O Submisso da CEO Mimada
Capítulo 1 - 1 -

Havia desejo no olhar dele. Fúria também. Paixão. Arrependimento. E, escondido sob tudo aquilo, algo perigosamente parecido com amor. Mas amor da parte de quem? Laissa deixou o olhar deslizar do rosto de Mason para o corpo alto que avançava alguns passos para dentro do quarto. A luz da lua atravessava as janelas e recortava a silhueta dele contra a escuridão. Ele estava ali. Depois de tudo, estava ali. Ela tinha dezenas de coisas para dizer. Talvez centenas. Nenhuma parecia adequada. Ou talvez, pela primeira vez, fosse sua vez de ficar em silêncio e ouvir. O último encontro dos dois havia terminado da pior maneira possível: sexo, palavras cruéis, uma discussão que se transformara em briga, um tapa, uma porta batida e Mason jurando que nunca mais pisaria no mesmo chão que ela. Ainda assim, bastara uma mensagem. Uma ordem curta. Direta. Inconfundível. E ele voltara. Mason talvez ainda não entendesse a dimensão daquela ligação, mas já fazia tempo que Laissa também não sabia onde terminava o jogo de domínio e começava alguma coisa muito mais difícil de controlar. Ela pousou a taça sobre a mesa e se levantou devagar. Pela primeira vez em muito tempo, aproximar-se de alguém lhe pareceu mais arriscado do que dar uma ordem. — O que trouxe você aqui? — perguntou, a voz baixa demais para combinar com a mulher que fazia salas inteiras se calarem. Mason soltou uma risada curta, sem humor. — Pode ter certeza de que não foi a minha moral. Laissa ergueu o queixo e jogou os cabelos para trás. A arrogância voltou ao lugar como uma armadura perfeitamente ajustada. Era aquilo que o atraía e, ao mesmo tempo, o enlouquecia: a dominadora mimada, autoritária, sensual e imprevisível. Mas ele já tinha visto o suficiente para desconfiar que, atrás de toda aquela força, existia uma mulher que nunca aprendera a pedir para ser amada. — Não dei permissão para ninguém subir ao meu quarto. Posso chamar os seguranças e mandar colocarem você para fora. — Então chama. — Mason cruzou os braços. — Me coloca lá fora sem usar aquilo que acha que tem sobre mim. Os olhos dela se estreitaram. — Isso é um desafio? Não tenho pena de um submisso qualquer. Posso colocar outro na minha cama quando quiser. — Ótimo. Então perdi meu tempo vindo até aqui sem ser convocado. Ele virou. Deu um passo. — Fique parado. A voz de Laissa cortou o quarto. Não era súplica. Não era pedido. Era comando. Mason podia rir. Podia abrir a porta. Podia finalmente provar que nenhuma palavra dela tinha poder sobre ele. Mas não conseguiu. Porque queria ficar. E essa era a verdade mais irritante de todas. Laissa se aproximou até as mãos alcançarem o corpo dele. Tocou-o apenas o suficiente para lembrar aos dois do que existia entre eles, então contornou Mason e parou à sua frente. — Você não tem permissão para seguir sua vida sem mim, Mason. Ele descruzou os braços, tentando sustentar uma firmeza que já começava a ruir. Céus. Quem ele queria enganar? Aquela CEO mimada, alta, gostosa e completamente louca tinha se enfiado na vida dele de um jeito que dinheiro nenhum explicava. — E para quê eu tenho permissão, então? O sorriso dela foi lento. Perigoso. — Para se ajoelhar aos meus pés. Mason sustentou o olhar por um segundo. Dois. Depois se ajoelhou. Não porque não pudesse ir embora, mas porque, naquele instante, escolheu ficar. Laissa inclinou-se e encarou o rosto bonito que, contra todas as regras que havia criado para si mesma, começara a despertar nela desejos que não eram apenas sexuais. — Agora me faça relaxar. Isso é um comando. Mason respirou fundo. — Sim… minha mestra. - - - A pasta negra deslizou pela mesa e parou diante de Laissa. A xícara que ela levava aos lábios não chegou a