Um CEO na minha vida
Capítulo 1 Acidente

Era mais uma tarde linda de verão em Joanesburgo. O céu estava azul, o sol brilhava intensamente, e as ondas batiam suavemente na praia. O vento, fresco e suave, trazia consigo o cheiro do mar, criando a atmosfera perfeita para o último dia de férias da família. Benício  _Corre, mamãe!_ Sophie olhou para o filho, um menino cheio de energia, de pés descalços, correndo em direção à água. Sophie  _Benício, não corra muito, cuidado com o mar!_ Ela sabia que ele amava o oceano, mas, como mãe, sempre estava preocupada com sua segurança. Seus olhos seguiam o movimento de Benício quando, de repente, ela foi tirada do chão por mãos familiares. Narração  Você está distraída olhando seu filho, quando seu marido, Vittorio, te pega no colo de forma divertida. Vittorio  _Corre, mamãe! É o nosso último dia de férias!_ Ele riu enquanto a girava no ar. Sophie soltou uma risada surpresa, segurando-se em seu pescoço. A brincadeira leve e cheia de carinho era uma de suas marcas. Luna, sua filha mais velha, correu logo atrás. Luna  _Olha, mamãe! Eu pareço uma sereia!_ Ela se atirava no mar com graça, tentando imitar uma sereia. Suas risadas enchiam o ar de alegria. Benício  _Eu sou um tritãozinho!_ O pequeno Benício gritava, seguindo a irmã na água, enquanto Sophie olhava para eles, seus dois filhos, sentindo o coração cheio de amor. O dia na praia foi marcado por brincadeiras, construções de castelos de areia, e muitas risadas. Quando o sol começou a se pôr, era hora de voltar para a casa de praia. A despedida daquele cenário paradisíaco era sempre difícil, mas a promessa de voltar no próximo verão suavizava a tristeza. Benício  _Já acabou? Eu queria ficar mais._ Luna  _Eu também, mamãe! Podemos voltar?_ Sophie sorriu ao ver o brilho nos olhos dos filhos. Eles sempre amaram aquele lugar. Sophie  _Vamos voltar no próximo verão, meus amores. Agora vão dormir, pois sairemos amanhã bem cedinho._ Ela beijou cada um na testa, os cobriu com o lençol leve e, silenciosamente, saiu do quarto, fechando a porta atrás de si. No quarto de casal, Vittorio já estava deitado, apenas de cueca boxer, com um livro nas mãos. Ao ouvir Sophie entrar, ele colocou o livro no criado-mudo e tirou os óculos. Vittorio  _Eles já dormiram?_ Sophie  _Já sim, estavam exaustos._ Vittorio abriu as pernas e fez sinal para que ela se sentasse entre elas. Sophie se aconchegou, sentindo o calor familiar de seu corpo. Ele afastou seus cabelos e começou a massagear seus ombros com carinho, depositando beijinhos leves em sua nuca. Vittorio  _E você? Também está exausta?_ Sophie  _Muito! As crianças estavam agitadas._ Vittorio  _Elas estavam animadas. É o nosso último dia de férias... vou sentir falta disso._ Sophie  _Querido, nas próximas férias voltamos, como sempre fazemos._ Vittorio  _Você tem razão..._ Sophie percebeu uma leve mudança no tom de Vittorio, um ar de preocupação pairava sobre ele. Sophie  _O que foi, Vittorio? Por que ficou triste?_ Vittorio  _Nada... é bobagem. Só estava pensando que espero sempre ter condições de manter essa tradição, de voltarmos aqui onde nos noivamos. Isso é especial para mim._ Sophie  _Claro que vamos voltar! Quem sabe com mais um filho..._ Os olhos de Vittorio se iluminaram ao ouvir aquilo. Ele já vinha pensando nisso, mas não sabia se Sophie estava pronta para mais um bebê. Vittorio  _Sério? Eu adoraria! Já estava pensando nisso, mas não sabia se você ia querer._ Sophie  _Claro que quero, por isso me casei com você. Somos uma equipe._ Vittorio  _Então está decidido. Vamos aumentar nossa família._ Sophie  _Vou parar de tomar a pílula._ Vittorio sorriu e, sem dizer nada, abraçou Sophie, a envolvendo em um carinho silencioso e significativo. Eles passaram o restante da noite trocando carícias, conversando sobre o futuro, e aproveitando os últimos momentos de suas férias. Na manhã seguinte, Sophie acordou primeiro. O sol ainda estava começando a iluminar o horizonte. Ela se levantou cuidadosamente, tentando não acordar Vittorio, e começou a se arrumar para a viagem de volta. Enquanto se olhava no espelho, Vittorio se levantou, sorrindo ao vê-la. Vittorio  _Bom dia, querida! Você está radiante._ Sophie  _Obrigada!