Eu Sou Nicolas Xavier e tenho dez anos, cresci rodeado pelo amor da minha família principalmente do meu pai Francisco Xavier que é um homem conhecido na cidade por ser um empresário de muito sucesso e vim de uma família muito rica, mesmo rodeado com todo o amor que meu pai e meus avós assim como meus tios me dão ainda assim sinto um vazio dentro do meu peito que só será preenchido quando eu encontrar a minha mãe verdadeira, mas se depender do meu pai isso nunca vai acontecer e por isso tenho me rebelado contra ele e sua noiva Rebeca Freitas que vive querido se casar com meu pai mas a única que casará com meu pai será a minha mãe e não vou desistir até encontrá-la. Eu sou Francisco Xavier, tenho 30 anos levo uma vida invejada por todos, tenho muito sucesso nos negócios, tenho uma noiva maravilhosa que é companheira E durante quase 10 anos ela me ajuda a criar o meu filho Nicolas, falando em meu filho, bom Ele é a pessoa mais importante da minha vida, e por ele faria qualquer coisa menos lhe dizer quem é sua mãe biológica não quero decepcioná-lo já que ele foi entregue assim que nasceu por sua mãe e fez um acordo comigo de nunca revelar a sua identidade já que ela também não tinha nenhum interesse com a criança. Mas como posso dizer isso para um menino que sonha em conhecer sua mãe biológica que é uma mulher fria e nunca se arrependeu por deixar seu filho para trás, mas não esperava que no final Nicolas acabasse descobrindo a verdadeira identidade de sua mãe e fosse atrás dela o que causou muito problema com meu relacionamento com minha noiva Rebeca, já que mesmo que eu tinha ficado uma única vez com a mãe de Nicolas me apaixonei por ela e confesso que muita das vezes uso o meu filho para não me casar com Rebeca, e é muito apaixonada por mim, agora estou em um dilema me caso com uma mulher que sempre esteve ao meu lado e que me ama ou tento conquistar uma mulher fria que não ama ninguém além dela mesma mas que tem o meu coração 💓. Eu sou Rebeca Freitas, de 28 anos, sou noiva de Francisco Xavier sempre tive certeza que me casaria com Francisco mas não imaginava que de repente aparecesse um filho, por amar muito Francisco acabei aceitando Nicolas mas não imaginava que ele fosse a razão de Francisco adiar nosso casamento por quase dez anos, durante esse tempo Nicolas sempre quis saber que era sua mãe biológica mas Francisco e sua família nunca lhe contou mas isso não lhe impediu de encontrá-la e para a surpresa de todos a tal mãe biológica de Nicolas é uma mulher bastante famosa e sempre está nas capas de revista e agora ela está de volta as nossas vidas mas o que realmente me preocupa é Francisco e mesmo dizendo que a odeia o nosso relacionamento parece ter mudado como a chegada dela. E agora não sei o que eu faço coloco um ponto final em uma relação de quase 10 anos com um homem que parece me ver apenas como uma amiga de longa data, o outro com todas as armas para não perder o amor da minha vida? Eu sou Valentina Matias de 25 anos, sou uma modelo com uma carreira de muito sucesso e conquistei um patrimônio considerável, Sou representante de grandes marcas famosas que brigam só para ter a minha imagem associada a elas e a garantia de sucesso, mas nem sempre tive uma vida de luxo e uma carreira de sucesso, a verdade é que fiquei órfã muito nova na época meus avós paterno e materno não queria ter responsabilidade de criar uma criança, mas para minha sorte tem uma tia muito bondosa e ela resolveu assumir o papel de mãe então ela me criou com muito sacrifício deixando o seu noivo e a casa de seus pais que tinha expulsado por decidir ficar comigo sempre tivemos uma vida muito difícil até que um dia estávamos na rua vendendo doce e o homem se aproximou dizendo para minha tia que eu era muito bonita que poderia me tornar uma modelo de muito sucesso de início minha tia se recusou mas insistir