NARRAÇÃO EDUARDO Respiro fundo observando pela janela a chuva que cai lá fora. Tudo parece tão triste e sem vida. Faz dois meses que voltei do acampamento, mas para mim parece que se passaram anos. Deslizo meu dedo sobre o livro que iria entregar a Ana, abro e vejo a rosa já seca e morta assim como estou por dentro. Ela simplesmente sumiu, nem João ou Clara sabem para onde ela foi. Simplesmente desapareceu, me encosto na cadeira e não consigo pensar em mais nada para poder achar a minha Ana. O pior é imaginar que como eu, ela está sofrendo e pior... tendo aquelas crises horríveis. Escuto batidas na porta e vejo minha mãe entrar. - Como você está? Seu olhar doce é a única coisa que acalma meu coração. - Tentando levar um dia por vez. Ela senta na cama a minha frente e pega a minha mão. - Vai passar, logo se apaixonará novamente e vai ser apenas uma lembrança doce de um verão. Puxo minha mão da dela e me levanto irritado. Estou tão cansado dela e do meu pai me dizerem isso. O tempo todo querendo me convencer que foi algo passageiro. - Eduardo... Me chama assim que me vê pegar minha mala. Viro-me para ela encarando seus olhos. - Para onde vai? - Andar. - Você anda tão desligado. Não estuda mais para as provas nas faculdades e muito menos conversa com seu pai sobre seus planos. - Eu não tenho cabeça para isso agora, mãe. Digo saindo do quarto e seguindo pelas escadas rumo à porta. - Filho!!!! Me chama e ignoro seguindo para fora de casa. Ando pelas ruas com meus fones tentando esquecer por um momento essa dor toda. Meu celular vibra com uma ligação. Assim que pego vejo o nome da Clara. - Tem novidade? Pergunto desesperado. - Ela me ligou. Diz em um sussurro e meu coração acelera. - O que ela disse? - Disse que estava bem apenas. Paro de andar apoiando minhas costas na parede. - Estava fraca e com a voz cansada. - Por causa das crises, provavelmente. Digo fechando os olhos. - Sim! Confirma meu medo com a voz de choro. - Conseguiu falar pra ela que a estou procurando? - Não! A mãe dela pegou o telefone antes e não me deixou falar mais. - Por que eles estão fazendo isso com ela? - O pai dela é bem controlador, Eduardo! Ele sempre proibiu Ana de muitas coisas e agora deve estar evitando que tenha contato com seus velhos amigos. Fecho minhas mãos sentindo a raiva me dominar. - Ela disse pelo menos onde está? - Não! - Não sei mais o que fazer, nem sei onde começar a procurar por ela. - Eduardo, você vai enlouquecer assim! Tenta arrumar sua vida antes de encontrar a Ana. Segue seu caminho e deixa o destino unir vocês novamente. - E se isso demorar muito? E se nunca acontecer? - Se demorar vai deixar de amar a Ana? - Nunca!!!! - Então espera. Respiro fundo. - Tenho que ir, me prometa que vai ficar bem. - Vou tentar. - Tchau! - Tchau, Clara! Desligo o celular e sento na calçada pensando em suas palavras. Eu sei que minha vida está ligada a dela, como se um não existisse sem o outro. Não quero e nem posso esperar anos por ela. Levanto e sigo para casa imaginando como o destino a traria de volta. ******************* Assim que entro em casa vejo meu pai sorrindo com uma caixa de presente na mão. - O que é isso? - Sei que seu aniversário é só amanhã, mas queria te dar hoje seu presente. Meu Deus!!!! Me esqueci até do meu aniversário. Dou um abraço no meu pai e pego a caixa de sua mão. - Amanhã você irá completar 18 anos e se tornará oficialmente um homem. Dou um sorriso torto e abro a caixa. Vejo três passagens para Nova York e uma chave. - O que é isso? - Estamos realizando seu sonho. Sinto meu coração acelerar, sempre disse que queria fazer minha faculdade em Nova York. - Vamos para Nova York amanhã e essas são as chaves do seu apartamento próximo a faculdade que sempre sonhou cursar. Sento