O Último Suspiro e o Primeiro Despertar
Introdução

No dia do meu 25º aniversário, o sol entrava suavemente pela janela do meu apartamento. O meu marido, Pedro, saiu da casa de banho, com uma toalha à volta da cintura, e desejou-me "Feliz aniversário, amor" . Parecia uma cena de perfeita normalidade, de felicidade conjugal. Mas não era. Horas antes, o Pedro, o homem que eu amava, tinha-me atropelado com o seu Porsche, na companhia da minha irmã, Clara, que sorria vitoriosamente ao seu lado. Eu vi-os, senti o impacto brutal, a dor avassaladora, e depois a escuridão. Quando abri os olhos de novo, estava de volta àquela manhã, sem dor, sem sangue. Tinha voltado no tempo. A imagem do rosto frio de Pedro e do sorriso cruel de Clara gravada na minha mente. Era o meu dia de aniversário, mas eu era uma mulher morta-viva, assombrada pelo que aconteceu. Como puderam as duas pessoas em quem mais confiava querer-me morta? A pergunta ecoava na minha cabeça, a dor era imensa, a traição insuportável. Porquê? O que os levou a tal ato? Desta vez, o destino não me enganará. Eu sei o final da história. E desta vez, serei eu a escrever o meu próprio futuro, pronta para descobrir a verdade e reescrever a minha segunda chance. Eles pensam que o plano deles vai funcionar. Mal sabem que eu voltei dos mortos.

Capítulo 1

O meu nome é Sofia. No dia do meu aniversário de 25 anos, o meu marido, Pedro, matou-me. Não com uma faca, mas com um carro. Eu estava a atravessar a passadeira quando o seu Porsche preto acelerou do nada, atirando-me para o ar. O impacto foi brutal, a dor foi imediata e avassaladora. Enquanto o meu corpo caía no asfalto, a última coisa que vi foi o rosto dele através do para-brisas, frio e sem emoção. Ao lado dele, a minha irmã mais nova, Clara, olhava para mim com um sorriso vitorioso. Depois, tudo ficou escuro. Quando abri os olhos novamente, estava de volta ao nosso apartamento. A luz do sol entrava pela janela, exatamente como na manhã do meu aniversário. O meu corpo não doía, não havia sangue. Olhei para o calendário na parede: era o dia do meu aniversário. Tinha voltado no tempo. Pedro saiu da casa de banho, com uma toalha à volta da cintura. "Bom dia, amor. Feliz aniversário." Ele aproximou-se para me beijar, mas eu recuei instintivamente. A imagem do seu Porsche a vir na minha direção estava gravada na minha mente. Ele franziu o sobrolho, confuso com a minha reação. "O que se passa?" "Nada," menti, o coração a bater descontroladamente. "Apenas um mau sonho." Ele deu de ombros e foi para o closet. "Veste-te depressa. A tua mãe e a Clara vêm cá para o pequeno-almoço." A menção de Clara fez o meu estômago revirar. Eu sabia o que tinha de fazer. Tinha de descobrir porquê. Por que é que o homem com quem casei e a minha própria irmã me queriam morta? Desta vez, eu estaria preparada.

Capítulo 2

A campainha tocou pontualmente às nove da manhã. Fui abrir a porta. A minha mãe, a Laura, e a Clara estavam do lado de fora, a sorrir. "Feliz aniversário, minha querida!" disse a minha mãe, abraçando-me com força. Clara entregou-me um presente embrulhado. "Parabéns, mana." O seu sorriso era doce, mas os seus olhos eram frios. Eram os mesmos olhos que eu vi no carro. Forcei um sorriso. "Obrigada. Entrem, o pequeno-almoço está quase pronto." Sentámo-nos à mesa. Pedro serviu café a todos, agindo como o marido perfeito. A minha mãe não parava de falar sobre os preparativos para o meu jantar de aniversário naquela noite. "Convidei toda a família, Sofia. Vai ser uma grande festa." "Mãe, talvez seja melhor não," comecei a dizer, mas Pedro interrompeu-me. "Claro que vamos fazer. A Sofia merece a melhor festa de sempre." Ele piscou-me o olho, mas eu só senti um arrepio. Clara colocou a mão no braço de Pedro de uma forma demasiado familiar. "O Pedro tem razão. Temos de celebrar." Observei-os. A forma como se olhavam, os toques subtis. Era óbvio, agora que eu sabia o que procurar. Como pude ser tão cega? Depois do pequeno-almoço, a minha mãe insistiu que eu e a Clara fôssemos às compras. "Vão comprar um vestido bonito para a festa desta noite. É por minha conta." Eu não queria ir, mas recusar levantaria suspeitas. "Está bem, mãe." No centro comercial, Clara puxou-me para uma loja de luxo. "Este ficaria perfeito em ti, Sofia." Ela mostrou-me um vestido vermelho, caro e vistoso. O mesmo vestido que eu estava a usar quando fui atropelada. O meu sangue gelou. "Acho que não. É demasiado chamativo." "Não sejas tonta. É o teu aniversário, tens de brilhar." Ela empurrou o vestido para as minhas mãos. "Vai experimentá-lo." No provador, olhei para o meu reflexo. A mulher no espelho parecia assustada e perdida. Respirei fundo. Eu não era mais essa mulher. Saí do provador, a segurar o meu próprio telemóvel, que tinha levado comigo. "Tens razão, Clara. É perfeito." Comprei o vestido. Mas não era para brilhar. Era para lhes dar uma falsa sensação de segurança. Eles pensavam que o seu plano estava a funcionar na perfeição. Não sabiam que eu já conhecia o final.

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