Enquanto caminhava pelo corredor, meus passos ficavam mais lentos e meu coração batia forte nos meus ouvidos. Por acaso essa não era a voz de Vivi? Tudo o que eu queria era descansar na nossa suíte, para fugir dos sorrisos falsos e da música alta do salão. No entanto, eu nunca esperava ser recebida por uma cena tão dolorosa. Você devia estar se perguntando o que diabos estava acontecendo? Bom, era para ser minha maldita despedida de solteira, e a de Aaron também. Nós deveríamos nos casar pela manhã. Aaron foi bem claro que não queria fazer festas separadas como todos os outros — não queria uma despedida de solteiro sem mim. Eu também não, pois não queria ter que ficar com um sorriso forçado no rosto, acenar e dizer "obrigada por terem vindo" para pessoas que eu nem conhecia. Então, aqui estávamos nós, fazendo uma festa juntos, dançando com seus amigos e familiares no luxuoso salão de festas do hotel do seu pai. Seguindo em direção à suíte, parei em frente à porta. Meu coração acelerou quando me aproximei, e então ouvi a voz de Vivi, baixa e ofegante, sussurrando o nome de Aaron como se fosse a única palavra que ela conhecia. Meu peito se apertou, e espiei pela porta. Lá estavam eles — Aaron a penetrava com força, enquanto ela parecia estar se divertindo, a julgar pelos sons úmidos que surgiam com o efeito do pau de Aaron dentro dela. E ele nem estava usando camisinha! Uma onda de náusea me atingiu tão rápido que tive que me apoiar na parede para não cair. Isso não podia estar acontecendo... Fiquei ali, paralisada, enquanto minha mente voltava a todos os momentos em que duvidei de mim. Todas as vezes que Vivi fazia comentários sobre como eu era "sortuda" por ter Aaron, e com que frequência ela falava sobre a riqueza e o poder dele. Sempre ignorei isso, achando que ela era uma socialite de elite que só queria se sentir melhor, mas agora, a verdade estava diante de mim, cruel e inegável. Não sei quanto tempo fiquei ali, observando o homem com quem eu estava prestes a me casar fodendo minha meia-irmã bem no meio da nossa festa de pré-casamento. Quanto mais eu o via se enterrando nela com gemidos abafados e a ouvia se contorcer e gemer de prazer sob ele, mais tonta eu ficava. Por fim, minhas pernas fraquejaram e me virei, voltando atordoada para a festa. O salão girava ao meu redor, as risadas e conversas dos convidados parecendo ecos distantes. As pessoas riam e sorriam, erguendo suas taças, brindando à minha "boa sorte". "Você tem muita sorte, Liv", disse uma das tias de Aaron, com uma taça de champanhe na mão enquanto se aproximava. "Aaron é um ótimo partido! Bonito, bem-sucedido... um partido dos sonhos." Forcei um sorriso, sentindo meus lábios rígidos. "Sim... que sorte a minha." "Olhe para você", outra mulher murmurou, seus olhos percorrendo meu vestido da cabeça aos pés. "Você está deslumbrante. Esse vestido deve ter custado uma fortuna! Ah, mas é claro, a família de Aaron tem um gosto impecável." "Obrigada", murmurei, sentindo a bile queimar minha garganta. "Você será a inveja de todos", ela continuou, sua voz enjoativamente doce. "Quero dizer, se casar com um homem como Aaron? Algumas de nós só poderíamos sonhar com isso." Senti minhas unhas se cravarem nas palmas das minhas mãos enquanto eu assentia educadamente, cada palavra penetrava na minha pele como veneno. Inveja de todos? Será que era só isso que eles achavam que era? Uma transação comercial? Algum deles via a verdadeira eu, ou só viam a garota que não tinha dinheiro se casando com alguém rico? Me virei, meu coração acelerado enquanto as paredes do salão pareciam se fechar ao meu redor. Os lustres brilhavam no alto, com sua luz intensa demais, e a música alta