Francine (LIVRO ENCONTRA-SE EM REVISÃO) Hoje estou mais do que feliz ! , meu melhor amigo de infância irá retornar para o Brasil novamente , depois de 11 anos . Crescemos juntos , embora eu seja empregada de sua casa; seus pais não tinham distinção de posição social , pelo contrário gostavam até de mim e me pagam uma faculdade , uma das melhores daqui de São Paulo; sou muito agradecida a eles , se não fosse por isso eu realmente não sei o que seria de mim , talvez estivesse jogada na sarjeta com meu padrasto bebum a tiracolo – Não faz nada , bebe o dia inteiro e quando volta é pra vomitar o pequeno quartinho em que eu alugo na favela onde moro em Paraisópolis , é o único lugar onde posso pagar já que nossa casa foi tomada de nós por não ter pago o IPTU quando ainda eu era uma criança e minha mãe ter me abandonado com meu padrasto , nunca mais soube de seu paradeiro e nem sei se ainda me interesso para saber . Nos finais de semana fico aqui na mansão Scozari , e durante a semana eu estudo , quase não tenho tempo para nada , minha vida é uma eterna correria , mesmo assim divido meu tempo em dar uma passadinha em casa , deixar comida pro mala sem alça do meu padrasto e limpar sua bagunça que parece não ter fim . Não tenho obrigações com ele , mas também me dá muita pena deixá-lo ao Deus dará . Pra minha sorte ainda tenho minha madrinha Ester , foi ela quem cuidou de mim desde que fiquei órfã . - Vai limpar o quarto do garoto e deixe de ficar com essa cara de boba sonhadora – Recebo um peteleco na minha testa de dona Ester , me fazendo sobressaltar, já que estava debruçada no corrimão da escada pensando na vida . - Eu já limpei e arrumei tudo , até mesmo os quartos de visita – Minha madrinha me estreita os olhos enquanto eu sorrio com minhas sobrancelhas arqueadas massageando o lugar em que ela me deu um peteleco . - Acho bom – Resisto a vontade de revirar meus olhos . Às vezes ela é bem mandona – Está ansiosa para revê-lo, não é ? – Sorrimos uma para a outra em cumplicidade - Sim , já faz tanto tempo . Nem sei se ele vai me reconhecer ainda – Dou de ombros me balançando no meu lugar - Se lembra sim , com certeza ! . Meu menino é um bom garoto , e já deve estar um homem feito e muito lindo – Ela me olha com interesse me cutucando nas costelas - Deixa só o Edgar ouvir isso – Me refiro ao meu namorado Minha madrinha bufa com cara de reprovação , ela não gosta nenhum pouquinho dele , diz que o coitado é um encostado . Eu não vejo mal algum em ajudá-lo com o pouco dinheiro que ganho , já que ele nunca consegue um trabalho e ainda tem que cuidar de sua mãe que é muito doente . - Me pergunto todos os dias , o que você vê nesse moleque ! – Vou pra protestar mas ela me cala com um dedo em riste – Ainda vai se decepcionar com esse cara , e depois não diga que não avisei – Me emburro cruzando meus braços - Para de me rogar praga madrinha . Deus me livre ! , eu o amo e ele me ama e fim de papo – Não gosto que falem mal do Edgar se ele não pode se defender . Ela balança a cabeça em negativa pra mim – Espero estar enganada . Agora chega dessa conversa e vamos terminar de arrumar a casa e fazer o almoço , daqui a pouco meu menino chega – Me puxa o braço para acompanhá-la enquanto eu rio - A senhora trata o Alexander como se ele fosse ainda um menino - Ela me dá uma olhadela feia - E pra mim vai sempre continuar sendo , ele sabe que fui eu quem troquei suas fraldas sujas de merda . – Caímos na risada . *** Eu já não tinha nem unha pra roer de tão nervosa que estava , andava de um lado para o outro esperando a campainha tocar e enfim anunciar que o Alex chegou ! .Caramba! , só de pensar que irei rever meu melhor amigo me dá um frio na espinha de tanta ansiedade . E então meu coração pula na minha garganta quando o interfone toca. - Tia Ester , é o Alexander – Uma voz grave encantadora surge através dos meus ouvidos . Como seu timbre mudou...claro né , ele era uma criança quando foi pra Europa estudar e agora é homem feito . Quando enfim consigo despregar meus pés do chão e caminhar até a porta . Minha madrinha surge não sei de onde , passando por mim como em uma maratona de corrida e abrindo a porta e levando as mãos a boca olhando Alexander dos pés a cabeça , enquanto eu perdi meu fôlego . Claro que eu sabia que ele era muito bonito , mas o que ele se tornou agora não existe palavra pra ser colocada como adjetivo , meu queixo está no chão de incredulidade – Meu amigo está um cara irresistivelmente lindo ! , e muito grande , tipo parece mesmo que comeu muito fermento . Minha madrinha é suspendida do chão enquanto os dois entram aos risos e ela chora e ri ao mesmo tempo , enquanto estou estática no meu lugar de olhos esbugalhados . - É tão bom te ter em casa meu menino . – Ela diz emocionada – Olhe só como está ainda mais bonito ! – Ele abre um sorriso escandaloso de bonito pra ela e seus olhos azuis como o mar brilham completando o fenômeno da natureza . - Digo o mesmo Tia Ester – Ele corre os olhos pela sala e para em mim , com curiosidade e um sorrisinho torto toma sua face quando me analisa dos pés a cabeça – E essa quem é? ... não pera aí , deixe-me adivinhar – Estala o dedo e aponta com o indicador – Francine? – Os olhos pregados em mim , então se aproxima mais do que eu estava preparada . Caramba ! ele é muito lindo mesmo , parece aqueles modelos de capas de revista . Então sou agarrada de supetão quando ele me dá um abraço de urso e eu inalo seu perfume – Até nisso ele é bom , cheira muito bem . Me pareço muito com uma robô , já que meus braços ficam inúteis e nem retribuir o abraço eu consigo, e no entanto logo ele se separa de mim - Poxa! , como você está ... gata . – Seus olhos são brincalhões - O que aconteceu com ela tia Ester ? – Ele vira metade do ombro pra olhar minha madrinha – Não fala mais....? - Pare de fazer a estátua e cumprimente o Alexander Francine . Estava toda espoleta de manhã esperando por sua volta e agora ficou tímida de repente? . Vai ver é porque se impactou com a sua beleza – Os dois caem na gargalhada - Madrinha para ! – Estou mortificada .