tanto que ela acabou aceitando, de início não sabíamos muito sobre esse mundo de modelo, e quando completei 15 anos fui drogada por uma gente que queria me entregar para um empresário assim ele ia ganhar um contrato milionário mas consegui fugir do quarto do hotel e foi aí que conheci um homem que estava passando por lá naquele momento ele pediu ajuda e acabamos passando a noite junto mas não imaginava que dessa única noite com um estranho acabaria engravidando, pensei em abortar mas acabei descobrindo que esse homem vinha de uma família muito rica e que poderia cuidar dessa criança coisa que nem eu nem minha tia podia na época então escondi de todos que estava grávida e quando eu tive o bebê procurei o pai e entreguei, e nunca mais soube nada sobre essa criança, e por tudo que tinha acontecido no passado me tornei uma mulher fria sem compromisso com os homens confiava em poucas pessoas e foi assim que conquistei uma carreira de muito sucesso, até 10 anos depois apareceu na minha frente um menino muito bonito dizendo que era meu filho, então mudei totalmente a minha vida e agora estou ao lado do meu filho Nicolas mas não imaginava que seu pai fosse um homem tão difícil de lidar e ainda por cima ele tem uma noiva louca. Eu sou Lara Matias de 50 anos, nunca tive filhos biológicos e também nunca me casei dediquei toda a minha vida a minha sobrinha Valentina, filha da minha irmã que morreu ainda jovem ou decidi criar minha sobrinha fui expulsar por meus pais de casa e o meu noivo rompeu o noivado na época já que ele não queria iniciar uma vida com uma mulher e uma criança na época fiquei muito triste mas logo essa tristeza passou porque tive que trabalhar muito para criar minha sobrinha, que sempre foi dedicada e esforçada mas não imaginava que quando uma oportunidade chegasse para mudar nossas vidas minha sobrinha teria que pagar um preço tão alto, ela conheceu pessoas muito mal que cobiçava a sua beleza e por isso ela se tornou uma mulher fria e calculista, mas tem uma esperança que agora que seu filho apareceu ela volte a ser aquela menina doce e Gentil do passado por isso eu insistir que ela ficasse ao lado do seu filho Nicolas mas não imaginei que isso lhe traria alguns problemas. Eu sou Gilberto Oliveira de 28 anos sou amigo e assistente da modelo mundialmente conhecida como Valentina Matias, que é uma deusa aclamada e desejada por todos os homens mas o que tem de beleza tem de frieza ela seria uma legítima rainha do gelo, mas como seu amigo sei que ela valoriza bastante as pessoas ao seu lado principalmente sua tia Lara que digamos de passagem é a única que pode tomar essa rainha do gelo, fiquei chocado quando em um desfile importante apareceu um garotinho de 10 anos e disse que era filho da minha musa e para minha maior surpresa ela não negou mas expulsou o coitado, mas a tia Lara não deixaria sua sobrinha fazer algo tão terrível assim como seu filho, minha deusa voltou para o seu país de origem e quem diria seu filho da minha deusa tinha um Pai gostosão está na cara que ele é obcecado pela minha deusa e isso renderá muitas confusão, falando em confusão acabei me apaixonando por Marcelo Xavier Que por sinal é irmão do gostosão pois é eu sou gay, mas esse amor parece ser quase impossível já que Marcelo hetero e não tem intenção nenhuma de está com alguém do mesmo sexo ou será que tudo isso não passa de fachada? Eu sou Marcos Xavier de 28 anos, e trabalho na Empresa da família junto com meu irmão Francisco, nossa família sempre foi unida temos um pai para sempre nos ensinou que a família vem em primeiro lugar e fez questão de nos guiar sempre nos amando e respeitando, não imaginava que a obsessão do meu sobrinho Nicolas por sua mãe biológica acabaria mudando a vida de todos, principalmente a minha que estou em um dilema por estar gostando de um homem que é muito excêntrico e chamativo mas em me atraído bastante e não sei o que fazer com esse sentimento.