no sofá ainda perdido com tudo isso. Nova York era um sonho antes da Ana, agora não sei mais o que quero. Posso estar me afastando ainda mais dela assim. Meu pai senta ao meu lado e então vejo seu enorme sorriso. Fizemos esses planos juntos e ele está tão orgulhoso. - Obrigado, pai! Digo abraçando-o, ainda apavorado. - Ainda tenho mais uma surpresa. Ele segura a minha mão. - Vou abrir uma filial lá e quero que você assuma uma das diretorias em breve. - Você o que? Pergunto me levantando do sofá. - Ela é uma filial, mas com o tempo você pode torná-la sua e fazer o seu próprio negocio. Minha cabeça lateja e tudo parece que está rodando. Não consigo focar ou dizer nada. - O que foi? Meu pai pergunta segurando meus ombros. - Não sei se estou preparado para isso. - Você se preparou esse tempo todo meu filho. Se dedicou por dois anos nos estudos e tenho orgulho de deixar essa filial em suas mãos futuramente. Ele me abraça forte. - Amanhã o seu aniversário será comemorado no jantar de abertura da filial. Como em tão pouco tempo meu mundo virou de cabeça para baixo assim? Era para ser o dia mais feliz da minha vida e eu só consigo pensar como vou encaixar Ana em tudo isso. **************** O vôo para Nova York foi tranquilo. Estamos no taxi rumo ao meu futuro lar. Sempre amei Nova York e sonhei viver e montar minha vida aqui. A correria, os prédios, tudo sempre me encantou. Mas hoje eu só queria dividir essas emoções com ela. Paramos em frente a um pequeno prédio de tijolos de três andares. Retiro as malas enquanto meu pai paga o taxi. Minha mãe parece muito feliz. Assim que entro vejo que está todo decorado e pronto para morar. - Espero que goste! Meu pai diz todo feliz e tento pelo menos parecer muito feliz como ele. - É perfeito! Me mostram a sala e a pequena cozinha. No fim do corredor um quarto e um banheiro. - Se tudo der certo, esse será seu lar em dois meses. - Só espero passar na faculdade. - Você vai, meu filho! Minha mãe diz me abraçando. ******************** Me olho no espelho e arrumo minha gravata. Tento ajeitar o cabelo, mas desisto assim que começo a ficar irritado. - Vamos? Minha mãe pergunta observando meu terno e minha gravata. - Meu menino se tornou um homem. Dou um sorriso e beijo seu rosto. - A senhora está linda! Sorri e me puxa para a sala para encontrar meu pai. Assim que paramos o carro escuto a canção que vem de dentro da pequena e perfeita empresa que será minha em breve. Todos estão elegantes e encaro atento a estrutura do local. - Gostou? - É incrível! - Construímos em tempo recorde. Um dos nossos novos engenheiros comandou a obra. **************** A festa segue animada e sou guiado para uma mesa onde tem um bolo enorme. Em segundos as velas são acesas e um coro de parabéns surge. Vejo meus pais sorrindo orgulhosos e isso me deixa em paz. - Faça um pedido! Minha mãe sussurra em meu ouvido. Fecho meus olhos com força. "Eu quero a minha Ana de volta!" *************** A festa segue tranquilamente e meu pai me apresenta a algumas pessoas. Ele me puxa para perto de um homem. - Valter! O homem se vira sorrindo. - Carlos!!! Sorri abraçando meu pai. - Quero que conheça meu filho Eduardo! Esse homem nos ajudou a construir esse sonho. - Obrigado pela ajuda! Digo apertando a mão de Valter, pela ajuda na construção. - Foi um prazer. - Onde está sua filha? Meu pai pergunta ainda animado. - Na varanda, esta tomando um pouco de ar. - Eduardo, o que acha de fazer amizade com a filha do Valter?! Diz apontando para a varanda. Respiro fundo e dou um sorriso fraco. - Claro! Ando sem pressa até a varanda, então vejo os cabelos longos cor de mogno mais perfeitos do mundo. Meu coração acelera e sinto minhas pernas tremerem. Meus olhos ardem pelas lágrimas. Isso não