- Me desculpe Alexander , é que sei lá ....você está diferente , nem parece mais a mesma pessoa. Ele faz um biquinho , coisa que nunca mudou , isso reconheço bem. Quando fica pensativo sempre fazia isso enquanto seus olhos semicerram-se. - Isso é bom ou ruim ? - Sobre o quê ? – Minha madrinha revira os olhos e bate na própria testa - Sobre eu não parecer a mesma pessoa – Seus olhos azuis me perfuram - Ah .. não, claro que não ! . Digo que você esta muito bonito , muito mesmo – Meu rosto esquenta de vergonha . Ainda bem que sou negra . - Ah! então quer dizer que antes eu era feio ? – Lhe olho horrorizada e ele ri de mim - Alex ! – Lhe dou um tapinha de brincadeira em seu braço - Agora sim ! . Aí está minha velha e querida amiga . Vem cá , daqui aqui um mega abraço no Alex da Fran – Sorrio pra ele e nos abraçamos fortemente , ele suspira depositando um beijo na minha cabeça e me separando dele me segura nos ombros me olhando nos olhos – Senti a sua falta .- Entorta a boca me encarando muito sério. - Eu também senti muito a sua falta . Minha tia pigarreia soltando um risinho estranho - Quer almoçar agora meu filho ? – Ele a olha confuso e coça a nuca de cenho franzido - Vou subir e tomar um banho primeiro .- Então seus olhos se direcionam para mim – Te vejo depois – Me pisca o olho – Onde estão meus pais ? – Pergunta a minha madrinha Ah! Só agora ele veio se lembrar que tem pais , sinto vontade de rir . Alex não mudou nada - Em uma reunião e só voltam à tardezinha . Eles te deixaram as boas-vindas no seu quarto .- Ele faz uma careta e sorrindo pra nós some lá em cima . Corro pra ver se ele não está mais em alcance e volto pra perto da minha madrinha assoviando - Jesus amado ! . Ele está muito bonitão madrinha – Porque minha voz esta aguda ? Ela ri concordando - Notei isso . Agora vem me ajudar a colocar o almoço do menino. A porta da cozinha é empurrada fazendo eu e minha madrinha olharmos , ela logo fecha a cara - Edgar . O que faz aqui agora? – Falo pra ele arrancando o avental e ignorando o olhar mortal de dona Ester . - Oi gatinha , preciso falar com você – Assinto fechado a porta e deixando atrás de mim o bufar de minha madrinha . - O que houve ? - Tô precisando de grana . - De novo ? , e o que eu te dei na semana passada? – Pergunto de olhos grandes - Tive que arcar com os tratamentos pra minha mãe e agora preciso pra comprar seus remédios – Fico olhando pra ele – Me quebra essa aí neguinha vai . Por favor ! – Juntas as mãos – Quando eu achar um trabalho eu te devolvo tudo , eu juro ! - De quanto você precisa ? – Pergunto - 600 contos – Meu queixo bate no chão - Eu não tenho essa quantia não , só recebo no mês que vem ! - Por favor princesa , arranja aí . É pra minha mãe amor – Seus olhos me cortam o coração . Eu também gostaria de ter uma mãe pra ajudar , mas ela preferiu me abandonar e sumir no mundo . - Espera aí . Vou pegar emprestado com a minha madrinha – Ele assente e eu entro novamente na casa - Eu ouvi tudo . Pega lá na minha carteira – Sorrio alegre pra ela – Minha menina! , toma cuidado com esse cara , pelo amor de Deus . Ele não me cheira a coisa boa . - Vou te devolver seu dinheiro no próximo mês , e a senhora bem ouviu que ele vai me devolver quando começar a trabalhar .- Ela me dá um olhar penoso , então sumo de suas vistas . Pego o dinheiro pro Edgar e dou pra ele . - Aqui , eu só tenho esse e nenhum mais -Obrigado meu amor . Você é demais –Me dá um abraço forte e depois nos beijamos . Ele é tão carinhoso - Te vejo mais tarde ? – Me pergunta - Claro que sim – Sorrio pra ele e lá Edgar vai embora . Solto um longo suspiro olhando pro Céu e pedindo a Deus que abra as portas de emprego pra meu namorado , ele precisa tanto tadinho , ainda mais do que eu .
Estava no ônibus com os fones plugados no meu Samsung mergulhada na música da Iza ''pesadão'' , me remexia até um pouco porque a batida é bem envolvente e de certa forma a letra é minha realidade ,para pessoas que moram em favelas como eu sofrem muito preconceitos pela sociedade , é como se fôssemos o lado negro da nação ou seja os excluídos. Além do mais ....minha cor de pele não ajuda muito ;negra , favelada e pobre ,no mínimo é ladrona , é isso que sempre pensam , não que eu me importe , para mim tanto faz , no entanto não significa que não deixe de doer. Puxo a cordinha quando chego no meu destino , me espremendo pelos corpos tentando me esquivar quando é impossível . Quando me vejo fora da lotação , respiro fundo soltando uma lufada de ar recebendo o vento que é bem-vindo , embora esteja um calor sem fim – preciso mesmo de um banho de praia urgente , então o diabinho sopra no meu ouvido '' Até parece que você tem tempo pra isso'' – Então resisto a vontade de lhe dar o dedo do meio ,onde as pessoas que passam por mim poderiam achar que estou louca , então me concentro em apenas rolar os olhos e subir ladeira acima até chegar na quitinete em que moro com meu padrasto . Como já estava acostumada a subir isso aqui desde que me entendo por gente , não me surpreendo quando chego em tempo recorde , um pouco ofegante e mesmo assim passei cumprimentando os vizinhos, por ser o lugar que é , quase todo mundo se conhece . Nem dei espaço pra começarem a indagar da minha vida , e nem fiz questão pra parar e bater um papo , ainda tinha muita coisa pra fazer e tenho que estudar para uma prova que farei amanhã no primeiro horário . Quando chego em casa , arrasto as chaves da minha bolsa a destrancando e jogando minha mochila em cima do sofá pequeno que mau cabe na pequena sala , fazendo uma careta quando dou de cara com meu padrasto Kenedi esparramado no outro sofá de braços abertos , sendo que um se arrasta quase pelo chão , está de boca aberta e o mau cheiro de bebida e álcool inunda por toda a sala. Marcho até a cozinha apertada pegando tudo que preciso pra fazer uma faxina na casa , aproveitando do desmaio alcóolico dele . É sempre assim , vive nessa vida e nunca toma vergonha na cara pra se levantar e procurar algo bom pra se fazer na vida , ao invés de passar a semana dentro de um bar enchendo a cara . Se não fosse por minha madrinha , eu realmente não sei o que seria de mim ; por os Scozari serem um casal de juízes , eles conseguiram passar minha guarda pra minha madrinha Ester me salvando dessa vida ao lado de Kenedi , ele é um bom homem , só esta perdido na vida , desde que minha mãe nos abandonou. Quando estou pegando a última remessa de lixo e jogando na lixeira, encontro uma garrafa vagabunda de 51 debaixo do forro do sofá ; isso foi mesmo uma tentativa de esconder a cachaça? – Minha mente é sarcástica . Então Kenedi resmunga algumas palavras incoerentes e abre os olhos se deparando com os meus irritados pra ele . O mesmo faz uma careta se ajeitando pra sentar no sofá, mau dando conta de fazer isso , enquanto eu fico olhando seu ''espetáculo'' bebum . - Que horas você chegou?- Sua voz soa embolada , passo por ele levando o lixo pra cozinha pra pôr num saco maior pra jogar fora. - A tempo suficiente – Jogo uma cartela de aspirina pra ele , este olha pra sua mão de testa franzida e pra mim de volta - Pra quê isso ? – Arqueio uma sobrancelha pra ele - Vai precisar de alguma coisa pra sua ressaca . Ou talvez nem precise mais , já que a bebida faz parte do seu sistema digestivo . Ele comprime os lábios numa linha fina ficando em silêncio e baixando as vistas , pela minha alfinetada Bufando vou até a geladeira velha , crendo que ela tem bem a minha idade , pegando a garrafa com uma caneca que fica numa bandeja acima dela e trazendo pra ele . - Obrigado – Agradece depois de ingerir o comprimido - Precisa de mais alguma coisa? – Presto atenção nele – Comeu alguma coisa? , posso fazer alguma coisa pra você . – Porque eu sou tão boba com esse cara? - Não precisa , estou sem fome . Mas agradeço – Balanço minha cabeça pra cima e pra baixo de forma monótona , pegando minha mochila de cima do sofá pequeno e passando por Kenedi até o meu quarto . - Como vai seus estudos ? – Ele está mesmo querendo dialogar comigo ? Freio meus passos e ando mais uns, ficando no seu campo de visão - Está querendo mesmo conversar neste estado ? – Não pude evitar a aspereza na minha voz . Me dá muita raiva ver uma pessoa se destruindo, ao invés de lutar pra sair do buraco em que se encontra . Ele resmunga alguma coisa que eu não ouço mais , pois já tinha batido a porta do meu quarto e ainda passado a chave . Por várias vezes Kenedi roubou dinheiro de mim pra beber no barzinho da esquina, se aproveitando das poucas horas de cochilo que eu tirava, quando já não aguentava mais estudar e acabava caindo no sono . A apostila parecia não ter fim , faço faculdade de assistência social é uma área que me identifico muito . Duas horas depois ele bate na porta do meu quarto – Vou sair Eu finjo que não escutei e continuo a estudar , me irritando mais uma vez por saber o que ele vai fazer – Me pergunto porque não fico na mansão Scozari ao ter que vir pra casa passar estresse com Kenedi . Mas no fundo sei que é apenas para ver se ele está bem e não se meteu em encrenca . Meu celular chama e eu atendo franzindo a testa por não reconhecer o número - Alô? - Oi amor ! – É Edgar - Oi , o que foi amor ? ,aconteceu alguma coisa? – Fico alarmada - Sabe nosso encontro pra daqui uma hora? , pois é não vai mais rolar -Por que não ? – Questiono mesmo não me lembrando mais que havíamos marcado um encontro - Pois é amor .... Pintou um bico ali , vou substituir um amigo no boteco do nini- Ouço vozes por detrás da ligação. - Que barulho é esse aí? , quem está com você ?- Indago roendo as unhas . Eu não estava me lembrando que ía sair com ele , mas agora realmente me toco de que preciso tirar o stress de mim . - Hã o que ? ... ah .. é uns amigos – Ele sussurra alguma coisa com alguém – Vou desligar, depois a gente conversa .- E sem me dar nenhum espaço pra falar , a ligação é encerrada na minha cara . Olho pro celular incrédula. Ele realmente fez isso ? Quando eu já estava emburrada outra vez meu celular chama, atendi na esperança de que fosse Edgar e que tivesse mudado de ideia . - Edgar ? - Alex falando ...