- Francisco, tenha paciência com o Nicolas. Você sabe muito bem que ele é um bom menino! - falou Rebeca Freitas, noiva de Francisco, enquanto tentava acalmar o homem, que estava furioso com o filho. Mais uma vez, Nicolas havia ido longe demais com suas birras. Ao ouvir a noiva, Francisco suspirou profundamente e passou uma das mãos pelos cabelos, tentando controlar a própria irritação. - Como você ainda consegue pedir para eu ter calma depois de tudo o que ele fez com você? Rebeca, eu amo meu filho, mas para tudo existe um limite. Não vou admitir que ele trate você dessa maneira! - declarou Francisco, olhando para o menino sentado no sofá à sua frente. - Nicolas, peça desculpas para Rebeca agora mesmo. Eu já disse que ela será sua madrasta, querendo você ou não! Nicolas continuou sentado, com os braços cruzados e uma expressão de pura indignação. Ele nunca havia aceitado Rebeca e fazia questão de deixar isso claro sempre que tinha oportunidade. Rebeca, por outro lado, não conseguiu esconder a felicidade ao ouvir Francisco reafirmar que ainda pretendia se casar com ela. Os dois estavam noivos havia quase dez anos, mas o casamento sempre acabava sendo adiado por causa de Nicolas. Francisco amava profundamente o filho. Desde que Nicolas chegara à sua vida, quando ele tinha apenas vinte anos, o menino havia se tornado a pessoa mais importante do mundo para ele. Por isso, durante todos aqueles anos, Francisco havia colocado os desejos do filho acima dos próprios planos. Mesmo morando juntos havia anos, Francisco e Rebeca ainda não tinham oficializado a união. - Já disse que não vou pedir desculpas para essa mulher! - respondeu Nicolas, irritado. - E, já que o senhor insiste tanto em se casar com ela, por que não me diz de uma vez quem é a minha mãe? Assim, eu posso procurá-la, e o senhor poderá ser feliz ao lado da sua amada. Pode até ter vários filhos e me esquecer! Aquelas palavras fizeram a expressão de Francisco endurecer. Ele se aproximou do filho e segurou seu braço, obrigando-o a encará-lo. - Você tem uma adoração tão grande por uma mulher que nunca viu e que nunca se importou com você! Você realmente é um filho ingrato. Machuca a mulher que sempre cuidou de você como se fosse sua própria mãe, e tudo isso por quê? Rebeca imediatamente colocou a mão sobre o ombro de Francisco. Ela sabia que aquela conversa poderia tomar proporções ainda maiores. Nicolas, porém, puxou o braço com força e encarou o pai. - Como você sabe que ela realmente não me ama? Como sabe que ela não quer estar comigo? Você nunca me conta nada sobre ela! Tudo o que faz é falar mal da minha mãe! - gritou o garoto. - Mas eu não me importo. De um jeito ou de outro, vou encontrá-la. E, quando isso acontecer, vou ficar com ela, e você nunca mais vai me ver! Nicolas se levantou rapidamente e correu para o quarto. Poucos segundos depois, Francisco e Rebeca ouviram a porta bater com força. Rebeca soltou um suspiro e se aproximou do noivo. - Francisco, não se preocupe. O Nicolas está zangado, mas logo ficará bem com você. E você não precisa estar sempre me defendendo, porque eu sei que, apesar de às vezes dizer que não sou mãe dele, Nicolas é um bom menino. Ele só está confuso e sente falta de alguém que nem sequer conhece. Ela passou os braços ao redor do pescoço de Francisco e tentou fazê-lo relaxar. - Agora vamos subir para tomar um banho. Seus pais chegarão em breve. Ou você esqueceu que eles virão jantar conosco esta noite? Francisco finalmente sorriu e a beijou. - Rebeca, você é uma mulher maravilhosa. Prometo que vou lhe dar um casamento lindo. Mesmo que ainda não sejamos casados oficialmente, para mim você já é minha esposa e a mãe de Nicolas. Rebeca sorriu satisfeita. Francisco tinha trinta anos e era um dos homens mais poderosos e influentes do