tocar sua boca. Com um movimento lento, afastou uma mecha de cabelo, abriu a pasta e folheou os documentos duas vezes antes de erguer os olhos para o homem sentado à sua esquerda. Já passava das nove da manhã. Seu estômago reclamava por comida e o corpo inteiro carregava as consequências agradáveis de uma noite intensa. As pernas pesadas e as olheiras discretas denunciavam que ela havia dormido pouco. Para Laissa, aquilo teria sido o início perfeito de semana. Para James, aparentemente não. — O que significa isso? — perguntou, a voz baixa, rouca e perigosamente calma. Ela não estava acostumada a receber decisões. Muito menos de um homem que, durante quatro anos, vivera sob regras escritas por ela. — Você entende de contratos melhor do que eu. Então imagino que saiba exatamente o que significa. James apoiou a xícara com força sobre a mesa. Laissa deixou o olhar correr pelo peito nu, marcado pelas unhas dela, pelos braços fortes e, por fim, pelos pulsos feridos. As algemas tinham deixado sinais. — Ah. Entendi. — Ela fechou a pasta. — Não poderia haver marcas. Passe na sala de Mariane mais tarde. Ela providencia o pagamento. Levantou-se como se quatro anos pudessem ser encerrados com uma assinatura e um cheque. — Espere. Laissa parou. O maxilar endureceu. Ela odiava receber ordens. Virou-se devagar, ainda segurando a xícara, enquanto a brisa que entrava pela casa movimentava o robe ao redor de suas pernas. — É só isso que você tem para dizer? — James perguntou. — Você ainda está na minha casa e eu não admito que me dê ordens. E, não, não tenho mais nada a dizer. — Foram quatro anos, Laissa. Quatro anos. E você simplesmente me manda para a sua assistente? O que eu fui para você? Por um segundo, alguma coisa passou pelo rosto dela. Sumiu antes que James pudesse identificar. — Você não tem permissão para me chamar assim. Eu sou a sua mestra. — Laissa deu um passo, obrigando-o a recuar. — E acabou de assinar o encerramento do nosso contrato. Vai receber muito bem pelos quatro anos de serviço. James abaixou os olhos. — Serviço… — Era um funcionário como qualquer outro. Substituível. Descartável. Conseguiu o que queria. Agora saia da minha frente. Amanhã haverá outro no seu lugar. Laissa se virou antes que o silêncio entregasse qualquer rachadura. Subiu as escadas com a elegância treinada em anos de etiqueta, postura e disciplina. Nenhuma daquelas aulas, porém, a ensinara a continuar elegante quando uma porta se fechava e ela finalmente ficava sozinha. A xícara de porcelana — uma peça antiga, herdada por gerações — atravessou o quarto e explodiu contra a parede. O grito veio logo depois. Fúria. Humilhação. E uma dor que ela jamais admitiria ter sentido. — Senhorita Chase — Parou no quarto outra vez quando sua empregada ergueu-se medrosa. — Está muito elegante. Laissa a olhou dos pés à cabeça antes de deixar o quarto. Outra vez desceu aquelas escadas com elegância e cruzou a saída já encontrando a porta do carro aberta. O motorista sequer disse uma palavra, depois de anos e anos trabalhando para aquela mulher, dias que usava roupas pretas era como um luto interno e quanto menos falasse, mais tempo ficaria empregado. Seant era uma cidade muito bonita, e com a chegada do inverno, o frio se intensificava com mais intensidade, entretanto, o sol continuava queimando mesmo na frieza qualquer pele que ousasse se expor. Foi calmo prestando atenção no trânsito e deixando que a mulher admirasse a beleza da cidade, sabia que ela gostava disso. Tudo que podia fazer para o dia dela começar bem, ele fez a deixando prontamente na entrada do seu prédio e seguindo para o mais longe possível. Agora a responsabilidade era de outras pessoas. Seguiu firme por aquele andar e subiu para