Um Jeito Estranho de Amar
Capítulo 1 Um Jeito Estranho de Amar

— Oi, meu dorminhoco lindo – escutei enquanto gradativamente ia despertando com uma sensação gostosa de beijinhos em minha nuca, à medida que uma mão descia pela minha barriga, rumo ao meu pau. — Bom dia, amor. Adoro quando você me acorda assim – falei abrindo os olhos, já sorrindo, então me virei, deitando-me de costas para facilitar uma masturbação mútua entre nós dois. Tínhamos dormido pelados, o que não era muito comum, mas ontem havia sido um dia especial, pois havíamos comemorado seis anos de casados, então sair fora da rotina estava liberado. Estava indo tudo bem naquela manhã. Nossas mãos em quase total sincronia, massageando-nos simultaneamente. Carícias trocadas. E o nosso beijo, que a cada segundo nos incendiava mais e mais, porém fomos interrompidos pelo som de chamada de um dos celulares, que pelo toque, logo deduzi ser o do meu companheiro. — Deixa tocar, Jacob – resmunguei, mas ele me deu um selinho e disse que precisava atender, antes de rolar para o lado dele na cama e pegar o telefone sobre a mesinha de cabeceira – Era do hospital? – indaguei segundos depois quando o mesmo desligou o celular. — Sim, querido. — Mas você não estava de folga hoje? — Sim, Apolo, mas teve um acidente grave envolvendo um ônibus e uma van escolar e estão precisando de mim lá no hospital. — Espero que as crianças estejam bem – comentei, já ficando preocupado e pensando no sofrimento dos pais daqueles anjinhos. — Também queria pensar assim, mas provavelmente algumas estarão bem graves – ele disse me encarando. — Vai lá, amor. E salva aqueles anjinhos – murmurei e nos beijamos antes dele se levantar da cama e ir para o banheiro. O dia seguiu tranquilo para mim. De manhã, fui para o meu estúdio de fotografia e a tarde, eu tinha uma sessão de fotos para fazer como modelo. Quando voltei para casa, lá pelas cinco e meia, passei no mercado e fiz algumas compras, pois iria preparar um dos pratos preferidos do Jacob, para quando o mesmo chegasse do hospital comesse. Entretanto, quando estacionei o meu carro na garagem, vi o dele ali. — Amor? – o chamei à medida que ia para a cozinha, com as mãos cheia de sacolas e o encontrei sentado à mesa, mexendo em seu notebook, lindo, vestido apenas com a calça-moletom cinza que ele usava para dormir – Pensei que ficaria o dia todo lá no hospital. — Cheguei umas duas da tarde. Vim descansar um pouco, porque vou ter que voltar às sete. E o porquê dessas compras todas? – ouvi ele perguntar enquanto eu começava a guardar as coisas. — Se esqueceu que hoje é o meu dia de fazer o jantar, querido? E adivinha quem vai comer risoto de camarão com salsichas empanadas? – indaguei colocando os ingredientes sobre a bancada. — Sério? Não acredito, Apolo. O que será que eu fiz para ganhar um mimo desse? Sorri revirando os olhos, me aproximei dele, que ainda permanecia sentado à mesa, e o abracei por sobre os ombros. — Eu poderia dizer que foi pela noite maravilhosa ontem, mas o motivo é por você ter dito “Sim” quando eu lhe pedi em casamento, naquela gôndola lá em Veneza – sussurrei em seu ouvido, então ele virou um pouco o rosto para nos beijarmos – Vou lá fazer o nosso jantar, e deixar você trabalhando sossegado – comentei, aprumando-me, já me desvencilhando de Jacob. O mesmo me olhou confuso, porém fazendo um beicinho, então apontei para a tela do notebook dele, que se encontrava com várias guias abertas sobre uma doença infantil. Ficamos conversando sobre o nosso dia a dia, pois adorávamos saber o que cada um fazia quando estávamos longe um do outro, à medida que eu ia preparando a comida e ele fazia algumas anotações de sua pesquisa. Já fazia um bom tempo que estávamos na cozinha, quando escutamos a campainha tocar, Jacob então disse que ia ver quem era e se levantou, indo primeiro até a área de serviço para pegar uma blusa, vestindo-a antes de ir atender a porta da frente. — Quem é, amor!? – gritei segundos depois, mas ele não me respondeu então abaixei o fogo da panela e me