Elo Mortal
Capítulo 1 A briga

Glaretown, Maine (E.U.A) 1997 Parada em frente ao espelho, Neelam encarava a si mesma, feliz por seu uniforme novo ter lhe servido. Ela sofrera nas férias para perder peso e agora estava convencida de que, diferente de como fora em seu colégio anterior, ela não chamaria a atenção por causa de sua aparência. — Já está pronta querida? Vai se atrasar. — Disse Mikaela ao bater à porta do quarto de sua filha. — Sim. Mamãe, desço em um minuto. — Respondeu Neelam. Ao chegar em Harmony High School, Neelam foi até a diretoria, pedir ajuda para encontrar sua sala, e a diretora a mandou ir até o Grêmio falar com Killian, o presidente do Grêmio. Neelam entrou timidamente no grêmio e se aproximou de um rapaz loiro que estava de costas para ela, mexendo em alguns papéis. — Com licença… — Neelam disse. — Sim, em que posso ajudá-la? — Killian disse se virando e a encarando com seus penetrantes olhos cor de âmbar. — Eu me chamo Neelam Ferraz e estou aqui porque a diretora pediu para que viesse falar com você. — Prazer, sou Killian Werner, o presidente do Grêmio. — Apresentou-se ele, estendendo a mão para um aperto formal. — Em que exatamente posso ajudá-la? — É sobre uns papéis. Eu acho. Não entendi bem. — Disse Neelam apertando a mão dele. — Sua ficha de inscrição? — Tentou adivinhar Killian. — Isso mesmo. — Disse Neelam. Killian deu uma olhada na pasta que ela lhe entregou e lhe explicou que ainda faltavam alguns papéis e pediu para que ela os providenciasse o quanto antes. Em seguida, deu-lhe instruções de como fazer isso. — Obrigada. Trarei o que me pediu. — Disse Neelam antes de deixar a sala. Caminhando apressada, ela tomou o corredor à sua esquerda e sem querer, esbarrou em um garoto magricelo que usava óculos. Com o impacto da queda, o garoto deixou seus livros caírem no chão. — Oh, me desculpe? Eu sinto muito. — Disse Neelam nervosa e abaixou-se e ajudou o garoto a recolher seus livros. — Não. A culpa foi minha. Não sua. Eu estava distraído. — Falou o garoto enquanto recolhia seus livros. — Mil desculpas. — Disse Neelam após ajudá-lo a recolher seus livros do chão. — Tudo bem. Não foi sua culpa. — Disse ele, ajeitando seus óculos. — Prazer. Eu me chamo Neelam Ferraz, mas pode me chamar só de Neelam. — Sou Kendall Maldonado, mas pode me chamar de Ken. — Disse ele sem jeito. — E então, você também é nova aqui? — Sim. A propósito, você completou sua ficha de inscrição? — Disse Neelam. — Sim. — Respondeu Kendall. — Precisa de ajuda com a sua? — Sim, eu sou nova aqui e ainda não sei nem onde fica o banheiro. — Disse Neelam. — Seria um prazer ajudá-la. — Falou Kendall. Dessa forma, ele a acompanhou e a ajudou a completar sua ficha de inscrição. Os dois foram até o grêmio. Neelam entrou na sala e Kendall a esperou do lado de fora. Neelam entregou os papéis a Killian. Ele os conferiu e pediu a ela que entregasse os mesmos à diretora. Após fazer isso, Neelam e Kendall foram para a sala de aula. As duas primeiras aulas de História foram bem tranquilas. No entanto, no terceiro tempo, na aula de Geografia, um ruivo, vestido como um roqueiro entrou na sala e passou por Neelam, a encarando de uma forma que ela não pode discernir se era malícia ou deboche ou os dois. Ele sentou-se atrás dela. — Pode me emprestar um marcador? — O ruivo sussurrou em seu ouvido. Neelam abriu seu estojo e apanhou o marcador e a entregou ao ruivo. Ele sorriu malicioso e piscou para ela. Neelam permaneceu séria e se virou. Cinco minutos depois, quando o professor se distraiu, o ruivo sussurrou no ouvido dela: — Obrigado. Ela assustou-se! — Ops… — Disse o ruivo ao derrubar de propósito o marcador na gola do suéter dela. Neelam sentiu o marcador escorregar por seu busto e se virou, irritada, enfiando a mão em seu suéter e o pegando. — Qual o seu nome? Eu sou o Duke Benson. — Ele sussurrou outra vez no ouvido dela. — Não te interessa. — Neelam respondeu. Duke recuou e não voltou a incomodá-la. Na hora do almoço, Neelam e Kendall