- Solto um suspiro tapando meu rosto com uma mão e trancando meus olhos . Que mico ! – Aliás quem é Edgar ? - Me perdoe , achei que fosse meu namorado – Me explico gesticulando para mim mesma , morta de vergonha A linha fica em silêncio por uns segundos , achei que tivesse caído a ligação até ouvir sua voz novamente – Qualquer dia nos apresenta , vou adorar dizer a ele que você é minha melhor amiga . Eu dou risada já aliviando a tensão do meu corpo um pouco. - Vocês vão se dar muito bem , o Edgar vai gostar de você. Ele é muito legal ! – Digo animada – Então a que devo a honra desta ligação?. Ele solta uma risadinha baixa – Estava aqui no maior tédio olhando pro teto e então pedi seu número a tia Ester , porque preciso sair pra dar uma espairecida e conhecer alguns lugares legais . Aí pensei, que tal convidar a Francine pra ir comigo ? , então... o que me diz ? - Topo agora mesmo ! – É como se os anjos ouvissem minhas preces pra sair de casa um pouco – Só vou trocar de roupa . Onde nos encontramos ?, sabe que eu moro na favela né ?- Brinco - Tô sabendo um monte de coisa a seu respeito , não que obriguei tia Ester me dizer e tal – Eu rolo meus olhos sorrindo de sua cara de pau –O único detalhe que nunca soube é que você tinha um namorado .- Pontua sorrindo de leve - Minha madrinha não gosta nenhum pouco dele . Então lógico que ela jamais em hipótese nenhuma ía tocar no nome do Edgar com você . - E por que ela não gosta ? – Sua voz é curiosa - Quando você vier me buscar eu te falo. Então , me pega no final da rua , aqui não pode subir carros estranhos , você sabe né ? - De boa . Te pego daqui a pouco , até logo Fran . - Até Alex – Pulo da cama encerrando a chamada e abrindo meu pequeno armarinho e catando um vestidinho rodado vermelho e de costas nua , como não sei aonde vamos porque não sei aonde o Alexander vai me levar , então opto por usar algo que se encaixe em qualquer lugar . 20 minutos depois eu já estava pronta e de sorriso escancarado , desci de havainas com o sapato de salto dentro da minha bolsa , não tem como descer essa ladeira de saltos . Tranco a porta guardando a chave na minha bolsa e com uma roupa de troca dentro da mesma já que vou ficar pela mansão Scozari na volta . Foi o prazo de eu ter chegado no final da rua . E um BMW branca estacionar na minha frente ,os vidros descem e sou recebida com o sorriso maravilhoso do Alex . Este veste uma camisa de cor creme com alguns botões abertos . - E então... vamos ? – Me dá um sorriso torto Abro a porta do carro me acomodando no assento e colocando o cinto de segurança enquanto os vidros se fecham , e logo o ar condicionado se faz presente . Vida de gente rica é outra coisa . - Está linda ! – Ele elogia se inclinando e plantando um beijo na minha bochecha esquerda , fico constrangida mas sorrio para ele. - Obrigada ! , você não esta nada mau . Pisca pra mim – Agradeço pelo elogio - Mas então , seu padrasto como está? – Alex pergunta , olhando através do retrovisor pra ver se vem algum carro , enquanto ele atravessa pra entrar na outra estrada que dá no tráfego saindo de Paraisópolis . - Bebendo como sempre . Não sei mais o que ele quer da vida , aliás sei , nada ! – Falar de Kenedi me deixava irritada , desvio o olhar pra janela. - Imagino que seja mesmo uma barra .- Uma pausa – Mas me diz , e seu namorado ? por quê tia Ester não gosta dele? – Mexe no som colocando numa altura ambiente. - Implicância dela ! . Diz que o coitado é um encostado porque às vezes me pede dinheiro emprestado pra ajudar a pagar o tratamento e os remédios de sua mão que está muito doente – Meu coração se aperta ao imaginar essa senhora doente , um dia terei que ir vê-la , nunca a vi já que tem oito meses que namoro com Edgar . - Mas tia Ester deve ter algum motivo mais claro....plausível ,pra não gostar mesmo dele . Ela é do tipo que não aprova uma coisa, quando realmente não presta – Então ele me dá um olhar pedido perdão pelo que falou, eu dou de ombros – Me perdoe a expressão . - Sem problemas . Mas quando você conhecer ele , vai ver como é super gente boa .- Ele assente sem olhar pra mim mordendo o lábio inferior . A boca de Alex é bem bonita , mas desvio o olhar dele . O caminho até a balada foi descontraído , ficamos conversando sobre nossa infância e o quanto aprontávamos juntos . Inclusive uma vez que quebramos um vaso caríssimo de sua mãe , quando jogávamos bola dentro de casa , ficamos de castigo por uma semana inteira . Já tinha trocado minhas havaianas por meus saltos debaixo dos olhares de Alex que ria baixinho enquanto murmurava'' mulheres'' - Você já tinha marcado com alguém aqui ? – Pergunto quando entramos sem nem pegar a fila Ele caminha ao meu lado , e não me passa desapercebido os pescoços das mulheres entortando-se para olhá-lo , não é de se admirar ....ele é muito lindo . - Sim , se lembra do Rodrigo ? Faço uma careta – Aquele moleque gordinho que me enchia o saco quando ia fazer os deveres do colégio com você? – Alex cai na risada , me tocando de leve nas costas enquanto passamos pelo meio do povo que bebem e dançam ao som de alguma música Eletrônica do'' Alok'' Definitivamente eu odiava esse menino , ele era uma peste ! , puxava meu cabelo , e teve um dia que ele jogou suco de melancia na minha cara , eu chorei e o Alex bateu nele e o expulsou de sua casa, os dois só voltaram a ser falar quando eu pedi ao Alex para perdoá-lo, eu não queria ser o pivô da discórdia com seu amigo . - Vai se surpreender quando você ver ele . Tá bem diferente daquela época – Eu duvidava... Mas quando Alex nos apresentou eu fiquei incrédula diante do cara bonito na minha frente ,tinha uma tatuagem que cobria metade de seu braço , já que este estava de camisa lilás colada ao corpo e calça jeans igualmente justa. - Não posso crer que é mesmo a Francine .