país Z. Descendente de uma das famílias mais tradicionais, antigas e ricas da nação, ele havia assumido responsabilidades dentro do império empresarial dos Xavier ainda muito jovem. A família Xavier possuía uma fortuna praticamente incalculável. O patrimônio havia sido construído ao longo de várias gerações e envolvia empresas de construção, hotéis de luxo, propriedades rurais, empreendimentos imobiliários, investimentos financeiros, indústrias e uma extensa rede de negócios internacionais. Os Xavier possuíam mansões espalhadas pelas regiões mais valorizadas do país, apartamentos de luxo em grandes capitais, fazendas particulares, carros importados e até um jatinho executivo utilizado pelos membros da família em suas viagens. A residência principal da família era uma verdadeira propriedade de luxo. Localizada em uma área exclusiva, cercada por enormes jardins, árvores cuidadosamente podadas e uma extensa área verde, a mansão possuía vários quartos e suítes, salas de estar, biblioteca, escritório, academia particular, piscina, salão de festas, adega, cozinha profissional e uma garagem capaz de abrigar diversos veículos de alto padrão. Além disso, a propriedade contava com funcionários permanentes, motoristas, seguranças particulares, empregados domésticos e uma equipe responsável exclusivamente pela manutenção do enorme patrimônio. O sobrenome Xavier era suficiente para abrir portas em praticamente qualquer lugar. Francisco administrava parte dos negócios ao lado de seu irmão, Marcelo Xavier, de vinte e oito anos. Apesar da pouca idade, os dois eram considerados jovens empresários extremamente bem-sucedidos e haviam recebido do pai a responsabilidade de continuar expandindo o império construído pela família. Mesmo sendo constantemente cortejado por mulheres de famílias importantes, Francisco nunca havia demonstrado interesse em outra pessoa além de Rebeca. Para ela, Nicolas era o único obstáculo entre ela e o casamento que desejava. Rebeca sabia que ninguém conhecia a verdadeira identidade da mãe de Nicolas. O menino havia sido entregue a Francisco assim que nasceu, e aquela mulher desaparecera completamente de suas vidas. Pelo que Rebeca sabia, Francisco havia passado apenas uma noite com aquela mulher. Meses depois, Nicolas nasceu. Ela nunca conseguiu descobrir quem era a mãe da criança, nem se ela ainda estava viva. O assunto era simplesmente proibido dentro da família Xavier. Enquanto isso, no andar superior da mansão, Nicolas estava sentado diante de seu computador. A enorme biblioteca de seu quarto estava silenciosa. Livros sobre tecnologia, genética e investigação ocupavam diversas estantes. Sobre a mesa havia dois monitores, um notebook de última geração e vários equipamentos tecnológicos que, para uma criança de quase dez anos, eram impressionantes. Nicolas digitava rapidamente. Seus dedos se movimentavam sobre o teclado enquanto analisava diferentes bancos de dados e informações genéticas. Ele sabia que encontrar sua mãe não seria fácil. Seu pai havia passado anos escondendo qualquer informação que pudesse levá-lo até ela. Mas Nicolas estava determinado. Ele tinha certeza de que, cedo ou tarde, descobriria a verdade. E, naquele momento, ninguém conseguiria fazê-lo desistir. Duas horas depois, o jantar da família Xavier começou. O enorme salão de jantar estava impecavelmente preparado. A mesa comportava facilmente mais de dez pessoas e estava decorada com louças finas, talheres de prata e taças de cristal. O senhor Carlos Xavier e sua esposa, Marina Xavier, estavam sentados à mesa junto com Francisco, Rebeca e Nicolas. Carlos observava discretamente o filho e o neto. Os dois eram extremamente parecidos. Tinham traços semelhantes, o mesmo olhar intenso e, principalmente, personalidades fortes. Carlos sabia que os dois haviam discutido. - Nicolas, seu aniversário está chegando. Você