pode ser um sonho. Ela parece tão real! - Ana!!!! Sussurro perto dela e sinto seu cheiro invadir minha narina. A jovem vira e meu coração aperta. Seus olhos tristes estão fundos e claramente está mais magra. Ela pisca algumas vezes perdida. Fecha os olhos e começa a chorar. - Não quero mais imaginar você em todos os lugares. Sussurra com dor, me aproximo dela e seguro seu rosto em minhas mãos. Ana me olha assustada. - Eu sou real! Suas mãos tocam meu rosto. - Eduardo... Sussurra me puxando para a sua boca e Deus... senti falta de seus lábios perfeitos. O gosto salgado de nossas lágrimas se misturam em nosso beijo. Ela solta um soluço em minha boca. - Eu tentei... Diz aos prantos, enquanto a puxo para o meu peito e afago seu cabelo. - Eu te amo! Sussurro beijando sua cabeça. - E agora nada vai me afastar de você. Eu juro!
NARRAÇÃO ANA Escuto vozes em uma pequena discussão. Abro meus olhos e meu maior medo se torna verdade. - Pai... Sussurro em pânico tentando me levantar. - Fique calma, meu amor! Minha mãe diz calmamente, segurando minha mão. Olho em volta e vejo Dora de frente para o meu pai. Era ela quem estava discutindo com ele. - Como se sente? Ele pergunta de forma grosseira como sempre. - Bem! Minha mãe sorri e acaricia meu rosto. - Ótimo! Estamos voltando para casa, os médicos já te deram alta. - Não... eu não posso !!!!!!!!!!!!!!!! Quase grito sentindo o pânico tomar meu peito. - Você pode e vai! Responde com seus olhos raivosos. - Pai, preciso me despedir da Clara e dos meus amigos. - Eles não serão mais seus amigos quando formos embora, então não precisa se despedir deles. Diz rudemente se virando para sair. - Pai, por favor... Peço me levantando da cama já sentindo a falta de ar me tomar. Não posso ir sem falar com ele, não posso deixá-lo assim. Se vira bruscamente e me olha firme. - Sempre disse que você era uma pessoa fraca Ana, por causa da sua doença. Nunca fui a favor de suas vindas para o acampamento e olha o que deu. Você quase morreu! - Estou bem, foi apenas mais uma crise. Digo aos prantos. - Mais uma crise que te levou a um resgate de urgência. Meu peito começa a doer e o ar fugir do meu pulmão. - Pai... Tento falar, mas minhas forças começam a falhar. - Ana... Dora me ampara antes de cair. - Eu... não... posso... Ela me olha com pena, me vendo perder o ar. - Eduardo... Sussurro, vejo os médicos entrando e meu pai gritando com eles para me sedar. Encaro os olhos de Dora suplicando por ajuda e de repente tudo se torna escuridão. ************* DOIS MESES DEPOIS Parece que passou 100 anos desde o acampamento. Minhas crises pioraram e meu pai se tornou ainda mais severo. Me tirou o telefone e qualquer meio de comunicação com meus amigos. Ele acha que me afastando deles vou me esquecer e as crises sumir. - Ana... Minha mãe chama me tirando dos meus pensamentos. Seus olhos preocupados me fitam. - Vem almoçar. - Estou sem fome. - Ana, você está fraca por causa das crises, precisa comer. Fecho meus olhos me lembrando do pedido dele antes de vir embora. Ele pediu para eu ficar bem, mas não consigo. - Como se me deixar ligar para a Clara. - Ana... - Por favor, mãe! Peço já em lágrimas. - Ligação rápida. Limpo meus olhos e pego o celular da mão dela. Disco e espero ansiosa ela atender. - Alô! - Clara! - Ana... Sua voz é desesperada. - Minha amiga, como você está? - Bem! Respondo sem controlar meu choro. - Eduardo está te procurando como um louco, você sumiu! Ele está me procurando... não desistiu de mim. O ar vai sumindo e minha mãe arranca o celular da minha mão. - Ana, acalma! Ela sussurra segurando minha mão. - Clara, ela está tendo uma crise. Avisa minha amiga no telefone e em seguida desliga. Me abraça e choro tentando imaginar como ele me encontraria. Nova