Ela é a protegida do CEO
Capítulo 1 C1

P.V. Layla Barrett Olhei os meus pais indo de um lado para o outro em uma conversa entre si. Trabalho e mais trabalho, às vezes me pergunto se eles param alguma hora no dia para se abraçar ou se beijar. É nesses momentos que eu me sinto invisível perto deles. Quase sempre. É a hora do café da manhã e eles não se dão ao trabalho de sentar e comer. – Você ligou para aquele fornecedor que te pedi ontem? – Eu sou uma pessoa só, Cecília. – Meu pai esbraveja. – Tem uma reunião agora cedo. Passei a noite de ontem toda planejando cada detalhe. – Uma ligação, Fernando. – Cecília fala irritada e começa a digitar alguma coisa no seu celular. – Você só precisa fazer uma ligação. Meu pai diz alguma coisa que eu não consigo entender. Como mais um pedaço do meu pão olhando eles discutindo. – Uma ligação que você pode fazer facilmente, querida. Se um olhar pudesse matar, meu pai não teria chance de dizer as últimas palavras. Sorri. Infelizmente a minha ação acabou chamando a atenção deles. – Por que está sorrindo, mocinha? – Cecília coloca suas mãos na cintura e me olha. – Sabe que já deveria estar trabalhando conosco, não é? Como se eu já não tivesse me oferecido. – Eu estou pronta para ajudar… – Esquece, Cecília. – Fernando entra na conversa e me olha uma vez e outra ainda com seu celular em mãos. Será que eu posso jogar o celular desses dois longe e não serei punida como uma menininha de 10 anos? – Uma coisa que essa garota gosta é de perder o tempo dela. – Não é bem assim. – Me sinto ofendida. Bebi meu suco, sentindo a minha garganta seca de repente. – Tenho que concordar com seu pai, Layla. Tempo é dinheiro minha filha e eu só estou vendo você perder anos de sua vida. – Ela suspira fazendo uma leve massagem em sua testa. – Não vamos estar aqui para sempre Layla. Daqui a pouco o único jeito será casar você com um homem rico. Fernando me olha por cima dos seus óculos de leitura e nega com a cabeça. – Com essas roupas? Temos outro problema aí. Minha mãe me olha e seu olhar me magoa. Evito olhar para eles deixando o meu copo de lado.  – Sinceramente, onde erramos com você? Eu ri. Sério! Eu ri como se eles tivesse contado a melhor piada do mundo, ambos me olharam sem entender. – Quer saber mesmo onde vocês erraram? – bato com o dedo indicador algumas vezes em meu queixo e finjo pensar. – Porque sinceramente eu tenho uma lista do que seria pais perfeitos e vocês não estão nela. – Layla Barrett! – Cecília me olhou indignada. – Te demos tudo, garota! Tenha respeito. – Fernando agora deixa o celular dele de vez. – A comida que você come, as roupas que você veste, aquela faculdade… – Isso! – Apontei o dedo na direção dele e sorrir. – Chegamos no ponto principal. Aquela faculdade do qual eu entrei e conquistei o meu espaço sozinha. O dinheiro de vocês não está sendo desperdiçado como vocês pensam que está. Porque vocês não precisam pagar ninguém para me passar. – Comecei a me estressar. – Se parasse um pouquinho para prestar atenção na filha de vocês saberiam que ela é uma das melhores alunas daquela maldita faculdade, senhores Barrett. Me levanto empurrando a cadeira para trás. Peguei a minha bolsa que estava na cadeira ao lado e queria ir embora dali sem olhar para trás, mas deixei a raiva me dominar. Preciso colocar aquelas palavras para fora. Olhei para eles e não deixei o sentimento de tristeza se fazer presente. – Foi nisso que vocês erraram. – Olhei para o meu pai e depois para minha mãe. Não sei se eles estão surpresos com a minha reação. – Focar tanto no trabalho, nas suas viagens que não viram que a filha de vocês cresceu e se tornou independente bem debaixo dos seus olhos. Eu trabalho de freelancer e consigo tirar um bom dinheiro com meu trabalho, talvez não suficiente para sustentar a vida que eu levo agora. Mas falta pouco para isso, infelizmente não posso entrar em detalhes com os meus pais. Será motivo para mais briga. E eu estou tão cansada disso tudo. Tenho a opção de ir embora, meus avós me deram um apartamento