demais. Meu coração batia forte no meu peito, sentindo o peso das palavras deles me pressionar e sufocar. "Você está bem, Liv?" Cecil, irmã da mãe de Aaron, apareceu ao meu lado, colocando a mão no meu braço. Seus olhos eram gentis, mas calculistas ao mesmo tempo, a imagem perfeita da elegância da alta sociedade. "Você parece meio... estranha." "Estou bem", menti, forçando outro sorriso tenso. "Bom, você deveria estar. Afinal, esta noite é sua. É o início da sua nova vida." Seu sorriso era afiado, seus olhos percorrendo o salão como se ela já estivesse me imaginando no papel que havia escolhido para mim: a esposa perfeita. Engoli o nó na garganta e respondi: "Sim... acho que é." O sorriso de Magaret, outra tia de Aaron, se alargou ainda mais. "Não se preocupe, querida. Depois desta noite, você não terá que se preocupar com nada. Já planejamos tudo para você. Você se encaixará perfeitamente." Suas palavras foram como uma faca no meu estômago. Eu me encaixaria perfeitamente? Nesse momento, minha mente me mostrou uma imagem da vida miserável que eu teria se me casasse com um traidor como Aaron. Pisquei forte para conter as lágrimas que ameaçavam cair, meu peito se apertando a cada segundo que passava. Eles não me viam, nenhum deles. Eles só viam o que queriam ver: a garota pobre se casando com um homem rico, a estranha que eles estavam trazendo para o seu meio. "Liv, tem certeza de que está bem?" Uma voz interrompeu meus pensamentos em espiral. Era Megan, a dama de honra, uma parente de Aaron. Com a testa franzida de preocupação, ela se aproximou. "Você está parada aqui há um tempo. Talvez precise de um pouco de ar?" "Estou bem, Megan. Só... precisava de um momento", respondi com a voz tensa. "Bom, não te culpo", disse ela, seu olhar se suavizando. "Tudo isso é bem cansativo, não é? Mas já está quase acabando. Em breve, você será a senhora Aaron Montclair e tudo se resolverá." Soltei uma risada, um som oco. "Sim. Tudo está se resolvendo mesmo." Megan me lançou um olhar estranho, mas não disse mais nada. Eu não pertencia a esse lugar. Nunca pertenci. Ignorando o olhar preocupado do garçom, peguei uma garrafa no bar. Eu precisava de algo forte, algo que pudesse entorpecer as feridas no meu coração. Então, virei a garrafa, cada gole ardente uma pequena vitória sobre a dor que me consumia. Saí cambaleando do salão de festas, meus saltos batendo forte no corredor silencioso. Precisava de um lugar para chorar e desabar, mas nem sabia para onde ir. Minha suíte privativa... a executiva que Aaron havia reservado para mim... eu não conseguia me lembrar do número. Na verdade, não conseguia me lembrar de nada. Minha visão ficou turva enquanto vagava sem rumo, e então me lembrei do terraço. A música era apenas um zumbido no fundo da minha mente enquanto eu cambaleava em direção ao parapeito do terraço. O ar da noite era fresco, atravessando a névoa do álcool, mas não foi suficiente para entorpecer a dor dentro de mim. Meu peito parecia estar se fechando, como se cada respiração que desse doesse mais do que a anterior. "Que se foda o mundo!" gritei para o céu, liberando toda a dor, traição e mágoa que ameaçavam me destruir. Minhas pernas tremiam, instáveis pelo peso de tudo isso e pelo álcool. Queria continuar gritando, mas estava fraca demais, quebrada demais. Soltando o parapeito, cambaleei para trás. O chão parecia estar girando, me puxando para baixo com ele. Pude sentir meu corpo fraquejar e, de repente, meus pés escorregaram. Eu soube que estava caindo, mas não me importei. Talvez o chão me machucasse menos do que isso. No entanto, quando estava prestes a cair, um par de braços fortes envolveu minha cintura, me puxando para longe da