Júnior parou o carro na vaga exclusiva, juntou a bolsa, carteira e celular. Fazia horas que havia desembarcado em Marília, as poucas coisas ainda estavam em caixas, e a mãe, Dona Flor não aguentava mais a correria de mudar-se constantemente. Pelo menos ela havia gostado do clima quente, dizia que os nervos debilitados doíam ainda mais no clima frio. - Bom dia. - Passou pela recepcionista alta e morena. - Bom dia, Doutor. Chamou o elevador, e quando esse se abriu, a mesma funcionária lhe encarou, com um sorriso no rosto. - Quanto tempo, Doutor. - Bastante, Maria. - Ele enfiou as mãos nos bolsos. - Estou até com uns fios brancos. - Ah Doutor, cabelo branco em rico é charme. - Ela deu de ombros, a mulher não sorria para mais ninguém. O elevador parou no décimo andar, era como voltar ao tempo em que o melhor amigo entrou ali sentenciado a morte, e a agonia de olhar para a cadeira onde Ingrid sentou o fez engolir em seco. Júnior encarou a placa com seu nome, Doutor José Carlos Alcântara. Passou os dedos na plaquinha de ferro, orgulhoso por todo o caminho que traçou até ali. Ao entrar, o cheiro da limpeza o rodeou. - Doutor? Ele virou-se rapidamente para ver uma moça morena, era carrancuda também, usava o famoso terninho feminino. - Você é a? - Nadine, sua nova secretária. - Ela o encarou friamente. - Ah sim, ótimo. Nadine era intimidadora, baixinha e carrancuda. Não era feia, longe disso, mas também não sorria. O que o levou a procurar as mãos dela. - Sou noiva, Doutor. - Ela manteve o olhar nele. - Caso em um ano. - Meus parabéns então. Bom, eu acho que vou começar a me organizar aqui, tenho algumas visitas a fazer pelo projeto. - Estarei a postos. Com licença. Que mulher amargurada. Pensou ele enquanto sentava-se na poltrona. Júnior buscou o celular e digitou, colocou no ouvido e esperou ser atendido. - Fala boneca. - Oi princesa, acabei de chegar no hospital. - Júnior esticou as pernas em baixo da mesa. - E adivinha? Alguém me contratou um carrasco. - Queria o quê? Uma dançarina? Júnior você tem que ir a caça cara, daqui a pouco a Maria Helena arruma um namorado e você aí. - Primeiro de tudo. - Júnior encarou o céu limpo para fora da janela. - Maria é uma bebê do padrinho, e sabe que caso aconteça, eu posso limitar o garoto, ou garota. Depois, eu não sou velho, ainda não. Fernando riu do outro lado da linha. Era um alívio para Júnior ouvir essa risada e saber que tudo se resolveu, e que o amigo era feliz. - Aproveita o clima do interior, bota essa bunda branca para bronzear. - Fernando aguardou o amigo parar de rir. - Lembre-se que foi aí que encontrei minha esposa. Minha eterna namorada. Luiza. José Carlos sentiu um aperto no peito. Porque tinha de ter aquele sentimento por ela? Engoliu em seco sentindo a empolgação acabar. - Nando, vou cuidar da minha vida. Sei que está fazendo das unhas, pinta de rosa dessa vez. - Com toda a certeza, minha manicure já escolheu um bem chamativo. Ele encerrou a ligação, pensativo nas palavras do amigo. Não era um velho ainda, mas também não tinha mais tempo para se dar ao luxo de sofrer ou iniciar tudo o zero de novo. - Foda-se. Preciso de uma mulher, depois vejo se darei chance ao amor. (***) - Benjamin, tem dez anos. - Eu posso responder por mim, mãe. - O menino pálido endireitou a cabeça. - Me chamo Benjamin, e faz uma semana que completei dez anos. Junior viu muito de Fernando no menino, até mesmo as covinhas nas bochechas manchadas. - Ben, tem um jogo no meu celular, e não sei como passar o nível, pode ver se consegue? - Júnior procurou em seu aparelho e o entregou ao garoto. - Enquanto isso, vou pegar um suco para nós, aqui é muito quente. A sua mãe pode ir comigo? O menino deu de ombros, a concentração estava totalmente no jogo. Júnior se afastou do quarto, parou em uma recepção