– Ele brinca abrindo um sorrisão e me tomando em seus braços , Alex ri cruzando os seus – Tá gata pra caralho ! – Me soltando me dá uma checada dos pés a cabeça . - Pare de exageros , mas obrigada! . Você mudou bastante , está sociável agora? – Alex gargalha fazendo pedidos de bebidas ao barman - Sempre fui sociável gatinha . Tem namorado ?- Me avalia outra vez , com os olhos presos nos meus e um sorrisinho cafajeste , que me faz pensar que todas as mulheres devem se jogar aos seus pés e clamar por seu toque . - Sim, eu tenho ! - Que pena !-Passa a língua pelos lábios , enquanto Alex me passa uma bebida de cor rosada e de canudinho com uma laranja de enfeite . Dou um gole gostando do sabor . - Pare de ser sacana Rodrigo . Eu te conheço ! , não caía na dele Fran – Alex avisa rindo um pouco - Nem que eu fosse solteira Alexander . Ele não faz meu tipo – Solto uma risada e eles também - Vamos ver – Ignoro seu olhar predador pra cima de mim - Francine! – Olho pro lado quase me engasgando quando Rebeca pula em cima do meu corpo me dando um abraço forte . Ela é minha colega e amiga , nos conhecemos desde o ensino médio e fazemos o mesmo curso na faculdade . - Rebeca! , oi – Sorrimos . Ela está lindíssima , vestido justo coladinho bege e cabelos lisos , ela é ruiva de olhos verdes . - Até que enfim você resolveu sair de casa .- Rolo meus olhos rindo - Agradeça a eles – Aponto pros rapazes . Rodrigo da tchauzinho pra ela , e Alex sorri simpático . O sorriso de Rebeca se escancara . - Estão com eles? – Ela inquere muito interessada - Alex é meu amigo e Rodrigo amigo dele – Apresento . Então ela vai os cumprimentar antes que eu pudesse ter a chance de fazer. Abraça os dois com beijinhos na face . - Vou roubar a Francine por uns segundos de vocês rapazes – Eles assentem enquanto ela me puxa até o outro lado do lugar barulhento . - Algum deles dois é seu namorado?- A mesma pergunta de olhos arregalados junto a um sorriso que eu diria ser psicótico. - Claro que não ! – Falo de olhos imensos de repente – Você não ouviu eu dizer antes? , Alex é meu amigo e Rodrigo é amigo dele . - Me desculpe ! , estava encantada com tamanha beleza e gostosura . O moreno lindo de olhões da cor do céu é o Alex certo? – Eu confirmo balançando minha cabeça positivamente – Amiga ! , eu estou muito , mais muito interessada nele ! , você NÃO TEM NOÇÃO ! – Sua voz sobe umas oitavas me deixando mais surda do que o som da balada . – Me passa o número dele ! - Não mesmo ! ,acho melhor vocês conversarem primeiro . – Ela assente freneticamente mordendo os lábios animada e se olhando e ajeitando o cabelo com um arrastar de mãos. Volto pra perto do Alex , ele está sozinho. Rodrigo sumiu então acho o momento propício - Rebeca quer bater um papo com você – Ele faz uma careta engraçada e eu dou um tapa em seu braço sorrindo. -Mais agora? - Humrum . Por favor Alex , ela é minha amiga – Peço fazendo biquinho . Ele suspira torcendo a boca -Tá bem Francine . Quem saiba eu não esteja precisando mesmo de uma distração? – Pisca pra mim e vai pra perto de Rebeca , ela me dá um positivo e se concentra em Alex . Eu bebo minha bebida me balançando um pouco com a música . Dou um pulo quando alguém me pega por trás dando um apertão em minha cintura . -Que susto Rodrigo ! – Reclamo com ele que ri achando a maior graça da situação. - Foi mal . Nosso amigo se deu bem hein , e você? não quer se dar bem comigo também não ? – Arqueia uma sobrancelha. - Pare de dar em cima de mim . Não sou essas garotas com quem você fica , eu tenho namorado ! -Ótimo! , não sou ciumento – Reviro os olhos pra ele pela vigésima vez desde que cheguei aqui . - E aí bonitão , vai comer a amiga gostosa da Francine ?– Olho torto pra Rodrigo , ele se desculpa sorrindo abertamente - Marcamos de nos encontrar amanhã . Sua amiga é louca ! , ela me perguntou se eu sou gay ! – Gargalhamos da cara de Alex . - Por que ela te perguntou isso ? – Rodrigo pergunta se contorcendo - Dizendo ela , é que sou bonito demais – Ele faz aspas no ar – Sendo que hoje em dia é modinha homem ser bissexual ou homossexual , não tenho preconceito nenhum . Mas a respondi que não sou nenhum nem outro , então ela arregalou os olhos e disse que eu era assexuado – Revira os olhos enquanto estou apoiada no balcão rindo , sentindo minha barriga doer . - Mas você ESCLARECEU NÉ? – A voz de Rodrigo sai esganiçada pelo riso constante - Claro . Sou hétero porra! , amanhã mesmo ela vai tirar suas próprias conclusões – Abre um sorrisinho malicioso A noite foi ótima! e só chegamos em casa por volta das duas da manhã , rindo horrores Alexander fechou a porta , a casa só estava acesa a luz das escadas a da sala estava escura . - Gostou de ter saído comigo? – Alex pergunta enfiando as mãos no bolso e me encarando por debaixo dos cílios , mordiscando o lábio. - Adorei ! , estava precisando mesmo me divertir . Obrigada ! – Ele se aproxima de mim com os olhos pregados nos meus , quase dou um passo atrás por puro instinto. - Disponha . Quando precisar sair pode falar comigo , estarei sempre disponível pra você – Seus olhos brilham com intensidade . Então ele se inclina dando um beijo quase demorado na minha bocheha. - Agradeço amigo – Sua expressão fica séria . Ele assente se afastando de mim e subindo as escadas - Boa noite Francine. -Boa noite Alex...- As palavras morrem na minha boca , pois ele já tinha subido o lance das escadas apressadamente e nem ouviu o que eu disse.