dirigi até o hall da entrada. Encontrei Jacob encarando um jovem de no máximo dezessete anos, de cabelos pretos, todo repicado, usando roupas bem maltrapilhas, além de estar de óculos escuros. O que era bem estranho, porque estava quase de noite e não tinha sol forte o suficiente para justificar o uso daqueles óculos. — Pois não, rapaz? – inquiri, chamando a atenção do mesmo, que mirou seu olhar para mim, virando a cabeça em minha direção. — É uma moça, querido. Ela disse que viu o nosso anúncio do jornal e veio nos fazer uma proposta. Fiquei desconfiado, porque ela poderia ser uma ladra, uma drogada ou coisa parecida, pois não fazia nem dois dias que tínhamos mandado publicar o anúncio nos classificados do jornal local, onde expressávamos o desejo de adotar um bebê ou tentar uma barriga de aluguel para realizar o nosso sonho de sermos pais. Eu sabia que em situações assim, poderia se demorar dias ou até semanas para recebermos algum retorno. Olhei então, meio receoso, para o meu companheiro, que me encarou de volta e deu de ombros. — Olha, estou pouco me fudendo se vocês são gays ou não. Vocês estão querendo adotar, não é? Pois então... – a jovem disse chamando logo nossa atenção, então ela levantou o blusão que usava e ficou meio de lado, fazendo com que víssemos o pequeno volume em seu ventre – ...eu estou grávida. Não quero esse bebê e estou precisando de dinheiro. Vão querer ou não? — Entra. Vamos conversar com mais calma – disse Jacob, recebendo um olhar reprovativo de mim. — Bonita casa – a garota murmurou, olhando ao redor, admirada. — E se ela for uma ladra? – cochichei enquanto fechava a porta. — Sem paranoia, Apolo. Por favor – Jacob sussurrou de volta e se virou sorrindo para a moça – Obrigado... Como se chama, senhorita? — Theodora, mas podem me chamar de Thea. — Ok, Thea. Vamos nos sentar naquele sofá ali. E amor, acho que o seu risoto já deve estar pronto. — Se ela te atacar, tu grita – pedi num sussurro e olhei, por cima do ombro dele, mais uma vez para a garota que nos observava então encarei Jacob de novo – Não se esqueça de gritar, amor – falei antes de sair rumo a cozinha para ver o andamento do jantar. — Então, Thea... Poderia contar mais sobre você, sobre a gravidez e o motivo de não querer o bebê? – indaguei, percebendo algo de estranho em seu rosto quando ela olhou para o lado, observando a sala. “Um olho roxo. Será que é o pai do bebê que bate nela? Por isso que ela não quer a criança?” pensei intrigado e minha suspeita se confirmou quando a mesma disse que não gostava de falar sobre a sua vida. — Não precisa usar os óculos para esconder esse olho roxo. Sou médico, então convivo com isso, às vezes, lá no hospital. Foi o pai do bebê que te bateu? Você tem pais? — Desculpe, eu não deveria ter vindo. Theodora se levantou e tentou correr para fora da sala, mas eu a segurei, notando que ela estava prestes a chorar. — Fica calma. Eu não vou te machucar – pedi e a jovem abraçou minha cintura, meio desajeitada, afundando seu rosto em meu peito, já desabando em lágrimas. — O que está acontecendo aqui? – escutei a voz do Apolo, então olhei para o lado, pedindo rapidamente que ele trouxesse um copo com água para a nossa visitante poder se acalmar e assim Apolo o fez, com uma cara meio desconfiada, mas fez. — Me desculpe pelo que houve – ela disse, minutos depois, mais calma. A mesma se encontrava sentada novamente no sofá, comigo ao seu lado e com Apolo sentado na mesinha de centro, à sua frente. — Eu que peço desculpas, Thea. Não foi minha intenção te aborrecer, mas eu só queria saber se vamos ter que ficar preocupados com um possível agressor perto do bebê que desejamos adotar – falei e ela me encarou primeiro, depois olhou para o meu companheiro e em seguida abaixou o olhar para as mãos sobre seu colo. — Não precisam se preocupar, porque o Jaime está preso. — E quem é Jaime? – Apolo indagou e Theodora o olhou. — Meu namorado, quer dizer, ex-namorado. O pai do bebê. — Foi ele que te bateu, Thea? – inquiri. — Sim, senhor. É por isso que