Casamento de Gelo
Capítulo 1 O Início de Tudo

Casamento de Gelo PRÓLOGO Tudo tem um início, um meio e um fim. Onde se enquadra a tua vida? O Início de Tudo — Anda sua safada, monta em mim como tu gostas. Ela se senta em cima dele, e coloca o membro dele todo dentro da sua intimidade. Ela geme de prazer, ele geme de tesão. Ela anda para cima e para baixo, mexe o seu quadril bem gostoso e rebolando, enquanto ele com as suas mãos grandes percorre todo o seu corpo nu, milímetro a milímetro. Ela chega ao êxtase rapidamente e ele sorri, e rapidamente a coloca de quatro e penetra-a com força, e ela dá um grito de dor e de tesão. — É assim que tu gostas, não é? — pergunta enquanto lhe dá uma palmada na bunda — Ele não te fode assim, pois não? — Não, não fode. — Ela diz quase sem fôlego, por conta da tamanha excitação que ele lhe dá. — Diz como tu gostas, anda, fala para mim, gostosa. — Ele fala enquanto geme. — Gosto que faças assim mesmo, com força, anda fode-me. — Assim? É assim que tu queres safada! — ele pergunta enquanto aperta a sua bunda durinha. Ele tira o pau da sua boceta molhada, e coloca-o no rabo dela, ele sabe que ela adora que ele a preencha completamente. Ela grita de prazer. Ele fode-a violentamente como ela gosta, e goza dentro dela. — MAS QUE MERDA SE PASSA AQUI??? Ele entra naquele quarto e apanha-os em flagrante. Nus, suados, satisfeitos, mas… puramente fodidásticos. CAPÍTULO 1 Cinco Anos Depois Mia Knight Narrado por Mia Saio de um turno de vinte e quatro horas e foi simplesmente um turno de merda. Estou cansada, chateada e aborrecida. São oito e meia da manhã e depois de sair do hospital, venho sempre aqui a este café maravilha, que tem no fundo da rua do hospital. Para alegrar mais o meu dia, está a chover, e como se não bastasse não há lugar à porta, afff. Estaciono do outro lado da rua, abro o chapéu de chuva e dou uma corrida. Entro e dou graças a deus que não está muito cheio, boa. Sento-me ao balcão e o Peter vem logo ter comigo. — Bom dia, Dra. Mia! — Cumprimenta-me enquanto passa o pano no balcão — O mesmo de sempre? O mesmo de sempre é, um croissant misto com pouca manteiga e um galão escuro com adoçante e morno. Nunca falha. — Bom dia, Peter, sim, o de sempre, obrigada. Enquanto espero, olho ao meu redor para ver as vistas. Ali no ambiente, vejo uma senhora com uma criança em uma mesa, e duas mesas afastadas, está um homem de costas, parece bem musculado, com umas costas largas, veste terno escuro, não consigo ver a cara dele. Hum, nada de interessante e, entretanto, chega o meu pequeno almoço. Dou uma dentada no meu croissant, hummm, que delícia, é quase tão bom como um orgasmo, quaseeee. Rio com o meu pensamento, e é claro, que a retardada aqui se engasga. Começo a tossir prestes a deitar os pulmões para fora, mas depressa me recomponho. — Está bem, Dra? — ele pergunta olhando por cima do balcão. — Ah, sim. — Digo ainda meia engasgada — Já passou. Que vergonha, ainda bem que não está aqui quase ninguém. A senhora e a criança olham para mim, o homem que estava ali à pouco de costas, já ali não está. O turno correu mal, e parece que fora do turno não está a correr melhor. E quando eu pensava que nada mais podia piorar, vejo entrar no café o Damien. Puta que pariu para a minha sorte. Ele entra e vem direitinho aqui à minha pessoa. Reviro os olhos e faço uma careta, para ele perceber o quanto eu não quero falar com ele, mas como sempre, ele se faz de desentendido. — Sabia que te ia encontrar aqui. — Ele fala. — Que queres agora, Damien? — Eu pergunto seca. Ele senta-se no banco ao meu lado, mas que abusado. Olho para ele, visivelmente incomodada com a presença dele. — Será que podemos conversar com duas pessoas adultas? — Ele pergunta. — E tu por acaso sabes fazer isso, Damien? E além do mais, já falamos tudo o que tínhamos a falar. — Eu digo, terminando o meu croissant, que por esta altura já não me sabe a nada, lá se foi a sensação orgásmica que tinha. — Tu estás a ser infantil e radical demais, Mia. — E tu continuas o mesmo asno de sempre. — Digo