- E aí ! , como é que foi seu encontro com a Rebeca ?- Eu pergunto a Alexander quando estou arrumando sua cama . Ele tenta me parar mas eu nego dizendo que sempre fiz isso e é meu trabalho . Então ignoro o seu bufar enquanto ele cai deitado no colchão com as mãos debaixo da cabeça flexionando seus músculos ,olhando pro teto . -Trepei com ela – Passa a língua nos dentes – É gostosa. Jogo o travesseiro nele dando risada - Que boca suja! . Mas me conta , gostou? - Ela é louca ! – Revela me dando um olhar enviesado , eu presto atenção me sentando ao seu lado da cama de pernas cruzadas - Você já tinha me dito isso antes – Sufoco um riso quando ele rola os olhos - Ela tem um fetiche esquisito . Ela gosta de rastejar de quatro pelo quarto e ronrar como uma gata no cio , antes e depois do sexo .Chegava até a fazer miau na hora de gozar - Eu me dobro sobre meu corpo me contorcendo de rir – É o tipo mais bizarro de merda que ninguém suportaria . -Miauuuu....miaaauuu....MIAU! – Eu encho seu saco ainda rindo - Vai se ferrar Francine - Será que ela comeu erva do gato demais?- Fico zoando ele -Se não fosse por essa esquisitice dela , daria pra prolongarmos nosso caso , mas definitivamente não dá!- Ele bufa se levantando com uma cara engraçada e arrancando a camisa e jogando sobre os ombros . Sem querer meus olhos fixam-se nos gominhos bem definidos de seu tanquinho . Desvio o olhar e sorrio pra ele - E você? o que tem a me contar sobre seu namorado ?- Dou de ombros - Não tenho do que reclamar . Edgar é bom no que faz – E então ele abre um sorrisinho torto - Bom é uma forma educada de você , chamar o sexo entre de vocês de chato. - Ainda não rolou sexo entre a gente – Arrasto as mão no meu cabelo e olho pra minhas unhas – Quer dizer , ele quer que eu vá ficar na casa dele , mas eu estou sei lá ...-Solto um suspiro e encaro Alex Ele caminha de volta até mim ,se agachando na minha frente com ambas as mãos ao lado do meu corpo em cima da cama -Você ainda é virgem? – Meu rosto esquenta e nego com um balançar de cabeça . O tom de Alex é gentil. - Não sou virgem , oh! Faz tempo – Estalo os dedos me levantando saindo de sua frente , me senti nervosa falando de minha vida intima com Alex . Ele se senta na beira da cama e passa a mão na nuca e logo me olha - E então... porque esse temor em ficar com o cara?- Até tento fugir da intensidade de seus olhos porém não consigo tal feito. -É que não tenho certeza se devo fazer isso , sabe? . Estou com um pressentimento ... - Que tipo de pressentimento? – Me remexo no lugar trocando de pés diante da franzida de sua testa. -De que não é uma boa ideia . Que não é a hora certa. Eu sempre precisava de uma sessão de uma auto análise quando pensava em dormir com um homem ,tudo tinha que ser medido em termos de riscos e recompensas . - Veja – Alex retoma sua fala – Se vê que não se sente pronta , então não fique com ele. Eu brinco com minhas mãos baixando as vistas – Me diz uma coisa ..- Olho pra ele – Como você é homem e entende a cabeça louca de vocês . Será que ele aceita? , já tem oito meses que estamos juntos . Alex se engasga – Só oito meses ? – Seu olhar é incrédulo – Do jeito que você fala do cara , parece que tem mais do que oito meses. - Está vendo ? , é isso que estou dizendo . Se você reagiu assim imagina ele . – Já estou nervosa – Ainda mais que ele acha que essa noite vai ser a noite . - Não quis te deixar ainda mais nervosa – Ele mais uma vez anda até mim e segurando em meus ombros , uma mão desliza pra debaixo do meu queixo me obrigando a olhar pra ele . Seu olhar faz uma investigação no meu rosto – Mas se estiver se sentindo assim , não vale a pena você transar com o cara sem estar afim , vai ser tão ruim pra você quanto pra ele . Ficamos nos encarando – É... acho que você tem razão. - Sempre tenho – Pisca pra mim com um sorrisinho tentando aliviar o clima – Olha Fran , eu sempre estarei aqui pra o que você precisar , não importa! mesmo que eu esteja no escritório trabalhando , paro tudo pra te ajudar . Não se esquece, tá? – Meus olhos se enchem de lágrimas e eu só abraço ele , suas mãos vão para minha cintura e eu me sinto bem–vinda ! acolhida como nunca me senti , os braços de Alex é um refúgio conhecido para mim . - Obrigada Alex . Você é um irmão e tanto – Ficamos mais uns segundos abraçados mais um pouco , enquanto eu estava com minha cabeça apoiada em seu peito firme. Então me solto dele de repente me sentindo envergonhada , acho que ele estava me dando um tempo para eu me recompor . *** - Como se saiu na prova Francine? – Dra. Diva me pergunta enquanto termino de servir a mesa -. Sim seu nome realmente é esse . - Estava muito nervosa , mas me saí muito bem . Obrigada por perguntar – Me coloco ao lado da mesa passando um olhar em todos e sorrindo quando Alex sorri pra mim de volta . - Você é uma garota de ouro Francine . Sabe que é como uma filha para nós! , só está trabalhando ainda como empregada porque você quer .