sua sala. O corredor até ela era extenso, mas o suficiente para se ver longe de todas as outras pessoas presentes naquele lugar. Ter um andar apenas para sua sala foi sua única exigência quando assumiu os negócios da família. Quanto menos gente pudesse ver, melhor para sua mente criativa e elegante. Passou por sua sala encontrando a assistente diante da mesa. — Eu preparei seu café — Laissa olhou para uma mesa posta no meio da sala. Isso era bom, pois foi durante o café da manhã que teve sua semana inteira fracassada com poucas palavras e muitos papéis. Virou em direção à mesa e Mariane correu para aparar a bolsa que a outra carregava junto ao chapéu que foi apenas largado no ar. — Cancelei toda sua agenda hoje com os clientes menos importantes, mas não consegui desmarcar o jantar com sua amiga. Ela deixou claro que viajará amanhã ao meio-dia. — Parou do outro lado apenas para assistir Laissa. A elegância em sentar de lado e arrumar seus cabelos antes de buscar pela xícara e uma pitada de açúcar. Em cada pulso uma pulseira que custava no mínimo a sua casa e o carro que comprou após três anos economizando, em seus dedos apenas um anel com uma esmeralda maior que os olhos da dona e nas orelhas esmeraldas em três tamanhos formando uma corrente de cima para baixo, tão elegante e luxuosa para uma manhã escura na vida dela. E claro, o usual conjunto negro tal como sua alma.

Capítulo 2 - 2 -

Em cada pulso uma pulseira que custava no mínimo a sua casa e o carro que comprou após três anos economizando, em seus dedos apenas um anel com uma esmeralda maior que os olhos da dona e nas orelhas esmeraldas em três tamanhos formando uma corrente de cima para baixo, tão elegante e luxuosa para uma manhã escura na vida dela. E claro, o usual conjunto negro tal como sua alma. — James… — O corpo de Laissa travou. Devagar, devolveu a xícara para seu lugar e encarou a mulher do outro lado — Chegou no horário e já foi embora. Assinou todos os documentos e o contrato de confidencialidade com uma multa milionária caso toque em seu nome. — Ótimo. — Ergueu-se outra vez e desfilou pela sala chegando às janelas de vidro. — Ele disse alguma coisa? — Não senhora. Veio em silêncio e se foi. — Mariane… Eu não gosto de mentiras, você sabe disso e não quero ter que demitir outra pessoa hoje — a voz era tão fina como uma pena, delicada como algodão, mas tão ameaçadora quanto uma arma apontada em sua cabeça. — Ele a chamou de louca — Contou de uma vez, Laissa girou em direção a mulher — Disse que não faz questão de cruzar seu caminho porque quer distância. Que uma mulher linda como a senhora não deveria maltratar homens para seu prazer. E desejou que todo sofrimento que o fez passar, volte em dobro para seus ombros. — Maltratar? — Ela caminhou de volta para o sofá juntando as pernas ao sentar — Eu não maltratei aquele homem, eu o puni como era merecido. Que tipo de pessoa ele é? Não foi capaz de agradecer por ter sido leve com ele. — A senhora usou algemas. — É algo normal. Não vejo problemas nisso — Pegou seu café. — Usou fogo para queimar as feridas. — Ele tinha uma palavra de segurança. — Feridas que a senhora abriu com um chicote. — CHEGA! — A garota se esquivou quando outra xícara foi arremessada em sua direção. — Vou visitar um novo prédio para uma possível compra. Avisou ao ficar de pé, calma, elegante, fina e seguiu para a mesa buscando suas anotações e enquanto caminhava para a saída, recebeu o chapéu e sua bolsa de volta ao pé da porta. — Ah e… encontre outro. — Sorriu para Mariane que engoliu a seco. — Outro prédio? — Um Submisso. Um bonito, forte, quero na minha casa amanhã pela manhã. — Amanhã de manhã a senhora tem que escolher modelos para uma campanha de moda íntima. A