já sabe o que quer ganhar de presente? - perguntou Carlos, tentando iniciar uma conversa. Nicolas levantou a cabeça. - Quero o presente que peço todos os anos. Mas meu pai insiste em negar. Francisco imediatamente bateu a mão sobre a mesa. Ele sabia exatamente a que presente o filho estava se referindo. - Nicolas, se você não parar com esse assunto agora mesmo, ficará de castigo trancado no seu quarto! - ameaçou Francisco. - E qual é a novidade? É só isso que o senhor sabe fazer! - respondeu Nicolas, cheio de raiva. - Nicolas, seu pai não está falando por mal - tentou intervir Rebeca. O garoto virou lentamente o rosto para ela e a encarou friamente. - Rebeca, não fale comigo como se realmente se importasse! Qualquer pessoa consegue perceber que você só finge gostar de mim para enganar o idiota do meu pai, que acredita que você é uma boa pessoa! O sorriso de Nicolas era provocador. O semblante de Rebeca imediatamente entristeceu. - Nicolas! Suba para o seu quarto agora mesmo e não saia de lá sem a minha autorização! - ordenou Francisco. - Com prazer, senhor meu pai! - respondeu Nicolas, levantando-se. Ele deixou a sala furioso. Marina observou o neto desaparecer pelo corredor antes de olhar para o filho e para Rebeca. - Rebeca, não leve as palavras de Nicolas para o coração. Ele ainda é uma criança. Em seguida, olhou para Francisco. - Filho, eu já disse que você precisa ter outro filho. Talvez Nicolas deixe de ser tão rebelde quando tiver um irmão ou uma irmã. Além disso, já passou da hora de você e Rebeca terem um bebê. Não vejo a hora de ter uma netinha! Tenho certeza de que será linda e mimada. Francisco soltou um suspiro. - Mamãe, terei outro filho no momento certo, e esse momento não é agora. A senhora sabe muito bem que já é uma batalha fazer Nicolas aceitar meu casamento com Rebeca. Ter outro filho agora só tornaria tudo ainda pior. Francisco amava o filho profundamente. Havia sido pai aos vinte anos e, apesar de ter enfrentado muitas dificuldades, jamais se arrependera. Nicolas era seu maior tesouro. Seu maior desejo era vê-lo feliz. O problema era que havia uma única coisa capaz de fazê-lo feliz que Francisco não podia lhe dar: sua mãe biológica. Rebeca segurou a mão de Francisco sobre a mesa. - Sogra, eu e Francisco nos amamos e já conversamos sobre esse assunto. Vamos esperar mais um pouco. Mas não se preocupe, porque iremos lhe dar outro neto. Além disso, meus cunhados Marcelo e Ana Clara também poderão lhe dar netos. Marina soltou um suspiro. - Marcelo? Aquele homem não fica com uma única mulher tempo suficiente para pensar em casamento, quanto mais em filhos! E Ana Clara é muito jovem. O único pensamento daquela menina é a carreira de modelo. Enquanto Marina e Rebeca conversavam animadamente, Carlos e Francisco permaneceram em silêncio. O patriarca da família Xavier observava o filho atentamente. Diferentemente de Francisco, Carlos não concordava com aquele segredo. Para ele, Nicolas já estava prestes a completar dez anos e tinha idade suficiente para começar a conhecer a verdade sobre a própria história. Carlos sabia exatamente quem era a mãe do menino. Sabia o que havia acontecido naquela noite. Sabia por que Nicolas havia sido entregue ao pai. E, acima de tudo, sabia que Francisco escondia muito mais do que simplesmente o nome daquela mulher. Mas Carlos havia feito uma promessa ao filho. E, apesar de acreditar que Nicolas tinha o direito de conhecer a verdade, jamais quebraria a palavra que dera a Francisco. Enquanto isso, no andar de cima, Nicolas voltou para o computador. Ele abriu novamente os arquivos que havia pesquisado. Seus olhos brilhavam de determinação. - Eu vou encontrar você, mãe - murmurou. E, naquele momento, Nicolas não fazia ideia de que estava muito mais perto da verdade do que poderia imaginar. O segredo que a família Xavier havia protegido durante quase dez anos estava prestes a ser descoberto. E, quando isso acontecesse, nenhuma pessoa daquela família permaneceria a mesma.