preciso do dinheiro. Quero fugir para bem longe dele. — Pode nos chamar pelos nossos nomes. Eu sou o Jacob e esse aqui é o meu companheiro Apolo. Ela assentiu dando um meio sorriso para nós dois. — Então você ia pegar o nosso dinheiro e sumir com ele e o bebê? — Não... Apolo. Jaime vai ficar preso por um ano e alguns meses, então daria tempo para eu ter o bebê, entregá-lo a vocês, pegar o dinheiro e ir embora da cidade. Eu posso ser de onde eu sou, mas tenho palavra e não volto atrás, ao contrário daqueles que se diziam meus amigos, mas que são só amigos na hora da bandidagem. Apolo me encarou com uma expressão que dizia: “Viu só? Eu tinha razão”. — Você não está tentando passar a perna na gente para nos roubar, está? — Amor, por favor, né? — Eu só estou perguntando, Jacob. Nada demais. — Não se preocupe. Eu só roubo, ou roubava, lojas de conveniências, porque lá tem dinheiro e comida. Há três dias roubei uma e entre os itens, eu peguei um jornal e foi assim que eu vi o anúncio de vocês. — Você tem onde dormir? — Tinha, mas quando Jaime foi preso, eu fui expulsa do local onde ficávamos e desde então vivo pela rua mesmo. E antes que perguntem, eu sou órfã e é por esse motivo que eu roubava, porque não tenho família para pedir teto e nem comida. Senti muito pena daquela jovem, então logo a ideia de acolhê-la em nossa casa me veio à mente. — Não se preocupe, Thea. A partir de agora, você tem um lugar para morar enquanto estiver grávida. Nós cuidaremos de você e do bebê, né querido?

Capítulo 2 Um Jeito Estranho de Amar

“O leve toque daquelas mãos em mim me incendiava mais e mais. — Eu quero os dois dentro de mim, por favor – suplico à beira de ter um colapso de tanto tesão. Então Jacob se posiciona embaixo de mim, que desço vagarosamente sobre o pau dele. Depois me inclino e o beijo, à medida que sinto Apolo se posicionar atrás de mim e lentamente me penetrar, me fazendo soltar um gemido, que é uma mistura de dor com prazer. — Que bundinha mais gostosa, boneca. — Já está todinho dentro? – pergunto e em resposta Apolo investe contra meu quadril e eu grito. — Agora está. — Pensa na delícia que está a bocetinha dela. Ela é tão apertadinha que eu estou sentindo o seu pau – Jacob fala, mas eu nem presto muita atenção porque ter dois paus enfiados em você, te leva a um estado psicoanestésico. Apolo e Jacob se movimentam em uma sincronia perfeita e eu sinto que estou prestes a gozar. — Mais rápido, meus gostosos! Me fodam mais rápido! Eu tô quase gozando! – grito que nem uma louca enquanto rebolo meu quadril indo de encontro aos deles. Nossos gemidos ecoam pelo lugar, unindo-se, à medida que explodimos juntos em um delicioso orgasmo. — Thea... – escuto ao longe Apolo me chamar, mas eu estou mole demais e acabo fechando os olhos.” — Thea? Acordei sobressaltada e olhei para o lado, onde vi Apolo em pé ao lado da cama, meio inclinado. — Até que enfim você acordou. — Que foi que houve? – indaguei bocejando e me apoiei nos cotovelos, de repente senti que me encontrava melada então logo o sonho de segundos atrás me veio à mente, fazendo-me corar um pouco. — Jacob acabou de me ligar pedindo para a gente ir bem cedo, porque a doutora vai te atender assim que ela chegar no ambulatório. Temos meia hora para se arrumar e chegar lá no hospital. — Ok – falei e me deitei novamente, fechando os olhos, mas os abri quando senti o cobertor ser puxado. — Levanta-se agora, Thea, ou eu vou pegar você no colo e te colocar debaixo do chuveiro com a água estando no frio – ele ameaçou sério então, resmungando, bolei para o lado saindo da cama, ainda muita sonolenta e fui para o banheiro. Quando terminei o banho e minha higiene pessoal, retornei ao quarto e vi sobre a cama um par de tênis preto com branco, uma cueca boxer preta e uma blusa de moletom branca com detalhes de arco-íris e estrelas, que deduzi ser masculina, pois a mesma virou um vestido quando acabei de vesti-la. Minutos depois, eu desci e encontrei Apolo na sala de estar. — Eu já ia te buscar. — Bom dia para você também – comentei terminando de descer a escada. — Desculpe. É porque estou ansioso e aí quando eu fico assim, sou meio chato às vezes. Bom dia, Thea – ele me cumprimentou quando parei perto do mesmo. — Bom dia. — Deixa eu ajeitar essas mangas – Apolo falou, já pegado no meu braço e o erguendo um pouco, puxando a manga que eu havia erguido de qualquer jeito e começando a dobrá-la, de modo que ficasse bem bonita e certa – Isso é temporário. Assim que sairmos do hospital, vamos comprar algumas roupas para você, ok? Assenti com um leve aceno de cabeça. — Esse moletom afrescalhado é seu? — Ele não é afrescalhado. E não, não é meu, e sim do Jacob, mas eu possuo um igual também. São nossos moletons de casal. — Que brega, meu Deus! – exclamei, fazendo careta à medida que ele finalizava a outra manga. — Não é brega, Theodora, e sim muito fofo – Apolo rebateu e eu rolei os olhos. — Tá dizendo. — Quando você encontrar alguém que te faça muito feliz, você vai querer usar essas coisas “bregas” também. — Deus me livre! Prefiro ficar solteira pelo resto da minha vida. Ele riu. — Pronto. Está mais apresentável. Vamos? — Não vamos tomar café? – inquiri. — Não. Você precisa estar de jejum para fazer os primeiros exames. — Odeio agulhas – resmunguei enquanto o seguia rumo ao que parecia ser a garagem da casa. — Com o que você estava sonhando hoje mais cedo? Virei o rosto de repente, desviando o meu olhar da paisagem da janela para o Apolo e o vi me encarar com um meio sorriso divertido nos lábios, enquanto que o mesmo guiava o carro pelo trânsito. — Com nada – falei evasiva e voltei a olhar para a janela. — Jura? Pois eu pensei que estivesse tendo um sonho para lá de picante, por causa dos gemidos que você estava dando. Fiquei meio com vergonha, não porque sonhei transando com eles e sim por saber que alguém escutou os meus gemidos. — Não se preocupe, da próxima vez eu vou gemer mais baixo para não incomodar o seu sono da beleza – comentei e escutei ele gargalhar. — Era com a gente? O seu sonho? — Acho que isso não é da sua conta – retruquei, meio emburrada. — Tudo bem. Não falemos mais nisso, mas se quiser que o seu sonho se torne realidade é só falar que nós realizamos. O encarei com uma das sobrancelhas erguida. — Então vocês são bi? — Não. Somos gays e nunca vamos deixar de ser, porém de vez em quando saímos da nossa rotina e convidamos uma mulher para fazer ménage com a gente. Mas isso não nos torna bissexuais. Seria igual a um carnívoro que às vezes para quebrar a rotina prefere comer comida vegana. Isso não o torna vegetariano, torna? — Acho que não – murmurei meio pensativa. — E outra, bissexuais são aquelas pessoas que sentem atração ou prazer tanto com homens quanto com mulheres ou com outros tipos de gêneros. E acredite quando eu digo que nem eu e nem o Jacob ficamos excitados vendo mulheres peladas. — Hum... Quantos mulheres já toparam fazer isso com vocês? — Desde que começamos a namorar... Aliás nós nos conhecemos num ménage – Apolo sorriu como que lembrasse de algo – Jacob namorava a minha irmã e a mesma um dia me convidou para fazer um ménage para apimentar a relação deles e foi então que aconteceu. A gente se apaixonou. Na verdade, eu já tinha uma quedinha pelo Jacob muito antes disso rolar. Chegamos – Apolo anunciou estacionando o carro em uma vaga do estacionamento do hospital. — Eu odeio hospitais – resmunguei, já saindo do carro. — Jacob e eu vamos estar lá com você, Thea. Não precisa ficar com medo. Vamos? Mesmo a contra a gosto, eu o acompanhei rumo a entrada do enorme prédio. Não sabia qual dos dois era o mais medroso dali. A Thea, por ver o tamanho da agulha do coletor ou o Apolo, que tinha pavor de sangue. Eu havia descido para o Setor de Exames assim que recebi uma mensagem do meu companheiro, avisando-me de que eles tinham chegado. Agora estou aqui, tentando controlar o riso à medida que eu coletava o sangue da Theodora, que tinha feito mais escândalo do que uma criança pequena. Apolo estava ao lado da Thea, segurando sua mão, porém com o rosto virado e