Apresentação 9 Prefácio 11 Poemas de Primavera: 13 Agora e sempre, eternamente... 14 Balada da Esperança 15 É bom te chamar de Maria 16 Eu sou apenas... 17 Eu vi a cruz... 18 Feliz 19 Grito de estrelas 20 Manhãs 22 Minha alma 23 Reflexos da alma 24 Teu jeito 28 Teu nome 29 Visões 30 Eu estava pensando em você 31 Poemas de Verão: 32 Caçador de estrelas 33 Canção guerreira 36 Chove... 37 Cofre de lágrimas 38 Comunhão 39 Distância 40 Do outro lado do espelho 41 Encontro 43 Flores 44 Geometria 45 Herança 46 Ladainha 47 Louca Magia 48 Matadores de sonhos 49 Palavra 50 Passagem 51 Quero amanhecer 52 Rainha 53 Solstício I (Veneno de cobra) 54 Tempo de mudança 56 Ternura 57 Outono: 58 E... 59 Entre nós 60 Entre penas e amores 61 Fabricante de sonhos 62 Florescer 63 Madrugada 64 Nova Era 65 Nunca mais... 66 Ouvi estrelas 67 Pacíficos progressos 68 Palavras 69 Páramo 71 Pequenas pobrezas 72 Por Você! 73 Primaveras perfumadas 74 Quero 75 Talvez... 76 Vida 77 Inverno: 79 Alma Cativa 80 Disfarce 81 Divagações em busca de um tema 82 Indefinição... 83 Inútil... 84 Inútil poesia 85 Lições de Infinito 86 Pequena Canção Noturna 87 Píncaros profundos 88 Promessas proibidas 89 Prosaicos poentes 90 Solstício II (Sonhos de uma Noite de Verão) 91 Tarde... 92 Vaga Música (O amor no perfume das flores) 93 Vida de sonho 94
AGORA E SEMPRE, ETERNAMENTE! ...Será de amores, felicidade e só... Faremos piquenique na relva verde e macia Nadaremos nos rios de águas cristalinas contemplando sereias Galgaremos montanhas e ficaremos mais perto das estrelas Cantaremos odes de alegria e dançaremos ao luar espalhando música no ar... Acordaremos o mundo com nossa canção E tudo será festa, será paz Agora e sempre, eternamente! Vinhedo, Primavera de 2008. BALADA DA ESPERANÇA Vivo caminhando à procura de algo que não vem enquanto a noite é alta o silêncio é profundo o céu sem estrelas me diz de outro mundo. Num triste sussurro o vento aparece trazendo uma voz, lamentos e prece... Baladas sem ritmo, sem nome, atroz doces cantigas, palavras antigas momentos passados, destinos traçados, no coração de alguém sou apenas ninguém chorando, amando, solitário esperando a Solidão que não vai o Amor que não vem... Ipuã, Primavera de 1966. É BOM TE CHAMAR DE MARIA É bom te chamar de Maria Maria de todos os tempos Maria, meu sonho encantado Maria, de meus momentos! É bom te chamar de Maria Maria, de doces lembranças Maria, luz de minha vida Maria, minha esperança! É bom te chamar de Maria Maria que a todos conduz Maria, doce Maria Maria, mãe de Jesus! É bom te chamar de Maria Maria, com todo louvor Maria de minha saudade Maria, meu grande amor! (Para Maria, onde estiver...) Cravinhos, Primavera de 2008. EU SOU APENAS... É noite... E novamente esse silêncio triste, esse vazio... Uma ausência sentida... Uma saudade amarga. Uma vontade imensa de te envolver na minha ternura... Ah, se soubesses a falta que tens feito, a dor tremida que punge-me o peito, a tristeza que a tudo escurece, a solidão que fica, a dor que permanece... Sou apenas aquele que ficou entre restos de sonhos desfeitos, lembranças de um amor quase perfeito que o destino separou... Vinhedo, Primavera de 2008. EU VI A CRUZ Há muitas cruzes nos caminhos de Bom Jesus... Eu vi a cruz Tão alva e bela, Sinal da presença dela Nesse rincão goiano. Após todos esses anos Só a lembrança ficou Ao lado de uma saudade Que o tempo não apagou. Nesse alvorecer de luz, Nessa madrugada fria, Momento de nostalgia, Nesse caminho que me conduz... Eu vi a cruz: Pequena e singela, Derradeira presença da minha ‘bela’, Por essas bandas de Bom Jesus! (Para Maria Isabel, com saudade...) Rio Verde (GO), Primavera de 