beirada. Assustada, arregalei os olhos e olhei para cima, minha visão ainda turva. Mesmo em meio à névoa do álcool e das lágrimas, pude vê-lo claramente. Ele era... simplesmente de tirar o fôlego. Seus olhos escuros eram emoldurados por cílios espessos, seu maxilar tão afiado que poderia cortar a noite, e seus lábios cerrados em uma linha determinada. Ele tinha um ar de força tranquila, como se pudesse lidar com qualquer coisa, até mesmo comigo, quebrada como eu estava. Então, fiz a coisa mais estranha que poderia ter feito: pressionei meus lábios contra os dele.
Kaelon Quando seus lábios colidiram com os meus, fiquei atordoado, pois não esperava por isso, ainda mais vindo dela, a mulher que havia acabado de gritar como se o mundo estivesse desabando. Fiquei ali, paralisado por um momento, enquanto suas mãos agarravam minha gola e me puxavam para mais perto. Senti o álcool nos seus lábios, amargo e forte, mas por trás disso... havia algo mais. Me afastei e disse: "Seja lá o que te fez ficar assim, não vale a pena. Depois desta noite, confie em mim, você se sentirá melhor." Eu não ia deixar alguém tirar a própria vida no meu hotel e, pior, na véspera do casamento do meu filho. Ela sorriu, mas não disse nada, apenas se inclinou novamente e continuou a me beijar, num beijo que foi o mais estimulante que já ganhei em muito tempo. Eu sabia que deveria afastá-la. Droga, queria afastá-la, mas algo na forma como ela me beijava — o desespero, a emoção crua — mexeu com algo profundo dentro de mim. Eu não beijava alguém assim há anos — décadas, até. Não era só luxúria, mas algo mais, algo que eu não conseguia identificar. Eu deveria estar na festa do meu filho, não me envolvendo numa loucura no telhado com uma mulher qualquer. A festa estava acontecendo lá embaixo, e eu acabara de chegar de uma longa e exaustiva viagem de negócios. Minha assistente cuidou da maior parte dos preparativos do casamento enquanto eu estava fora. Eu havia trocado algumas mensagens com Aaron, mas as coisas estavam agitadas e ainda nem havia conhecido a noiva. Bom, pelo menos não pessoalmente. Eu confiava em Aaron — ele era inteligente, responsável e independente — mas ainda assim, uma parte de mim se sentia culpada por não estar mais presente. "Apareça no casamento. Não precisa ir à festa", ele havia dito essa manhã. Minha mente estava um pouco confusa por causa dos drinques que tomei na minha suíte antes de ser distraído pelos gritos vindos do telhado. E agora, aqui estava eu, envolvido em algo que não conseguia explicar. Seus lábios se moviam contra os meus, famintos e desesperados, e Deus me ajude, pois eu não me afastei. Pelo contrário, a beijei de volta. Por razões que eu não conseguia entender, achei o gosto dela bom demais para resistir. Seu corpo estava pressionado contra o meu, macio e quente, e por uma fração de segundo, me deixei levar por isso. Minha mente ficou em branco, o barulho do mundo lá embaixo desaparecendo em nada além do som das nossas respirações ofegantes e da sensação dos seus lábios nos meus. Mas então, a realidade me atingiu. O que diabos estava fazendo, Kaelon?! Interrompi o beijo, me afastando bruscamente. "Espere... o que está fazendo?" Minha voz estava rouca, áspera pela súbita onda de emoções. Ela piscou para mim, seus olhos vidrados e as pupilas dilatadas pelo álcool e pelas lágrimas. Seus lábios estavam ligeiramente entreabertos, inchados pelo beijo, e por um momento, pude ver a dor por trás da sua expressão selvagem. Ela estava sofrendo... muito... "Por favor... só me deixe te sentir", ela sussurrou, sua voz trêmula. "Preciso esquecer, mesmo que seja só por um momento." Suas palavras me atingiram como uma faca. Eu deveria ter