_ Antes que pudessem continuar, as crianças entraram correndo no quarto e se jogaram na cama. Benício  _Estamos prontos!_ Sophie  _Bom, então é isso, pessoal. De volta à rotina._ Luna  _Prometem que vamos voltar no próximo verão?_ Vittorio pegou as crianças no colo, sentindo o peso leve deles, e sorriu. Vittorio  _O papai promete que vamos voltar. Aqui sempre vai ser o nosso refúgio, foi onde eu pedi a mamãe em casamento._ Ele fez uma pausa, observando os rostos atentos dos filhos. Vittorio  _Quero que vocês continuem essa tradição, mesmo depois de grandes. Certo?_ Luna  _Certo, papai._ Benício  _Combinado, capitão!_ Sophie não resistiu e se jogou no meio deles. Sophie  _Agora, abraço de ursooo!_ Todos riram e se abraçaram, sentindo o calor da família. Após esse momento de união, eles começaram a organizar as malas no carro, se preparando para pegar a estrada de volta. A viagem começou tranquila. As crianças cantavam no banco de trás, animadas e felizes, enquanto Sophie e Vittorio conversavam sobre as memórias das férias. O clima no carro era de leveza, até que, de repente, em uma curva perigosa, Vittorio perdeu o controle do veículo. O carro capotou. Tudo aconteceu em questão de segundos. Sophie sentiu o mundo girar ao seu redor. Seu coração disparou, seus ouvidos zuniram, e seu corpo ficou completamente fraco. Ela ouvia gritos, mas não conseguia reagir. Seu corpo parecia cair em um abismo escuro e profundo. Quando finalmente abriu os olhos, Sophie estava em um quarto de hospital. A luz fraca da manhã entrava pela janela, e sua mãe, Luzia, estava ao seu lado, segurando sua mão. Sophie  _Mamãe? E as crianças?_ Luzia  _Estão bem, querida. Não se machucaram._ Sophie suspirou aliviada, mas algo ainda a perturbava. Sophie  _E o Vittorio?_ Sua mãe ficou em silêncio por um instante. O coração de Sophie apertou. Sophie  _Mamãe, onde está o Vittorio?_ Luzia  _Sinto muito, querida..._ E naquele momento, Sophie soube. O vazio se instalou em seu peito, e as lágrimas rolaram silenciosamente por seu rosto.

Capítulo 2 A vida é um sopro

Luzia - Vittorio não resistiu! Sophie - Não, não... Isso não pode ser verdade, ele estava do meu lado! - Minhas palavras saem sufocadas, e sinto o mundo desabar sobre mim. Narração Minha mãe se aproxima e me envolve em um abraço apertado, tentando me consolar. O calor familiar dela deveria me acalmar, mas o vazio que sinto é imenso, e nenhuma palavra parece suficiente para preencher o buraco que a morte de Vittorio deixou. Luzia - Você precisa ser forte pelas crianças, Sophie. Elas vão precisar de você agora mais do que nunca. Sophie - E quem vai ser forte por mim? - Sinto minha voz tremer, como se cada palavra pesasse toneladas, carregada de desespero e solidão. Luzia - Oh, meu bem... - Ela faz uma pausa, seus olhos brilham de tristeza, mas ela se mantém firme. - Você não faz ideia do quanto isso dói em mim também. Perder um genro que amava como um filho... Sophie - Eu só tinha ele, mãe... e ele só tinha a mim. Como vou fazer agora? - As palavras mal conseguem sair. A ideia de enfrentar o futuro sem Vittorio me parece impossível, um pesadelo do qual não consigo acordar. Luzia - Nós vamos dar um jeito, filha. Mas você precisa reagir, por eles. Seus filhos precisam de você agora mais do que nunca. Sophie - Você tem razão... - Tento respirar fundo, mas o ar parece não entrar. - Me dê alguns minutos. Narração Enxugo as lágrimas com a manga da blusa, tentando me recompor. Minha mãe me olha com compreensão, acenando com a cabeça, e sai do quarto em silêncio, me deixando sozinha com minha dor. Sophie - Minha mãe está certa... - sussurro, sentindo o peso das palavras sobre mim. - Preciso ser forte... Meus filhos precisam de mim. Sophie - Mas como vou fazer isso? Eu não trabalho... A herança de Vittorio vai demorar para ser liberada. Como vou sustentar as crianças? - Me sinto sufocada. O peso da responsabilidade, a ausência dele, tudo parece me esmagar de uma vez só. Narração Minha mente vagueia, perdida em