tentando acabar com aquela conversa. Ele estreita o seu olhar para mim, agarra-me no braço e puxa-me para junto dele. — Deixa-me, mas tu estás parvo? — Eu estou é farto que me trates como se eu fosse um qualquer, eu sou o teu namorado. Tento afastar-me dele, mas ele continua a agarrar-me. — Namorado??? Não és mais o meu namorado já há algum tempo, que conversa sem sentido é essa, Damien? — Eu não aceitei o fim da nossa relação, por isso continuo a ser o teu namorado! Pois é, estão a ver quando vocês olham para uma pessoa que afinal não é nada do que vocês imaginaram? Esse é o Damien. Começo a abanar o meu braço para ele me largar e ele aperta mais. — Vai largar o braço da moça a bem, ou vai largar a mal? Ouço a voz de um homem, que está por trás deste traste louco aqui à minha frente. Inclino a minha cabeça e vejo que é o homem que estava sentado há pouco de costas, mas de onde é que ele apareceu?? Ele já ali não estava! Damien como é um metido à besta resolve enfrentar aquele homem. Damien olha meio para trás, para ver quem está a falar com ele. — E quem é que me vai obrigar, você? E já agora quem é você? O amante desta vagabunda aqui? — O quê?? — Agora ele passou de todos os limites. Ele vira a sua atenção para mim. Fico espantada com tamanha ousadia dele, e sem pensar, dou-lhe um murro com a minha mão livre. Caralho, nunca tinha dado um murro a ninguém, fiquei com a minha mão a doer, mas foi o suficiente para ele me largar o braço e agarrar o nariz com as duas mãos que estava a sangrar. — Foda-se, Mia, partiste-me o nariz. — É bem feito, quem manda me chamar de vagabunda! — pego nas minhas coisas — Vagabunda é a tua mãe. Passo pelo homem que continua atrás do traste do Damien, agradeço e saio, linda e glamourosa. Furioso Elijah Bettencourt Narrado por Elijah Não dormi nada esta noite, e a culpa é do meu pai, que merda de conversa que ele veio ontem para cima de mim, mas ele pensa o quê? Que sou criança? Que não tenho uma palavra a dizer? Me colocando assim, entre a espada e a parede? Entro no café, preciso de cafeína forte, muito forte. Ter que encarar este dia vai ser tortuoso demais. O hotel vai estar cheio, tão cheio como a minha cabeça. A sério que às vezes penso que o meu pai está a ficar xexé, mas que ideia de Jericó que ele foi arranjar agora, era só o que me faltava, praticamente um ultimato, caralho. Sento-me virado de frente para a janela e de costas para qualquer povo que possa entrar no café. Duas mesas ao meu lado está uma mulher e uma criança, mas são tranquilas, falam baixo, são, portanto, pessoas comportadas, o que é bom, já que preciso de silêncio, silêncio para pensar como agir, para pensar o que fazer. Raios, levanto-me, preciso de ir à casa de banho, a minha bexiga está a matar-me. Quem mandou beber tanto café? Quando volto da casa de banho, vejo um mané a agarrar o braço de uma moça que está no balcão, eles estão a discutir e vejo o quanto ela está incomodada com a situação. Eu não me devia meter, devia continuar com a minha vida, que já me dá demais o que fazer, mas não, já aqui estou atrás do pilantra e a fazer a perguntinha cheia de magia. — Vai largar o braço da moça a bem, ou vai largar a mal? Ele olha para mim de lado, e se sente afrontado e me desafia, tá louco, só pode. Sai um monte de merdas da boca dele, mas uma delas faz a moça virar o bicho, ele a chamou vagabunda. — O quê? — Ela diz passada da cabeça. Ele vira para ela e no mesmo instante, ela acerta-lhe a mão que tinha livre mesmo no meio das fuças dele, eu me espanto, ele a larga na hora e agarra o nariz que sangra. — Foda-se, Mia, partiste-me o nariz. — Ele diz, que inteligência. — É bem feito, quem manda me chamar de vagabunda, vagabunda é a tua mãe. Passa por mim, me agradece e sai. Cacete de mulher poderosa. Olho para aquele parvo ali e resolvo não o ajudar, estou me fodendo para ele, quem mandou tentar tratar mal a moça? Agora que se vire, tenho mais o que fazer. E por causa desta merdice toda, acabei não resolvendo nada da minha vida. Saio do café deixando para trás a figura sangrando.

