PV Helena Whitley Atualmente Não acredito que Annie realmente me trouxe para o festival. Pensei que ela não cumpriria com sua palavra, mas me enganei. Estou pulando de felicidade sem conseguir me conter assim que começo a absorver tudo ao meu redor. Há pessoas para todos os lados, brinquedos e luzes brilhantes. A noite não parece noite, estou no céu no melhor lugar do mundo me esbaldo ainda mais em felicidade quando vejo o lobo mau ao longe. Largo a mão de Annie e corro em sua direção. - Wolf! - grito surpresa, pulando em seu colo. - Helena! - ele diz entre risadas, bagunçando meus cabelos. - Pensei que você não poderia vir. - Tento esconder minha surpresa. - Não tive nenhuma emergência hoje. Para a nossa sorte, entrei de férias, então serei todo seu. Não te liguei porque queria fazer uma surpresa para você. Sorrio e o abraço antes de descer do seu colo. - Por onde você quer começar? - pergunta. - Pela barraquinha de algodão-doce e depois roda-gigante - respondo, apontando para a barraquinha logo à nossa frente em seguida para a grande roda que gira rodeada de luzes de neon. - Algodão-doce? Por que será que eu desconfiei que você diria isso? Sua gulosa! - Wolf diz rindo. - Não sou gulosa, só gosto de comer - me defendo, sorrindo. - Muito, nem parece que tem onze anos. - Porque eu não tenho, estou com quase doze! - pisco para ele, que retribui sorridente. Pego em sua mão, o puxando para a barraquinha. Ele me entrega a guloseima, ainda rindo do meu algodão-doce e andamos para a fila que contorna a roda-gigante. - Tem certeza que quer ir aí? - pergunta Wolf, apontando para cima. Observo a roda girando lentamente, todos os lugares preenchidos elas olhavam absortas para o céu enquanto sorriam vendo o mundo de cima, eu quero me sentir grande como eles. - Sim, absoluta - olho em seus olhos animada e um pensamento me vem à mente. - Eu tinha me esquecido. - Levo minhas mãos para a testa. - De quê? - ele faz uma expressão confusa e um tanto engraçada, que me faz rir. - De que lobos têm medo de altura - rio, recebendo um olhar zangado de volta. - Vou mostrar que eu sou um lobo único, o tipo que gosta de altura - diz pegando o bilhete e dando para o moço que coordena a fila. Sentamos em uma das cadeiras e assim que os cintos de segurança estão presos, começamos a subir. É incrível. É mais incrível ainda com o Jake aqui.
PV Jake Wolf Passado 2 Anos antes... Odeio plantões de doze horas, porque sempre fica uma parte minha no hospital. A parte energizada fica na sala de cirurgia, e a parte cansada sai comigo para meu apartamento. Ela simplesmente me persegue até que esteja novinha em folha de novo, o que infelizmente hoje não poderá acontecer. Terei que ir direto para o aeroporto, pegar um voo para Houston e depois um táxi até a escola de Helena. E por último, quem sabe, procurar o meu irmão sumido. Irei pegar a minha Chapeuzinho e me distrair, depois voltar para a realidade. Sei que é estranho dizer que a vejo como uma pequena amiga, mas é assim que eu a vejo. A Chapeuzinho é apenas uma menina de nove anos, que faz meu solitário mundo vermelho, sorrir. Sei que ela ainda não entende muita coisa, é nova demais. Talvez seja isso, a inocência que nossas conversas têm e suas brincadeiras me fazem ser criança novamente, mesmo tendo quase vinte e dois. Ela é a companhia perfeita para minha solidão. Nos conhecemos no hospital de Houston. Dei uma passada lá, já que Dr.Harry