York é longe demais de São Paulo e ele nunca me acharia aqui. Às vezes o vejo no canto do meu quarto ou na calçada em frente a minha casa e acho que estou enlouquecendo. **************** Após me acalmar sigo com minha mãe para a cozinha comer. Meu pai já está sentado e sorri ao me ver. - Como está? Não estou falando com ele, faz dois meses que o ignoro. - Está melhorando! Minha mãe responde sorrindo forçado. - Um dia vai entender que só quero seu bem. Seguro a minha vontade de gritar com ele. Me trata como algo precioso que deve ser guardado em uma caixa longe de todos. Minha mãe diz que o motivo foram as crises. Me ver quase morrer o deixou assim, cuidadoso demais. - Tente comer. Minha mãe pede me vendo mexer o prato. - Estou sem fome. - Tente comer pelo menos um pouco. Respiro fundo encarando meu prato. - Amanhã é a inauguração da filial onde vou trabalhar. Quero todas vocês lindas. - Claro, meu bem! Minha mãe diz de forma doce. - É aniversario do filho do dono, compre algo para ele. - Vou levar Ana para passear um pouco e compramos. - Não poupe dinheiro, quero impressionar o garoto. ************** Levanto logo cedo e me arrumo. - Esta bem para uma volta? - Sim. Digo arrumando meu cabelo. - Então vamos. **************** Caminhamos pelas ruas e um arrepio percorre meu corpo. - Eduardo... Sussurro sentindo sua presença e seu cheiro. Olho para trás e vejo um garoto com malas entrando em um prédio pequeno e por um momento penso ser ele. - Venha Ana! Minha mãe grita me chamando. Entro em uma loja com ela que roda em busca de alguma coisa. Paro em frente a pequenos pingentes e começo a rir ao ver um peixe e um esquilo. - Mãe, posso comprar esses dois? Ela sorri me vendo feliz. - Se te faz sorrir assim, pode. A garota de trás do balcão pega os dois pingentes e uma corrente. - Quero duas correntes. Não sei como, mas uma será do meu amor. Ela coloca em uma bolsinha e me entrega. Minha mãe compra um relógio e paga tudo. Seguimos caladas até nossa casa. Assim que chego coloco os pingentes em meu pescoço pensando nele. Assim que completar 18 anos fujo, vou encontrar você esquilinho. ********** A festa está movimentada e tudo muito bem decorado. Meu pai está feliz exibindo sua falsa família perfeita e eu apenas deixo meu sorriso no rosto como ele pediu. Ando por todo o local e dou graças a Deus quando vejo uma varanda. - Vou ficar lá fora, preciso de ar. Sussurro no ouvido da minha mãe. - Você está bem? Pergunta preocupada. - Sim. Sigo para a varanda e observo a noite estrelada. Minhas mãos seguem para os pingentes e aperto eles forte, fechando meus olhos. Eu queria você aqui... - Ana... Sua voz ecoa em meus ouvidos e me viro assustada. Meus olhos ardem e observo seu corpo parando em seus olhos. Não aguento mais ficar imaginando ele. - Não quero mais imaginar você em todos os lugares. Suas mãos tocam meu rosto e sinto um arrepio. Isso parece tão real. - Eu sou real! Acaricia meu rosto encarando meus olhos. - Eduardo... É ele... preciso sentir que é ele.. O puxo para os meus lábios e o beijo com saudade, com dor e amor. - Eu tentei... Sussurro em sua boca, Eduardo me prende em seus braços encostando minha cabeça em seu peito. - Eu te amo! Agora nada vai me afastar de você. Eu juro! Beija todo o meu rosto me fazendo rir. - Foi o melhor presente de aniversario que já tive. Fala sorrindo e sela nossos lábios. - Você é o filho do chefe do meu pai? Confirma com a cabeça, me afasto dele desesperada. Meu pai nunca me permitiria namorar o filho do chefe dele. - O que foi? Abraço ele forte segurando o pânico. Em dois meses faço 18 anos e ele não mandará mais em mim e não poderá me impedir de amá-lo. - Quero te apresentar aos meus pais. Diz me abraçando. - Ainda não. Sussurro em seu peito. - O