2008. FELIZ Ah, vida feliz!... Em cada canto, um poema Em cada abraço, uma ternura Em cada riso, um beijo meu... Que importa Se há tantos ‘queria ter’ e não temos... Se há tantos 'queria ir e não fomos... Se há tantos 'queria ver e não vimos... O que realmente importa É que a vida é feliz E o riso é de graça. O amor é aprendiz Há flores na praça É tudo o que sempre quis... Vinhedo, Primavera de 2009. GRITO DE ESTRELAS Hoje estou com vontade diferente de ser outra gente de outro bando e lugar. Estou com vontade de andar caminhar [vagar,voar,] ser infinito enquanto posso... Quero libertar de minhas janelas, e conhecer a imensidão dos amanhãs, que são forjados nas oficinas do tempo, que ficam escondidas em lugar nenhum. Quero escapar, dos caminhos que existem dentro das coisas transparentes, que refletem os cansaços e as indecisões. Quero viver a vida em slow motion no abrigo dos corações invertidos, pintados como trens que de repente param em nenhuma estação... E assim, como do fundo da música brotam as notas que, ora são lembranças, ora esperanças, emudeço o grito, na pauta do silêncio e da amargura... E quando a noite vier, cantarei alguma coisa para dormir, no silêncio das paredes, que refletem fantasmas de minha alma... Vinhedo, Primavera de 2008. MANHÃS Queria ser como as manhãs Que surgem radiosas Por entre serras A embalar o doce sono do menino Que sonha com um mundo sem guerras. Queria ser como a andorinha Que busca horizontes A voar sem medo E que depois, mais tarde se aninha Num mundo de paz, De amor sem segredo. Manhãs, sonhar, Voar, amar, Caminhar: Tudo isso queria ser, Fazer, viver Enquanto não saio de minha janela. A manhã já se foi e também meu sonhar; Fico a esperar o tempo correr No silêncio, uma saudade dela... Vinhedo, Primavera de 2008. Minha alma Minha alma é um anjo Que corre com o vento Que dorme ao relento E adora sonhar. Nas noitinhas ele voa Nas asas do tempo E enche de cores Os céus de luar. Diz que me ama Me adora e a sorrir Sempre me chama Para brincar. Felizes cantamos, Corremos, pulamos E de mãos dadas esperamos O amanhã chegar... Minha alma é um anjo Que vive comigo, Que mora em meu peito Num eterno sonhar... Cravinhos, Primavera de 2008. REFLEXOS DA ALMA "A moral, propriamente dita, não é a doutrina que nos ensina como sermos felizes, mas como devemos tornar-nos dignos da felicidade." (I. Kant) No tempo que eu não te conhecia, aprendi numa lousa de palavras andantes, que se movimentavam na casa do silêncio e da escuridão... Foi assim que comecei a descobrir que Felicidade, é uma ave passageira, que voa horizontes no coração de poucos seres, e que muda e se transmuda... ... Nestes tempos de escassos valores, prefiro alimentar cães a levar flores na porta das igrejas... Oh, Felicidade, Felicidade! Senhora e escrava dos meus caprichos! Que cantos tua lira inspira nos recantos cheios de ilusão? ... Gostaria de falar sobre a alegria refletida nos teus olhos... Mas, tenho somente a mim neste mar de solidão... Míseros restos de alma na brevidade do tempo... ... Existiram épocas de fragrâncias coloridas, nas vozes claras dos pomares, que abrigavam tropéis azuis e rosa, à beira do riacho, na casa das palavras de ternura e mansidão... ... Uma vez vislumbrei entre brumas, nos portais das tendas de luz, a face do Invisível que gera o Tudo o destino, a sorte a vida, a morte! ... Decidi caminhar no pó das estradas, e sentir o aroma do araçá dos longes... ... e olhar pro céu para encontrar despojos, a troco de vinténs, na seca do destino. ... Aquela casa, escondida numa curva, sugeria prazeres que meu sonho ansiava. E eram os mesmos, os vinténs que aplacavam a sede e a fome. E