disse que tinha uma menina que tinha sofrido uma fratura craniana e precisava de um exame completo. Como eu não tinha achado meu irmão, decidi ajudar. Helena era a menina que tinha sofrido a fratura, e ela também tinha causado uma pequena fratura em outra menina. Foi uma briga. A menina me chamou atenção por causa dos seus olhos que eram de um azul-claro e que brilhavam de forma travessa quando entrei na sala. Assim que cheguei perto dela para levá-la ao exame e dar os pontos, ela pulou da maca e correu feito um cordeirinho. Fiquei alguns segundos observando onde ela poderia ir até decidir ir atrás da pestinha fujona. Corri o hospital inteiro até encontrá-la perto de uma barraca de sorvete. Praticamente babando. 2 meses antes Fui até ela e me abaixei. -Você é rápida - observo admirado com sua esperteza. - Obrigada, você também não é nada mal - diz dando um sorriso grande e travesso. - Você quer um sorvete? - Quero! - diz eufórica, pulando. - Só te dou um sorvete se você não correr, que tal? - Tudo bem - confirma, levantando a mão para fechar o acordo e se apresentando - Sou Helena Whitley e você? - Jake Wolf - pego em sua pequena mão também me apresentando e selando o trato. - Um sorvete, por favor! - peço para o moço da barraquinha - Qual sabor, Helena? - Morango - responde pegando o sorvete e saindo andando à minha frente enquanto eu pago. Assim que pego o troco começo a andar ao seu lado de volta ao hospital. - Você está sozinha? - Não, estou com Robert. - Robert, o xerife? - pergunto curioso, ele é pai de Annie ex-namorada do meu irmão. - Sim, sou um dos filhos adotados dele - comenta encerrando o assunto e adentrando outro com uma pergunta surpreendente. - Você quer ser meu amigo, lobo mau? - ela pergunta, brincalhona. - Amigo? Espera aí, você me chamou de lobo mau? - pergunto sem conseguir segurar o riso. - Sim para as duas perguntas. - Se eu fosse mau não te compraria sorvete. - Isso não quer dizer nada. Além do mais, você tem cara de lobo mau. Pelo menos os olhos. E se você for meu amigo, teremos que criar códigos só nossos. - Então eu serei o lobo mau, e você a Chapeuzinho vermelho - digo me abaixando até estar a sua altura assim que paramos em frente à porta do hospital. - Chapeuzinho vermelho? Gostei. Isso quer dizer que você vai ser meu amigo? - especula desconfiada. - Sim. - Oba! - diz pulando e me abraçando, mas se afastando rapidamente para me fazer uma pergunta - Se você é meu amigo você não vai me costurar, né? - sorri e balanço a cabeça. - Amigos, amigos, e negócios à parte - digo bagunçando seu cabelo enquanto entramos os dois junto para dentro do hospital. Naquele hospital depois de fazermos todos os exames, ficamos até tarde conversando. E percebi que o que eu estava procurando algo para afastar minha solidão, e que estava procurando no lugar errado. Tinha acabado de achar a pessoa mais incrível que já conheci. Que mesmo com pouca idade me fez esquecer e perder as horas. Me fez sorrir em um dia mais do que nos últimos anos. Foi aí que tudo começou. Sei que Helena e suas travessuras irão me distrair do recente sumiço do meu irmão mais novo. E quem sabe me tire os pensamentos que me atormentam desde que eu o vi na última vez, o que faz muito tempo. O sangue em suas roupas, o olhar frio e extremamente maduro em seu olhar. Era como se ele estivesse se transformado. Meu irmão tinha sumido, e aquele homem que eu vi não era ele. Não podia ser.