tiveram uma prévia de como seria o restante do ano letivo para ambos, quando foram ignorados pelos outros estudantes, que prefiriram se apertar nas mesas próximas a se juntarem a eles. — Que bom que temos privacidade. — Kendall sorriu amargo. A duas mesas de distância da deles, estava um grupo de amigos que não tinha nada melhor a fazer a não ser tentar reunir alguma informação e adivinhar quem eles eram. — Será que são irmãos? — Blair Oneil disse. Ela era baixa e magra. Seu cabelo era tingido em um tom violeta, e seu cumprimento era acima dos ombros. Seus olhos eram de um azul-cinzento. Ela tinha um ar doce que combinava com sua personalidade introvertida. — Não. Eles não parecem irmãos… Nem de longe. — Mattew Mckinney disse. Ele era irmão gêmeo de Anderson (Dru) Bertolini, mas ambos não possuíam o mesmo sobrenome porque foram adotados por famílias diferentes. Os irmãos eram idênticos fisicamente, mas tinham personalidades opostas. — Talvez, sejam namorados… — Brielle Wilkins disse. Ela era naturalmente ruiva, com olhos azuis, e costumava deixar seus cabelos presos em duas tranças. — Nossa! Dá para sentir a paixão daqui. — Mattew disse, sarcástico. — Então… Não que eu seja uma fofoqueira, mas… — Willow McDaniel sorriu com a segurança que somente alguém muito bem informado demonstraria. — Eles foram transferidos de colégios diferentes. Ela veio de outra cidade, na verdade. — Willow passou a mão por seu cabelo louro platinado e olhou rapidamente para a mesa de Neelam e Kendall. — Foi a Savannah que te contou, não foi? — Mattew disse, desconfiado. — Eu nunca revelo minhas fontes. — Willow se inclinou para frente como se fosse contar um segredo a seguir. — Por acaso, um passarinho me contou que ela chamou a atenção do Duke. — Coitada! — Mattew riu alto. — O Duke é terrível! Se ela for esperta, ficará bem longe dele. — Oh, oh… — Blair disse, nervosa. Mattew seguiu o olhar dela, e Willow se virou, deparando-se com a chefe das líderes de torcida que estava parada atrás de Willow, ouvindo o que ela dizia. — Gillian? Não quer se sentar? — Mattew disse, sorrindo com raiva. — Você não tem nada melhor para fazer que ficar ouvindo a conversa alheia? Gillian Werner o ignorou e se voltou a Willow, lhe perguntando: — Quem é essa garota que estão falando? — Que garota? — Willow se fez de boba. — Neelam! Ela está ali! — Blair apontou a direção. — Quieta! Traidora! — Mattew disse a Blair. — Muito obrigada, Blair. — Gillian sorriu, satisfeita e se afastou. — Você ficou louca, Blair? Por que fez isso? — Brielle disse sem compreender. — Eu não quero mais a Gillian pegando no meu pé. Estou cansada de ser o saco de pancadas dela. — Blair disse, abaixando a cabeça, chateada. — Só que você não será melhor que ela se permitir que ela faça com os outros o que faz com você. — Mattew disse. † † † Gillian se aproximou da mesa de Neelam e ficou parada, a encarando. Neelam tentou ignorá-la, mas foi impossível. — Você quer alguma coisa? — Não. — Gillian sorriu. — Na verdade, sim. Estou tentando descobrir porque você chamou a atenção do MEU namorado! Neelam encarou Kendall, vermelha. — Por que não me disse que tinha uma namorada? — O quê? Não. Ela não é minha namorada! — Kendall disse. — Não seja ridícula! É do Duke Benson que estou falando! — Gillian bateu na mesa. — Eu não sei quem ele é nem me interessa saber. Você está me confundindo, garota. — Neelam disse. — Você é Neelam, certo? — Gillian disse. — Já disse que não conheço esse cara. Me deixe em paz! — Neelam disse. — Fique longe do meu namorado. Vadia! — Gillian esbofetou a face de Neelam. Neelam notou que os outros à sua volta pararam para prestarem atenção ao que acontecia e, além da vergonha, ela sentiu raiva. Sem pensar se levaria ou não a pior, enfrentando aquela garota, ela se levantou e devolveu o tapa que recebeu. Gillian se enfureceu e a agarrou pelos cabelos. Os alunos deixaram suas mesas e se amontoaram ao redor das duas, ávidos pelo desfecho daquela briga. Kendall tentou