ido embora, ou dito a ela que isso não era certo, que ela não precisava disso, que eu não era a pessoa que ela precisava, mas a maneira como ela me olhava, implorando e vulnerável, me causou algo. Algo que eu não sentia há muito tempo. Ela não estava apenas procurando uma fuga física, mas tentando afogar sua dor em algo, em alguém. Senti meu lobo se agitar com a vontade repentina de satisfazer sua necessidade. "Quem... quem é você?", perguntei, minha voz mal passando de um sussurro. A pergunta pairava entre nós, pesada, enquanto eu a encarava. Ela soltou uma risada suave mas sem humor. "Isso importa? Sou só uma ninguém. Apenas... mais uma garota tentando esquecer algo." A dor na sua voz me atingiu em cheio. Ela estava perdida e quebrada e, embora eu não soubesse sua história, pude perceber que ela estava à beira de algo sombrio. Meu instinto era ir embora e dizer a ela que precisava voltar para dentro e ficar sóbria, mas quando ela olhou para mim com seus olhos cheios de lágrimas, algo dentro de mim se rompeu. Contra meu bom senso, me inclinei e segurei seu rosto suavemente com uma mão. "Isso não vai resolver nada", murmurei, mas, mesmo dizendo isso, senti minha determinação se esvair. "Eu sei, mas...", ela disse, sua voz quase inaudível. "Não me importo com isso agora." Antes que eu pudesse impedi-la, ela me beijou novamente, desta vez com mais força, suas mãos se enroscando na minha camisa. E, droga, eu a beijei de volta, como não beijava ninguém há anos, como se ela fosse a única coisa que importava no mundo. Deveria tê-la afastado, eu sabia disso, pois não era um garoto imprudente que agia por impulso, mas, por alguma razão, com essa mulher, sentia que estava perdendo todo o meu controle. Eu sabia que deveria ter parado antes que as coisas saíssem do controle, mas não parei. E quando ela sussurrou "Por favor... preciso disso", algo dentro de mim se rompeu completamente. Puxei-a para mais perto, minhas mãos encontrando sua cintura, suas curvas e seu calor, pressionados contra os meus. Sua respiração ficou ofegante quando aprofundei o beijo, meus dedos se entrelaçando nos seus cabelos. Ela se derreteu contra mim, seus lábios famintos, como se ela estivesse sedenta por algo que não conseguia identificar. Eu nem percebi que havíamos nos movido até minhas costas baterem na porta da suíte do telhado. Suas mãos tatearam a maçaneta e, antes que eu percebesse, já estávamos lá dentro, com a porta se fechando atrás de nós. Interrompi o beijo por um segundo, ofegante enquanto a encarava. Seu rosto estava corado, seus olhos brilhando com algo selvagem e perigoso. "Tem certeza?", perguntei, minha voz baixa e rouca. "Porque depois que fizermos isso, não haverá volta." Ela acenou com a cabeça, mordendo o lábio, e essa foi a única resposta que eu precisava. Seus dedos puxaram minha camisa, a tirando da minha calça e, em questão de segundos, a camisa estava no chão, esquecida. "Sim, por favor. Preciso que você me faça gritar seu nome", ela implorou com os olhos fechados e os lábios cerrados. Abri um sorriso, sabendo que eu faria exatamente isso.
Liv Eu adoraria viver nos meus sonhos e nunca mais acordar, já que tive a experiência mais incrível da minha vida nos meus sonhos. O homem que vi parecia mais velho, até um pouco familiar, mas eu não conseguia me lembrar de onde o conhecia. Só queria poder encontrá-lo de novo. Meus pensamentos foram desviados pela luz que entrava pelas cortinas, queimando através das minhas pálpebras e me arrastando de volta à realidade. Minha cabeça latejava como se alguém tivesse dado uma martelada nela, mas isso não me incomodava tanto quanto o que eu teria que fazer hoje. Quando pisquei e abri os olhos, a