PV JAKE WOLF Passado 2 anos antes... Não sei se foi o meu cansaço ou se simplesmente meu avião se transformou em um jato. Curiosamente, o trajeto foi mais rápido que de costume. São oito horas da manhã e acabo de chegar ao aeroporto de Houston, no Texas. Estou indo à procura de um táxi até School Of The Woods, o colégio onde Helena estuda. Não demora muito para chegar, a distância entre o aeroporto até à escola de Helena não é tão longe, pois ficam na parte mais popular da cidade. Irei pegá-la na escola, conseguir um pequeno passe com Robert que costuma buscá-la um pouco mais tarde. Na última hora que nos falamos, ela disse que tinha algo a me mostrar e parecia ser um local muito especial para ela. Quando nos conhecemos há alguns meses, Robert era quem a acompanhava e, por incrível que pareça, ele não se preocupou com nossa amizade. Pelo que eu soube, Helena é reclusa a conversas com outras pessoas, e segundo Robert, eu sou a primeira pessoa com quem ela conversa desde que chegou à cidade. Acho que virei a esperança de Helena sair da casca, pelo ponto de vista dele. Espero que eu consiga fazer com que ela se abra mais, porque ela é simplesmente uma menina encantadora e o mundo precisa ver isso. O taxista para em frente à escola, pago e me dirijo ao portão para esperá-la. Faltam poucos minutos para bater o sinal e a Chapeuzinho sair. Observo o portão da escola esperando ansiosamente até ele se abrir. A escola em que ela estuda é bem grande, atrás possui um campo onde acontece os jogos municipais de beisebol e na frente é aberta sem muros. O portão de entrada dá acesso ao prédio principal, o que facilita localizá-la entre a multidão de alunos. Sento em frente ao banco e descanso meus olhos alguns segundos até ser tirado desse pequeno prazer com o alarme da escola e o tumulto de crianças que saem do portão. Não demora muito para que eu consiga achá-la. Diferente do que pensava, ela está sem uniforme. Está usando um vestido preto de mangas e botas. Ela me procura pela multidão e, assim que me vê, corre em minha direção pulando em cima de mim. - Wolf! - abraço-a, afagando seus cabelos. - Como você está, Chapeuzinho? - pergunto, a afastando para observá-la. Percebo um machucado em seu olho. - Bem - responde. Ela se afasta, tomando caminho em direção à rua. Notando o meu olhar, começo a andar acompanhando. - O que foi isso em seu olho, Helena? - sondo cauteloso. - Não foi nada, lobo mau - responde séria. Ela não vai me contar, pelo menos não agora - Temos que ir até o estacionamento buscar o carro que Robert mandou para você. - Carro? - pergunto surpreso, ele não me falou nada disso. - Sim, ele me deu essa chave - responde balançando o objeto em questão. - Disse para entregar a você e nos levar até Jones Creek. Ela me entrega a chave, enquanto seguro em sua mão para atravessarmos a rua até o estacionamento a poucos metros da sua escola. - Quero te mostrar o lago que eu tinha falado, vai virar o seu lugar predileto também. Tenho certeza! - ela me guia até o carro que Robert deixou para mim. Fico surpreso ao encontrar uma linda picape quatro portas azul-escura. - É blindado - revela Helena, animada. - Quando foi que você ficou expert em carros? - Ela sorri, me dando um olhar envergonhado e sapeca. - Não fiquei. É que eu... escutei atrás da porta. Robert pediu para um dos policiais arrumarem uma picape blindada. Eu não queria escutar, mas estava passando. - Eu entendo que foi totalmente sem querer - tento amenizar a sua vergonha. Ela sorri agradecida, dando pequenos pulinhos de satisfação. - Vamos entrar, Chapeuzinho? - destravo o alarme do carro e abro a porta de trás para ela, que me olha de braços cruzados negando com a cabeça. - Não vou entrar aí, vou no banco da frente! - protesta batendo o pé esquerdo no chão. - Você tem nove anos e vai no banco de trás - digo sério. - Não, eu vou não! E não terá ninguém para me forçar ao contrário - responde autoritária, me encarando de forma zangada. O que devia me fazer supostamente ficar com medo, me faz soltar uma gargalhada. - Do que você está rindo, hein? - inquire irritada. - De você tentando me fazer medo, sendo que sou eu o lobo mau. Ou será que estou enganado? - olho para ela, desconfiado. - Posso ser uma loba má! - ela faz uma careta malvada. - Não mesmo, você é a Chapeuzinho boazinha que vai na parte de trás do carro. Se não for, não compro aquele sorvete que tanto gosta - contesto sorrindo e piscando o olho. Estou conhecendo-a ainda, mas sei que ela não resiste a uma boa comida. - Não, eu quero ir na frente - insiste teimosa. - Helena... - tento fazê-la mudar de ideia. - Por favor, lobinho mau - diz fazendo biquinho e juntando as mãos. - Tudo bem, apenas hoje você vai na frente - abro a porta da frente, fechando de trás - Entra logo, antes que eu mude de ideia. - Muito obrigada, lobinho bonzinho. - Sorri e pisca para mim, pulando em cima do banco, sentada. Dou a volta e entro no carro. - Coloque o cinto e pare de pular - ordeno, tentando parecer sério. - Sim, lobo mau! - Assente animada. Ligo o carro e começo a dirigir para Jones Creek.