tudo era tão bom... ... Não se é permitido hastear sonhos coloridos, nas janelas das casas de tijolos amarelos... E as bocas dos canhões brilharam infâmias no tempo da escuridão... ... Ó Felicidade... tão frágil, tão ligeira, tão depressa é o teu passar! Senhora do efêmero, que determina o destino de quem vive a sonhar... Vinhedo, Primavera de 2008. TEU JEITO Ainda que eu falasse dos amores eternos, não seria o bastante... Ainda que eu andasse por mil caminhos, não seria o suficiente... Ainda que eu escutasse todas as canções da terra e do céu, não retratariam a beleza do meu amor... Este teu jeito doce de me amar me leva à loucura. Bebo do veneno da paixão e me entorpeço com a ternura do teu amor. Sou prisioneiro dos teus carinhos: Ao mesmo tempo que desço aos infernos, tenho um céu aos meus pés... Ah, o meu amor! Abre-me as portas do coração e me dá sonhos para sonhar. Fecha os olhos à razão e nos mares da fantasia navegam meus sonhos e minha ilusão. Incendeia meu espírito com as chamas do meu padecer... Renova minha alma dando calma ao meu viver... Ipuã, Primavera de 2009. TEU NOME Eu te esperei na manhã florida e perfumada Na tarde ensolarada e no longo anoitecer Foste a promessa de um amor sem fronteiras Deste-me a esperança de uma vida verdadeira Eras o meu tudo e todo o meu viver... Contigo trilhei muitos caminhos pela vida Juntos enfrentamos procelas terríveis E juntos navegamos por mares pacíficos Na mesma mesa bebemos o amargor da saudade E brindamos aos nossos sonhos e à nossa felicidade! E agora este vazio, esta ausência dolorida Esta falta de você na minha vida Este não-sei-o-quê que massacra e me consome Inventei mil caminhos para te encontrar E mesmo assim não ouso revelar teu nome... Vinhedo, Primavera de 2008. VISÕES Há dentro de mim um deserto clamando por encontros. Restos de crepúsculos deixados nos dias de lucidez. No abrigo da minha alma restam vagas lembranças de amores idos: espectros de saudade refletem minhas paixões. Nos caminhos tardios, meus rastros cansados vislumbram a distância da minha insensatez... Vinhedo, Primavera de 2008.
VERÃO "Em algum lugar, sei que há alguém como eu conjugando o verbo 'solidão'..." CAÇADOR DE ESTRELAS I Grito E não ouço minha voz. Tento falar E não me respondem. Caminho... II Às vezes divago na penumbra que me faz invisível das minhas emoções... III Tem certas noites que caço vaga-lumes no jardim... Nem por isso deixo de olhar para as estrelas que povoaram de maravilhas meu sonho de menino. IV Fico refém do tempo e das possibilidades. Sou aquele que espera... V Há tanta coisa errada e não me corrijo. A chuva me enfastia no cárcere da esquina. Sou livre para voar... VI Ah, se eu pensasse um campo de rosas... E tivesse a luz de olhares infinitos... Traria a imensidão deste céu para dentro das minhas limitações... VII Volto a correr pelos campos verdes. Ajunto minhas lembranças nos alforjes. Leva-me o vento dos desejos para onde vive um coração feliz. VIII Quem me dera espalhar o meu canto... Ouvir minha voz, derramar meu pranto. Caminhar pelas estrelas. Habitar meus sonhos. Abrir minhas janelas e me encontrar... IX (Na madrugada fria, apenas uma estrela luzia...) X - E tu, o que fazes? - Caço! - Caças? Caças o quê? - Caço o brilho das estrelas nos olhos de quem ama... Vinhedo, Verão de 2009. CANÇÃO GUERREIRA Quero fazer uma canção triste que seja como vento ligeiro... Uma canção para o povo como um canto de esperança! Quero fazer uma canção guerreira que luta para que voltem à vida aqueles que declararam sua guerra! Quero fazer uma canção para animar os que caem... Quero fazer uma canção de amor que seja a de todos os tempos e para sempre... E