de olhos fechados para não ver o sangue que jorrava da veia dela direto para o terceiro tubinho enquanto que a técnica de enfermagem, que a Theodora bateu o pé e disse que a mulher não ia tirar o sangue dela nem vendada, estava identificando os vidrinhos. — Não vai acabar mais não? – Thea me questionou quando conectei o quarto tubo no coletor. — Ainda não. Vou precisar de mais sangue para todos os exames que eu solicitei inicialmente e para o resto dos exames que a Margareth vai te solicitar na hora da consulta. Ou você quer duas furadas no seu braço? — Nenhuma teria sido bem melhor – ela resmungou e virou o rosto olhando para o Apolo, depois me encarou novamente – E esse aqui, ao invés de me dar força, tá com mais medo do que eu. — Tenho pavor de sangue – Apolo comentou – Sangue para mim tem que ficar bem longe. — E o que corre nas suas veias é o que, sua anta? É glitter por acaso? Purpurina? Não me aguentei e tiver que explodir em uma risada com aquele comentário da Theodora, porém aquilo me fez mexer a mão e isso ocasionou na perda da veia dela. — Ai, cacete! — Desculpe – falei, já colocando um tufo de algodão e tirando a agulha. Ainda faltava o último tubinho para ser preenchido, porém Thea fez cara feia para mim. — EITA! QUE SAÚDE, HEIN DOUTOR? Olhei para o lado e vi uma das nossas vizinhas, que ia saindo de sua casa para ir a algum lugar. — Para dentro agora, Jacob! – exclamou Apolo, muito puto de raiva, já pegando a toalha do chão. — Eita, amor. Deixava pelo menos eu acenar para a nossa vizinha primeiro – falei, vendo-o fechar a porta atrás de si e passar por mim, rumo a sala de estar. — Você iria acenar com que mão, se suas duas estavam ocupadas, hein Jacob? E por que tem um urso enorme na nossa sala? Você sabe muito bem que eu não gosto de urso de pelúcia. — Não é para você, amor, e sim para a Thea – informei deixando as sacolas sobre o outro sofá e olhei para o lindo urso que eu havia comprado para ela, em agradecimento pelo que a mesma estava fazendo por nós. “Tomara que a Theodora goste” — E começa assim... Primeiro um urso de pelúcia, depois flores, jantares, convites para ir para baladas, mais presentes e quando eu menos esperar, você vai fugir com ela e com a bebê – ele murmurou ainda emburrado e com os braços cruzados em frente ao peito. — Ownn... Não fica com ciúmes não, querido – pedi me aproximando e segurando seu rosto entre minhas mãos – Você é o marido mais lindo e mais gostoso do mundo. E eu já te falei que nunca vou trocar o seu pau por nenhuma boceta desse planeta. — Mentira. Você está dizendo isso só para eu baixar a guarda e vocês conseguir fugir de boa. — O que eu posso fazer para o amor da minha vida voltar a acreditar em mim? – indaguei descendo minha boca sobre seu pescoço, distribuindo pequenos beijinhos enquanto eu continuava a sussurrar – Hein, querido? O que você quer? Quer um urso, mesmo não gostando? Pois então lhe darei um maior que esse. Quer flores? Então encherei nossa casa com milhares e milhares de flores só para você. Ergui o rosto, encarando-o, e finalmente Apolo descruzou os braços, abraçando-me pela cintura, já puxando meu corpo de encontro ao dele. — A única coisa que eu quero é você, Jacob. Sempre. — Isso você já tem. Eu sempre vou ser seu, Apolo. — Mas eu te magoei tanto no passado, que vivo sempre achando que você, a qualquer momento, vai me deixar ou vai me trocar por alguém melhor que eu. — Amor, isso nunca vai acontecer – sussurrei selando nossos lábios, num beijo calmo, onde pude saborear cada pedaço daquela boca gostosa, então segundos depois encostei minha testa na dele e me arrisquei a cantar, baixinho, um pedacinho de uma das músicas que significavam muito para gente. Baby, este amor Eu nunca vou deixá-lo morrer Ele não pode ser tocado por ninguém Eu gostaria de vê-lo tentar Eu sou um homem louco pelo seu toque Menino, eu perdi o controle Eu vou fazer isso durar para sempre Não me diga que é impossível Porque eu te amo até o infinito Eu te amo até o infinito Porque eu te amo até o infinito Porque