quando eu completei 18 anos. Mas fico aqui me frustrando com eles na esperança das coisas melhorarem. ⧫⧫⧫ Desço do carro fechando a porta do mesmo e me viro olhando para o grande prédio a minha frente. Ouço o carro ganhando vida e indo embora, segurando a alça da minha bolsa de lado, suspirei. Mais um dia nesse campus. É muito ruim pensar que só faltam alguns meses e poderei dar adeus para esse lugar? Bem, eu acho muito legal. Acredito que para alguns nem tanto já que perderam seus privilégios como a Perry Willis Nesse exato momento resolveu parar na minha frente impedindo de continuar a andar até a minha sala. Ah, como ficarei feliz de me livrar dela. Essa é com certeza um dos motivos para eu querer que essa faculdade termine logo. Perry me olha de cima a baixo aquele olhar superior que aturei durante esses anos. – Oi, Layla. – Perry sorri para mim. Ergui uma sobrancelha. – Oi. – Não me olha assim, querida. – Ela se aproxima de mim e dar dois beijinhos em meu rosto. Me afastei de imediato. – Você voltou a usar drogas?! – Layla! – Ela olhou nervosa para os lados. – Eu não sei de onde você tirou isso. Perry organizava a maioria das festas do campus e ouvir boatos sobre ela liberar drogas nessas festas. Quantos desses que nunca chegaram ao nosso superior ou como sempre seu tio a protegeu. Não me importo com isso, mas Perry está agindo bem estranha comigo nesse exato momento. Ela olhou por cima do meu ombro e sorriu, ao fazer um aceno de cabeça olhei na mesma direção vendo um grupo de engravatados passeando pelo campus. – Ah, agora eu entendi. – Ajeitei a minha bolsa no meu ombro. – Está tentando impressionar aqueles engravatados. – Eu não estou… – Está bancando a sobrinha perfeita do diretor ou está querendo alguma vaga na empresa de um deles? – Inclinei o meu corpo para frente fingindo que vou contar um segredo. – Continua fingindo ser boazinha desse jeito e vão acabar acreditando. Ela faz um estalo com a língua e cruza os seus braços dando aquele sorriso superior.  – Para sua informação, eu já sou uma opção para eles, Layla. – Perry me olhou de cima a baixo. – Não preciso fingir. Já você… – Ela deixa a frase no ar. Suspiro de um jeito dramático. – Se for comprar as notas… – Deixei a frase no ar. Perry me olhou irritada e eu sorri. – Dormir com os professores é fácil, querida. Meu sorriso sumiu. – Perry para com essa besteira. Da última vez que a gente acabou brigando feio, ela veio com essa fofoca e agradeço a Deus por todos os professores negarem o que ela disse. Porque todos os alunos acreditaram, eu não vi ninguém discordar da Perry. Não me importo com o que eles pensam, mas ensino-a que eu estou dormindo com os professores para ter uma boa nota é pesado demais. Perry dá de ombros e dá um sorriso debochado. – Cuidado, posso tornar os seus últimos meses aqui um inferno. – Ela piscou para mim e passou esbarrando em um ombro. Olhei para ela. – Piranha. – Sussurrei. Lidei com as primeiras malas do dia, nem um pouco animada, mas sempre atenta e anotando tudo. Tenho costume de revisar em casa e não quero ficar perdida em nenhum momento. Tento não me distrair com as conversas aleatórias dos outros alunos. A primeira aula foi sobre Economia e Mercado, o professor falou mais sobre comunicação. – Para trazer para prática, o diretor Edmon Willis convidou algumas pessoas de grande sucesso para palestrar. Um desses é o CEO da empresa MecHa, Daniel Hart. – O professor informou. Ouvi os suspirou de umas garotas. – Não percam e anotem o máximo possível, vão precisar lá na frente. Estão tendo uma grande chance. Aproveitem! – Queria aproveitar e ir para cama dele. – Uma das meninas falou e as outras riram. Revirei os olhos. O professor finalizou a aula, arrumei minhas coisas pronta para ir embora. Tenho um péssimo costume de sair após todos saírem. Gosto de silêncio e arrumar minhas coisas com calma. Normalmente saio sem ter dor de cabeça, mas é claro que Ethen não estava muito longe daqui. – Olha, quem eu encontro por aqui. Solto minha bolsa em cima da mesa e olho para ele.  – Deve ser por que temos as mesmas aulas? – Ser cínica não é o meu forte, mas às vezes é preciso. Ethen está escorado no batente da porta e com os braços cruzados, seus músculos se contraindo contra a camisa. Hoje seu cabelo está com seu cabelo em um coque samurai, seu é raspado nos lados. Aquele sorrisinho sacana em seu rosto que parece nunca sair dali. Ethen é um homem bonito, chama atenção infelizmente, mas com toda certeza é aquele tipo de homem que você deve ficar longe. Pode acabar causando problemas. E nesse caso o meu problema seria Perry. – É, eu precisei faltar essa aula. – Ethen me olha de cima a baixo.  Ele está estranho. Peguei a minha bolsa e terminei de arrumar as minhas coisas. – Não vai perguntar o porquê? – Não, eu não quero saber. Coloquei a minha bolsa no meu ombro e fui em direção à porta. Ethen me impedir de passar, superei e mantive a minha calma. – Por que você é tão na sua? Poderíamos ter sido um grande amigos… – Talvez se você não fosse um cachorrinho da Perry. – Falei interrompendo e tentei novamente passar, Ethen deu um passo na mesma direção que eu me impedindo novamente. – Ethen! – Eu só quero conversar. – Já parou para pensar que eu não quero? – Não quer ou a sua raiva pela Perry nos impede de ser amigos? – Ele ergueu uma sobrancelha. – Você só me odeia por causa dela. – Por que você quer ser meu amigo nessa altura do campeonato? – Me irritei. – Eu não odeio você por causa da Perry e sim porque você foi um dos amigos dela que ajudou naquela fofoca… – Foi uma brincadeira… – Uma brincadeira de muito mau gosto, Ethen. Eu que fui mal vista pelo corpo docente, enquanto vocês ficam rindo pelos cantos. Ele abaixou a cabeça, parecia envergonhado. Quando voltar a me olhar estava sério. – Desculpa. – Pediu. Ficamos em silêncio por alguns segundos e eu estreito os olhos em sua direção. Primeiro era a Perry toda estranha quando eu cheguei e logo descobri o motivo, mas agora o Ethen? Ele me dá um sorriso de canto e sai sem esperar uma resposta minha. O que está acontecendo?!

Capítulo 2 C2

P.V. Daniel Hart – Pode falar. – Atendi o telefone, olhando os papeis em minha mão. – A senhorita Cameron está aqui, senhor. – Minha secretaria diz. – Deixe entrar. – Desligo sem esperar uma resposta. Assino os papéis confirmando mais um projeto. A porta é aberta segundos depois, Sophia Cameron entra na sala bem vestida como sempre. Vestindo um vestido tubinho preto, social Oxford, justo em seu corpo. Seu cabelo em ondas negras indo até o meio das costas. – Já acertei com seu pai sobre a nova quantidade de peças que será realizada para a coleção dos carros. – Abrir a gaveta do lado esquerdo da minha mesa e eu peguei uma pasta. Não tem porque a Sophia ter vindo aqui, há não ser que tenha havido algum problema. Olho para ela. – Você sempre indo direto ao assunto. – Sophia está com as mãos de frente ao corpo e um sorriso no rosto. – Sabe que não gosto de perder o meu tempo, Sophia. – Olhei a quantidade de papéis naquela pasta e passei a língua preguiçosamente pelo lábio. – O que você faz aqui? – Sim, eu sei muito bem. – Ela olha a pasta em minhas mãos. – Não sei se você se lembra, mas precisa se alimentar também. Almoçou hoje? – Sophia apoiou as mãos na cadeira da minha frente, inclinando o seu corpo levemente para frente. – Sabe que horas são? – Ela estreita os olhos em minha direção. Quatorze horas da tarde. É claro que sei a hora, ela dá um sorriso sem graça.  – Tenho alguns trabalhos pendentes. – Volto minha atenção para os papéis que estão na pasta. – Posso almoçar depois. Sophia deu a volta na mesa e escorou seu corpo contra a mesa. – Trabalhos pendentes? Você é o homem mais pontual e organizado que conheço, Daniel. – Ela queria uma sobrancelha. – Vamos lá, apenas um almoço. – Troco o almoço pelo jantar, que tal? Eu não estou nem um pouco a fim de parar o meu trabalho agora. E conversar com ela nesse momento só está me atrasando. – Sempre negociando. – Sophia cruza os seus braços na altura do peito, seu sorriso aumentou. – Ok, te espero para jantar hoje. Na sua casa? Faça um gesto de cabeça concordando. – Até. – Não dou espaço para que ela prolongue o assunto. Sophia me conhece bem e não insiste, logo sai de minha sala me deixando sozinho novamente. Quase 7 minutos perdidos. Ouço duas batidas na porta quando estou na segunda linha da primeira folha em minhas mãos. Parece que ninguém quer me deixar trabalhar hoje. Soltei os papéis sobre a mesa e olho em direção a porta. Relaxando o corpo na cadeira e apoiando o cotovelo no apoio, passo o polegar pelo queixo. Jeff entra na minha sala e vê que estou olhando para ele dar um sorriso sem graça. – Vejo que você não está no seu melhor humor. – Jeff fecha a porta atrás dele. Jeff está em um perfeito terno na cor azul-escuro. Seu cabelo em um dread na altura do ombro está amarrado em um rabo de cavalo. Jeff é alguns centímetros mais baixo do que eu e ele adora chama atenção com as suas vestimentas, esse tom de azul-escuro é o mais básico que ele consegue usar. Não é à toa que ele é chefe do setor de publicidade e propaganda da minha empresa. Seu tom de pele em um marrom avermelhado, Jeff está sempre sorrindo e conversando. Essa é a parte ruim de conversar, pelo menos comigo, já que se dependesse dele poderíamos passar horas e horas conversando sobre assuntos aleatórios. – Comparando que você é a segunda pessoa no dia que vem atrapalhar meu trabalho. – Fingi pensar em suas palavras. – Sim, estou de mau-humor. – Cara, você precisa relaxar. – Jeff ajeita terno em seu corpo e senta na cadeira na minha frente sem ser convidado. – Você por acaso já almoçou? – Por que todo mundo agora resolveu se preocupar com a minha alimentação? – Faço um estalo com a língua e não escondo a minha irritação. Jeff riu. – Deixa eu adivinhar? – Ele ainda diz risonho. – Sophia estava aqui por causa disso? Te convidando novamente para almoçar. Sofia só consegue me encontrar aqui pela parte da manhã e muito raramente como hoje na parte da tarde, então a chance dela fazer algum convite é almoçar. Porque na parte da noite sempre tenho um compromisso, exceto caso sugiro que a gente se encontre na parte da noite. Recusei os últimos cinco convites dela para almoçar e não temos luz encontrado nos eventos familiares, resolvi aceitar dessa vez. – Perdi 7 minutos e uma conversa tola. – Suspirei. – Algo que podemos combinar por uma troca de mensagem no celular. Jeff riu alto. Já se foram três minutos gastando com esse cara. – Como se você usasse o seu celular para falar com alguém sobre qualquer outro assunto que não seja trabalho, Daniel. – Jeff nega com a cabeça. – Você tem que lembrar que tem uma vida pessoal, mano. Uma vida… – E você está aqui para falar sobre trabalho ou não? – Interrompi ele. Ele ergueu as mãos no ar como se estivesse se rendendo. – Ei, calma. – Riu novamente. Ele está rindo bastante, talvez eu devesse dá mais trabalho para esse homem. – Estou aqui para falar sobre o trabalho. – E por que não mandou uma mensagem? – Olhei para ele chocado. – Porque, no fundo, eu tenho certeza que isso poderia ter resolvido com uma simples mensagem. Jeff tem uma mente brilhante e uma coisa que eu não me arrependo é de ter contratado ele. Deixei toda a área de publicidade e marketing com ele, confiando completamente no seu trabalho. E até hoje nunca me decepcionou. – Porque eu não estava a fim de ouvir um não. – Não havia mais sorriso em seu rosto. – Recebemos uma proposta de uma faculdade de Publicidade. É um lugar bem respeitado e bem frequentado atualmente. Sr. Willis é o diretor e está promovendo essas palestras no qual você foi convidado. – Acabei de autorizar a produção de mais de 50 máquinas para uma construção civil daqui a dois meses. – Massageei as têmporas. – Não tenho tempo para dar palestra em uma faculdade. – Vai ser importante para a empresa, nos dando mais visibilidade… Olhei para ele chocado com o tamanho interesse nessa faculdade. – Por acaso você se lembra onde trabalha, Jefferson? – Encaro ele seriamente. – Com toda certeza não estamos