NY saímos para jantar, ela assim como eu e David, também é, e ainda reside em Seattle, de uma família rica, e conhecidos de meus pais, mas não tão próximos a ponto de serem amigos, os pais dela sempre foram soberbos como se tivessem o rei na barriga, mas Isa sempre foi diferente deles então acabamos sempre andando com a mesma turma, ela sempre deu a entender que gostava de um dos nossos amigos na época da faculdade João Pedro, mas de uns anos pra cá eles não se falam mais e JP tem pavor do nome Isadora. Fica todo nervosinho quando tocamos no nome dela. Eu e David conhecemos JP logo no nosso primeiro ano de faculdade e a amizade foi instantânea, hoje os dois são meus dois melhores amigos, na época João Pedro, cursava medicina e hoje é um grande e respeitado Cirurgião Pediátrico. Já Isa ela nunca foi de ficar atrás de nós ou de qualquer outro homem, sempre que vinha a NY saímos pra jantar ou almoçar, mas sempre como amigos, mas de um tempo pra cá ela anda me ligando mais do que deveria, insistindo pra sairmos ou se insinuando para termos algo, nunca havia tido nada com ela até agora, pois jamais colocaria minha amizade com JP em risco, mas atualmente ele está namorando uma garota, que cada dia fica ainda mais sério, e não suporta ouvir o nome de Isadora, então hoje é um caso isolado e não quer dizer que irá se repetir. Afinal preciso de uma distração e Isadora até que é bonita do tipo gostosa. Uma foda apenas, ando sedentário para sair a caça como diz Jimmy irmão mais novo de David e nosso mascote, já que ele é o mais novo da turma e além de advogado da empresa, está cada dia mais perto, caso precise assumir ao meu lado e de David. Subo para meu quarto, indo direto para meu banheiro, preciso de um banho, tiro minha bermuda de treino e entro no box, deixando a água morna cair sobre minhas costas e relaxando meus músculos. Saio e vou direto ao closet me trocar pois tenho uma reunião com um de nossos fornecedores logo no primeiro horário. Coloco meu terno feito por uma grife italiana chamada Zegna, meus sapatos italianos. - Quem olha assim acha que sou um italiano nato, com tantas marcas italianas em mim. Mas não, apenas sou um apreciador do trabalho deles. Pego meu relógio preferido um Rolex, que foi dado ao meu pai, quando ele conquistou seu primeiro negócio a anos atrás, e passado para mim, quando acabei minha faculdade e assumi seu posto na presidência dos Resort & Cia, aqui em Nova York a sete anos atrás. Por dois anos fui o assistente pessoal do Sr. Novack já que ele era o presidente na época quando me formei. Aos 26 anos me tornei Assistente Administrativo e Executivo Sênior. Mas aos meus 30 anos o Sr. Novack teve um infarto e infelizmente faleceu, sou muito grato a ele pois tudo que aprendi devo a ele, que sempre me ensinou junto ao meu pai que mesmo longe sempre me incentivou, meu pai assumiu a presidência também aqui da Belleville Resorts & Hotéis em NY por um ano, mas estava sendo muito corrido para ele já que ele também era presidente da sede que fica em Seattle, ele até tentou me convencer a voltar, mas eu não estava preparado então aos meus 31 anos me tornei o CEO da Belleville Resorts & Hotéis de Nova York. Olhando em meu relógio e relembrando dos momentos, vejo que já estou em cima da hora então me apresso. Passo meu perfume, passo as mãos em meus cabelos e estou pronto para mais um dia de trabalho. Pego minha pasta e saindo da cobertura indo para a garagem, avisto um de meus carros e logo estou entrando em meu Maserati Ghibli. Olho pelo retrovisor e vejo Kadu meu segurança, que está comigo há 7 anos, e até que somos amigos, pois ele já me tirou de muita merda feita por mim, depois do acidente. Tive uma fase ruim, primeiro veio a negação, depois o luto, foram dias difíceis, a fase da bebedeira onde eu bebia vinte horas por dia e dormia as quatro restantes, várias vezes Kadu precisou me tirar dos bares ou até de brigas que eu me metia, já não estava mais ligando pra empresa, mal comparecia às reuniões, foi uma fase péssima, até que eu bati em um cara em um bar que estava e saiu uma nota no jornal: -" Herdeiro da família Foster, se mete em briga em bar movimentado de Nova York". No outro dia meu pai bateu em minha porta, sentou comigo como se eu fosse uma criança birrenta, nunca senti tanta vergonha de mim mesmo por fazer meu pai sair de Seattle e vir me dar uma bronca, um marmanjo de 33 anos. Naquele dia prometi a mim mesmo e ao meu pai que eu iria mudar ou pelo menos tentar, eu tinha que fazer isso por eles, por meus pais, sou filho único e o que seria deles se eu continuasse na vida que estava levando. E eu mudei, não foi fácil, Kadu pegou muito no meu pé, me deu conselhos por ser mais velho que eu cinco anos e ter servido ao exército e ter bem mais experiência na vida do que eu, ele me ajudou muito. Apesar de ainda estar passando pela fase da culpa, apesar de já ter sido bem pior do que hoje em dia, os pais de Alícia nunca me perdoaram, pelas perdas, e eu também não. Ao chegar à garagem da sede da Belleville Resorts & Hotéis, vejo que passei o caminho pensando na minha vida, acho que preciso de um agito nessa monotonia que se encontra, quem sabe essa noite. Saio do meu carro, comprimento Kadu e peço para que me acompanhe até a minha sala pois tenho algumas coisas a pedir pra ele. Pronto para finalmente começar o meu trabalho nessa manhã sigo em direção ao elevador.
Capítulo 3 Chelsea Coxx A cabamos de invadir um prédio no subúrbio de Seattle, viramos a noite seguindo e ouvindo tudo que era falado daqui de dentro, onde nossa fonte foi clara ao nos dizer que uma peça muito importante da quadrilha que estamos atrás, se esconde nesse pardieiro, o cheiro de urina, pichações nas paredes, deixa claro que não é um local de família. Estou eu e mais cinco policiais da minha delegacia, prontos para subir as escadas até o oitavo andar. - Tomás, você e o Castro fiquem aqui embaixo, caso tentem fugir. - Entendido comandante! Subimos dois lances de escadas e uma moça sai na porta fumando e nos olhando, quando estou prestes a perguntar se perdeu alguma coisa ela vira e fecha a porta novamente. - Vargas você fica aqui caso tenha mais algum cúmplice e não sabemos. - Entendido! - Herrera e Bishop, vocês sobem comigo, vamos pegar esse bandido. Chegamos no oitavo andar, eu fico à direita da porta, Herrera à esquerda e Bishop bate a porta. Uma mulher atende e logo que percebe que somos da polícia tenta fechar a porta mas já é tarde, empurro a porta e aponto a arma pra mulher, mandando ela deitar no chão. - Vasculhem o apartamento ele tem que estar aqui. - Cadê o Hernandez ? - Digo a mulher que me olha com uma mistura de raiva e medo, mas não responde. Então abaixo até ela, pego em seus cabelos e repito novamente. -Eu vou perguntar mais uma vez e não vou repetir novamente! - Cadê o Hernandez? A mulher não me responde com a boca, mas olha em direção ao móvel meio torto no lugar, olho para Herrera que está na sala enquanto Bishop vasculha o apartamento. - Levanta, senta aí. - De olho nela, Herrera! Me aproximo do móvel e arrastando ele pro lado dando direto com uma passagem para o outro apartamento. Pego meu rádio comunicador. - Atenção Tomás e Castro, fiquem atentos a saída do local, suspeito está tentando fugir. - Entendido Chefe. - Estaremos de olho! Entro no buraco feito na parede e sigo a direção que ele levará, sendo seguida pela tenente Bishop. Chegando no local, vejo outro buraco na parede mas com uma cortina tampando. Olho para Bishop e faço sinal de silêncio, olhando pela cortina que me dá visão plena, do apartamento à frente vejo dois homens, um sentado contando dinheiro, e muito dinheiro e o outro que pelo que vejo ele é o suposto Hernandez. Olho para a tenente, falando em sinais que tem duas pessoas, precisamos agir rápido, para não termos fulgas e nem um de nós feridos. Bishop chega perto da cortina e cada uma aponta sua arma para um deles que estão longe um do outro. Dou um tiro certeiro na perna de Hernandez e Bishop no braço do outro suspeito, adentramos o local e fazemos a prisão. - Suspeitos presos, subam Herrera está sozinha com uma cúmplice ela também será levada para a delegacia. Rapidamente Tomás, Castro