eu te amo até o infinito — Eu também te amo até o infinito, meu amor. E muito além dele, se for possível – Apolo declarou, fazendo-me sorrir meio bobo. — Eu sei. Voltei a beijá-lo, agora com mais intensidade, à medida que meus dedos procuravam a bainha de sua blusa para erguê-la. Respiramos fundo, à procura de ar, quando nos desvencilhamos para eu poder puxar a camisa dele, arrancando logo ela de seu corpo. — Tenho o marido mais lindo do mundo – admiti enquanto admirava o seu peitoral bem definido. — Não. Sou eu que tenho – Apolo sussurrou, sorrindo e me beijando em seguida. Sem interromper nosso beijo e nossas carícias, fui empurrando Apolo para perto da parede mais próxima, mas ele mudou nossa posição e quem acabou sendo pressionado contra a parede fui eu. Então o senti me envolver com sua mão, masturbando-me e deixando meu pau ainda mais duro. Apolo sabia exatamente como me tocar para me deixar em total combustão. Num movimento rápido e inesperado, o encostei na parede e me abaixei, beijando seu cóccix para depois puxar um pouco sua calça para baixo e dar uma leve mordidinha no início de uma de suas nádegas, ouvindo Apolo gemer no mesmo instante. Segurando seu quadril, o fiz ficar de frente para mim. Ele então tentou abrir sua calça, mas o impedi me levantando e segurando suas mãos acima de sua cabeça. — Calminha aí, amor. Eu que vou te despir todinho – informei enquanto uma das minhas mãos descia pelo seu tórax e passou a massageá-lo por sobre a calça, sentindo a cada segundo ele se endurecer mais e mais. — Não me tortura desse jeito, Jacob – ele implorou me encarando nos olhos. Sorri e fui descendo minha boca ao longo de seu abdômen, chegando no meu paraíso particular, onde desabotoei a calça à medida que beijava o final de sua barriga. Minhas mãos trataram rapidamente de tirar o resto das roupas dele para em seguida minha boca fazer o serviço dela e proporcionar muito prazer para o meu Apolo. Quando, minutos depois, senti que ele estava se aproximando do seu orgasmo, parei de chupá-lo já ouvindo um resmungo frustrado dele então levantei pedindo que me esperasse ali, pois iria até o nosso quarto para buscar um preservativo, mas Apolo me lembrou que ele sempre andava com um na carteira, então fui pegá-lo.

Capítulo 3 Um Jeito Estranho de Amar

Joguei a calça dele novamente em algum lugar da sala e Apolo tomou o pacotinho de mim, abrindo-o, e se abaixou a minha frente para colocar a camisinha em mim. Assim que ele se levantou, eu o peguei no colo e o recostei contra a parede, usando a mesma como apoio quando o penetrei lentamente e passei a fodê-lo. Minutos depois, nos conduzi até um espaço livre do sofá e me sentei, segurando seu quadril, porém deixei que Apolo cavalgasse no seu próprio ritmo. Nós dois estávamos com tanto tesão que logo gozamos. Eu, dentro dele, mas protegido pelo preservativo. Ele, sobre minha barriga, melando- me. Apolo saiu do meu colo e me jogou a toalha para que eu me limpasse. — Que tal outra rodada, lá no nosso quarto? – Apolo perguntou e eu assenti, já dizendo que seria a minha vez de sentir ele todinho dentro de mim. Jacob me apertava a bunda e arranhava minhas costas enquanto eu ia intensificando cada vez mais o meu vai e vem, sentindo-o me apertar, o que me deixava ainda mais louco de tesão. Seu pau estava entre nós e, por estarmos na posição papai e mamãe, a cada investida que eu dava, meu abdômen pressionava nele, masturbando-o. Como de costume, Jacob pediu para ir mais forte e assim o fiz, sentindo segundos depois, ele gozar entre nossas barrigas. O meu orgasmo veio logo em seguida, fazendo-me beijá-lo à medida que meu pau pulsava dentro dele, preenchendo a camisinha. Me deitei ao seu lado e Jacob me puxou para perto, parecendo não se importar se íamos sujar a cama e o cobertor de sêmen. — Sexo de reconciliação é o melhor de todos – ele comentou então sorrimos um para o outro e Jacob me deu um selinho, depois voltei a recostar minha cabeça em seu peito – Poderíamos brigar mais vezes, né? — Não. Eu não gosto de ficar