que está acontecendo, Ana? Respiro fundo e ergo minha cabeça. - Meu pai não vai gostar disso. Vamos manter nossa historia escondida por dois meses. Por favor! - Seu pai te afastou de todos? - Sim. Ele alisa meu rosto. - Por que dois meses? - Meu aniversário! Digo sorrindo. - 18 anos e dona de seu nariz. - Sim! Ele sorri e me beija. - Desde que seja minha para sempre. - Para sempre! Sussurro o beijando com calma, sentindo seu sabor maravilhoso. - Tenho uma coisa para você. Digo levando a mão ao meu pescoço e tirando o colar. Assim que mostro o vejo sorrir lindamente. - Uma peixinha. - Sim. Coloco nele e mostro o meu. - Um esquilinho. - Assim estaremos sempre juntos.
NARRAÇÃO EDUARDO - Tenho uma coisa para você. Ana diz com um enorme sorriso levando a mão ao seu pescoço. Sua mão puxa uma corrente e então vejo o pingente de um peixe lindo. - Uma peixinha! Digo tocando o pingente. - Sim! Coloca em meu pescoço, sua mão puxa uma corrente de dentro do seu vestido. Começo a rir feito um idiota apaixonado ao ver o pingente dela. - Um esquilinho! - Assim estaremos sempre juntos. Ela me abraça forte. - Parabéns, meu amor! Fecho meus olhos sentindo sua pele na minha. Ela foi o meu melhor presente hoje. - Obrigado, não sabe como estou feliz passando esse dia ao seu lado. Me afasto e seguro seu rosto. - Eu amo você! Amo de um jeito tão louco e intenso que às vezes acho que meu coração só bate quando está ao seu lado. Seus olhos estão cheios de lágrimas. - Quando cheguei ao hospital para te ver e você não estava, quase enlouqueci. Meu coração parou de bater por dois meses. Pego sua mão e levo ao meu peito. - Ele voltou a bater quando te viu hoje. Se ergue nas pontas dos pés e sela seus lábios ao meu. Abraço-a forte colando seu corpo ao meu, aprofundando nosso beijo. Suas mãos se enfiam em meu cabelo o puxando forte me fazendo suspirar em sua boca. - Eu queria uma estufa agora. Sussurra me fazendo sorrir. - Queria qualquer lugar desde que fosse com você. Ela sorri e me puxa para um canto na varanda. - Você veio morar em Nova York? Me pergunta sentando em um banco. - Não. Seus olhos perdem o brilho e me sento ao seu lado. - Vai embora quando? - Ana... Seguro sua mão e respiro fundo. - Preciso terminar meus estudos lá antes de vir definitivamente. Meus planos é vir morar aqui em dois meses, pra fazer faculdade e cuidar dessa empresa. Agora é a vez dela respirar fundo. - O que são mais dois meses? Diz erguendo os ombros. - Agora vou ter que mudar meus planos. Diz olhando suas mãos. - Quais eram seus planos? Pergunto erguendo seu queixo. - Estou tendo aulas particulares em casa, então vou conseguir terminar meus estudos na semana do meu aniversário. Ela encara meus olhos. - Estava planejando fugir para São Paulo, tentar bolsa em uma faculdade perto de um certo esquilinho e morar em um alojamento. Me aproximo e seguro suas mãos com mais força. - Não vai precisar fugir, podemos tentar a mesma faculdade aqui. Sorri lindamente e morde os lábios. - Ainda assim não posso ficar com meus pais, preciso sair de lá assim que puder. - Ainda não entendo tudo isso. Por que seu pai te isola assim do mundo? Ele não me pareceu um homem estúpido ou possessivo agora pouco. - Minha mãe disse que ele entrou em pânico depois que eu quase morri em uma crise. Daquele dia em diante me trata como uma boneca de cristal. - Eu te vi em crise, Ana! Ela me encara. - Naquele momento eu te vi frágil como um cristal. O medo de te perder foi grande. - Não justifica a forma como ele me trata, Eduardo! Seus olhos transmitem dor e medo. - Lembra quando me perguntou sobre meus planos para o futuro? - Sim. - Eu te disse que não queria ter raiz, que não me via trancada em uma faculdade. Queria conhecer o mundo e viajar. - O