necessitados. – Não, não estamos. – Ele concorda. – Mas marketing nunca é demais e você sabe disso. Você atingiu um patamar que não é mais questionável, produzimos mais de 100 mil peças por hora. Ok, isso é perfeito! – Ele dá um sorriso admirado e vejo essa empolgação enquanto ele se ajeita na cadeira, inclinando o seu corpo levemente para frente. – É um engenheiro mecânico bem invejado, e largou a engenharia mecânica automotiva porque achou que a faculdade estava muito atrasada para o seu conhecimento. Fechou uma parceria incrível com a família Cameron, produzindo peças de primeira mão e uma quantidade enorme para uma linha de carros que sinceramente revolucionará o mercado. – Jeff riu. – Mas quem é Daniel Hart? Sabemos que você é perfeito na sua área profissional, mas os seus esforços até aqui? O que você sentiu? O que você passou? Daniel, encontramos uma forma perfeita de trazer o lado mais humano para essa empresa. Aqueles futuros profissionais podem estar trabalhando para você daqui a um tempo. Proponho lidarmos com o lado emocional das pessoas e assim conseguir mais clientes e inspirando outras pessoas. – Odeio quando você vem com esses textos para tentar me convencer. – Relaxei na cadeira e fechei os meus olhos por alguns segundos. – Bem, como falei, eu não queria receber um homem não. – Senti desconforto em suas palavras e abrir meus olhos. – Espero ter te convencido porque eu já confirmei a sua participação nas palestras. – Você o quê?! – Me levanto.

Capítulo 3 C3

P.V. Layla Barrett Cecília e Fernando Barrett são donos de uma marca de roupas femininas e masculinas. Não tão famosa no mercado e o serviço é totalmente terceirizado, o que não tem um lugar fixo e uma grande empresa para comandar. Mas conseguimos um bom dinheiro, o que nos torna ricos, não tenho problema algum em ser rica. Além dessa empresa de roupas, eles lidam muito com investimentos, o que na maioria das vezes acaba saindo boa parte desse dinheiro dos investimentos feitos. É bom, mas acaba não dando tanto valor para a loja. Sou uma pessoa bem criativa e modesta parte, sou boa no que faço. Gostaria muito de ajudar eles em toda questão de marketing da empresa, mas a escolha da minha faculdade para eles é perda de tempo. Gosto de desenhar e tenho me aventurado até mesmo em alguns rascunhos de algumas roupas, consegui vender o figurino e assim consigo um dinheiro além do que meus pais me dão. Trabalho com muito freelancer em alguns sites e que meus pais não descubram isso. – Então vocês vão viajar de novo? – Perguntei. Estou sentada no enorme sofá na sala enquanto vejo um andando de um lado para o outro pegando as suas coisas e passando ordens para os empregados. – Muito trabalho, querida. – Minha mãe suspira pegando seu óculos em cima da mesinha de centro. – Muitas coisas sendo decididas, um dia você vai entender. É nesse ano que termina… hum… – A faculdade.  – Isso! É esse ano, não é? – Ela abaixa seus óculos para poder me olhar. – Sim. – Digo e sinto uma alegria em meu peito. – Perfeito! Assim você pode começar um trabalho de verdade. – Meu pai diz vestindo o casaco. – Leva essas duas malas para o carro. Abaixei minha cabeça e evitei olhar para eles. O motorista prontamente pega as duas malas das cinco que ele já havia levado para o carro. – Isso! – Cecília concorda com ele e pega sua bolsa em cima do sofá. – Agora vamos, amor. Não temos muito tempo. – Ela apressa o marido. Os dois dizem um tchau e sai pela porta. – Não, papai e mamãe, eu não quero um abraço ou um beijo de despedida. – Falei para mim mesmo até porque eu me encontrava sozinha na sala. Me levantei do sofá e fui para o meu quarto. Preciso me arrumar para a faculdade. ⧫⧫⧫ Assim que saí do carro, coloquei o meu capuz. A minha vontade de vir para a faculdade hoje era a mínima, mas não sou de faltar. Tenho que estar muito doente e olhar lá. Falta apenas alguns meses para concluir um ciclo e essa carência por falta de carinho dos meus pais… eu já deveria estar acostumada. Tenho 21 anos, não é nada para