brigando com você. — Tudo bem, mas tenta não ficar com ciúmes da Thea, ok querido? Daqui a alguns meses, ela vai embora e seremos apenas eu, você e nossa princesinha. Assenti fechando os olhos enquanto sentia Jacob fazer um cafuné gostosinho em minha cabeça. — Amor, acabei esquecendo de te mostrar uma coisa – falei saindo do banheiro à medida que Jacob terminava de trocar os lençóis da nossa cama. — Esqueceu o quê? — Peraí que eu vou buscar. Me enrolei na toalha, que estava me enxugando e sai do quarto, descendo até a sala para pegar a sacola com as roupinhas. Quando voltei ao quarto, não encontrei meu companheiro então o chamei e ele respondeu de dentro do banheiro. — Olha aqui, amor – falei depositando a sacola sobre a bancada da pia e tirei a primeira peça. — Ownn... Que coisa mais fofa, Apolo – ele disse, já pegando a roupinha das minhas mãos. — Também comprei essas aqui – murmurei, mostrando em seguidas as demais pecinhas de roupas, que incluíam de vestidinhos rosas e floridos à conjuntinhos com saias e shortinhos para nossa futura filha ser a bebê mais estilosa do mundo. — Aí amor. A nossa filha nem nasceu ainda e você já comprou roupinha para ela vestir só quando ela tiver um aninho – Jacob comentou rindo, me fazendo rir também. — Eu sou precavido, querido. Vi, gostei e comprei. Vai lá que daqui a um ano não tivesse mais, né? Aí a nossa princesinha não ia ficar lindona nesses modelitos fofos. A gente precisa escolher o nome dela, Jacob. Vamos escolher agora? – perguntei empolgado. — Se acalma que ainda temos tempo, amor. Acho melhor você ir buscar a Thea. Deve estar quase na hora do horário combinado. — Thea? Que Thea? Não conheço nenhuma Thea? — Apolo... – ele advertiu-me. — Era brincadeira. Já estou indo – informei sorrindo, já saindo do banheiro e indo para o closet, a fim de me vestir. Assim que Theodora desceu, meu queixo caiu para segundos depois eu franzir o cenho. — Ownn... Que fofo! O Cherzito ficou até sem palavras. — É claro que eu fiquei sem palavras, Ethan! Meu cérebro deu um nó muito doido aqui e a única coisa que estou pensando é “Que porra é essa?”. — Isso não foi um tom de elogio – ele retrucou. — Jura? — O que foi, Apolo? Eu gostei do look e do meu cabelo. — Caladinha aí, fofa! – falei apontando o dedo para ela, depois me virei para o Ethan – Como você me coloca um aplique divo daquele e me amarra o cabelo depois? Você bebeu perfume por acaso? Sem contar que o look está horroroso. Parece que ela acabou de vim da guerra ou coisa pior, acabou de ser atacada por algum estuprador. Vi Ethan rolar os olhos. — Deixa de mimimi, Cherzito. — Mimimi? Você por acaso sairia com essa roupa então? — Nem fudendo todos os boys magia do mundo. Sou louca, mas nesse nível aí já é demais. — É disso que estou falando. — Não me culpe. Não fui eu que dei isso para ela usar. — Eu gostei da roupa, Apolo. E foi sua sogra que deu ela de presente para mim. — Ok, Thea. Vamos logo embora – falei e olhei para Ethan – Vai com a gente ou vai no seu próprio carro? — Hum... Deixe-me pensar. Vou endoidando sozinha ou acompanhada de três amigas? Acho que fico com a segunda opção. — Três amigas? Quem mais tanto vai? O Alexos já não está lá? — Está, mas ela não vai com vocês? – ele indagou indicando a Theodora e eu assentiu em confirmação – Pois então. Três amigas. Jacobito, Cherzito e a Buchoca, que é minha amiga agora. — Buchoca? Que porra de apelido é esse? — Ué... Buchuda com Lindoca, dá Buchoca. Não me aguentei e cai na risada sendo seguida pela Thea que tentava até agora não rir, mas não resistiu. “Esse Ethan é demais, Senhor” — Ai ai, Ethan. Só você mesmo para inventar uns apelidos surreais como esse. — É porque eu sou especial. — Então vamos, oh sua especial, senão a gente vai acabar se atrasando para o casamento da minha irmã e se isso acontecer, ela é capaz de arrancar os nossos paus à base da dentada. E não está escrito “Eu vou virar um eunuco hoje” na minha agenda. Tínhamos acabado de sair da casa do Ethan, onde o mesmo fora buscar a roupa que ele iria