pequena, totalmente infantil e estendeu a mão para a senhora se sentar. - Ana Cláudia, acho que tem noção da situação do seu filho. O sorriso da mulher morreu ali. Ana Cláudia era forte na frente do filho, os olhos com poças negras em baixo denunciavam o cansaço físico e mental dela. A mulher respirou fundo, os olhos inundados de lágrimas por cair. - Eu sei, Doutor. - Abaixou a cabeça. - Meu menininho está muito mal. - E o pai dele? Ainda não tive a oportunidade de vê-lo. - Meu marido não aceita a situação dele, prefere vir pouco e volta para casa. Mas eu sei que no fundo está pior que eu. - Olha, pela situação do Benjamin, vamos iniciar os tratamentos paliativos, infelizmente ele está em estágio terminal, os rins estão apresentando falência, o tumor no estômago está crescendo bastante e fora encontrada metástase nos pulmões. Eu lamento muito Ana, queria lhe dar outra notícia. - Quanto tempo? - Quando ela levantou os olhos, Júnior precisou colocar em prática tudo o que aprendeu com os anos em sua profissão. - Impossível te dizer Ana, mas podem ser meses, semanas ou até mesmo anos. Dê tempo a ele, faça o que ele deseja, construa memórias. Ana Claudia voltou a se encolher, em pouco tempo os ombros se sacudiam pelo choro dela. E isso destruía qualquer homem grande. Júnior se levantou, afagou o ombro da mulher e voltou ao quarto. - Cadê a minha mãe? - Ben olhou pela abertura da porta. - Está vindo amigão. Conseguiu? - Consegui, isso é jogo de bebê. - O menino devolveu o celular á ele. - Obrigado Ben, agora vou visitar outros quartos. Ele brincou um pouco com a mão do menino, apertando naquelas saudações de menino. O deixou no quarto e ia encostar a porta quando Ben o chamou: - Doutor? - Sim? - Júnior o olhou por cima do ombro. - Não conta para a minha mãe, mas eu sonhei que estava partindo. Júnior deixou o quarto dele com um sentimento estranho de perda. Sentindo-se impotente rumou para o outro lado daquele andar recheado de histórias tristes. Parou frente a porta meio aberta, bateu e entrou. A menina devia ter seus quinze anos, ainda não estava careca de todo, mas o cabelo ralo denunciava a progressão dos tratamentos. - Marion Nascimento Gonzales? - Ele entrou no quarto. A menina desligou a tela do celular e o encarou, os olhos esverdeados brilharam. - Eu sou o Doutor José Carlos, tudo bem? - Estendeu a mão e quando ela o aceitou a levou aos lábios. - Onde está seu responsável? A menina emudeceu, estava pensando em uma desculpa quando olhou além dele. - Ali. - Apontou. José Carlos virou o rosto e viu passar pela porta uma mulher jovem, era como a menina, com os mesmos cabelos, só que fartos e longos, olhos esverdeados e boca pequena. - Lillian, esse é o Doutor José Carlos. Tenha educação e se apresente a ele. - Me desculpa Doutor, eu precisei sair às pressas, - Ela estendeu a mão para ele. - Sou a irmã mais velha da Marion. Lillian.
- Eu tenho quinze anos. - Marion ergueu o queixo, havia um brilho no olhar dela, quase como uma chama viva. - Moro com a minha irmã desde que nossa mãe morreu. Lillian engoliu em seco, os braços estavam cruzados enquanto encarava a irmã falando como uma quase adulta. - Nossa mãe faleceu em confronto contra bandidos. - Ela encarou o médico a sua frente. - Desde então somos eu, e a papagaia. - Mari posso te pedir um favor? - José Carlos tirou o celular do bolso. - Já sei, eu não vou jogar esses joguinhos bestas, mas vocês podem conversar lá fora, não gosto que falem de mim enquanto eu observo de longe. Ainda não morri. Mari voltou a mexer no celular, Júnior saiu do quarto, seguido pela irmã mais velha, a levou para o mesmo infeliz lugar que Ana tinha sido informada sobre a morte iminente do filho. - Ela sabe o que está acontecendo? - Ele cruzou os braços frente ao corpo. - Sabe, preferi ser sincera desde o