apartar a briga, mas os outros o detiveram, segurando-o pelos braços. Killian abriu espaço entre a multidão a cotoveladas e conseguiu chegar até onde as garotas estavam. Ele puxou Gillian, tirando-a de cima de Neelam, e quando Neelam se levantou do chão e tentou avançar em Gillian, Killian se colocou entre as duas e disse com autoridade: — Parem! — Foi ela que começou! — Neelam disse. — Não me interessa quem começou. Vamos ao Grêmio, agora! — Killian agarrou Gillian pelo braço, a arrastando. Gillian protestou, mas não adiantou. Neelam abaixou a cabeça e seguiu Killian. — Estou desapontado com as duas. Especialmente com você, Gill! — Disse Killian encostando a porta do grêmio para que não fosse interrompido. — Vocês tem noção do papel ao qual se prestaram hoje? O que fizeram foi ridículo! — Sinto muito. — Disse Neelam sem coragem de encará-lo. — Como chegaram a isso? — Perguntou Killian. — Foi ela quem começou, Killian! — Disse Gillian. — Mentirosa! Você veio até a minha mesa e me acusou de estar envolvida com o seu namorado, mas eu disse que NÃO tenho a mínima ideia de quem seja ele! — Disse Neelam. — Vadia! Mentirosa! — Disse Gillian. — Sei que você foi se oferecer a ele. — Parem com isso! — Falou Killian dando um murro na mesa. As garotas se calaram. — Vá para a sala, Gill! Conversamos depois! — Falou Killian. Gillian deixou a sala resmungando e bateu a porta ao passar. Killian encarou Neelam por algum tempo, esperando que ela se defendesse, mas ela não disse uma só palavra. — Vou ter de comunicar a diretora o que houve e além da detenção, talvez, você seja suspensa. A política desse colégio é bem rígida e não tolera agressão física. — Falou Killian. — Eu só me defendi. O que eu deveria ter feito? Apanhado calada? — Neelam disse. Killian suspirou, cansado, e pensou antes de dizer: — Droga. Não. Eu sei que a minha irmã é terrível. — Ela é sua irmã? Sinto muito por você. — Neelam disse. — Olhe? Infelizmente, preciso comunicar a diretora sobre o que houve, mas… Eu poderia usar a minha influência e convencer a diretora de que dessa vez a culpa é da Gillian, se você me fizesse um favor. — Killian disse. — Mas a culpa é realmente dela… — Neelam disse. Killian balançou a cabeça e disse: — Você é novata, então, não entende… Quando a diretora perguntar aos outros alunos o que houve, todos dirão que foi você e não a Gillian quem começou porque a Gill é o demônio e ninguém quer irritá-la. — Pelo visto, nem você. Então, por que? — Neelam disse. — Tem outro demônio pior que ela e se você pudesse enfrentá-lo por mim, seria ótimo. — Killian disse. — E quem seria esse demônio? — Neelam inquiriu. — Duke Benson. — Killian respondeu.

Capítulo 2 Trato com o diabo

Killian colocou uma pasta diante de Neelam e disse-lhe: — Essa é a lista de ausências do Duke. Convença-o a assinar? Devo te alertar, porém, que não será nada fácil convencê-lo a assinar, devido a seu comportamento hostil, mas este será seu desafio… Se aceitar, claro. — Eu não sei se deveria me aproximar do namorado da maluca da sua irmã. Eu só arranjaria mais problemas. — Falou Neelam. — Ele não é namorado da minha irmã. — Disse Killian rindo. — Mas ela disse… — Falou Neelam confusa. — Ela ACHA que tem qualquer coisa com ele, mas é só na cabeça dela. — Disse Killian — Quando tenho de trazer essa lista de volta? — Perguntou Neelam. Killian sorriu, feliz por ela ter aceito.   † † †   Duke estava deitado em um banco no pátio, ouvindo música pelo seu Walkman. Neelam parou e se perguntou como se aproximaria dele sem aborrecê-lo. Ele não parecia nada simpático! Mesmo assim, ela precisava reunir coragem e falar com ele. Ela respirou fundo e foi até onde o ruivo estava. Duke levou quase cinco minutos para perceber a presença dela, e quando isso aconteceu, ele sentou-se no banco e puxou seus fones. — Qual é gatinha? — Disse Duke a olhando dos pés a cabeça com malícia. — Você é Duke, certo? — Perguntou ela, nervosa. — É da polícia? — Ele brincou. — Não. Eu… Esquece! — Falou