Capítulo 2 Hotel Bettencourt

CAPÍTULO 2 Hotel Bettencourt Os Bettencourt são uma família abastada, têm uma rede de hotéis de luxo em todo o mundo, mas a sede, o Hotel principal e o mais antigo, está situado no coração de Seattle. Foi o primeiro a ser aberto, e por isso, Steven Bettencourt tem um carinho especial por este edifício, por estas paredes. Batem na porta do seu escritório, que fica situado no piso da receção do hotel. — Sim! Abrem a porta, é o seu filho, o seu único filho e herdeiro de tudo. — Chamaste? — pergunta. — Sim, entra. Elijah senta-se na confortável cadeira de couro castanha que está do lado oposto ao seu pai. Steven chega-se para a frente, e apoia os braços na mesa de vidro de cor preta fosca. — Elijah, precisamos de falar sobre um assunto sério? — Mas está tudo bem pai? — Pergunta preocupado. — Comigo está! E contigo? Elijah estranha aquela pergunta. — Comigo? Comigo também, mas porque perguntas? — Elijah, tu já tens trinta e dois anos. — Levanta-se da sua cadeira, coloca os braços para trás das costas e anda de um lado para o outro — Tenho visto que te divertes muito, com muitas mulheres, para mim até acho que são mulheres a mais, mas enfim. Mas o que me preocupa, é a tua falta de vontade de arranjar uma boa garota, uma mulher a sério. O filho o interrompe bruscamente. — Eu não quero, nem preciso de uma boa garota, nem uma mulher a sério, isso é, se isso existe. — Fala amargurado. — Todo o homem precisa de uma boa mulher ao seu lado, que se torne uma excelente esposa, uma ótima mãe para os seus filhos. — Eu não quero nada disso pai, não quero uma mulher, muito menos uma esposa e Deus me livre de filhos! — Diz ao levantar-se desconfortável com o rumo da conversa. O pai suspira. — Eu não estou a ir para novo, filho, e vou precisar que tu um dia agarres no teu legado, com unhas e dentes. — Sim, eu sei, mas eu vou fazer isso, continuar a trabalhar duro, pelo meu legado. O pai volta a sentar-se, coloca os cotovelos em cima dos braços da sua cadeira e parece estar a pensar. "Vem aí merda" — Pensou Elijah ao olhar para o pai, conhecia-o bem demais e sabia que ele estava a pensar como dizer qualquer coisa, que Elijah já sabia que não ia gostar. — Então recapitulando, — ele começa — tu não pensas sequer na hipótese de formar uma família! — Eu já tenho uma família, tu e a mãe. — Hum, sim, sei. Steven chega-se para a frente na sua secretária, e puxa uma pasta verde. Abre a pasta, que tem várias folhas lá dentro. — Sabes o que é isto? — Ele pergunta. — E como haveria de saber? — diz desconfiado. — Isto, meu filho, é o meu testamento, aliás, dois. Elijah torceu o nariz, pensando porque raio o pai estaria a falar do testamento e porque seriam afinal dois testamentos! Pessoas ditas normais, fazem um testamento, não dois! — Sim, e então? — perguntou, não mostrando a estranheza do facto. — E então, — continuou — um deles tem escrito, que tudo o que é meu, todo o meu império, toda a minha fortuna, será unicamente tudo para ti, e não é na minha morte, mas sim exatamente daqui a seis meses. — Daqui a seis meses?? — perguntou preocupado — Mas porquê daqui a seis meses? — Eu e a tua mãe queremos viajar. Por conta de construir tudo o que temos, tenho perfeita noção que não dei a atenção que a tua mãe sempre mereceu, então vou dar agora, temos o nosso filho criado, um bom homem, e que já está mais que na altura de passar tudo para