início. Marion sabe que está piorando, e que pode morrer. Se perguntar, ela mesma diz que tem Leucemia Moelóide aguda, conta como descobriu, e o tratamento feito até agora. - Quanto tempo está em tratamento? - Minha mãe morreu na semana que descobrimos essa doença, já faz dois anos. Acabei vendendo tudo e viemos para cá logo em seguida. A Mari adora a natureza e.. - Lillian emudeceu, a expressão ficou dura de repente. Não iria chorar na frente de um estranho. - Ela me pediu para ter um cavalo, queria montar em um antes de morrer. Ainda estamos vendo isso. - Eu sinto muito, sei que foram transferidas para cá, e vamos fazer o possível para tratá-la. É um tratamento agressivo, mas ela tem chance de viver. Recebi a ficha dela antes de vir para cá. A oncologista pediu transferência para a Alemanha, mas deixou tudo organizado. - A Doutora era ótima com a Mari. – Lillian o respondeu. - Obrigada Doutor. Lillian tinha um olhar duro, era como se quisesse descobrir todos os pecados dele olhando-o dentro dos olhos, sem desviar, ou corar. Ela não parecia ter emoções, nem se abalou como algumas mulheres costumavam. - Vou fazer visitas regulares a ela. Quero que esteja presente, sua irmã é de menor e se a assistente social ficar sabendo, pode complicar a situação de vocês duas. Pelo que a conheço, aquela mulher é um porre. - Não vai acontecer, Doutor. Não durante o dia. Lillian se levantou, os ombros curvados de cansaço, deixou o médico sentado, petrificado no corpo torneado e postura dela. Voltou a quarto destruída, lembrou-se do pedido da mãe, enquanto o sangue esvaía de seu corpo, respirou fundo e entrou no quarto, - Demorei? - Mari deu de ombros, concentrada no celular. - Presta atenção em mim, é falta de educação dar de ombros, sabia? - Tomou o celular das mãos da menina. - Não Li, não demorou, até achei que daria uns pegas no médico. - Mari deu uma olhada para a porta e voltou a encarar a irmã. - Sabia que ele é solteiro? Dei uma procurada no Instagram dele, tem umas três fotos, é um pedaço de.. - Chega Mari! - Lillian abriu o zíper da bolsa. - Trouxe o chocolate que me pediu, aqueles livros idiotas da garota princesa. - Seleção, e não é idiota. - Que seja bom mesmo, o box me custou os olhos da cara. - Lillian estendeu a mão com os livros e o chocolate em cima. - Coma com moderação. Se vomitar, vou dizer que roubou de mim, e lhe dar uns tapas na cara. - Quanto tempo eu tenho? - Todo o tempo do mundo Mari, agora leia, tem atividade da escola também. - Lillian notou o olhar afiado da irmã. - Ele não te deu prazo, falou apenas que o tratamento vai ser agressivo, e que vão fazer de tudo. - Estou ficando com o saco cheio disso, sabia? Meu corpo todo dói, cansei de ser furada todos os dias, dos vômitos, cansei. - Lembra o que a mãe disse na volta para casa? - Lillian encarou a irmã. - Você não vai ser enterrada antes dos oitenta anos. Nasceu na linhagem das Nascimento, vai lutar como uma. - Isso é porque vocês são Maria Machão, eu não. - A menina deu de ombros. Lillian acomodou-se na poltrona, estava cansada pela noite em claro e as horas de rondas constantes, os ombros doíam e os pés pesavam uma tonelada cada. Mas valia a pena, todo o treinamento ali, as horas em claro, tudo. Enquanto estivesse Marion, tudo valeria a pena. O pior para ela já tinha acabado. Pelo menos em sua carreira. (***) Era noite quando Júnior passou pelo portão da casa, parou o carro e viu que a luz da sala estava acesa. Entrou em casa sem fazer barulho, a mãe, Dona Flor, dormia como um anjo no sofá enorme. - Mãe. - Ele sacudiu a mãe com delicadeza. - Mãe, cheguei. - Júnior? - Ela abriu os olhos assustados. - Que horas são? - Dez horas da noite, vá para a cama, vou tomar um banho e me deitar também. Dona Flor subiu cambaleante, enquanto Júnior a seguia, pronto, caso ela