que todos se levantem e levantem suas bandeiras, acima de seus corpos e cabeças; levando todos os sonhos, a todos os povos da terra que vivem, amam e sofrem e ainda esperam por uma canção guerreira... Vinhedo, Verão de 2008. CHOVE... Esta chuva noturna e triste Vai caindo, vai molhando Até parece que vai sangrando O meu pobre coração. Cada vez que penso nela Sinto a chuva na janela Aumentar minha solidão. Esta chuva vai levando Meus anseios e esperanças Destrói as minhas lembranças E tudo vai acabando. Acaba com minha alegria Desbota minha fantasia E deixa uma saudade chorando. De repente, restos de lembranças me rodeiam. Saudades são pingos no chão. Essa chuva que não cessa, Tamborila no telhado E venta na janela, Deixando um pouquinho dela A molhar-me o coração. Vinhedo, Verão de 2009. COFRE DE LÁGRIMAS Pelos mares da vida Vou navegando minha tristeza entre dor e solidão... Sempre à procura de um porto Vou e volto, sem esperanças E não tenho como descarregar meu cofre de lágrimas nem minhas desesperanças... Havia em meu peito um coração cigano que amava sem cessar... Tantas foram as pedras do caminho que agora jaz entristecido sem vontade de amar... Minha alma é nada... Minha vida é nada... Tudo eu queria Nada tenho... Nada sou... Nos meus versos sempre há uma palavra Qual tarde que morre sem ao menos dizer adeus... Quem me dera que eu fosse ninguém Não tivesse nome Nem nada... É triste viver mergulhado nesse passado E ter pena... Não há nada nas minhas lembranças Não há amores na minha saudade Sou apenas um vazio Nada mais... Vinhedo, Verão de 2009. COMUNHÃO Vamos Caminhar pelos campos Pegando "carona Na garupa leve Do vento macio" Como diz a canção. Vamos apanhar as flores, De todas as cores, Para enfeitar a alegria Da nossa união. E aí vamos juntos, Despreocupados, Apaixonados, Viver a vida, Cavalgar com o tempo E ser comunhão... Vinhedo, Verão de 2008. DISTÂNCIA A vagar por aí, com certeza não terei a candura do teu olhar, a suavidade da tua voz, o carinho que há nos teus abraços. Cada vez mais, me distancio do teu amor... Cada vez mais me envolve esta saudade amarga, que me sufoca a alma, tirando-me a calma e aumentando a minha dor. Meu coração, às vezes, parece pirata a atravessar os 7 mares em busca de aventuras... Têm dias que sonho ipês colorindo a serra, chuva molhando a terra e a felicidade a acompanhar meus passos... Surpreendem-me os pássaros que cantam nos arrebóis, a paisagem que mora no pôr-do-sol e a paz que em tudo descansa... Deixam-me triste as ingratidões, as falsas paixões e essa louca e insensata dor, que aflige minha alma condenada a viver sem amor... Mandaguari (PR), Verão de 2009. DO OUTRO LADO DO ESPELHO 1. Deixo-te num poema Uma saudade de mim Adeus vida serena Tempo que valeu a pena Sonho que chegou ao fim... 2. Vi minha alma Do outro lado do espelho Com asas no lugar das mãos Voava num céu vermelho Em forma de coração... 3. Não te agradam os rumos que tomei Só sei que de tudo que sobrou Entre o meu amor e o teu Restaram apenas míseros vinténs De uma saudade que ficou... 4. Ah... como sabes de mim, De meus sonhos e de minhas promessas... Ontem ainda, em vão busquei-te Em meus pensamentos Enquanto a tarde se fazia toda molhada Com lágrimas do céu... Agora é preciso Transformar fábulas em histórias, Para outra vez saber, Que tu sabes muito mais de mim Do que toda a fantasia Que há no Universo... 