- Dr. Fernando diz pra mim ao limpar a boca com o guardanapo - Serei sempre grata a vocês por tudo! . Mas sei reconhecer minha posição desde que cheguei aqui , um dia venço na vida e serei digna de tal posto . – Alex fica me encarando – Com Licença – Lhes dou um aceno de cabeça e sumo pra cozinha . Acabei inventando uma dor de cabeça pra o Edgar alegando que não podia me encontrar com ele. Não por falta de sua insistência , então eu fui mais longe e disse que estava menstruada que devia ser por isso que estava com tanta dor de cabeça . Ele parecia irritado , me desejou melhoras e então eu desliguei a chamada me jogando contra os travesseiros e sufocando um grito. Uma das coisas que eu mais gostava em poder ficar na casa dos Scozari é que meu quarto aqui é duas vezes maior que o meu na quitinete . No outro dia eu nem tive a oportunidade de falar com o Alexander , porque eu fiquei o dia todo ocupada arrumando os cômodos de baixo , enquanto minha madrinha se ocupava do quarto , a gente revezava às vezes . Então a noite chegou , fui pra faculdade e ele ainda não tinha voltado do escritório de advocacia onde trabalha na empresa de seus pais . - Francine , queria perguntar algo sobre seu amigo – Viro meu pescoço pra olhar pra Carla , ela é amiga de Rebeca e mau nos falamos, então fico surpresa por ela estar falando comigo. - Que amigo ? – Pergunto de testa franzida -O moreno gato de olhos azuis - Alexander? - Sim- Ela baixou a voz falando bem baixo como se ele estivesse por aqui e pudesse ouvir . - Você ficaria chateada se eu saísse com ele? - Oi?? , por quê ficaria ? - Porque bem ... ele ficou com a Rebeca e é seu amigo , espero não causar um mal-estar ..- Ela dá de ombros mordendo o lábio inferior com olhos curiosos . - Espere aí – Eu espalmo minhas mãos em minha frente ficando confusa – Onde você viu o Alex? - Rebeca me mostrou uma foto dele e eu fiquei muito interessada. Por isso quero ter absoluta certeza de que não tem nenhum problema já que somos amigas – Ela aponta pra mim . Nós não somos amigas , apenas colegas de classe – Minha mente acusa - Acho que você deveria ficar preocupada com a sua relação com a Rebeca , eu não tenho nada a ver com isso . Aliás por mim , não tem problema nenhum .- Esclareço - Com a Bec está de boa , ela só queria curtir com ele , não era nada sério e a gente sempre divide tudo de qualquer forma – Minha boca se escancara inconscientemente , enquanto ela continua – Ouvi dizer que ele tem um pau enorme –Ela baixou a voz outra vez - E gosta de sexo sacana e selvagem , é verdade? - E como é que eu vou saber disso ? . Você devia perguntar a Rebeca e não a mim – Ela é maluca? - Ah! qual é ? – Me dá um olhar afiado – É impossível que você não tenha dado uma apalpada nele . - Eu nunca fiz isso . Somos apenas amigos e só ! - Vai me dizer que vocês nunca se experimentaram ? - Você acabou de usar o verbo ''experimentar'' e '' usar'' em um contexto sexual?- Eu não conseguia acreditar .- Veja , ele e eu nunca transamos e muitos menos '' experimentamos '' qualquer coisa que esteja se passando por sua cabeça nesses termos . Entre Alexander Scozari e eu ,existe apenas uma linda e bela amizade desde crianças , entendeu ? - Entendi! . Tem certeza mesmo? – Reviro os olhos por sua insistência sem cabimento - Pode acreditar em mim e também pode confiar , quando digo que nunca ! , mais nunca mesmo isso vai acontecer. Ela ficou me encarando por uns segundos , como se estivesse tentando avaliar se eu voltaria atrás na minha palavra . Então finalmente sorriu e me envolveu num abraço. - Você é uma graça !– Me apertou tão forte que literalmente eu tossi – Mais uma perguntinha . Eu imagino que você saiba qual é a cor preferida dele?. - Azul – Respondo o mais depressa que eu consigo pra ela parar de me fazer essas perguntas . Rebeca que fica com ele e eu que viro o alvo ?. - Bom saber ! – Ela se levanta pegando sua bolsa da carteira e se direcionando para porta . Eu estava tão absorta em meus problemas que tinha me esquecido de que já tínhamos sido liberadas há tempo. Se eu voltasse a terra antes , evitaria essas perguntas sem fundo de Carla .- Vou me lembrar disso quando for escolher o fio–dental para usar debaixo do meu vestido , quando ele me levar para sair . Eu não podia acreditar no que eu ouvi . Então apenas me levantei e peguei minhas coisas saindo da sala . Quando cheguei do lado de fora dou um pulo de susto quando vejo Edgar me esperando no portão da faculdade . - O que está fazendo aqui ? – Pergunto confusa apertando meus cadernos contra meu peito , enquanto ele me dava um selinho e me conduzia a andar ao seu lado . Não sei , mas de repente senti meu estômago congelando . - Não está feliz em me ver ? , só vim te buscar pra darmos uma volta . Senti sua falta – Engulo seco - Não é isso . Só fiquei surpresa – Tento um sorriso embora me sinta um pouco tensa. Então paramos diante de um carro gol branco - Gostou ? – ele me pergunta – Comprei hoje e quis mostrar a você primeiramente. - Como conseguiu dinheiro pra comprar um carro se mal tem dinheiro pra cobrir o tratamento e comprar remédios pra sua mãe?