agência organizou um desfile. — A chefe a olhou dos pés à cabeça antes de colocar seus óculos. — Então amanhã antes da lua tomar o lugar do sol. E deu as costas deixando uma mulher desesperada para trás. O olhar calmo de que estava tudo sob-controle mudou no instante em que as portas do elevador tiraram Laissa do seu campo de visão. Voltou para a sala da mulher procurando dentre todas as bebidas mais forte para lhe servir e beber tudo de uma vez para ver se morria com uma única dose. — É, não foi dessa vez. Que saco. meu Jashin, eu vou morrer não é? Leva-me logo de uma vez porque não aguento mais. Saiu dali descendo um andar para se ver dentro do seu mundo. Desviou de algumas pessoas correndo de um lado para o outro, findando campanhas e clientes que enalteceu a empresa de Laissa, bom, cada um seu trabalho. Parou na sua sala se jogando contra a cadeira, louca para começar seus afazeres… nem tanto assim. — Mariane, eu estou com o cast de amanhã para o desfile dos modelos. E é cada um mais bonito que o outro — Avisou para a loira depositando a pasta na mesa. — Obrigada. Deixa aí, preciso fazer outra coisa urgente. — Ah, entendi. Vi que nossa rainha está toda de preto hoje, aconteceu algo? — Mariane desviou da tela do computador para sua amiga. — O que você quer saber? Não tem nada para saber por que se você pudesse resolver alguma coisa pra mim eu te contaria, mas além de tudo isso não ser da sua conta, eu não tenho cinco milhões de reais para pagar a multa dos segredos daquela maluca — se calou depois de um tempo, levantou rodeando sua mesa. Queria gritar, surtar de vez, mas apenas agarrou as pontas de seu cabelo alisando seu coque antes de voltar-se a outra que já se afastava. — Quer saber, Sasha, você pode fazer uma coisa por mim sim. Ligue para a equipe de limpeza e mande para a sala da Laissa, por favor — a garota tratou de anotar — Peça para Jean ter o bom senso de não fofocar sobre Laissa quando a trouxer para o trabalho e também a Connie para PARAR DE ESPALHAR O RESTO DAS FOFOCAS DESSE LUGAR. — Nossa… Calma Mariane. Estamos animados com a nova campanha. Mas toda notícia da nossa rainha lá de cima é como uma bomba aqui embaixo. Sem contar que hoje mais cedo vimos àquele cara subir aqui, já o vi na casa da Laissa. Ele era um dos empregados dela e saiu daqui muito zangado. — Trabalhar para Laissa D. Chase não é algo fácil. E agora tenho que encontrar um novo e bom empregado para ela. — Pegou suas coisas pela sala — Não me mandem mensagem hoje. Vou atrás de uma coisa muito importante. — Mas e a campanha nova? — Eu não tô ligando pra essa droga agora. Me deixa em paz. — Bradou ainda mais zangada e saiu do escritório. Desceu para seu carro e assim que se viu livre de tudo e de todos tirou um simples caderninho dourado do fundo da bolsa discando o primeiro número que achou. — Oi, sou Mariane Dream, a assistente direta de Laissa Chase… sim, sim quanto tempo. — Sorriu se encostando ao banco — Pois é, então, estou procurando um dos seus garotos… Céus qualquer um… não, não é para mim é pra Laissa… alô? Alô? Oi? Mas O quê? Discou o número outra vez e antes de começar a falar o que deseja: — Não ligue mais para minha agência atrás dos meus modelos pra esse tipo de serviço. Os últimos que mandei para essa mulher me voltaram com marcas que não puderam usar seus copos por quase dois meses. Não vou sacrificar uma pessoa. E essa também foi à desculpa de mais seis agências que se recusaram a falar mais sobre o assunto. Mariane baixou o celular do ouvido com ódio. Gritou dentro do carro socando o volante, o banco ao lado. Jogou sua bolsa pelos ares, o caderno e o celular. Desceu do carro para tomar um ar e o estacionamento quente apenas a deixou ainda mais irritada. Tirou