5. Sinto a dor das coisas tristes deixadas para trás Uma saudade não-sei-vinda-de-onde Amargurando a alma sozinha e cansada... Marcas para sempre cravadas no coração Uma sensação de vazio De nada fazer De nada mais ter De não mais ser... Vinhedo, Verão de 2012. ENCONTRO Estou precisando, urgentemente, Marcar um encontro, Limpar gavetas, Espanar o pó, Dar asas à imaginação E fugir da solidão... Olhar mais as estrelas, Encantar-me com as flores, Sentir mais o vento E ouvir mansamente A voz das coisas, Que a vida apresenta, No cenário de várias formas E de várias cores... Preciso marcar um encontro Que não seja breve, Mas duradouro E que me leve, Qual pluma doce e leve, De encontro A mim mesmo... Vinhedo, Verão de 2008. FLORES Passei momentos sentado em respeitoso silêncio, debaixo daquele oásis, que é um puro céu de ônix; e com as raízes que levo no pensamento comecei a florir... Quantas almas solitárias tiveram o poder de voltar o olhar? Através deste espelho de lágrimas e escuridão eu ignorei e esqueci... Mas, como pensamentos que levam sementes para mentes distantes fico a pensar: Quantas floresceram? Quantas...? Eu não posso imaginar... Vinhedo, Verão de 2008. GEOMETRIA Preciso de um esquadro para rever posições e dar voltas pela vida em busca da fonte que jorra no átrio daquele lugar de vozes veladas que ensinam segredos nos densos silêncios eternos... ("A Geometria é uma ciência de todas as espécies possíveis de espaços." - Immanuel Kant) Vinhedo, Verão de 2008. HERANÇA De meu pai a retidão, o coração , a teimosia, mas, o respeito e a fisionomia... De minha mãe a fé, a alegria, 'mamma mia!' vontade de abraçar o mundo (enquanto dançava a tarantella...) que mulher era aquela!!! De meus irmãos a honra, a fraternidade e a dolorosa saudade! Da vida esta vontade louca de viver (entre amigos e amores) e andar pelos caminhos de (espinhos) e flores, ...amar, cantar e sonhar... Vinhedo, Verão de 2008. LADAINHA O amor que une; A dor que punge; As tardes de sonho; As lembranças de outono; As flores da primavera; As lágrimas de outrora; A saudade de agora. Por mais um dia... As manhãs de esperança; Meu novembro de chuva; O sino da igreja; As cores do pôr-do-sol; Os jogos de futebol; Noites de solidão; Serenatas em uma canção. Por mais um dia... Os risos de abril; Vagalumes no jardim; Flores ao pé da serra; Poetas da minha terra; Minha tristeza sem fim; Saudade, velha saudade, Que vive dentro de mim. Por mais um dia, Senhor... Cravinhos, Verão de 2009. LOUCA MAGIA [VAMOS BAILAR, QUERIDA!] Vamos correr caminhos e veredas Respirar fundo nas ilações da alma Procurar sentir perfumes das auroras Buscando matizes de várias sombras que se avolumam nas horas paradas dos lagos serenos de lodo e raiz. Cuidamos de ver a estrela escondida Que nasce nas palavras silenciosas e que se reflete na fronteira das ilusões Qual trôpegos pirilampos, de cor e fulgor Vamos bailar pelas praças desertas a esmo, sem feitiços, nem visões. E opacos, translúcidos se cruzam olhares Sutis movimentos se encadeiam após Cicerones de vento sussurram canções Que valsam lembranças nos labirintos Dos longes, estrelas luzem corais azulados que rodopiam, que brincam de luz e de cor. (à memória de Pablo Neruda) Vinhedo, Verão de 2008. MATADORES DE SONHOS Os caminhos se alongam parecem que levam ao infinito e os passos caminham tristonhos à beira dos rios onde outrora navegavam peixes e sonhos... A água que matava a sede e limpava o corpo e a alma hoje mata a vida! São outras águas de outras minas outras Hiroshimas... O que resta fazer a não ser chorar nestes leitos de morte enlameados conspurcados, envenenados que carregam o cheiro da podridão, as falas do descaso e as mãos do assassino que flutuam incógnitas nas mentes de cada um. Vinhedo, Verão de 2008. PALAVRA Que a palavra seja usada de tal maneira e pouca para falar das grandezas e vaidades... Que seja usada com muitas cores e tons para falar dos amores