ela se virando para ir embora. — Espera? — Disse ele a pegando pelo pulso com firmeza. Neelam virou-se e encarou a mão dele em seu pulso. — Qual o seu nome? — Ele soltou o pulso dela. — É da polícia? — Ela devolveu. Duke riu. — Neelam. — Ela respondeu — Sei… E como posso ajudar você? — Disse Duke. — Poderia assinar sua lista de ausência? — Disse Neelam. — Deixe-me ver isso? — Disse Duke levantando-se do banco. Neelam entregou a folha a ele. Duke olhou a folha e a devolveu a Neelam, dizendo-lhe: — Foi aquele idiota quem te mandou me entregar isso? — Killian. — Disse Neelam o corrigindo. — Pois diga a ele para enfiar essa folha no… Bolso. Não vou assinar isso nem morto! — Disse Duke deliberado. — Por favor? Se você não assinar, Killian vai acabar comigo! — Falou Neelam. — E eu com isso? — Disse Duke dando de ombros. — Por favor, faço o que você quiser. — Falou Neelam, mas se arrependeu daquelas palavras quando o ruivo exibiu um sorriso malicioso. — O que eu quiser? — Disse Duke interessado. — O que você quiser… Desde que não seja nada indecente. — Falou Neelam. — Então… Acho que já sei o que vou pedir. — Ele sussurrou no ouvido dela, a deixando arrepiada.   † † †   — Aqui está a folha de ausência do Duke. — Disse Neelam devolvendo a pasta a Killian. — Então você desistiu? — Disse Killian, visivelmente desapontado. — Por favor, dê uma olhada nisso? — Pediu Neelam sorrindo. Killian olhou a folha e espantado, disse: — Não pode ser! Como conseguiu persuadi-lo a assinar essa folha? — Eu conversei com ele e expliquei a ele qual era a importância desse documento. E ele entendeu e assinou. — Falou Neelam. Killian riu, incrédulo. — Sei… Só pela bondade do coração que ele não tem? Duke jamais assinaria essa folha tão facilmente. Eu o conheço bem. Da última vez, tivemos uma discussão feia e mesmo assim, ele se recusou a assinar essa folha. Me diga, o que foi que ele pediu em troca de assinar esses papéis? — Disse Killian. — Como assim? Ele não pediu nada. Eu juro. — Falou Neelam tentando disfarçar seu nervosismo. — Não. Duke não cede assim tão facilmente. — Disse Killian seguro do que dizia. — Por favor, confie em mim? Eu prometo que não vou me zangar se me disser a verdade. O que ele pediu em troca de assinar essa folha? Neelam não poderia falar, pois jurara a Duke que não diria nada. "Se romper o nosso trato por qualquer motivo, juro que quebro a cara do seu namoradinho de quatro olhos", ela se lembrou das palavras de Duke. — Não precisa ter medo do Duke. Te dou a minha palavra que ele não vai te fazer mal. — Disse Killian. Neelam precisava dizer alguma coisa, ou Killian não a deixaria em paz. Então, disse a primeira besteira que lhe veio a mente. — Ele não pediu nada demais, só um beijo. — Um beijo?! — Repetiu Killian e balançou a cabeça com raiva. — Isso… Um beijo… O que tem demais? — Neelam deu de ombros. — Mas… O que ele pensa que está fazendo? Ele não pode fazer isso! — Disse Killian. — E você, como pode se vender dessa forma? Não sente vergonha? — Você não me deu outra escolha… — Neelam disse. Killian deixou o grêmio, indo atrás de Duke. Neelam o seguiu. — Por favor? Esqueça isso! O que importa é que ele assinou o papel. — Disse Neelam. — É melhor voltar para a sala. Deixa que eu cuido disso! — Falou Killian. — Droga! — Disse Neelam deixando de seguir Killian. Duke conversava com Merlyn Arcangeli e Anderson Bertolini sobre as novas músicas da banda, quando Killian se aproximou e vociferou: — Você é mesmo pior do que eu imaginava! Um sujeitinho baixo! Não tem vergonha de se aproveitar de uma garota indefesa? — Desculpe? Está falando comigo? — Disse Duke se fazendo de bobo. — Porque se estiver, primeiro, abaixe a voz. Nem meu pai fala assim comigo. E segundo, não faço a menor ideia do que você está falando! — Você vai negar que chantageou a aluna nova para assinar a sua folha de ausência? — Disse Killian. "Não acredito que aquela idiota abriu a boca! Mas juro que ela me paga!", pensou Duke. — Eu não sei do que