primeira coisa que notei foram os lençóis desconhecidos, a frieza do tecido sob minha pele, e o pânico me invadiu. Sentei-me, e meu coração começou a acelerar enquanto as lembranças da noite passada começavam a inundar minha mente. O lugar, o beijo, ele... Não foi um sonho! "Ah, Deus...", murmurei, a voz rouca pelo sono e pelo arrependimento. Como vim parar aqui? Saí da cama às pressas, o mundo girando um pouco enquanto eu procurava minhas roupas. Com as mãos trêmulas, vesti o vestido da noite anterior, sem me importar com o cabelo bagunçado ou a maquiagem borrada que manchava minhas bochechas. Meu celular vibrou em algum lugar e o encontrei no chão, ao lado dos meus sapatos. Dezessete malditas chamadas perdidas. "Desculpe, amor, estou com saudades. Desculpe por ter tido que voltar para casa para pegar uma coisa, e acabei dormindo como um bebê. Espero que não esteja cansada ou exausta." A mensagem de Aaron apareceu na tela do meu celular. Quando li, uma onda de náusea me atingiu. Meu estômago se revirou enquanto eu olhava para a tela, a mensagem dele brilhando para mim como uma piada cruel. Desviei o olhar do celular e, ignorando a sensação de aflição no meu peito, saí correndo da suíte. Minhas pernas me levaram mais rápido do que eu conseguia pensar, pelo corredor, pelo saguão até chegar ao elevador que me levou de volta ao andar da minha suíte. Quando cheguei à porta, parei por um momento, pois as lembranças do que aconteceu na noite passada voltaram à minha mente. O toque dos lábios daquele homem nos meus, o jeito que me joguei nos seus braços, tentando desesperadamente esquecer tudo... As portas do elevador se abriram e caminhei até minha porta. "Onde diabos você estava?", gritou Megan, minha madrinha de casamento, correndo em minha direção. "Estávamos te procurando em todo lugar! A maquiadora está esperando há mais de uma hora!" Olhei para além dela e me deparei com as minhas madrinhas paradas no quarto, esperando por mim. Seus olhos se arregalaram em uníssono ao verem como eu estava. "Desculpe", gaguejei, sentindo o peso dos seus olhares sobre mim, incapaz de organizar um pensamento coerente. Minha cabeça estava girando, e meu coração batia forte enquanto tentava agir como se tudo estivesse normal. Megan me lançou um olhar preocupado, mas as outras já estavam me puxando para a suíte, cuidando de mim como se eu fosse uma boneca de porcelana. Elas me fizeram sentar em frente à penteadeira, e a maquiadora imediatamente começou a trabalhar, passando pó e usando pincéis na minha pele. "Não acredito que isso finalmente está acontecendo!", exclamou com entusiasmo uma das minhas madrinhas, segurando meu celular. "Olha, Aaron te mandou uma mensagem!" Olhei para a tela enquanto ela lia a mensagem em voz alta, sua voz cheia de admiração. "Aww, ele é tão fofo! Estou tão feliz por você! Você tem muita sorte de ter um homem como Aaron. Queria poder encontrar alguém como ele." Quando ouvi isso, tudo o que eu queria era gritar. Sorte? Sorte de me casar com um homem que me traiu? A imagem dele com minha meia-irmã surgiu na minha mente, o jeito que eles se beijaram, o jeito que se tocaram... Não foi só uma aventura, foi? Não, não foi... Parecia algo que eles faziam há muito tempo. Meu estômago se revirou enquanto eu olhava para meu reflexo no espelho, vendo elas me arrumando para um casamento com um traidor. Minha pele estava tensa sob as camadas de maquiagem, e meu coração estava entorpecido sob o peso da traição. Como elas podiam sorrir e rir, tão alheias à verdade? Como eu poderia ficar sentada aqui, fingindo que nada havia acontecido, fingindo que estava animada para me casar com um homem que havia quebrado minha confiança? As horas