usar no casamento da irmã do Apolo, quando de repente senti uma vontade enorme de tomar sorvete e não tive vergonha em expressar isso. — Tô com desejo de tomar sorvete, Apolo. — Eu também quero – Ethan anunciou no banco de trás. — Não temos tempo, gente. — Sua filha vai nascer com cara de sorvete. — Isso mesmo, Buchoca. Joga praga nele. — Ethan, cala a boca! – exclamou Apolo, que depois olhou para mim, aproveitando a parada em um sinal de trânsito – E isso que você disse é fisicamente impossível, ok? — Por favor... – supliquei fazendo um gesto com as mãos. — É miga, por favorzinho... — Você vai pagar por acaso? – ele questionou o Ethan. — Eu não. — Então fica na sua. — Deixa de ser mão de vaca, Cherzito. Vi Apolo rolar os olhos e colocar o carro em movimento. Pensei que ele fosse direto para a casa dele, mas sorri e beijei sua bochecha quando o mesmo estacionou o carro a alguns metros de uma sorveteria chamada Ben & Jerry’s. — Tome – Apolo disse tirando uma nota de cinco dólares de sua carteira e me entregando – Vá lá comprar seu sorvete e volte no mesmo rastro. Não demore. Assenti, já saindo do carro. — Eu vou com você, Buchoca – escutei Ethan falar e logo ele me acompanhou, enlaçando seu braço ao meu. Quando eu entrei na sorveteria, logo de cara vi o banner da novidade. Sorvete em forma de tacos mexicanos. Perguntei quanto era um, mas com a nota que Apolo havia me dado eu não conseguiria comprar então deixei Ethan fazendo o pedido dele e voltei até o carro. — Me dá uma nota de vinte – mandei e ele me encarou com uma das sobrancelhas erguida. — Tem é ouro nesse sorvete por acaso? — Anda, Apolo. Me dá logo uma nota de vinte dólares – ordenei e o mesmo me passou a nota, meio emburrado. Voltei para a sorveteria e me acabei em felicidade quando a moça me deu o meu sorvete-taco tamanho grande, já o Ethan havia comprado uma caixa pequena de sorvetes donuts, então retornamos para o carro. — Isso vai dar merda. Tô até vendo – Apolo resmungou quando entramos. — Você está muito ranzinza hoje, Cherzito. Isso é falta de foder e de ser fodido. Dei uma gargalhada do comentário do Ethan e acabei me melando um pouco de sorvete e algumas gotas sujaram o banco do carro, o que fez Apolo me encarar, muito puto da vida. — Não falei. Mais que droga! — Desculpe – murmurei ainda tentando parar de rir. Apolo apenas rolou os olhos, me ignorando. — E para o seu governo, Ethan, eu comi e fui muito bem comido antes de vim buscar vocês. “Poxa... Perdi a chance de ver os dois se comendo” pensei frustrada. — Pois nem parece, amiga. Toma um donut para alegrar sua vida. — Eu não quero nada não. — JACOBITOOO! CHEGAAAMOS! – Ethan gritou assim que entramos na casa. — Ele deve ter escutado o carro estacionando na garagem – salientou Apolo. Jacob logo apareceu usando um avental bem engraçado e sugestivo com o corpo de um homem nu segurando uma grelha de assar carne com uma linguiça assada sobre a grelha onde deveria estar o pau dele. “Eita, porra! Será que ele está pelado usando apenas esse avental?” — Oi, gente. — Ui, Jacobito! Arrasando meu core desse jeito? Assim eu não aguento. Pena que você é casado com o Cherzito, senão eu te arroxava era aqui mesmo. Jacob riu e Apolo, que já não estava com a cara muito boa, piorou de vez. — Eu espero que você esteja vestido atrás desse avental, porque uma exposição pública de nudez já basta por um dia, né querido? – ele disse para o outro que logo virou de costas para nós. — Eu estou de cueca, amor – Jacob anunciou e virou de novo, se aproximando de mim – Ei, eu conheço essa roupa. — Sua mãe deu para ela de presente – Apolo informou. — Ah... Eu tinha dando essa roupa de presente no aniversário dela, na semana retrasada, lembra querido? — É por isso que ela deu para a Buchoca, porque era feia demais para ela própria usar – Ethan comentou, rindo. — Não me diz que “Buchoca” é o seu apelido que ele te colocou? – Jacob sussurrou e eu assenti sorrindo – Ok... E a propósito, amei o cabelo. Tá diva demais.

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