o casaco dos seus ombros tentando enrolar seu cabelo para não tocar na pele. Laissa Chase, um nome muito conhecido na internet, mas poucos sabiam da sua vida particular, poucos daquele mundo, pois todas as agências de modelos com um longo histórico de book azul já havia riscado o número de Laissa da lista de clientes. — O que eu vou fazer? Céus, eu vou morrer… Ainda nem quitei meu apartamento, e o meu carro? Nem casei, não, não vou casar. Choramingou por todo lugar tentando lembrar alguma agência que podia enviar alguém sem querer esquecendo o nome de Laissa, mas isso seria um trabalho em vão. Porém, sua cabeça lhe entregou uma luz, uma luz que se iluminou trazendo o rosto de um grande amigo, seu irmão de coração e boas lembranças como uma cobrança de favores. Ah, isso seria perfeito. - - O olhar de Mason seria capaz de assustar qualquer criatura de filme de terror. Ele fechou a porta do banheiro do bar com força, arrancou as luvas das mãos e as atirou sobre o balcão. — O que você está fazendo? — Jason resmungou. — Volta ao trabalho. — Eu não vou limpar aquilo. Você ficou maluco? Jason saiu de trás do balcão e parou diante do irmão. — O único maluco que eu estou vendo é você. Papai mandou você para a minha casa porque resolveu virar rebelde sem causa e largar o futebol. Sabe o que isso pode custar? Uma faculdade. — Existem outras. — Não quero saber. Você não vai morar na minha casa de graça, comer de graça e ainda reclamar do trabalho. Vai limpar o chão, lavar a louça, limpar o banheiro e servir mesa até conseguir entrar numa faculdade. Se conseguir, ainda vai precisar de dinheiro. — Jason apontou para o avental. — Eu não sou o seu pai. — Graças a Deus. O sino rústico sobre a porta tocou antes que Jason pudesse responder. Era cedo para clientes, mas não cedo o bastante para Liam Price entrar no bar. Jason se colocou instintivamente ao lado do irmão. — Você fez alguma coisa que eu ainda não sei? — sussurrou. — Mason, eu juro que mato você. Quando aceitei que viesse morar comigo, prometeu não esconder mais merda nenhuma. — Faz uma semana que fui expulso de casa. Nem tive tempo de fazer outra besteira. — Oi, Liam. — Jason avançou meio passo, ocupando o caminho. — Que surpresa. Fazia meses que eu quase conseguia esquecer a sua cara. O que você quer? — Não vim por sua causa.

Capítulo 3 - 3 -

— Oi, Liam. — Jason avançou meio passo, ocupando o caminho. — Que surpresa. Fazia meses que eu quase conseguia esquecer a sua cara. O que você quer? — Não vim por sua causa. Liam esperou até Jason sair do caminho. Então encarou Mason dos pés à cabeça: os tênis impecáveis tinham sido substituídos por botas velhas; o uniforme esportivo, por uma camiseta simples e um avental sujo. — Oi, pai. — Mason tentou sorrir. — Espero que tenha vindo me levar para casa. A mãe sent… O tapa interrompeu a frase. Mason cambaleou para trás e se apoiou no balcão, mais surpreso do que ferido. — Você está maluco? Liam ergueu uma carta. Mason reconheceu o brasão de uma faculdade antes que o pai amassasse o papel, rasgasse-o em quatro partes e jogasse os pedaços no chão. Mason se abaixou imediatamente para juntá-los. — Desde que saiu do futebol, nenhuma faculdade esportiva quis você. Ainda assim, achei que tivesse se inscrito em outras. — Liam observou o filho recompor a carta apenas para descobrir a rejeição. — Descobri que não fez nada. Não entrou em lugar nenhum. — Liam, chega. — Jason segurou o braço do pai quando ele ameaçou avançar outra vez. — Deixa meu irmão em paz. — Defende tanto esse inútil? Então cuide dele. A partir de hoje não existe mesada, escola paga, curso, carro, cartão. Nada. Mason ergueu a cabeça. O silêncio doeu mais do que o tapa. Liam virou as costas e saiu com a mesma