ti. Temos muito dinheiro guardado, bens e imóveis só meus e da tua mãe, que na nossa morte é óbvio que passará também para ti. — Ok, então, acho que fazem muito bem. — Ele diz não entendendo muito bem o porquê daquela conversa toda. Mas o pai ainda não tinha acabado e a bomba ia estourar agorinha. — Mas, este outro testamento, — aponta para a outra pilha de papéis — tu ficas sem o direito a mexer em nada. Elijah se espanta com o que o pai acabou de falar. — Mas porquê, pai, o que foi que eu fiz? — Ele pergunta surpreso. — Nada, e o problema é mesmo esse. — diz calmo. Elijah estreita os olhos, não está a entender onde o pai quer chegar. — Tens seis meses para me mostrares que realmente queres, o que é teu por direito. — Pai, isso não faz sentido nenhum, — ele diz surpreso com todo este assunto sem pés nem cabeça — o que tu queres que eu te mostre? — Quero que me mostres que realmente és um homem com família e responsabilidade, não vou dar a minha fortuna que me custou tanto a construir, a um playboy que só quer andar por aí a montar as mulheres todas. — Fala agora exasperado. Ele fica pasmo, com o que o pai acabou de lhe dizer. — Eu, um playboy? — Sim tu. Um playboy, que tem que tomar juízo, já tens mais que idade suficiente para tomares responsabilidade. Elijah fica fodido, mas prefere não dizer nada que se arrependa depois. — Então e diz-me, — diz chateado — e como queres que te mostre isso? O pai diz de uma vez só. — Casa-te. O Compromisso Narrado por Mia Acordo com o som do meu telemóvel a tocar, olho para o ecrã e reviro os olhos. Que quererá a minha mãe?? Ela sabe que saí hoje cedo! — Sim, mãe! — atendo muito a contragosto. — Bom dia, Mia, onde estás? — ela pergunta. Onde estou??? Ela só pode estar de brincadeira. — Mãe, saí do hospital às oito da manhã. — Há, pois, foi, desculpa esqueci-me. Reviro os olhos, que paciência. — Não faz mal, vou continuar a descansar então. — Digo finalizando a conversa. — Mia, tu não te esqueceste do nosso compromisso hoje à tarde, pois não? Afinal a conversa ainda não foi finalizada, afff. — Que compromisso? — não lembro de merda nenhuma de compromisso. — A prova dos vestidos, Mia, como podes te ter esquecido? A tua irmã fica furiosa quando te esqueces dos compromissos que tens com ela. — Ela diz chateada. Suspiro, que porra, já me tinha esquecido mesmo da porcaria da prova. — Não precisas de lhe dizer, não me apetece nada ter que levar com uma aula de moral, ok. — Ok, até logo então. — Até logo, mãe. — Porcaria de prova. — resmungo — Era só o que me faltava. Tinha também uma mensagem da minha amiga Jenny. "Quando puderes liga-me, amiga" Olho para as horas meio dia e quarenta, ótimo, que bom, maravilha, não descansei porra nenhuma. Já lhe ligo. Decido ir tomar um bom banho e almoçar antes de ir, não me posso atrasar, senão tenho que ouvir a senhora professora de Português e Matemática toda a tarde. A minha irmã quando quer, é uma chata de primeira. Tomo o meu banho, visto uns jeans de ganga clara e uma blusa creme, e por cima um casaco preto e tênis pretos. Continua a chover, o bom e velho tempo que se faz quase sempre em Seattle. Preparo uma salada e ligo então à Jenny. Ela atende ao terceiro toque. — Mia! — está entusiasmada, demais da conta. Sorrio com isso. — Tu não sabes o babado que aqui houve menina! — Ela continua. — Então? O que se passou? — pergunto curiosa. — Imagina quem apareceu aqui