Francisco estava em seu escritório, sentado atrás da enorme mesa de madeira escura, enquanto seu pai, Carlos Xavier, permanecia próximo à janela. O homem segurava um copo de uísque em uma das mãos e fumava lentamente um charuto, deixando a fumaça se espalhar pelo ambiente. Carlos observava o filho em silêncio havia alguns minutos. Sabia que aquela situação envolvendo Nicolas e Rebeca estava se tornando cada vez mais complicada. - Francisco, você não acha que isso está indo longe demais? Às vezes, eu realmente não entendo por que você não conta de uma vez ao Nicolas quem é a mãe dele. Já lhe disse que, quanto mais você esconde a verdade, mais ele vai desejar conhecer a própria mãe biológica. - Carlos deu uma tragada no charuto antes de continuar. - Você sabe muito bem como seu filho é inteligente. Uma hora, ele vai descobrir. Francisco recostou-se na cadeira e passou a mão pelos cabelos, demonstrando cansaço. - Pai, eu jamais deixarei meu filho descobrir que uma mulher sem coração e cruel é a mãe dele! O senhor, mais do que ninguém, sabe o que aconteceu. Aquela mulher sequer olhou para o próprio filho. Ela o entregou sem demonstrar qualquer remorso e deixou muito claro que não queria saber absolutamente nada sobre ele. Como posso dizer ao Nicolas que ele tem uma mãe assim? - perguntou Francisco, com a voz carregada de emoção. - Tenho certeza de que, se ele descobrir quem ela é, irá atrás dela. E o que vai acontecer depois? Ele vai sair machucado dessa história, e eu não quero permitir que isso aconteça. Carlos suspirou. - Francisco, eu sei de tudo isso e sei exatamente como você se sente em relação a essa história. Mas você não acha que Nicolas, sendo tão inteligente quanto é, vai acabar descobrindo a verdade sozinho? Francisco permaneceu alguns segundos em silêncio. - O senhor acha que eu não me preocupo com isso? Ele já está tentando descobrir a verdade. Há pouco tempo, estava cruzando os próprios dados genéticos com informações disponíveis na internet para encontrar alguém compatível com ele. Se meus homens não tivessem descoberto o que ele estava fazendo a tempo, talvez tivesse chegado muito perto da verdade. Apesar da preocupação, Carlos não conseguiu evitar um pequeno sorriso. - Bem, você sabe que Nicolas é igualzinho a você em praticamente todos os sentidos. Francisco também sorriu. Era impossível negar a semelhança entre pai e filho. Nicolas havia herdado os traços físicos de Francisco, sua personalidade forte, sua inteligência e até mesmo a maneira determinada de enfrentar os problemas. A única característica que não havia herdado do pai eram os olhos. Os olhos azul-escuros de Nicolas eram exatamente iguais aos de sua mãe. - Pai, farei qualquer coisa para proteger meu filho. Mesmo que, para isso, precise esconder a verdade sobre a mãe dele - afirmou Francisco com determinação. Carlos apagou parte do charuto no cinzeiro e encarou o filho. - Filho, não vou brigar com você nem me meter nessa decisão. Sempre apoiei suas escolhas e continuarei apoiando. Mas você tem certeza de que está fazendo a coisa certa ao obrigar Nicolas a aceitar Rebeca? Francisco franziu a testa. - Como assim? - Eu gosto da Rebeca. Sei que ela esteve ao seu lado durante muitos anos e reconheço que ela sempre foi uma mulher educada, elegante e adequada para a nossa família. Mas isso não significa que eu a considere a mulher certa para você. Muito menos tenho certeza de que ela seja a madrasta certa para Nicolas. Francisco permaneceu calado. Carlos continuou: - Está evidente que Nicolas a rejeita. Ele não gosta dela, não a respeita e deixa isso claro sempre que pode. Eu sei que você gosta de Rebeca, mas será que isso é suficiente para se casar com ela? Francisco respirou