pensamentos sobre como as coisas chegaram a esse ponto. De repente, a porta se abre e Luna e Benício entram no quarto, interrompendo minha espiral de pensamentos. Luna - Mamãe! Narração Meu coração se aperta ainda mais. Não posso deixar que eles vejam minha dor. Coloco o melhor sorriso que consigo forçar no rosto. Sophie - Oi, meus amores... Vem aqui, a mamãe quer dar muitos beijos. Narração As crianças correm até mim e pulam na cama, enchendo-me de abraços e beijos. Tento por um instante acreditar que tudo está bem, que nada mudou, mas a verdade é como um soco no estômago. Benício - Mamãe, você está bem? Sophie - Estou, sim, meu amor. Logo vamos para casa. Sophie - E o papai? - Luna me pergunta com aqueles olhos grandes, cheios de inocência, sem entender o que está acontecendo. Narração Sinto meu corpo travar. Não sei como responder. Olho para minha mãe, que me observa da porta, esperando que eu diga alguma coisa. O ar parece faltar, e por um segundo acho que vou desmoronar. Sophie - Seu papai? Lembra quando contávamos as estrelas no céu? Benício - Sim, mamãe. Sophie - Então... - Respiro fundo, tentando manter a calma. - Seu papai virou uma linda estrelinha agora. Luna - Mas ele foi embora sem a gente? Narração Minha garganta se fecha. Tento segurar o choro, mas as lágrimas ameaçam escapar. Não posso fraquejar. Sophie - Sim, meu amor, ele foi embora... Mas sempre que você sentir saudades, basta olhar para o céu. A estrela mais brilhante será ele, cuidando de nós. Luna - E como vai ser sem o papai agora? Sophie - Nós vamos seguir em frente, como ele gostaria. - Sinto uma mistura de tristeza e esperança enquanto digo isso, como se tentar acreditar nas minhas próprias palavras pudesse de alguma forma torná-las verdadeiras. Luzia - Fiquem lá em casa por um tempo, Sophie. Vai ser melhor para todos. Sophie - Não, mãe... Eu preciso ficar aqui e organizar tudo. - Faço uma pausa, tentando encontrar forças. - Chegou a hora da Dra. Sophie entrar em ação. Narração Como advogada, sei que preciso lidar com toda a parte burocrática, apesar de a dor parecer me paralisar. Eu preciso reagir. Preciso cuidar das crianças, da casa, do futuro. Narração O dia do funeral chega e, com ele, uma onda de realidade se instala sobre mim. As crianças estão cabisbaixas, segurando minhas mãos, e eu já chorei até sentir que não havia mais lágrimas em mim. A casa está cheia de amigos e familiares, mas nada parece aliviar o peso da perda. Sophie - Alguns amigos da faculdade vieram... - murmuro, observando rostos conhecidos. - Não entendo como isso tudo aconteceu tão rápido. Narração Antes que eu consiga me perder nos pensamentos novamente, uma batida suave na porta me tira do transe. Jessica, minha amiga de longa data, aparece. Jessica - Está pronta? Sophie - Só um minuto, já vou descer. - Tento respirar fundo, mas tudo dentro de mim parece pesado demais para se mover. Jessica - Jack acabou de chegar. - Ela me observa com cautela, sabendo o que esse reencontro pode significar. Sophie - Jack? Ele veio? - Minha mente automaticamente volta para o passado. Eu e Jack... Faz tanto tempo. Jessica - Achei melhor te preparar para esse encontro. Narração Jessica dá um leve aceno e se afasta. Tento me recompor, ajustando o vestido, respirando fundo. Preciso parecer forte, mesmo quando tudo dentro de mim está desmoronando. Sophie - Jack veio... Depois de tudo, ele realmente veio. - A memória dos dias com Jack me invade. Eu estava com ele quando conheci Vittorio. Jack foi um bom namorado, mas nunca foi o amor da minha vida. Narração Desço as escadas, me sentindo observada por todos na sala. Minha mãe é a primeira a se aproximar. Luzia - Querida? - A preocupação está clara em seu rosto. Sophie - Estou bem. Vamos acabar logo com isso. Narração Em seguida, minha meia-irmã, Ester, se aproxima. Ester - Irmãzinha... Meus pêsames. Sophie - Obrigada. Narração Ela me abraça, de maneira breve e formal, com um tapinha nas costas que me parece frio. Há tanto entre nós que nunca foi dito. Ester - Papai não pôde vir, ele... Sophie - É melhor assim. Eu teria que expulsá-lo. Narração