inquietos... Que se faça uso dela aos gritos e aos brados para falar das injustiças E que ela seja eternamente cantada nos 4 cantos da Terra, Amém... Vinhedo, Verão de 2008. PASSAGEM Tem certos dias que a alma da gente não se cabe de contente e se põe a cantar... Entre beijos e abraços construímos nossos laços e o amor se fortalece na ternura do olhar. Outros dias há porém de abandono e solidão: Simplesmente sou alguém que lamenta como ninguém a dor de uma paixão... E assim passa o tempo entre sorrisos e dor. Fica apenas a lembrança de quem viveu por amor... Cravinhos, Verão de 2008. QUERO AMANHECER Eu quero amanhecer como uma canção que me fale de Você... Uma canção que seja pioneira e que seja mensageira de todo o amor que existe em mim... Eu quero amanhecer feito um ramalhete para lhe oferecer: rosas tão vermelhas quanto a intensidade do meu amor... Eu quero amanhecer como uma andorinha a voar sozinha: para te cobrir de paz e de bênçãos no novo dia que vai nascer... Eu quero amanhecer feito uma canção Que cante aos quatro cantos o meu amor... Enfim, eu quero amanhecer sonhando com Você!... Vinhedo, Verão de 2008. RAINHA Se me pedires Eu te darei Todas as razões Todos os motivos Todas as palavras Te mostrarei Todos os caminhos Todas as direções Te darei o céu E todo o meu carinho... Se assim quiseres Serás rainha Bordarei teu manto Com diamantes Cravejarei tua coroa Serei teu servo Teu fiel companheiro O teu amante Pela vida toda, sempre a teu lado Seguirei confiante. Se disseres não Eu entenderei Mas serei assim mesmo Teu fiel seguidor Enquanto existir vida Carregarei a minha dor Lamentando o destino De não fazer-te Para sempre O meu amor... Vinhedo, Verão de 2009. SOLSTÍCIO I (Veneno de Cobra) Prefiro as cobras a certas pessoas que, insidiosas e virulentas andam espreitando pelas paredes segredos furtivos, e instilando venenos mortais com suas bocas fétidas onde veiculam tumores da consciência... ... Adentrando numa casa de livros Admirei-me, e fiquei profundamente triste ao saber que não tinha Rilke naquela biblioteca. Tristeza!... Livros às centenas, a mancheias e nenhum Rainer Maria Rilke! ... Vou marcar encontro com 'ele' numa casa de livros usados... Mas, continuo preferindo as cobras, porque eu sei do poder que elas têm! Enquanto que os outros... Uma canção passou por mim dizendo assim: "Quando a gente gosta é claro que a gente cuida Fala que me ama Só que é da boca pra fora..." E eu estava sozinho perdido, com meus receios e meus erros no meio da avenida... Volto pra casa, não necessariamente a minha... E busco escrever, meu dia passar a limpo, enquanto desenho com carmim, corações queridos, da menina bonita, que encanta meu sonho do amanhã... Prefiro... Vinhedo, Verão de 2008. TEMPO DE MUDANÇA Quero mudar a geografia Partir sem preocupar Com a minha aposentadoria Com a minha teimosia Com minha melancolia Eu quero mesmo é viajar... Atravessar rios e mares Respirar outros ares Ser um estranho no jardim... Sentar no banco da praça Rir meu riso, que a vida passa E um dia chegarei ao fim. Não ter mais filosofia Olhar a vida sem ironia Passar meu tempo a caminhar. Deixar minhas saudades de lado. Esquecer das dores e do meu fado Viver, sorrir e sonhar... Vinhedo, Verão de 2009. TERNURA De onde vem esse ar de infinito, De riso bonito, Que chega mansinho, Trazendo carinho E ternura no olhar?... É luz que ilumina, É sol que aquece, É amor que envolve, É canto de paz Já chega e convida: E diz que me ama E alegre me chama... E assim vamos nós, Caminhantes da vida, A contar estrelas Num céu de carinho. Nas sombras das árvores Fazer nosso ninho. Sonhar e ser Feliz passarinho... Vinhedo, Verão de 2009.