e Vargas invadem o apartamento. - Levem os suspeitos para a delegacia, ninguém fala com eles antes de mim entendido?! - Entendido! - Vargas e Castro respondem. - Tomás você e a tenente Herrera peguem todo esse dinheiro, drogas, tudo que achar no apartamento está apreendido e no outro apartamento também. - Pode deixar Chefe, levaremos tudo. - Ok! - Parabéns pessoal, fizemos um ótimo trabalho aqui hoje, estamos cada vez mais perto de pegar esses bandidos. Entro em meu carro e sigo novamente para a delegacia. No começo foi difícil, comandar uma delegacia onde setenta por cento eram homens, e apenas trinta por cento mulher e só quinze por cento delas incluindo a mim, iam a campo. Mas com o passar dos anos eu fui conquistando o meu lugar ali, e as pessoas que não concordavam com meu modo de operar, foram restituídas para outra delegacia ou tiveram que me engolir e isso inclui meu ex namorado e pai do meu filho tenente Charles. Desde o início ele sempre soube onde eu queria chegar e qual era o meu objetivo. Mas sempre tentava me desmotivar, antes achava que era ciúmes, mas hoje vejo com clareza que não é apenas ciúmes, pra ele uma mulher não merecia um cargo desse, já que ele está na polícia a mais tempo que eu e não passou no concurso para delegado. Não vou mentir e dizer que não sinto nada por ele, porque ainda sinto, não sei exatamente o que, mas pretendo descobrir logo. Chego a delegacia e estaciono na minha vaga, salto do carro e vou em direção a porta de entrada, quando sou puxada por braços fortes, me levando em direção a escada que leva ao porão da delegacia. Ao chegar na porta, sou rápida já que vi que a pessoa afrouxou o aperto em meu corpo, sou rápida ao dar um giro, pegando minha Glock 9mm e empurrar o cara com a cara pra porta. - Chelsea sou eu caralho. - Charles, você tá louco, perdeu a noção do perigo foi? - Queria te fazer uma surpresa querida. Ele me olha nos olhos, abrindo a porta com a senha e me puxa pra sala que não utilizamos mais. Charles é alto 1,85 de altura, ombros largos, cabelos lisos pretos, olhos azuis e braços fortes. Me pega no colo, e o contorno com minhas pernas cruzadas em sua cintura, ele me coloca sentada em uma mesa que ali e me beija. Um beijo nada calmo, com força e estupidez, solta meu cabelo o prendendo logo em seguida em seu punho. Coloco minhas mãos por dentro de sua camisa, sentindo sua pele em contato com a minha, Charles tira minha blusa, logo em seguida estou apenas de sutiã, subo sua camisa tirando e jogando em qualquer canto ali. - Porque você tem sempre que dificultar tanto nosso retorno em Chelsea, vamos voltar docinho. Na hora que ouço suas palavras, todo fogo que estava sentindo, é apagado rapidamente e o empurro. - Charles, já conversamos sobre isso, se voltarmos você vai estar presente na vida do Ben? - Ou irá continuar fingindo que ele não existe? - Você mal vai vê-lo, mal pega ele pra dar um passeio. - Chelsea, você sabe que eu não tenho paciência com crianças, e o Ben é mimado, você e sua família mimam o garoto. Meu sangue ferve na hora. Charles está com a mão apoiada na mesa, chego perto dele, pego minha faca na bota e acerto entre seus dedos anelar e mindinho, acertando a madeira da mesa. - Nunca mais fale que meu filho é mimado, ele é uma criança esperta e inteligente pra idade dele, e tenho muito orgulho do filho que tenho. - E outra coisa Charles, nunca mais chegue perto de mim outra vez, não sabia o que sentia por você, mas agora eu sei é repulsa, revolta de um dia ter tido algo com um ser patético como você. Pego minha blusa a vestindo e saio andando em direção à porta, mas antes que a alcance Charles me puxa novamente. - Chelsea calma docinho, desculpa não vou falar mais assim do seu filho, agora vem me dá um beijinho. Olho pra ele indignada pelas palavras que acabei de ouvir e em um movimento único, dou uma joelhada em seu amiguinho, Charles cai no chão segurando as bolas e me olhando com cara de choro e raiva. - Eu avisei pra você não me tocar mais, na próxima não irei errar a direção da faca e nem baixarei a Glock, então pense bem em tentar