você está falando! — Negou Duke. — Neelam me disse que você pediu um beijo a ela em troca de assinar a folha. — Falou Killian. — Ah, foi isso que ela te disse? — Falou Duke, rindo. — Vai negar isso? — Disse Killian. — Não. Eu não vou negar! — Falou Duke. — Por que tanta coisa por causa de um beijo, cara? Até parece que você está afim dela! — Disse Anderson a Killian. — Não se mete nisso. Não tem nada a ver com você. — Falou Killian. — E se EU tiver afim da novata? Qual o problema? — Disse Duke. Killian percebeu que aquela discussão não fazia sentido. Por que ele se alterara tanto por saber que Duke e Neelam se beijaram? Ele não devia se importar tanto, ainda que sentisse qualquer coisa por ela… Era uma besteira. — É meu dever como representante da turma zelar por todos. E você não pode fazer mal a ninguém, principalmente a alguém que não pode se defender de você. — Disse Killian chateado. — Eu acho que a Neelam é bem crescidinha. Vocês não acham, rapazes? — Disse Duke. Merlyn deu de ombros, voltando a sua atenção a seu bloco de notas. — Crescidinha até demais! — Falou Anderson sorrindo, malicioso. Ao perceber que Anderson estava pensando o que não devia, Merlyn lhe deu uma cotovelada. — Ai! — Disse Anderson com uma careta. — Então, era só isso o que tinha para me falar? Porque se era, pode ir agora. — Falou Duke. — Estou de olho em você. — Killian disse antes de ir embora. — Que história é essa, Duke? — Perguntou Merlyn a Duke depois que Killian se foi. — Nada que seja da sua conta. Onde estávamos? — Falou Duke. — Cuidado, viu? Quem brinca com fogo se queima. — Disse Merlyn. — Nesse caso… Eu sou o fogo. — Duke sorriu, convencido. Merlyn balançou a cabeça e voltou a falar sobre a banda.

Capítulo 3 Encontro

Duke surpreendeu Neelam quando ela deixava o colégio. — Eu não acredito que ia embora sem se despedir de mim. Que coisa feia! — O que você quer? — Neelam se virou, se certificando que Gillian não estava por perto para lhe arrumar mais confusão. — Você mora longe? Posso te dar uma carona. — Disse Duke. — Não quero que você saiba o meu endereço. — Falou Neelam. — Qual o problema? Sua casa é tão ruim assim? — Disse Duke. — Já estive em lugares que fazem o inferno parecerem um paraíso. — Eu agradeço a sua gentileza, mas minha mãe me mataria se me visse ao lado de um… Garoto como você. — Disse Neelam tentando não ser tão grosseira. — Eu posso te deixar na esquina. — Insistiu ele. — Sinto muito. Eu sou claustrofóbica. — Disse Neelam se afastando dele e indo embora. — Mas eu dirijo uma moto. — Disse Duke a seguindo. — Não moro longe. — Disse Neelam caminhando rapidamente. — Ok. Podemos caminhar. — Disse Duke. — Merlyn sempre diz que preciso de um pouco de caminhada, que estou fora de forma. Acredita nisso? — Sério? O que você quer de mim? — Neelam parou e o encarou. — Killian encheu o meu saco por sua causa. — Disse Duke. — Eu juro que mantive o nosso trato. Não disse nada. — Falou Neelam temendo que ele fizesse alguma coisa a Ken. — Nada? Um beijo é nada para você? — Perguntou Duke a encarando. Neelam não respondeu. Nunca se interessara de verdade por um garoto em sua vida. Sempre preferira ficar na sua, e mesmo quando um garoto bonito se interessava por ela, fingia que não era com ela. De alguma forma, ela sentia que o amor não fora feito para ela. Duke chegou mais perto dela e agarrou sua cintura com uma mão. Com a outra mão, acariciou o rosto dela. Neelam sentiu um calor com a proximidade. Nunca estivera tão próxima de um garoto antes. Nervosa, ficou parada, sem saber o que fazer. Quando os lábios de Duke tocaram os dela. Por um momento, ela desejou ardentemente ceder e corresponder aquele beijo, mas se conteve e empurrou Duke. — Não me toque novamente! — Ela disse brava e foi embora. — Eu não prometo nada. — Duke elevou a voz para que ela o ouvisse e riu. † † † Merlyn tirou seus sapatos e seu sobretudo. Desabotoou sua camisa e a tirou, expondo sua pele albina e a tatuagem de asas angelicais que tinha em suas