frieza com que entrara. Jason ficou parado por alguns segundos, respirando fundo, antes de olhar para Mason ainda ajoelhado entre os pedaços da carta. Problemas. O irmão mais novo era um poço de problemas e, agora, estava oficialmente sob o teto dele. Mesmo assim, Jason se agachou. — Sinto muito pela faculdade. Mason apertou os pedaços de papel na mão. — Eu saí do futebol porque escutei ele falar sobre não poder mais pagar as aulas e os cursos dessa droga. Achei que isso deixaria todo mundo mais feliz. — Não posso dizer se fez certo ou não. Mas me diz: o que merda tem agora? — Mason o olhou — Faltam quantos meses pra você terminar o colegial? E a mensalidade dessa escola é quanto? Caralho Mason você veio cheio de dívidas pro meu lado? — Vai me expulsar também? — Levantou rápido e Jason mais rápido ainda, no entanto, não conseguiria crescer para cima do seu irmão mais novo este tendo quase dois metros de altura. — Não. Vou te mandar terminar o seu trabalho. Limpe o chão, o banheiro, a louça e ainda vai servir como garçom durante todas as noites para pagar o resto da sua escola, e talvez uma boa faculdade. — Jason… — Lamuriou apertando ainda mais a carta em suas mãos e deu as costas. — Oh moleque que só me dá trabalho. — Outra vez o sino soou naquele lugar — AINDA TÁ FECHADO. — Gritou irritado virando para encontrar Mariane com um largo sorriso e o peito estufado. — Céus, mais problemas? — Colocou as mãos na cintura sentindo o corpo inteiro arrepiar só de se lembrar das coisas que aquela mulher poderia lhe trazer. — Não são problemas Jason, só soluções — correu até o homem que já voltava para trás do balão — Jason é um caso de vida ou morte, por favor. — O que é que você quer, Mariane? Eu estou cheio de problemas agora, o Mason veio morar comigo, o meu bar não está com o mesmo movimento e eu vou casar, eu vou casar. — Melhor ainda, eu tenho a solução para te dar dinheiro — Jason parou do outro lado do balcão em frente à mulher que sorriu, ele finalmente estava escutando. — Eu preciso que você durma com minha chefa. Jason arregalou os olhos dando uma risada achando que o que ela dizia era uma mera brincadeira, no entanto, não havia sorrisos vindo dela. Engoliu a seco de apoiando no balcão. Por que o mundo estava se acabando agora nas suas costas? Será que só ele seria castigado? É o bar, o casamento, Mason e agora a Mariane? — Você sabe que minha chefa é muito rica, herdeira de tantas pessoas por ser a única garota da família. Ela pagaria uma fortuna por uma noite com um homem. — Jason subiu o olhar, totalmente incrédulo. — Jason… — Eu sei que te devo um favor, mas o meu tempo de dormir com mulheres por dinheiro, acabou. Eu concluí minha faculdade, ajudei meus pais e para quê? Hein? Terminar com um bar falido e o encosto do meu irmão? — Mariane piscou quase chorando, não queria escutar aquilo. — E outra que nem durmo mais com mulheres. Eu sou gay. E além do mais, você disse que essa maluca tem gostos singulares e eu não sou nem louco de me meter nisso. — Mas pensa no dinheiro, Jason, você me deve um favor — O garoto tirou o avental saindo de trás do balcão. — Eu te pago de todas as formas que imaginar, menos indo dormir com mulher por dinheiro, ainda mais com essa sua chefa perturbada. — Mariane desviou o olhar, já estava desesperada — ela é tão rica, acha uma agência. — Já liguei para todas — Jason que caminhava em direção ao seu casaco parou e virou para Mariane — Ela não é louca, eu juro. É tão bonita, é sensual e rica, milionária, imagina se ela gosta de você, ficará rico. — CHEGA MARIANE — Gritou assustando a assistente que travou em seus saltos — Não vou fazer isso. Quero que os céus caiam na minha cabeça antes de fazer isso novamente. Chega, e chega — Pegou seu casaco. — Jason, se eu não achar ninguém ela vai me demitir. — Lamuriou e nem mesmo isso fez com que o homem cedesse. — Então acho melhor você correr. — Passou por ela novamente — Mason EU VOLTO JÁ. CUIDA DE TUDO — Voltou para Mariane outra vez — Beba alguma coisa LEVE, e não me volte mais aqui com esse assunto. Foi embora deixando a garota para trás. Mariane sacou o celular novamente correndo para o balcão, dentre seu caderno dourado e contatos de agências que não lhe atendiam mais para esse trabalho, ela desabou no balcão. Laissa iria lhe torturar se não levasse alguém para lá. Só abriu os olhos novamente quando escutou passos ao seu redor, não iria se assustar conhecendo muito bem os passos de Mason Price, o irmão querido que no momento não parecia tão querido assim. Escutou quando o mesmo foi para trás do balcão e até quando lhe serviu uma bebida depositando em sua frente. Ela endireitou seu corpo sorrindo para o outro que apenas ergueu uma sobrancelha. Não fazia muito tempo que havia visto, mas Mason tinha crescido uns dois metros, certeza. — Dia difícil de trabalho? — Ela confirmou — Você parece que envelheceu cem anos do nada. — Obrigada. Mulheres gostam de receber esse tipo de elogio. — Bebeu rapidamente batendo o copo e pediu outro, Mason negou — Você não tá trabalhando aqui? Então me serve. — Você é uma bêbada louca, não me faça servir mais bebida, eu sei do seu segredo. — Eu não sei por que venho sempre pedir ajuda de vocês. — Ele deu de ombros cruzando seus braços muito bem malhados. — Posso te servir mais bebidas — tentou conversar — Se me contar mais sobre o favor que ofereceu a Jason agora pouco. — Mariane ergueu uma sobrancelha — Eu posso dormir com uma mulher por dinheiro. — Eu posso dormir com uma mulher por dinheiro. — O quê? — Ficou em silêncio por um momento até lembrar-se da conversa, sorriu guardando suas coisas na bolsa e desceu do banco. — É melhor eu ir embora. — Não, espera. Eu posso fazer isso — Correu até ela a impedindo de dar um passo — Posso transar com uma mulher, ela me paga e eu vou embora. Pronto! — Você é só um moleque, para de falar tanta besteira. — Tentou ir, mas outra vez Mason segurou seu braço e era impossível se afastar daquela parede de dois metros. — Por que você cresceu tanto? comeu o quê? — Eu tenho 1,98 de altura e eu não sou um moleque, fiz 18 mês passado. — Mariane revirou os olhos dando uma risada logo mais. — Ah, sai da minha frente garoto. — Espera, Mariane, é sério — Dessa vez, parou na porta esticando os braços — Eu saí do futebol porque meus pais não podiam mais pagar, isso me custou várias faculdades e eu não tinha me inscrito em nenhuma outra. — Você foi bem burro, isso sim. — Liam me expulsou de casa e disse que nem a mensalidade da escola vai pagar. Eu tenho que trabalhar para o Jason e olha, eu tive que limpar o banheiro com essas luvas — Mariane arregalou os olhos se afastando e começou a tirar o casaco do seu corpo pisoteando logo depois Ele riu, claro que não tinha usado aquelas luvas. Mas foi engraçado. — Não quero passar o resto da minha vida nesse bar, quero fazer faculdade. Imagina que eu posso me livrar do peso nas costas do Jason. Ela paga bem, não é? — Sim, paga por uma noite quase o valor do meu carro. — Seu carro custou uns 100 mil. — O sorriso dele cresceu. — Foi 80 mil, idiota. Desviou o olhar caminhando pelo pequeno salão, não estava a fim de mandar um moleque para os braços de Laissa Chase, ela com certeza comeria ele vivo, Jason iria descobrir e toda aquela família seria destruída. Escutou o celular vibrar e bastou uma olhada na tela com uma ameaça branda de Laissa para ela encarar Mason que sorria todo galante.

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