fundo. - Até o senhor está pensando assim? Eu sei que Nicolas não gosta de Rebeca, mas ele não aceitaria mulher nenhuma que não fosse a própria mãe. Ele passou a vida inteira imaginando como seria ter a mãe ao lado dele. É natural que rejeite qualquer pessoa que tente ocupar esse espaço. Mas eu vou me casar com Rebeca. Carlos observou o filho atentamente. Apesar de não demonstrar abertamente, ele tinha suas próprias dúvidas sobre aquele casamento. Carlos não odiava Rebeca. Ela sempre havia sido educada com ele, sabia se comportar diante da família e pertencia a uma família igualmente tradicional e rica. Porém, alguma coisa naquela mulher o incomodava. Talvez fosse a maneira como ela sempre parecia perfeita. Rebeca nunca perdia a paciência. Nunca demonstrava raiva. Nunca parecia verdadeiramente incomodada com as provocações de Nicolas. Para Carlos, aquilo era estranho. Uma mulher que estivesse prestes a se casar com um homem e assumir a posição de esposa dentro de uma família como os Xavier certamente teria seus limites. Mas Rebeca parecia disposta a aceitar tudo. Até mesmo a rejeição constante de Nicolas. Carlos também não gostava da maneira como Rebeca tentava ocupar o espaço de mãe na vida do garoto. Nicolas tinha uma mãe. Carlos sabia disso melhor do que ninguém. E, por mais que Rebeca desejasse ocupar aquele lugar, havia uma história por trás daquela criança que nenhum deles poderia apagar. - Desculpe, filho, mas ainda não tenho certeza de que Rebeca seja a escolha certa. Porém, isso é algo que somente você pode decidir, afinal, ela será sua mulher. Só espero, sinceramente, que você seja feliz. E espero também que toda essa revolta de Nicolas passe algum dia. Você sabe que pode contar comigo para qualquer coisa. Francisco assentiu. - Eu sei, pai. Carlos levantou-se e caminhou até a porta, mas antes de sair olhou mais uma vez para o filho. Ele amava Francisco e jamais deixaria de apoiá-lo. Porém, no fundo, sentia que aquele casamento poderia trazer problemas que ninguém naquela família estava preparado para enfrentar. Enquanto isso, na sala principal da mansão, Rebeca estava sentada ao lado de Marina Xavier. Marina sorria enquanto segurava uma xícara de chá. Ao contrário do marido, Marina apoiava completamente Rebeca. Ela gostava da jovem e a considerava praticamente uma filha. Para Marina, Rebeca era exatamente a mulher que Francisco precisava ao seu lado. - Minha querida, estou tão feliz que você e Francisco finalmente vão se casar! - disse Marina. - Mas já lhe falei que vocês precisam ter um filho. Um bebê poderia aproximar ainda mais você e Francisco. E talvez Nicolas finalmente aceite você. Tenho certeza de que ele gostaria de ter um irmãozinho. Rebeca sorriu discretamente. - Mãe, a senhora sabe que Francisco não quer ter outro filho agora. E, apesar de eu querer muito ser mãe, prefiro esperar um pouco mais. Não quero fazer nada que possa colocar meu relacionamento com Francisco em risco. Também não quero quebrar a confiança dele. Sei que Francisco me ama e, justamente por isso, quero fazer tudo da maneira certa. Marina segurou a mão da futura nora. - É por isso que gosto tanto de você, Rebeca. Você sabe esperar e sabe o seu lugar dentro dessa família. A conversa, porém, foi interrompida por uma voz infantil. - Ainda bem que você é esperta, Rebeca. As duas olharam para a escada. Nicolas estava parado alguns degraus acima, observando as duas. - E você, vovó, deveria parar de dar ouvidos a essa mulher. Mesmo que ela diga que quer muito ser mãe, está na cara que isso é mentira. Se realmente quisesse, já teria tido um filho com meu pai. Marina ficou séria. - Nicolas! O garoto desceu alguns degraus. - E ela sabe muito bem que, mesmo que tenha dez filhos, nenhum deles vai herdar os negócios da família Xavier. O único herdeiro sou eu. Marina se levantou. - Nicolas Xavier, como você pode ser