novamente, quero você longe de mim e do meu filho seu desgraçado. Abro a porta saindo, em direção a porta da delegacia ao passar um dos policiais ali presente me comunica. - Chefe os suspeitos presos mais cedo, já chegaram e estão na sala de interrogatório separados. - Ok, obrigada tenente! Vou em direção a minha sala, entrando e fechando a porta logo em seguida. Aquele desgraçado não vai me deixar em paz, mas agora mais do que nunca eu quero distância, irei tentar transferi-lo para outra delegacia. Ouço um batido na porta quando estou pegando um copo de água e tomando digo: - Pode entrar! - Chefe, os suspeitos já estão prontos para o interrogatório. - Já estou indo lá, tenente Herrera. Ela se retirou, fechando a porta logo atrás de si. Saio da minha sala e vou em direção a sala de interrogatório, espero que não demorem a dizer o que eu quero porque hoje estou com vontade de bater em alguém. Capítulo 4 Joseph Foster K adu está sentado à minha frente, esperando minhas ordens. - Preciso que você investigue algo para mim! - Claro Senhor! - Tenho recebido uns telefonemas de um número privado. - Mas quando atendo nada é falado, preciso que investigue até obter a fonte. - Considere feito senhor! - Mas são apenas telefonemas ou mensagens também? - Até agora, somente telefonemas. - Ok Senhor! - Irei investigar e qualquer resposta lhe aviso. Balanço a cabeça concordando. - Mais alguma coisa Senhor? - Por enquanto somente isso, pode ir! Kadu sai, me deixando sozinho em minha sala. Pego o telefone em minha mesa e chamo o ramal de minha querida secretária. - Marta, qual o horário da minha próxima reunião hoje ? - Daqui a quarenta minutos, Sr Foster ! - Ok, anote os recados, estarei em uma ligação importante. - Sim, Senhor! Desligo o telefone, pegando meu celular em cima da mesa e ligando para minha mãe, que atende no segundo toque. - Ola meu filho, como você está? - Bem mãe, e você e meu pai? - Estamos bem, meu querido, estou saindo de casa agora para uma reunião com as meninas Coxx. Automaticamente minha mente me leva ao passado vendo uma certa garota que a muito tempo eu não tinha contato, mas que no passado era tudo que eu mais queria. Seus traços delicados e olhos expressivos, claros em tons amendoados e aqueles lábios volumosos que ao dar um sorriso, tudo se iluminava. Sinto um aperto no coração ao recordar de nossos momentos juntos, antes que eu me mudasse para Nova York e até depois de me mudar. - Filho? - Joseph, ainda está aí? Percebo que estava longe em meus pensamentos e acabei não ouvindo nada que minha mãe falava. - Desculpa mãe, estou sim, lembrei que tenho uma reunião agora, preciso desligar. - Tudo bem meu filho, você virá nos visitar no próximo feriado não é? - Mãe, era sobre isso que iria falar, não sei se vou poder me ausentar da empresa. - Joseph William Foster, não me importa se você pode ou não se ausentar, você virá e eu falo sério. - Faz anos que você não vem a Seattle, somos sempre eu e seu pai, então trate de aparecer. - Será nossa primeira noite de ação de graças depois de anos, e eu não aceito não ter meu filho aqui! - Você está me ouvindo? Reviro meus olhos e ao mesmo tempo sorrindo, minha mãe é tão dramática, ela que nem sonhe que chamei ela de dramática ou arranca minhas bolas. - Tá bom mãe, eu irei ! - Mas ficarei apenas três dias nada a mais que isso Dona Megan. - Ok meu filho. - Agora tenho que ir, as meninas devem estar me esperando. Quando penso em desligar, me vejo perguntando: - Como ela está mãe? - Já faz tanto tempo desde a última vez que a vi. - Ela a quem você se refere é a menina Chelsea, filho? Ouço uma risada baixinha, como se ela tapasse a boca para não ser ouvida. - Sim mãe, Chelsea! - Ela está bem, meu filho. - Uma mãe linda e dedicada, e uma excelente Delegada. - Henry fica todo bobo, quando fala na filha. - Já a Felicity todas as vezes que ela está em alguma denuncia e vai a campo atrás de algum bandido, Felicity quase entra em pânico, só se tranquiliza quando tem notícias. Sorrio ao me lembrar que esse sempre foi o sonho dela, seguir os passos do pai ou ir mais longe.