Entre o Altar e a UTI: O Dia do Meu Não-Casamento
Introdução

No dia do meu casamento, o noivo desapareceu. Liguei para o telemóvel dele, mas estava desligado. Enquanto os convidados murmuravam, recebi uma foto da minha irmã mais nova, Sofia: o meu noivo, Leo, estava no hospital, à beira da morte, e ela segurava a mão dele. A legenda? "Os médicos dizem que ele precisa de um transplante de coração, e o meu tipo de sangue é compatível. O da Eva não é." O meu mundo desabou quando ouvi a Sofia, com uma voz calma e gélida, dizer à minha mãe que ela o amava e que se ele morresse, a vida dela não teria sentido. Ela estava a usar o seu próprio coração, a sua vida, para me destruir. Os pais do Leo viam-na como um anjo salvador, enquanto os meus pareciam paralisados. De repente, a minha doença, a mesma que me perseguiu a vida toda, tornou-se a minha arma. "O casamento está cancelado," anunciei, e rumei ao hospital com um plano. Eu não ia permitir que ela me roubasse tudo. Eu ia lutar contra ela no seu próprio jogo de manipulação e mentiras, e desta vez, eu ia ganhar. Porque o meu coração, apesar de ferido, ainda batia por mim.

Capítulo 1

No dia do meu casamento, o noivo desapareceu. Liguei para o telemóvel dele, mas estava desligado. Os convidados começaram a murmurar, os seus olhares a passarem de pena para desprezo. O meu pai, com o rosto pálido, tentava manter a compostura, mas as suas mãos a tremer denunciavam o seu nervosismo. "Eva, o que se passa com o Leo? Porque é que ele ainda não chegou?" Eu não sabia o que responder. Agarrei com força o meu vestido de noiva, o tecido caro a amachucar-se nos meus dedos. Nesse momento, o meu telemóvel vibrou. Era uma mensagem de um número desconhecido, com uma fotografia anexada. Abri a imagem e o meu mundo desabou. Era o Leo, o meu noivo, deitado numa cama de hospital, com o rosto pálido e os olhos fechados. Ao seu lado, a segurar-lhe a mão, estava a minha irmã mais nova, a Sofia. Ela olhava para ele com uma expressão de profunda preocupação. A legenda da foto dizia: "O Leo desmaiou de repente. Os médicos dizem que é uma arritmia grave. Eva, ele precisa de mim agora. Não posso deixá-lo." Arritmia. A mesma doença cardíaca que eu tinha. A doença que me fez passar a infância e a adolescência dentro e fora de hospitais. Senti o meu próprio coração a falhar uma batida, não por causa da doença, mas pela traição. O Leo sabia tudo sobre a minha condição, ele prometeu cuidar de mim para sempre. E agora, ele estava no hospital, e a pessoa ao seu lado não era eu, a sua noiva, mas a minha irmã. A minha mãe correu para o meu lado, arrancando o telemóvel da minha mão. Quando viu a foto, o seu rosto ficou lívido de raiva. "Aquela desgraçada! Como é que ela se atreve? Depois de tudo o que fizemos por ela!" Ela agarrou no seu próprio telemóvel e ligou para a Sofia. A chamada foi para o altifalante. "Sofia! O que pensas que estás a fazer? Volta já para aqui! Hoje é o casamento da tua irmã!" A voz da Sofia soou do outro lado, calma e desafiadora. "Mãe, o Leo está doente. Ele precisa de mim." "Ele tem a Eva! Ela é a noiva dele! É com ela que ele se vai casar, não contigo!" gritou a minha mãe, a sua voz a ecoar pela sala silenciosa. "Mas eu sou a única que o pode salvar," respondeu a Sofia, a sua voz baixa mas firme. "Os médicos disseram que ele precisa de um transplante de coração, e o meu tipo de sangue é compatível. O da Eva não é."

Capítulo 2

Um transplante de coração. Aquelas palavras atingiram-me com a força de um soco. Eu sabia que o meu tipo de sangue, O negativo, era raro. O do Leo era AB positivo, o recetor universal. O da Sofia, no entanto, também era O negativo. A minha mãe ficou sem palavras por um momento, a sua raiva substituída por um pânico visível. "Sofia, não sejas estúpida! Doar o teu coração? Isso é suicídio! Tu és a nossa filha!" "E o Leo não é o vosso futuro genro?" a Sofia retorquiu. "Vocês sempre disseram que ele era como um filho para vocês. Estão dispostos a deixá-lo morrer?" Um silêncio pesado caiu sobre a sala. Eu olhei para os meus pais. O meu pai tinha o rosto enterrado nas mãos, a minha mãe olhava para o telemóvel com horror. Eles amavam o Leo. Ele era o filho que nunca tiveram, o genro perfeito, o CEO de uma empresa de sucesso que prometia um futuro dourado para a sua filha mais velha e doente. Mas a Sofia... ela era a filha saudável, a sua esperança para o futuro. "Não," sussurrou a minha mãe. "Não podes fazer isso." "Eu já me decidi," disse a Sofia. "Eu amo o Leo. Sempre o amei. Se ele morrer, a minha vida também não tem sentido." O amor dela. Sempre soube que a Sofia tinha uma paixoneta pelo Leo, mas pensei que era apenas admiração inocente. Nunca imaginei que fosse tão profundo, tão sacrificial. "Eva," a voz da Sofia dirigiu-se a mim através do telemóvel. "Desculpa. Eu sei que hoje é o teu grande dia. Mas não posso deixá-lo morrer. Por favor, perdoa-me." Perdoá-la? Ela roubou-me o noivo no dia do meu casamento, usando o seu próprio coração como arma. Como poderia eu perdoá-la? "Não," disse eu, a minha voz a sair mais forte do que esperava. "Eu não te perdoo." Desliguei a chamada. Olhei para a multidão de convidados, para os seus rostos cheios de pena e curiosidade mórbida. Subi ao pequeno palco montado para a cerimónia. Peguei no microfone. "Peço desculpa a todos," anunciei, a minha voz a tremer ligeiramente. "Parece que o noivo encontrou alguém que o ama mais do que eu. Alguém disposta a morrer por ele." Fiz uma pausa, deixando as minhas palavras pairarem no ar. "O casamento está cancelado."

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