caísse para trás. A deixou na porta do quarto, pediu a benção, como em todas as noites e rumou para o quarto. Precisou de um bom banho para conseguir relaxar, deitou-se na cama e repassou tudo. Desde Ben até a garota e a irmã mais velha. Algo nele, naquele momento o deixava inquieto. Talvez pela forma fria como Lillian o olhava, os olhos perdidos, lindos aliás, o fizeram querer impressioná-la. Ela era linda e forte. Se soubesse o poder da beleza que tinha, não seria tão mal humorada assim. Ele pegou no sono, tão logo mergulhou acordou, o celular despertando as seis horas da manhã. E como sempre, tomou um banho frio, arrumou-se com aquela vontade idiota de impressionar a garota estranha e obscura, passou no quarto da mãe e lhe desejou um bom dia. O trajeto para o hospital fora rápido, chegou cedo e logo recebeu o bom dia seco da secretária. As sete, começou as visitas. - Bom dia. - Entrou no quarto de Marion, de novo estava sozinha. - Onde está a sua irmã? - Daqui a pouco ela chega. - A menina deu de ombros. - Minha irmã é muito ocupada, sabe. - O que faz aí? - Ele apontou para o caderno. - Escrevendo algumas coisas. - Mari o encarou. - Quer ver? Ela estendeu o caderno e ele viu que era uma lista com coisas a fazer durante o dia. Anotações com recados para a irmã mais velha. - Meu amigo criou uma lista de desejos quando ficou doente. - Ele devolveu o caderno a menina. - Esperou ficar adulto para realizar todos eles. - Eram legais? - Para ele, sim. - Júnior deu de ombros. - Quem te ensinou esse tipo de lista? - Lillian. Quando nossa mãe morreu e ela precisou voltar para a academia de polícia e os treinamentos, era assim que organizávamos nosso dia. Ela me deixava recado, deixava os horários dos remédios e com a ajuda da tia Viviane, eu cumpria a todos. De noite, deixava recados para ela. Então Lillian era policial. Fazia sentido toda aquela postura dela, a negação em chorar na frente dele, e a forma como se arrumava. Como um homem. - Sua irmã é, policial? - Não diz que eu contei, é perigoso espalhar essa informação, sabe. A li estava terminando a academia quando a mãe morreu, eu fui a formatura. - Mari respirou fundo. - Posso te pedir um favor? - Claro. - José Carlos concordou com um movimento. - Agora não posso te falar porque ela deve estar chegando, antes de ir embora você pode vir aqui? Quero te pedir um favor. - Pedir o quê? - Lillian entrou no quarto, deixou a bolsa de lado. - Bom dia, Doutor José Carlos. - Bom dia. - Ele piscou para a menina. - Parece que a sua irmã quer tomar um sorvete mais tarde, e me pediu. - Que coisa feia Marion! - A irmã ralhou com ela. - Eu disse que faria, não briga com ela. Lillian, envergonhada fingiu procurar algo na bolsa, Mari piscou de volta e balbuciou um "Obrigada".
- Ele voltou a ter febre pela manhã, coletamos amostras do sangue. Júnior tirou o papel do envelope e o analisou, Benjamin apresentara uma piora significativa, havia uma infecção persistente no sangue, os rins já estavam em estado crítico. - Estão mantendo a diálise? – Ele virou o rosto para enfermeira. - Sim, Doutor. – A mulher manteve os olhos longe, envergonhada. - Ótimo. Vamos entrar com antibiótico agora. – Júnior pensou por um tempo, e voltou a falar. - Melhor ainda, transfiram o paciente para a UTI. - Sim, Doutor. Júnior deixou os exames na mão da enfermeira, se aproximou do quarto, Ana Claudia encarava o filho que dormia. Em pé na ponta da cama ela fungava baixinho, as lagrimas pingando no colchão e coberta do filho. - Ele está partindo, Doutor? - Ela virou o rosto para ele. - Venha comigo Ana, as meninas vão cuidar do Bem agora, acho que temos uns minutos. Júnior levou a mulher até a capela naquele mesmo andar. Não era grande como a que Fernando se casou com Luiza, mesmo assim era um santuário naquele lugar de