se passaram rapidamente e, quando me dei conta, estava no altar, com minha mão repousada na de Aaron. Ele estava bonito no seu terno, seus olhos brilhando de orgulho e carinho enquanto sorria para mim, mas tudo o que eu conseguia ver eram seus lábios na pele da minha irmã, e o jeito que ele a segurava e tocava. Minha mente estava repleta de cada lembrança repugnante e de cada segundo dessa traição. A voz do celebrante era um eco distante para mim. Eu mal ouvia as palavras, meu coração batendo cada vez mais forte. "Você, Liv Bennett, aceita este homem como seu legítimo esposo, para tê-lo e mantê-lo, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, enquanto vocês viverem?" Minha boca estava seca e minhas mãos suadas quando abri os lábios para falar. Podia sentir todos os olhares do salão sobre mim, esperando pela resposta esperada. Olhei em volta do salão por um momento e meus olhos caíram sobre minhas melhores amigas, Rose, Lara e Vio. Todas estavam usando vestidos idênticos na altura do joelho, exibindo sorrisos alegres, que eu apostava que se azedariam quando soubessem o que Aaron havia feito. Ainda bem que elas chegaram a tempo para o casamento. Sorri, mas não foi um sorriso de alegria. Eu sabia que todos estavam esperando pela minha resposta, mas a palavra que saiu da minha boca não foi a que eles esperavam. "Não." O salão ficou em silêncio, um silêncio absoluto. Um murmúrio de espanto percorreu a multidão quando todos se viraram para me encarar, seus rostos numa mistura de choque e confusão. A mão de Aaron apertou a minha, e seu rosto empalideceu enquanto ele se virava para me olhar, a descrença estampada em cada traço do seu rosto. "O que... o que você disse?", ele gaguejou, sua voz cheia de confusão. Puxei minha mão da sua, minha voz firme, como se cada gota de emoção que eu estava contendo finalmente tivesse transbordado. "Eu disse não, Aaron. Não posso me casar com você." O rosto de Aaron se abateu, e seus olhos se arregalaram de pânico. "Liv... do que está falando? O que está acontecendo?" Encarei seus olhos, a raiva borbulhando dentro de mim. "Te vi ontem à noite, Aaron. Com minha meia-irmã. Vi tudo." A cor se esvaiu do rosto de Aaron. Seus lábios se entreabriram, mas nenhuma palavra saiu. O salão estava estranhamente silencioso, todos paralisados, e seus olhos se moviam entre nós dois como se estivessem assistindo a algum tipo de novela. "Por que não me disse que era ela que você queria?", perguntei, minha voz trêmula de fúria. "Por que me enganou todos esses anos, me fazendo acreditar que me amava, enquanto estava transando com ela pelas minhas costas?" Aaron abriu a boca para falar, mas nenhum som saiu. Seus olhos se arregalaram de pânico, e sua mão se estendeu para mim, mas dei um passo para trás, o desgosto e a traição me invadindo. "Liv, por favor, não é o que está pensando..." Interrompi ele, meu coração batendo forte no peito. "É exatamente o que estou pensando. Eu te vi, Aaron. Te vi com ela. Não posso me casar com você. Não depois disso." Lágrimas surgiram nos meus olhos, mas me recusei a deixá-las cair, porque não queria que ele visse o quanto isso havia me destruído. Então, me virei e desci do altar, o deixando ali, sem palavras e sozinho. Os murmúrios de espanto da multidão aumentaram, mas não me importei e não podia me importar. Tudo o que sabia era que não iria me casar com um homem que não me respeitava, um homem que havia me traído da pior maneira possível. Sem esperar por mais drama, acelerei o passo e fugi. "Liv! Espere!", ouvi Rose gritar. Avistei seus cabelos ruivos pelo canto do olho e sabia que, se eu parasse, os outros na igreja poderiam me alcançar. E isso era algo que eu não queria.