Jessica, percebendo a tensão, tenta aliviar o clima com seu jeito animado. Jessica - Agora é a vez da melhor amiga. Vem cá, minha linda. Narração Ela me puxa para um abraço caloroso. Me permito um sorriso, mas logo ouço alguém pigarrear atrás de mim. Viro-me e vejo Jack. Jack - Sophie... Meus pêsames. Sophie - Jack... - Tento manter a compostura. - Obrigada. Jack - Posso te dar um abraço? Sophie - Claro. Narração O abraço dele é firme, mas carrega memórias que eu achava ter deixado para trás. Jack foi importante, mas nunca foi o que Vittorio foi para mim. Jack - Sabe, Sophie, é difícil admitir, mas Vittorio era um homem bom. Acho que é por isso que eu o odiava. Narração Benício, ao ouvir isso, reage imediatamente, chutando a canela de Jack. Jack - Ai! Garoto! Sophie - Benício? Benício - Ninguém fala mal do meu pai! Sophie - Meu amor, ele não falou mal. Ele estava elogiando seu pai. Benício - Mas ele disse que odiava o papai! Jack - Está tudo bem, Sophie. Desculpa, garotão. Narração Benício ainda olha para Jack com raiva, mas obedece a mim, mesmo sem querer. Sophie - Benício... peça desculpas. Benício - Desculpa. Luzia - Ótimo. Vamos logo, já está na hora. Narração O velório e o enterro são insuportavelmente dolorosos. Me ajoelho diante do túmulo de Vittorio, as crianças ao meu lado, e sinto que meu coração está se partindo em mil pedaços. Sophie - Por que, meu amor? Por que isso aconteceu? Estávamos tão felizes... Narração As lágrimas finalmente caem livres, e me permito dizer adeus. Seguro um punhado de terra nas mãos e o deixo cair sobre o caixão. Vittorio agora é parte do universo, como as estrelas que prometi às crianças que representariam ele. Cada grão de terra que esfarela entre meus dedos me lembra de que ele se foi, que sua presença agora é apenas memória e saudade. Fico ali ajoelhada, segurando a terra, enquanto as lágrimas finalmente caem livres. As crianças, sem compreender completamente, estão perto de mim, olhando para baixo. Sinto o vento passar levemente por nós, como se fosse um último sussurro de Vittorio. É difícil acreditar que nunca mais ouvirei sua voz, seu riso. Nunca mais o sentirei ao meu lado. Depois de alguns minutos, sinto uma presença ao meu lado. Levanto o olhar e vejo Jack, que não disse uma palavra durante o funeral, mas agora está ali, em pé, ao lado do túmulo de Vittorio. Sophie - Jack... O que você faz aqui? O funeral já acabou, todos já foram embora. Jack - Precisamos conversar, Sophie.

Capítulo 3 Uma oportunidade.

Sophie Aqui, agora? Jack Tem uma lanchonete aqui em frente. Sophie Vamos então... Sophie Jack, o que você quer comigo? Jack Primeiro, deixa eu te pagar um lanche. Aposto que não comeu nada, Sophie. Sophie Você me chamou para conversar ou para comer? Jack Nossa... não precisa me responder assim. Sophie Você quer que eu te responda como? Sophie Acabei de perder o meu marido, tenho dois filhos para sustentar e você desperdiçando o meu tempo. Jack É exatamente por isso que quero conversar... Jack Estou me mudando para cá, quero estar perto de você nesse momento. Quero te ajudar no que for preciso. Sophie Eu agradeço, mas não precisa. Eu me viro sozinha. Narração Jack pega na sua mão e acaricia por cima da mesa. Jack Eu sei que você é forte e consegue se virar, mas é bom ter um amigo por perto. Sophie Se você quiser ficar perto, não vou te impedir, mas é somente como amigo. Jack Eu sei. Você acabou de perder seu marido; seria muita canalhice da minha parte. Sophie Se já disse tudo, tenho que ir. Preciso pegar as crianças com a Jessica. Jack Manda um abraço para ela. Sophie Você sabe que ela te odeia, né? Jack Pelo menos te fiz sorrir. Narração Mesmo Jack sendo gentil, as palavras dele fazem você se sentir culpada. Culpa por estar sorrindo nesse momento de tanta dor. Sophie Adeus, Jack, e boa sorte na mudança. Jack Sophie, Sophie... você mal sabe o que te espera. Narração Sophie volta para casa, onde Jessica e sua mãe estão. Cheguei. Jessica Grr... o que Jack queria? Eu vi ele se aproximando quando estávamos vindo embora. Sophie Nada demais, ele vai voltar a morar no bairro. Onde estão as