sofrimento. Ele se sentou com a mulher ao seu lado. Ambos em um silêncio doloroso. Por fim, ele juntou as mãos e fez como Luiza, pedindo para quem quer que seja guia-lo naquele momento. Tinha de dar a notícia para a mãe e já se preparava para ser o apoio dela ali. - Eu rezei tanto. - Ela disse entre as lágrimas. - Dia após dia entro aqui e peço, e peço e peço. - Não á mal em pedir, Ana. - Era tudo o que podia falar. - Seja forte, comunique ao pai dele para vir, hoje pela noite vamos sedá-lo e entrar com os antibióticos para conter a infecção. Amanhã vou me reunir com a equipe e analisar se o Ben terá condições para continuar com os tratamentos, ou se deveríamos deixa-lo confortável de agora em diante. Ana chorou como criança, e no fim, quando não tinha mais lágrimas, se levantou e voltou para junto do filho. Ben já estava acordado em uma conversa com uma das enfermeiras do plantão, a febre persistia em continuar. Júnior se aproximou dele. - Como está se sentindo, Ben? - Com frio, - O menino engoliu com dificuldade. - Mas a dor passou depois que fui medicado. - Que bom. Vamos tratar a infecção. Me diz uma coisa Ben, o que você mais tem vontade nesse mundo? - Assistir um jogo no Mac. Meu pai prometeu me levar e nunca teve tempo. - Ben sorriu, as covinhas apareceram para afundar o peito de Júnior. - Se eu me curar, vou ser jogador. Ana lançou um olhar a Júnior, ele bateu na perna do menino, não era um desejo como ir à Disney, ou viajar. O menino só queria ir ao estádio da cidade e assistir uma partida do time da cidade. Era hora de entrar em contato com o pessoal do projeto. O dia passou rápido, Júnior se alimentou na sala, enquanto trabalhava. Por fim, pegou o telefone e ligou para Luiza. - Oi, Júnior. - Lu, como vai? - Estou bem, indo para uma conferência com a Cecilia. - Estamos perdendo um paciente. - Ele ouviu quando Luiza puxou o ar. Nunca era uma notícia fácil de dar. - Está em tratamento paliativo, os rins estão parando e hoje apresentou uma infecção no sangue. Fiz a pergunta á ele. - E aí? - Ele quer assistir um jogo em um estádio daqui. Disse que será jogador. - Ah Júnior, lamento muito. Eu já levei meu irmão ao Mac, realmente é um pedido simples, mas bonito. Todo menino daí, sonha em jogar pelo menos uma vez ali. - Luiza tinha pesar na voz. - Eu vou informar o pessoal, amanhã mesmo entramos em contato com a mãe dele. - Obrigada, Lu. Júnior encerrou a ligação, encarou o retrato dele com a família Olivar Smith. Até uns anos atrás eram somente Felix e Fernando. Agora, estavam crescendo tanto que a foto estava cheia, de rostos pequenos e sorridentes. A tarde chegou e Júnior se lembrou do pedido de Mari, vestiu o jaleco e tomou o elevador, estava tão distraído que não percebeu que ao fazer a curva, uma pessoa também a fez. Dando de frente com ele, chocando corpo contra corpo. Lillian praticamente se chocou com o peito de Júnior, sentiu as mãos dele segurando firme em sua cintura impedindo a queda, ao olhar para cima viu os olhos azuis que lhe tiravam a concentração em seu turno. O cabelo castanho deu uma leve bagunçada enquanto ele a mantinha presa em si. O cheiro dela era cítrico e doce. Ela engoliu em seco, o peito acelerado e os olhos presos nele. - Me. Desculpa, eu. - Eu não percebi que estava vindo. - Ele mantinha o aperto no corpo dela. Júnior tirou uma mão somente para ajeitar uma mecha do cabelo dela, eram macios e deslizaram pelos dedos dele, leves. Os pensamentos vagaram para algum momento envolvendo algemas, e olhos cobertos. Lillian se soltou do aperto dele, endireitou a postura, os olhos perderam o brilho enquanto assumia a policial dentro de si. - Tenha uma boa noite, Doutor. - Desviou os olhos para o corredor. - Até amanhã. - Sabe que não é o certo. - Ele disse, decepcionado pela quebra do encanto tão repentino e