nas urgências com o nariz partido! PUTA QUE PARIU, nunca mais me lembrei daquele desgraçado, embora a minha mão ainda me doa, kkk. — Santo Deus, aquele filho da puta foi para aí?? — Caraca, então foste mesmo tu que lhe deste um murro?? — Ela começa a gargalhar alto. — Fui, ele me chamou de vagabunda, já viste, o bicho tá doido, eu hein. Já aturei muita merda desse bofe, não aturo mais não. Jenny não para de rir. — Ele disse raios e coriscos de ti, só não te chamou santa e disse que estavas acompanhada pelo teu amante, e aí eu pensei cá para os meus botões, amante??? Quem é a figura que eu não sei de nada? — Amante! É mesmo uma anta aquele atrasado mental. — Digo irritada. Conto então à Jenny o que realmente aconteceu. — Que bom samaritano. E era bonito ao menos? — ela pergunta toda atrevida. Eu paro para pensar e… — Olha, depois falamos, tenho que ir ter com a Emily, e sabes como ela é quando nos atrasamos. — Oh sim, lições a esta hora não ahahah. Mas não penses que me vou esquecer desta conversa. Depois de desligar, fico a pensar no que ela perguntou. É, o homem tinha cabelo escuro todo bagunçado, que lhe dava um ar muito sexy, uns olhos azuis que parecia que eu estava a olhar para o oceano, uma postura implacável, uma presença avassaladora, o bofe era bonito, ah caralho, bonito não, lindo de morrer. Eu não estava precisando de ajuda, deu para ver não é, mas mesmo assim, o simples facto de ele lá ter ido tentar salvar a donzela em apuros, caiu bem aqui no meu goto. Deixo este pensamento para lá, do gostoso do café e vou embora, senão Emily me mata.

Capítulo 3 A Encalhada Perfeita

CAPÍTULO 3 A Encalhada Perfeita Narrado por Mia — E então? Vais levar acompanhante ou não? — pergunta a minha irmã. Reviro os olhos já prevendo o que aí vem. — Não, não vou. — respondo apenas. — O que aconteceu contigo e com o Damien? Vocês pareciam tão apaixonados! — a minha mãe e as suas perguntas, nada indiscretas. — As coisas não funcionaram, mãe. — Falo apenas. — Ele era tão bom rapazinho. Eu gostava dele, pensei que era agora que casavas, mas pelos vistos ainda não é desta! — fala aborrecida. — Ai mãe, que implicância! — digo já chateada. — Não é implicância, é a verdade. A tua irmã é mais nova e vai casar já no sábado, e tu? Contínuas encalhada. — Mas que coisa, até parece que eu tenho cinquenta anos, por Deus, mãe. — Que irritação de conversa, por Deus. — Todas as meninas da tua infância já estão todas casadas, muitas delas já com filhos, e tu? Uma solteirona que mora sozinha, só te falta um gato, para realmente seres a encalhada perfeita. Ai que merda de merda de conversa. — Ai mãe, deixa-a, ela é que sabe, é adulta. — Diz a minha irmã. Graças a Deus, há alguém com neurônios no sítio. A minha irmã é mais nova do que eu quatro anos, ela tem vinte e sete anos e eu trinta e um, e a minha mãe acha que já passei do prazo de validade por ainda não ter casado, sinceramente, que estupidez. Emily casa no próximo sábado, teve muita sorte, Jason é um autêntico gentleman, é bondoso, carinhoso, muito bonito, muito amigo e eu adoro o meu cunhado. Ele é muito bom para a Emily, e isso é o mais importante. — Mas tu estás a ouvir? A minha mãe tira-me dos meus pensamentos. — Sim, mãe. — Que mentirosa que eu sou, mas é por uma boa causa, de certeza que ainda estava a falar de como eu sou uma encalhada, e mais uma data de baboseiras. Não tenho paciência. — Mas afinal, vais