- Pergunto a primeira coisa que me vem à cabeça Ele encolhe os ombros abrindo a porta pra eu entrar . Resisto mas acabo fazendo . - Peguei um empréstimo – Esclarece , eu fico calada tentando absorver cada palavra . Então por quê ele não fez isso antes pra ajudar sua mãe? - Ei gata ! – Puxa meu rosto pra ele com o indicador , sinto o vento frio bater contra meu rosto , os vidros do carro estavam abertos – Tira essa ruga da testa , está tudo bem . Tá bom ? – Ele sorri pra mim , eu acabo sorrindo de volta pra ele e então nos beijamos – Vamos dar um rolê , e aí? - Tudo bem . – Ele assente pondo o carro em movimento – Sabe o filho dos Scozari ?que eu comentei com você outra vez que éramos os melhores amigos e que estava na Europa ? - Sei ... o que tem ele ? – Me dá uma breve olhada , levando uma mão a apertar minha coxa - Bem , tem alguns dias que ele voltou e quero que vocês se conheçam – Edgar bufa - Não quero nada com essa gente que se acha melhor do que os outros . No mínimo ele é um boçal . Olho pra ele passada – Claro que não é ! . Você conhece os Scozari e sabe que são boas pessoas - Essa gente não liga pra pessoas de favela e pobre como nós Francine . Qual é gata ? ta se deixando iludir ? , nosso mundo e realidade é outro . – Cruzo meus braços encarando a minha frente , sentindo uma raiva súbita por Edgar ter falado essas coisas das pessoas que são como uma família pra mim . Então ele para o carro numa estrada escura onde quase não passa ninguém encostando no canto do acostamento. - Porque esta parando aqui ? – Pergunto olhando em volta – Edgar por de ser perigoso , não está passando ninguém por aqui . - Fica de boa . Tô muito afim de ficar com você meu amor , por favor.... – Ele reclina meu banco fazendo com que eu caia para trás e seu corpo vindo pra cima de mim , enquanto sua mão sobe pelas minhas pernas e a outra acariciando meu rosto . - Edgar , mas aqui não ..- Ele me interrompe enfiando a língua na minha boca , posso sentir sua rigidez por debaixo de nossas roupas - Você é tão gostosa ...- Chupa meu pescoço – Preciso ter você Francine. - Edgar... – Digo arfando quando ele para de me beijar e começar a explorar meu decote com a boca – Não posso , ainda não estou preparada e ainda mais aqui nesse lugar no meio do nada . De repente ele fica imóvel e trazendo seu rosto pra meu campo de visão , encarando meus olhos . Estremeço quando vejo uma ira tomar conta de seus olhos doces que agora se transformaram . - Tá falando sério ? – seu tom é de incredulidade - Sim . Me desculpe.. Ele sai de cima de mim passando as mãos no cabelo – Desce do meu carro. Me ajeito no banco olhando pra ele chocada – Isso é uma piada ? Seu rosto vira-se pra mim , e agora eu sei que ele falava sério – Tô cheio do seu maldito mimimi , já tem 8 meses que a gente namora nessa porra ! e até hoje você não me deixou provar sua boceta , acha que eu sou boneco caralho? .- Meus olhos estão cheios de lágrimas e minha boca começa a tremer – Então desce do meu carro AGORA MESMO !- Rugiu pra mim . - Edgar ! , já é muito tarde e eu não posso ..- Começo falando sussurrado sentindo um nó na garganta - Que se dane ! . Não vou falar de novo , desce ! – Cato minha bolsa e livros e abro a porta , sentindo o ar ricochetear sobre minha pele , as lágrimas descem sem limites. Quando acabo de descer , ele arrebata a porta da minha mão batendo a mesma e cantando pneus me deixando sozinha na beira da pista . O desespero me banhou dos pés a cabeça , comecei a soluçar sem parar , eu não acreditava que Edgar fez isso comigo . Achei que só seria um surto dele e iria me buscar, mas não .. Então meu coração vai na minha garganta e eu congelo quando um carro com luzes altas vem em minha direção e parando ao meu lado. Pronto agora tinha chegado o fim para mim . Eu já estava aceitando que seria estuprada e morreria por ali mesmo , tendo meu corpo enterrado em qualquer lugar nesse matagal. - Francine? , o que está fazendo aqui sozinha uma hora dessas? – Um suspiro de alivio audível sai da minha boca , quando vejo Rodrigo descer do carro vindo ao meu encontro. - Me leva pra casa por favor ..- Coloco a mão sobre minha boca me acabando de chorar - Claro ! , agora ..- Seus olhos são preocupados enquanto ele me encaminha para dentro de seu carro – O que aconteceu ? – Ele pergunta quando tomamos rumo na estrada. - Não quero falar disso – Vejo ele pegar uma cartela de camisinhas do banco de trás e jogando dentro do porta–luvas , eu desvio o olhar e encosto a cabeça contra a janela . Imagino que Rodrigo estivesse por aí fazendo o mesmo que Edgar queria realizar comigo . - Como preferir .- Ele disse e assim fez , fiquei feliz que não insistiu mais no assunto . Em algum tempo paramos na porta da mansão Scozari . - Se sente melhor? – Rodrigo pergunta - Sim. Obrigada , mas Rodrigo não conta nada disso a ninguém tá bem? – Encaro ele - Pode deixar , nem mesmo o Alexander? - Muito menos ele . Pode fazer isso, por favor ? – Eu estava apavorada que alguém soubesse disso . - Tá tranquilo. Vai descansar ! – Agradeci a ele mais uma vez recebendo seu sorriso simpático e saio do seu carro entrando na casa , escutando enquanto ele ia embora . Quando abri as portas do fundo da cozinha para ir pra meu quarto me bato com Alexander . Ele bebia um copo com água , estava usando camiseta e de calça moletom . - Por que chegou no carro do Rodrigo ? – Foi direto , me encarando sério Engulo seco – Encontrei ele por acaso e então me ofereceu uma carona – Não encaro ele diretamente nos olhos , então assente balançando a cabeça . - Bem , vou dormir – lhe dou um sorrisinho - Espero que saiba o que está fazendo . Vá descansar – Seus olhos são um poço de seriedade . Eu assinto pra ele e sumo no corredor que levava ao meu quarto , tentando saber o que ele quis dizer com isso .