E aqui estamos nós, com 20 anos, realizando o sonho que tenho desde a infância, e o melhor? É que meu melhor amigo, Diego, esta realizando esse sonho junto comigo. Nós nos formamos em Dança com especialização em coreografia, e posso dizer, somos os melhores. Diego e eu, viemos do interior para a cidade grande, pra poder colocar nossos estudos em pratica. Alugamos um apartamento no centro da cidade e moramos juntos. Graças ao bom Deus, nossos pais sempre nos apoiaram, mas não posso dizer que foi fácil terminar a faculdade. Eu e o Di tivemos que fazer vários tipos de trabalhos para podermos pagar a faculdade e termina-la sem divida alguma. Eu conheço o Di desde os meus 5 anos de idade, ele é o tipo cara gato, pele de cor morena, com incríveis olhos verdes e um cabelo preto que seria impossível chegar no tom com tinta, e o corpo? Ah, vocês estariam dando suspiros com o corpo malhado e sarado que ele tem, e não falo isso só porque ele é meu amigo, ele ate que é o meu tipo, então sei do que tô falando quando digo que ele é o cara gato e gostoso. Eu, bom, sou morena também, de olhos castanhos e cabelo cacheado, uma pessoa comum. - Cris, você viu que vai rolar uma competição de dança daqui a 10 meses? – Diego me pergunta. - Não vi. Seria legal né? Mas a gente não tem um grupo, por enquanto somos só eu e você. - A gente pode começar a recrutar uma galera. Acho que da tempo da gente ensaiar e deixar eles no nosso ritmo. - E se não der? Nessa hora o Diego me olha intensamente e fica calado antes de me responder. - Cris, se a gente não tentar, nunca vamos saber se vai dar certo ou não. E outra, acho que temos que arriscar, e o bom? É que podemos fazer a inscrição ate 3 meses antes da competição. Então acho que rola. Eu fico pensativa, eu amo dançar e é a coisa que eu sei fazer de melhor, mas tenho medo de arriscar, mas o Di esta ali, me encarando quase implorando, e eu acabo cedendo, como sempre. - Tá. Ok. Mas se der errado a culpa vai ser sua. – respondo fazendo uma careta, e ele me abraça forte sussurrando no meu ouvido. - Obrigado. Você não vai se arrepender.
Como a gente se conhece a anos e compartilhamos do mesmo sonho, temos muitas coreografias feitas juntos. O nosso ritmo é top e nossa sincronia é perfeita. - Coloquei um anuncio no facebook, uma galera já me respondeu. – Diz Diego, assim que eu saio do banho enrolada numa toalha. - Ah legal. Quantas pessoas? – pergunto chegando mais perto dele. E pela primeira vez em muitos anos, ele me da um olhar que eu não consegui reconhecer, e isso me deixou com uma nota mental de perguntar pra ele mais tarde. - Hmm, tipo umas 15 pessoas. - Serio? Isso é bom. Agora a gente precisa de um lugar. - Você já viu o galpão que tem do outro lado da rua? É de frente pra casa, e parece ter um espaço bom. – Diz Diego indicando a porta da sala, que da na varanda, pra eu ir dar uma olhada. Enquanto eu me virava e ia andando para a porta, o nó que prendia minha toalha se solta, e a toalha desliza e cai no chão. Eu nunca tive vergonha do meu corpo, muito menos na frente do Diego. Tipo, nós já nos vimos nus, mas sempre foi inocente, e dessa vez, fiquei vermelha enquanto me abaixava rapidamente pra pegar a toalha e colocar no corpo de novo, porque o Di estava com aquele olhar estranho que nunca tinha visto no rosto dele, pelo menos, não direcionado pra mim. - Desculpa. – Digo, arrumando a toalha no corpo e indo ate a porta. – É, o galpão parece bom, amanha a gente podia ver de alugar pra fazermos os ensaios lá. - digo, tentando desfazer o clima esquisito que ficou no ar. - É... - Di, tá tudo bem? - É... Tá sim. Foi mal, eu dei uma viajada aqui. – Diz ele e volta pra onde estava sentado no sofá com o notebook. Decido ignorar e ir trocar de roupa. Quando eu volto pergunto o que vamos jantar, decidimos por pizza, e assim se vai mais um dia na nossa vida nova.
Fazer coreografia de uma musica não é fácil, você precisa conhecer todas as batidas da musica e saber exatamente o que a letra quer dizer, ou então interpreta-la do jeito que você acha mais apropriado. Eu e o Di temos varias coreografias prontas para diversos tipos de musicas, muitas delas a gente aperfeiçoou com o tempo. Agora, aqui estamos, num galpão, de frente pro nosso prédio, olhando como podemos transformar esse espaço num lugar de ensaio. - Nossa! Isso aqui tá puro lixo Diego, vai dar um puta trabalho pra limpar e deixar isso aqui com cara de estúdio. - É, vai mesmo, mas acho que vale a pena, já que o aluguel é uma pechincha. O galpão estava extremamente sujo, com alguns restos duvidosos espalhados pelo chão. Mas como o Diego disse, o aluguel estava mesmo uma pechincha, algo que caberia no nosso bolso e talvez sobrasse uma grana pra dar uma mudada na cara do lugar. - E então, vão ficar com o lugar ou não? – Perguntou o dono do lugar, ele era baixinho, gordinho e tinha uma cara feia de poucos amigos. - Vamos ficar sim. – Eu respondo surpreendendo o Diego. - Serio Cris? Você quer mesmo alugar isso aqui? - Bom, sim! Pelo menos vamos ter um lugar pra começar. - Blz então. Enquanto o Di acertava com o cara sobre o aluguel, eu fui dar uma olhada no galpão. Por mais que ele estivesse imundo, ele tinha o seu certo charme. As janelas eram grandes e em formato de arco, o piso era todo em laminado e com paredes que dariam para aproveitar para se colocar os espelhos. Sim, seria um bom lugar para começar.