contar o que se passou contigo e com o Damien, ou não? Santa pechinica, outra vez? — Já te disse que as coisas não funcionaram, ele começou a ficar muito ciumento e impulsivo, dei um basta antes sequer que ele pensasse que eu era propriedade dele. — Realmente, nem sei porque ainda me surpreendo contigo. Ciumento, impulsivo, tu é que és uma esquisita, não existe homem perfeito, Mia! — ela diz, como se fosse a mais experiente do mundo. — Eu sei que não existe homem perfeito, mãe, não sou nenhuma tosca, não sou é obrigada a estar com uma pessoa que só é bom para os de fora, Damien tornou-se insuportável e não vou falar mais sobre isso, mãe. — Eu amo vocês duas, de verdade, mas se vão continuar com essa discussão, eu vou embora. Que baixo astral, céus. Sim, realmente não valia a pena, a minha mãe, o meu pai e toda a minha família chata, só me largariam com este assunto quando realmente eu estivesse casada, coisa que eu não via acontecer nos anos mais próximos, então até lá, iam continuar a azucrinar a minha pessoa, e eu seria sempre a encalhada da família. Os Noivos Emily e Jason Emily e Jason conheceram-se numa saída à noite com amigos em comum. Logo simpatizaram um com o outro. Depois de mais umas tantas saídas com os amigos, passaram a ser saídas a dois. Acabaram por se apaixonar perdidamente, e começaram um relacionamento há três anos atrás, desde essa altura que não se largaram mais e o amor e a cumplicidade deles só foi aumentando, a cada dia que passava. Vão casar no próximo sábado e estão nervosos, como qualquer casal prestes a dar o nó. Emily é professora de Português e de Matemática da 6° e 7° série, ela ama o que faz. Tem os olhos castanhos como a irmã Mia, mas os cabelos são cor de avelã e são pelos ombros. Jason é um bancário muito respeitado, tem apenas vinte e nove anos, mas é de uma inteligência acima da média. São o casal perfeito. — A minha mãe não consegue deixar a Mia em paz. — Ela diz, deitada no peito de Jason depois de fazerem amor. — Não me digas que a voltou a chamar de encalhada! — ele pergunta com um sorriso no rosto. — E não é que chamou mesmo! Não entendo para quê tanta implicância, e se ela não quiser casar? Parece que é uma obrigação, que parvoíce. — Ela fala chateada. — Também acho, mas sabes qual é o problema maior? Já terem percebido, o quanto a Mia fica incomodada com esse assunto. Então vão andar sempre a falar no mesmo. Emily suspira, — Gostava que ela arranjasse um bom homem, mas como este mundo anda, acho que vai ser impossível. — diz fazendo uma careta. — Nada é impossível meu amor, quem sabe ela não arranja alguém mais depressa do que se imagina! Não vale a pena forçar, acredito que o príncipe dela está aí bem perto, tu vais ver. Ele sorri, com aquele sorriso tão bonito. — Quem era eu, sem os teus sábios conselhos. Beija-o com vontade e ele retribui. Sentado no Café Narrado por Elijah Há três dias seguidos que venho a este café, e cada vez que saio do mesmo, pergunto a mim mesmo, que merda venho eu aqui fazer! Quer dizer, o café é bom, o atendimento nota 10, mas sinto que venho aqui fazer algo mais. Não fico sentado de costas para o povo e a olhar feito estátua para a rua, não, agora fico de costas para a rua e virado para esse povo aí. Fico besta com a quantidade de pessoas que bebem café, santo Deus, devem chegar a um ponto em que têm que ir a correr para esvaziar a bexiga, assim como