pela falta de agradecimento dela. - Eu sei, mas preciso mesmo ir. Ela só tem a mim, e o dinheiro da minha mãe não dá para quase nada. - Entendo. - Ele concordou. - Nesse caso, posso fingir que não te vi. Lillian o encarou, concordou com um aceno e partiu, caminhando rápido até demais. Entrou no carro contrariada, não queria sentir nada, era feliz servindo ao estado e cuidando da irmã. Quando queria sexo, recorria à Marcelo. Sua amizade cafajeste e colorida. Por falar nele. - Marcelo. - Lillian apertou o celular na mão gelada. - Vou passar na sua casa, preciso relaxar. - Sorte sua que estava indo tomar banho agora. - Me espera. No caminho para o batalhão, Lilian comprou camisinhas, já que o infeliz sempre dava a desculpa da mente cansada. Rumou para a casa do amigo sentindo-se estranhamente molhada. - Mas que porra. - Pensou alto. - Parece que nunca vi um par de olhos azuis, e um corpo bonito. Merda! Marcelo aguardava, encostado em seu portão, com uma mão na arma em sua cintura e outra na fechadura. Deu passagem para a amiga, duro só de imaginar a brutalidade dela na cama. Ao entrar, fechou a porta e prensou o membro na bunda de Lillian. - Está sentindo falta do meu pau? - Ele sussurrou, safado. - Hum. - Ela gemeu. - Não sei. - Toma um banho comigo? Lillian tirou a roupa no caminho até o banheiro, não ia contar sobre a situação da irmã, não queria chorar as mágoas. Queria gozar e tirar aquela impressão da mente. Marcelo tomou a boca dela com a sua, sentiu a língua quente de Lillian, logo separou as bocas e com a mão enterrada nos cabelos dela, a forçou a se ajoelhar. Lillian o abocanhou, engolindo todo o membro, sugando, repetiu os movimentos, enquanto Marcelo gemia enlouquecido. De todas as fodas, Lillian era a melhor. Ele estava por um fio quando ela se levantou e saiu do banheiro. Usou a toalha dele, mas não chegou a entrar no quarto quando fora envolvida pelos braços tatuados do amigo, amante. Marcelo a colocou debruçada na cama, deitou-se em baixo e passou a língua pela vagina molhada e desejosa. Ao ouvir os gemidos de Lillian, enfiou dois dedos em sua abertura, quente e molhada. Lillian começava a rebolar quando ele parou, se posicionou atrás dela, passou o pau pela intimidade molhada. - Camisinha. - Ela gemeu. - Porra, Lilli. - Agora Caralho! Está ali. - Ela apontou para a penteadeira. Muito a contragosto ele colocou, estava tão duro que colocaria uma sacola, se ela mandasse. Ao se aproximar desferiu um tapa forte na bunda redonda. Lillian jogou a cabeça para trás. Adorava sentir dor seguida do prazer de ser penetrada. Então, empinou a bunda ainda mais. Marcelo com aquela visão se tocou e sem avisos a penetrou, não na vagina, onde Lillian gostava. Sentiu o orifício apertado lhe envolver o pau e enfiou mais ainda. Viu que Lillian começou a se tocar, então estocou com força. Os gemidos dela se misturavam aos gemidos roucos dele. A bunda redonda estava vermelha pelas batidas, quando Lillian estava totalmente entregue ele tirou o pau e enfiou na vagina dela. Não demorou muito para Lillian o apertar, logo ele sentiu a abertura dela o apertar e relaxar. Marcelo sabia que não precisava de gentilezas com Lillian então socou, provocando o som do choque dos dois corpos, até se derramar nela com uma estocada forte e a cabeça jogada para trás. - Puta. Que. Pariu. Lillian. O que foi isso? Marcelo saiu de dentro dela, ia se livrar da camisinha, quando voltou Lillian já se vestia. - Sexo Marcelo. - Ela o encarou, um sorrisinho safado nos lábios. - Sexo bruto. - Depois dessa, eu tenho que me lembrar de me segurar para não machucar as mulheres. - Simples. - Ela deu de ombros. - Goza como um virgem. Depois de devidamente arrumados rumaram para o batalhão. Ali, Lillian deixava a garota de lado, e tornava a implacável, Soldado Nascimento.