costas. Foi até a sacada e olhou para o céu nublado. Suspirou e abaixou a cabeça, encontrando os olhos azuis da garota de aparência frágil que o espiava por uma fenda entre as cortinas na casa da frente. Gianina Velardi. A garota sempre seria sua fã número um sem dúvida. Ninguém, nunca seria tão obcecada por ele como ela era. Os cabelos naturalmente louros – quase brancos – dele se agitaram ao vento, conferindo um ar feérico aquele belo rosto e, em especial àqueles olhos. Gianina amava os olhos dele porque o tornavam ainda mais especial. O direito era azul e o esquerdo era verde. Merlyn não gostava de sua heterocromia e sempre tentava disfarçá-la, usando lentes. Merlyn acenou para Gianina e ela se escondeu, rindo como uma fã apaixonada. Ele recuou, deixando a sacada. † † † Neelam tomou um banho e após se trocar, colocou um casaco amarelo de lã que pertencera a sua irmã mais velha. Deitou-se em sua cama e encarou o porta-retratos em cima do criado-mudo, admirando o sorriso de sua irmã. Tudo o que ela queria era se parecer com ela, mas para a sua decepção, ela falhava miseravelmente. Nunca seria perfeita como a irmã. O som da guitarra do vizinho invadiu seu quarto, a consolando de alguma forma e ela sorriu. Não tivera a chance de conhecer seu vizinho, mas desde que se mudara, o ouvia tocar e tentava imaginar como ele era… Talvez, loiro, rebelde e sexy como Kurt Cobain? Ou moreno com cabelos longos, todo vestido de preto como um típico metaleiro, ou… Ruivo com um sorriso malicioso. — Deus me livre! — Neelam se virou, afundando a cabeça no travesseiro. Os próximos dias transcorreram naturalmente no colégio. Neelam evitou cruzar o caminho de Gillian e também o de Duke, preferindo passar mais tempo com Kendall. Ela o convidou para jantar em sua casa e ele aceitou. Neelam vestiu um vestido branco estampado com bolinhas vermelhas, calçou um par de sapatilhas e pôs uma tiara vermelha na cabeça. Ela não gostava de usar muita maquiagem, por isso, sempre optava por um batom de cor clara ou um brilho labial. Ao ouvir a campainha tocando, desceu as escadas correndo. Quando chegou na sala, sua mãe estava recebendo Kendall e uma garota que ela ainda não conhecia. Neelam se aproximou exibindo um sorriso tímido. — Boa noite, Neelam? Espero que não se importe por eu ter trazido minha irmã, Juno. — Disse Kendall, sem graça. — Não. Não me importo. — Disse Neelam, disfarçando. — Hã, oi? Estava ansiosa para conhecer a amiga do meu irmão! — Falou Juno sorrindo. — É um prazer. — Neelam disse. — Bem, eu preciso voltar à cozinha, mas fiquem à vontade, crianças. — Mikaela disse antes de deixá-los a sós. — Por favor, sentem-se? — Disse Neelam a Kendall e Juno. Eles se sentaram e os três se encararam em silêncio por um tempo, até Juno quebrar o gelo. — Tem uma casa linda! — Obrigada! — Respondeu Neelam. — E o seu jardim é um sonho! Invejo você! Ken e eu moramos em um apartamento minúsculo. Não é a mesma coisa que morar em uma casa grande com porão e jardim. — Falou Juno. — Nós temos um gato, uma tartaruga e alguns peixes. — Disse Kendall. — Oh, sim! Azazel, o gato. E Amy, a tartaruga. — Falou Juno. — Azazel?! — Repetiu Neelam encarando Juno curiosa. Por que alguém poria o nome de um demônio em um gato? — Minha irmã gosta de coisas sobrenaturais, como bruxas e demônios. — Disse Kendall, ao perceber que Neelam parecera pouco à vontade de repente. Juno revirou os olhos. — O que ele quer dizer é que eu sou uma adepta da Kaos Magick! — Falou Juno. — Acho que já li algo a respeito uma vez. Vocês trabalham com tulpas, é isso? — Disse Neelam. — Servidores Astrais é o termo correto. — Falou Juno. — Deveria experimentar essa forma de magia para atrair coisas boas para a sua vida. — Como o quê, por exemplo? — Perguntou Neelam. Juno sorriu e respondeu: — Isso o que você secretamente deseja. Neelam sentiu um arrepio. Aquela garota era estranha e quando a encarava, era como se pudesse ver sua alma.

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