eu. Olho para o balcão, mas não vejo a mulher poderosa que vi aqui, há três manhãs atrás. Mas que porra, que me interessa a mim a mulher que vi naquela manhã? Devo estar a ficar louco. Mas a imagem dela a dar um murraço nas fuças daquele mané faz-me rir até hoje, kkk, ele agarrado ao nariz a sangrar feito um porco, foi hilário. Coloco a minha carranca e saio, que merda, porque estou eu aqui feito besta a pensar numa coisa que não me diz sequer respeito? Entro no carro e arranco para o Hotel. Estaciono no parque, entro no elevador e carrego no piso 0. O piso 0 do Hotel tem um hall de perder de vista, várias áreas de descanso aqui e ali, onde os hóspedes se podem sentar para conviver ou apenas para ler, descansar ou apenas ver as vistas. A recepção é enorme e tem três balcões, onde o atendimento é de puro profissionalismo. Neste mesmo piso, temos dois restaurantes com capacidade para 50 pessoas cada um. Por trás da recepção, fica a zona dos trabalhadores, onde tem os escritórios, os balneários, a cozinha e o refeitório. No piso 1 tem mais dois restaurantes, mas estes já têm uma capacidade maior, 300 pessoas cada, mas quando há festas maiores podemos perfeitamente juntar as salas e fica um salão com capacidade para 600 pessoas. No Piso 2, piscina interior, sauna, ginásio, aulas de dança, biblioteca, enfim, o piso do descanso e lazer. Depois temos nos pisos para cima, que vai até ao décimo quinto andar, os quartos, grandes e luxuosos. No décimo sexto andar há quatro coberturas com tudo, como se fossem apartamentos. Um hotel de luxo, com capacidade para 800 pessoas. O meu pai conseguiu tudo isto, na força da sua inteligência, do seu esforço. Foram muitas noites fora de casa, e realmente para nos dar uma vida de luxo deu pouca atenção à minha mãe, ela nunca reclamou, e ajudava o meu pai sempre que podia, sempre que ele pedia. O meu pai teve muita sorte com a mulher que arranjou. Já eu, nem acredito que algum dia vou conseguir amar alguém outra vez. É no meio destes pensamentos, que encontro o meu pai no meio do corredor. — Bom dia, pai! — o cumprimento. Ainda estou chateado com a conversa dele, já passou quatro dias e continuo tão ou mais furioso que naquele dia que ele largou aquela confusão na minha cabeça. — Bom dia, filho! — ele me cumprimenta de volta — Está tudo bem? Ele pergunta, como se não soubesse que não, não está tudo bem, está tudo péssimo, tudo uma merda. Mudo de conversa. — Os marroquinos chegam hoje, preciso de ir verificar se está tudo certo para quando chegarem. Vou falando e vou andando, não me apetece conversas, mas ele vem logo atrás de mim. — O teu fato veio ontem, viste? Que subtil, também ele a mudar a conversa. — Sim, vi. — digo apenas. — Saímos às duas da tarde de casa, não te esqueças! — ele me lembra. — Sim, eu sei, mas eu levo o meu carro. O meu pai pára de repente. — E porquê? Pensei que viesses comigo e com a tua mãe! — Não, pai, não penso lá ficar muito tempo, por isso levo o meu carro. Quando quiser vir embora venho e pronto. — Tu, vê lá se não fazes desfeita ao teu primo, vocês dão-se tão bem! — ele me adverte. — E o que uma coisa tem a ver com a outra, ele nem vai dar pela minha falta se eu sair mais cedo. — digo já sem paciência — Agora tenho que ir pai, até logo. Apresso o passo, na esperança que ele não venha atrás de mim, e graças a Deus, ele não vem.

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