motivo para querer fugir é o seu pai. Digo vendo-a confirmar com a cabeça. Ana se sente presa em uma gaiola e agora entendo sua vontade de conhecer tudo no acampamento. Sabia onde ficava tudo, amava a liberdade de lá. - Eu não posso correr o mundo com você, Ana! Suas mãos tocam meu rosto com delicadeza. - Eu não preciso sair por ai para ver o mundo Eduardo, quando ele está bem aqui na minha frente. Seus olhos agora voltam a brilhar. - Meu mundo é você, meu lugar é ao seu lado. Puxo seu corpo para mim e beijo sua boca agora com violência e desejo. Ela é tão incrível e perfeita! Quero Ana para mim pela eternidade. - Ana... A voz de uma mulher surge e Ana me empurra assustada. - Minha mãe. Diz se levantando do banco nervosa. - Ana, acalma! Sussurro segurando sua mão e ela se afasta em pânico. - Filha... Uma senhora bem vestida e sorridente surge. - Você está bem? - Sim, mamãe! A mulher me olha. - Já fez um amigo? - Eduardo Velásquez. Digo erguendo minha mão. - O aniversariante, prazer Eduardo! Sou Carla, esposa do Valter. Ana está pálida e isso me preocupa. - Parabéns... desejo felicidades! - Obrigado! Ela agora se vira para Ana. - Você está pálida, meu bem. - Estou bem! Ana fala baixo sem conseguir me olhar. - Eduardo me desculpe, mas vamos ter que deixá-lo por um momento, minha filha parece não estar bem. - Sem problemas. Carla abraça a filha e segue para dentro da festa, vejo ir ao banheiro. Ando para dentro e me posiciono perto do banheiro caso ela precise de ajuda. - Filho... Meu pai me chama sorrindo, encaro a porta do banheiro e depois ele. Respiro fundo e sigo para o seu lado. - Valter estava me explicando os detalhes da construção. Seria interessante saber como sua futura empresa foi construída. - Claro! Valter começa a sua explicação, mas minha cabeça e olhos estão naquele banheiro. Sorri algumas vezes mostrando interesse e então a porta se abre. Ana sai com sua mãe e se aproximam da gente. - Filha, você está bem? Para de falar olhando Ana que está menos pálida que antes. - Sim, papai! Ela diz de cabeça baixa. - Quer ir embora? - Não... Responde erguendo a cabeça o encarando. - A festa está ótima. Seus olhos se voltam para mim. - Quando quiser ir, me avise meu bem. - Sim! Ele volta a falar sobre a obra e meus olhos estão colados em dois lindos olhos azuis. Ela morde os lábios reprimindo um sorriso e levo minha mão ao meu pingente. Fica vermelha e segura o dela também. Meu pai faz uma pergunta e Valter vira-se para ele. Aproveito e me aproximo de Ana já que sua mãe conversa com a minha. Paro ao seu lado colando nossos ombros. Minha mão vai para trás do meu corpo assim como a dela. Nossos dedos começam a se roçar e ela sorri. - Quero te ver amanhã. Sussurro abaixando minha cabeça. - Não sei se vou conseguir sair de casa sozinha. - Vou embora à noite e preciso te ver antes de ir. Nossos dedos se entrelaçam e ela suspira. - Minha casa fica cinco minutos do Central Park. - Meu apartamento também. Digo sorrindo. - Se eu conseguir sair será à tarde. - Não me importo se for por apenas cinco minutos. - Vai embora e só volta daqui dois meses? Pergunta olhando seus pais que ainda conversam com os meus. - Acho que venho antes. - Vou tentar aparecer no parque ás 14hs. - Eu vou te esperar. Valter nos olha e Ana solta a minha mão se afastando. - Acho que está na hora de ir. Ele diz com um olhar sombrio e Ana respira fundo. - Claro! Ana, venha meu bem! Sua mãe diz sorrindo, ela me olha e se aproxima. Me da um abraço simples. - Eu te amo! Sussurra e me solta seguindo até seus pais. Observo ser abraçada por sua mãe e então ela some pelas portas da empresa. Seguro meu pingente forte e fecho meus olhos. Ainda não estamos juntos como eu queria, mas pelo menos já sei onde e como ela está.