mim. Estou seguindo a minha vida e quando concluí a faculdade talvez seja um choque para eles, porque eu não seguirei os passos que tanto querem. Não, eu com certeza não vou viver a vida que eles querem para mim. Até porque eu não sei que vida é essa. Já passei todos esses anos com um pouco do que foi dado por eles, posso passar o resto da minha vida. Caminho de cabeça baixa até a minha sala. É hoje a palestra? Merda! Eu não me lembro. Será que eu trouxe meu caderno de anotações? Droga, eu acho que esqueci na mesa do meu quarto. Passei a mão pela testa fechando meus por alguns segundos. Quem são as pessoas que vão à palestra mesmo? Perdido em meu pensamento acabo esbarrando em alguém. – Desculpa. – falei rapidamente recuperando o equilíbrio. Ah, Droga. Gabe, amigo do Ethen com mais três pessoas do seu grupinho. – Olha, olha quem está aqui. – Ele sorriu para mim. – Não imagina a minha felicidade em ver você agora. – Hoje não, Gabe. – Me afasto seguindo o meu caminho. Um dos seus amigos segura o meu braço me impedindo de continuar. Suspirei. Hoje não, olhei para cima e respirei fundo. Eu não quero chorar. Não quero chorar e ser mais um motivo de chacota para eles. – Onde você pensa que vai tão rápido? Eu ainda não terminei de falar com você. – Gabe, por favor. – Minha voz saiu abafada. Olhei para ele. – Olha, que linda! Ela sabe ser educada. – Ele faz uma expressão confusa. – Ou devo dizer a ele. Puxei meu braço com força fazendo seu amigo me soltar. – Não enche! – Gritei para eles. Um dos seus amigos segura meu braço com força, fazendo resmungou de dor e puxou para baixo, minha baixinha um pouco há tempo de acertar um soco bem nas suas partes íntimas. Ele grita de dor e me solta. O outro me puxa para cima e me prende o contra a parede mais próxima, Gabe vem até mim com a mão levantada pronta para me dar um tapa. Fechei meus olhos pronta para receber o tapa em meu rosto, mas nada aconteceu. Abrir meus olhos. – Não é certo bater em uma mulher. – Sua voz é grave e baixa. Um homem que tinha alguns centímetros mais alto do que Gabe, segurava sua mão no alto e assim pedindo que eu levasse o tapa. Seu cabelo tom de preto e curto, ele deve ter sido rápido para impedir que eu levasse o tapa e alguns fios caíram em sua testa. Com um maxilar marcado e o rosto bem sério.  Seus olhos demonstraram faíscas de raiva e eu vi Gabe tremer sem ao menos olhar para quem segurava o seu braço. Sinceramente agradeço por está me defendendo e não me olhar com esse olhar. O amigo de Gabe soltou meus braços rapidamente e deu alguns passos para trás. Gabe engoliu em seco. – Desculpa, senhor… – Não é a mim que você deve pedir desculpas. – O homem apertou o braço de Gabe com mais força. Olhei com mais atenção. Acho que o conheço. Gabe me olhou. – Desculpa! Isso não vai mais acontecer, eu garanto. – Ele diz rapidamente. Concordei com a cabeça. – Sai! – O homem diz. Gabe e seus amigos saem correndo sem olhar para trás.  Me perdi por alguns segundos olhando na direção que eles foram. – Belo soco. – Voltei a olhar para o homem à minha frente. – Sério! Aposto que teria acabado com eles se eu não tivesse aparecido. Não sei dizer se foi deboche, mas não existia mais aquele olhar de raiva e seu rosto não estava tão sério como antes. – Olha, foi eles que começaram… – Comecei a dizer. Eu não posso ser chamada atenção novamente por algo que eu não causei. Já estou cansada de ser chamada atenção e parar na diretoria por causa deles. Edmon vai surtar se me ver mais uma vez na sala dele esse mês. Tudo seria bem fácil se ele controlasse seus alunos encrenqueiros. – Eu vi tudo. Pode ficar tranquilo. – Garantiu. – Mas deveria parar de se meter encrenca, garoto. Arrumei o capuz do moletom na minha cabeça que cobre metade do meu rosto. – É só eles pararem de mexer comigo. – Ajeitei a bolsa em meu ombro e suspirei irritada. Sim, ele me chamou de garoto, mas já estou acostumada com isso. – Espera. – Ele me olhou não acreditando. – Você é uma mulher?

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