crianças? Luzia No quarto, querida. Narração Você sobe até o quarto para ver seus filhos, que estão brincando. Benicio Mamãe! Sophie Oie, meus amores, como vocês estão? Luna Sinto falta do papai. Sophie Eu também sinto... Sophie Mas, vocês lembram que o papai gostava de ver a gente sorrindo e brincando? Vamos continuar sendo assim. Benicio Sim, mamãe, pelo papai. Narração Alguns dias depois... Narração Depois do funeral e alguns dias de luto, você decide visitar sua mãe. Sophie Vou vestir algo confortável... Narração Você escolhe uma blusa leve de algodão em tom pastel e uma calça jeans escura que valoriza sua silhueta. Para completar, um par de sapatilhas confortáveis que te permitem caminhar com facilidade. Ao olhar no espelho, você se sente um pouco mais confiante, mesmo que a tristeza ainda te acompanhe. Narração Ao chegar na casa de sua mãe, ela lhe puxa para uma conversa agradável no final da tarde, tomando um delicioso chá. Luzia Como as crianças estão lidando com tudo isso? Sophie Até que estão lidando bem. Vão voltar às aulas amanhã. Luzia E você? Sophie Não sei se vou conseguir superar. Tudo me faz lembrar dele. Sophie As coisas estão ficando complicadas. Estou tentando agilizar a papelada do testamento. Sophie Mas até hoje não saiu nada. Preciso voltar a trabalhar. Luzia É uma ótima ideia. Nunca entendi você ter largado sua carreira. Sophie Eu já disse que minha prioridade era os meus filhos. Não queria deixar eles com babá ou em escola; eu queria cuidar deles. Luzia Eu priorizei minhas filhas e onde eu acabei? Sophie É diferente, mamãe. O traste do seu marido não se compara ao Vittorio. Sophie Vittorio me deu todo apoio e nunca nos deixou faltar nada. Ele nunca me proibiu de trabalhar; foi uma decisão minha. Luzia Você não foi inteligente. A pior coisa que tem é depender de homem. Sophie É? Porque você não se ouve então... e vai trabalhar? Luzia Quem vai dar emprego para uma velha? Eu só não quero que você termine como eu. Sophie Eu vou voltar a trabalhar, não se preocupe. Sophie Apesar de não ter muito o que colocar no currículo. Sophie Além de ser formada com honras e ter trabalhado em um escritório de advocacia por pouco tempo. Ester Eu ouvi que você precisa de emprego? Narração Sua meia-irmã beija sua mãe e senta ao lado dela. Ester Onde eu trabalho tem uma vaga. Posso tentar algo para você. Sophie Você faria isso por mim? Nossa... muito obrigado. Ester Vou ligar para o Mariano. Narração Sua irmã sai para fazer a ligação. Luzia Ela fala desse Mariano há dias. Sophie Quem sabe ela não sossega de vez. Luzia Seu pai gostou dele. Mariano é o CEO da empresa. Você sabe como seu pai tem tendência a gostar de gente que tem dinheiro. Sophie Ele não é meu pai! Luzia Foi ele que te criou. Você deveria ser pelo menos agradecida e em troca tentar se dar bem com ele. Sophie Desculpa, mamãe, eu te amo muito, mas o seu marido não presta. Não me pedi algo impossível. Luzia Essa vai ser minha maior tristeza: meu marido e minha filha não se dão bem. Narração Antes mesmo de responder, Ester retorna com um sorriso triunfal. Ester Consegui! Mariano aceitou! Você pode ir fazer a entrevista amanhã mesmo. Luzia As coisas estão começando a dar certo. Tenho certeza que vai conseguir o emprego. Sophie Eu espero. Então amanhã eu vou procurar por quem? Ester Ah, sim, procura a Olivia do RH. Sophie Obrigada, maninha. Narração Você corre e abraça Ester. Ester Calma, vamos comemorar depois que você conseguir o emprego. Luzia Ela vai conseguir. Ester Mudando de assunto... Sabe do Jack? Sophie Não, por que? Ester Por nada. Encontrei com Jessica hoje. Ela me disse que ele vai voltar. Sophie Vai sim, mas não tive mais contato com ele desde o funeral. Sophie Bom... o papo está bom, mas é melhor eu ir. Tenho que arrumar uma roupa para a entrevista. Ester Eu sei que está correndo, para não encontrar com o meu pai. Sophie Inclua isso na lista também. Narração Você levanta rindo da situação e vai pegar as crianças. Sophie Benicio, Luna? Vamos... Narração Quando está pronta para sair, seu padrasto abre a porta. Antenor Olha só quem está aqui?

Continuar lendo