tão malcriado? Meu Deus, às vezes me pergunto a quem você puxou para ter uma língua tão afiada e maldosa! Rebeca é como uma mãe para você e será esposa do seu pai. Você sabe muito bem que sua avó o ama, mas não posso permitir que você continue tratando Rebeca dessa maneira. Nicolas revirou os olhos. - Mãe, não brigue com Nicolas. Ele está zangado, por isso está falando essas coisas. Rebeca tentou amenizar a situação. Nicolas imediatamente a encarou. - Vovó, não fale bobagem. Todos sabem que meu pai não é casado. Portanto, Rebeca não é esposa dele. Marina abriu a boca para responder, mas Nicolas continuou. - A única coisa que ela é é uma mulher que quer tomar o lugar que não pertence a ela. Ela engana todo mundo com esse jeito de boa moça, mas eu sei que ela só está esperando meu pai se casar com ela para se tornar a senhora desta família. Rebeca abaixou os olhos, fingindo estar magoada. - Enquanto eu viver, você nunca vai se tornar a senhora Xavier! - continuou Nicolas. - E não pense que, só porque conseguiu morar nesta casa, pode tomar o lugar que pertence à minha mãe. Nesse momento, Francisco saiu do escritório acompanhado de Carlos. Os dois haviam ouvido as últimas palavras do menino. - Nicolas, quem deixou você sair do quarto? - perguntou Francisco, sério. - Volte para lá agora mesmo! Mas, antes, peça desculpas a Rebeca. Nicolas olhou para o pai. - Eu só saí para tomar água. Ou será que agora tenho que ficar preso no quarto sem água e sem comida? Francisco estreitou os olhos. - Nicolas... - Não se preocupe, papai. Já estou indo. O menino subiu rapidamente as escadas antes que o pai pudesse dizer qualquer outra coisa. Ele jamais pediria desculpas a Rebeca. E, muito menos, permitiria que ela se tornasse a senhora da família Xavier. Na cabeça de Nicolas, aquele lugar pertencia a uma única mulher. Sua mãe. E ninguém jamais ocuparia o lugar dela. Francisco permaneceu parado no meio da sala, claramente irritado. Rebeca aproximou-se e segurou sua mão. - Francisco, não se aborreça. Você não percebe que Nicolas está fazendo isso apenas para chamar sua atenção? Será ainda pior se você cair nas provocações dele. Francisco respirou fundo. - Mas, Rebeca, você não merece ser tratada dessa maneira. Ela sorriu e apertou sua mão. - Para mim, não importa. Sei que você me ama. E, para mim, já sou sua esposa. Não preciso de um papel para provar isso. Carlos observava os dois em silêncio. As palavras do neto permaneciam em sua cabeça. Ele não gostava de admitir, mas Nicolas tinha levantado uma questão que também incomodava Carlos. Por que Rebeca parecia aceitar tudo com tanta facilidade? Por que nunca demonstrava irritação? Por que insistia tanto em ser aceita por Nicolas? Carlos não tinha provas de nada, mas seu instinto dizia que havia algo naquela história que ainda não compreendia. - Você precisa parar de defender Nicolas dessa maneira - disse Francisco. - Se continuar passando a mão na cabeça dele, ele nunca vai aprender a respeitar você. Rebeca sorriu e abraçou Francisco. - Não seja bobo. Eu ainda tenho esperança de que Nicolas um dia me aceite. Eu o amo como se fosse meu próprio filho. Francisco a abraçou de volta. Marina observava a cena com satisfação, convencida de que Rebeca era exatamente a mulher que seu filho precisava. Carlos, entretanto, permaneceu calado. Ele não conseguia compartilhar da mesma certeza. No fundo, Carlos acreditava que Nicolas não estava simplesmente sendo uma criança mimada. Aquela rejeição tinha uma razão. E, enquanto o segredo sobre a verdadeira mãe do garoto continuasse escondido, ninguém naquela família conseguiria compreender completamente o que se passava dentro do coração de Nicolas. Porque, para aquele menino, Rebeca não era apenas a mulher que seu pai amava. Ela era a pessoa que estava tentando ocupar o lugar da mãe que ele passou a vida inteira procurando.