POEMA-QUASE PRECE (de Ternura) Busca no entardecer a cor mais linda Recolhe do vento uma oração Sonha ao luar, sonhos de prata Nos pingos da chuva, uma canção. Abraça o tempo, Coleciona a vida, Inventa histórias Pra rir e pra sonhar. Sê luz em teus caminhos, Sê estrela a brilhar! Leva a paz aonde estiveres. Louva os encantos do amor. Sê feliz fazendo o mundo inteiro feliz... Ri, ri bastante; Vive a vida a sorrir: Bem melhor ser palhaço Que vilão da história! Não corras! É melhor ir devagar Que o tempo é maior! Ajuda! Sê bom! Sê amigo! Semeia amor e bondade, Sem pensar na colheita, Mas que certamente Um dia virá, Aqui ou acolá, (Ou um pouco mais além) Na eternidade, Amém... Vinhedo, Primavera de 2009. DESPRETENSIOSAMENTE Talvez fosse bem melhor Calar a boca Seguir sozinho O mesmo caminho Para onde vão todas as almas loucas... Talvez fosse Mais certo Um pouco mais de perto Olhar com todo instrumento Gerado pelo pensamento... Quem sabe, talvez, Muito mais previdente Seria se transmudar em estrela brilhante E viver como sempre quis Divinamente quieto, no alto do céu e feliz! Vinhedo, Primavera de 2009. VAZIO Às vezes, o vento... Outras, a chuva... ... Na manhã que surge... Na tarde que morre... Na vida que vai... No tempo que passa... Como tudo é sem graça Sem você... Vinhedo, Primavera de 2009. MISTÉRIOS Quem sou eu? Que habita esse corpo Que é meu... Quem fui outrora Num tempo distante, noutras eras Ó vida de quimera Ó sonho de meu Deus? Sigo confiante sempre Em meio a vendavais Tormentas e procelas Vejo a vida sempre bela Tenho os olhos sorridentes... Mas, de vez em quando Bate uma agonia no peito Tudo é tão triste que não tem jeito Minha alma transmuda-me completamente Estou em épocas diferentes Sou outro, não sou eu Quem sou esse que não sou? Vinhedo, Primavera de 2009. NA ETERNIDADE Tudo me lembra você: As flores do caminho Os espinhos O vento arrastando as folhas A chuva... De vez em quando O frio na alma... E essa saudade Essa doída vontade De ver De ter De amar você Uma vez mais, E quem sabe Para sempre Na eternidade!... Vinhedo, Primavera de 2009. TERTÚLIA Sinto uma sensação ruim de coisas deixadas para trás, uma tristeza fugidia não-sei-de-onde, que vem, mansa e insidiosa acabando com o que resta da minha alma... Nem sei porque acabo me reunindo comigo mesmo: (Dias há que, por mais que tento me encontrar mais me escondo de mim...) Ah, tem sempre o problema que envolve as tardes, quando juntos ficamos numa mesa, quietos e sérios... ... trocando lembranças - afogados no álcool e na vida. Quando o dia se vai , com ele também vão meu presente e meu passado... E de repente, na nossa frente, muda e calma chega a Noite; sem ao menos pedir licença, vai sentando, trazendo junto a Saudade, fria, dolorida, - inquieta... E assim ficamos uns de caras para os outros nesse nosso quarteto de solidão. Vinhedo, Primavera de 2009. PEQUENO ENSAIO PARA SE SER FELIZ No meu sonho tem Uma canção bonita. Tem passes de mágica. Tem risos e abraços. Tem água cristalina, Que brota da fonte que não seca, A correr num rio Em forma de mil espelhos. No meu sonho tem Um castelo tão belo Que dá gosto de se ver. Nele mora um anjo, De asas alvejantes E de olhar azul, Que pousa numa tela E depois ri... No meu sonho tem Borboletas transparentes, Que inventam cores, De todas as flores Que no meu sonho tem. E em todos os cantos, O meu sonho tem tanto encanto Como o encanto do meu bem !... Vinhedo, Primavera de 2008. TUA AUSÊNCIA Na lembrança dos teus passos Construí minha vida. Por onde andaste Deixei o meu olhar E a minha saudade. Sou agora o silêncio que fica. Sou sombra na escuridão. Apenas caminho Sem direção... Vinhedo, Primavera de 2008. PÓRTICO Muitas foram as flores espalhadas nos caminhos. A fragrância delas ainda perfuma os meus passos e a saudade desse amor consome minha vida num silêncio repleto de crepúsculos. Quem sabe o sonho possa trazer fé e esperança aos corações. O pranto se refaça num canto de alegria. De todo adeus nasça a certeza de novos encontros. E o amor seja para sempre a verdade primeira desta vida. Vinhedo, Primavera de 2008. INTERLÚNIO Pelos lúgubres caminhos Folhas secas Vão sendo arrastadas pelo vento Como sortes lançadas Pelos dados do destino... Passos solitários Esperam Que a vida Descubra os encontros Entre tantas ausências Que ficaram Nas lembranças adormecidas De um tempo feliz... Vinhedo, Primavera de 2008. PRIMAVERA Distante de ti, passou por mim a primavera Cheia de flores, num setembro festivo, Quando tua presença, mais e mais quisera Neste meu mundo, que de saudades vivo. Cantos e odores, neste roseiral sem fim, Doces lembranças de feliz folgar Fizeram-me esquecer um pouco de mim, E sentir teu jeito gostoso de amar. E absorto neste mundo de encantos Esqueço da vida, nem sinto o tempo passar Neste paraíso de adocicadas primícias; Mas, de mansinho, por entre folhas e flores, Raios de sol despertam o meu sonhar Findando assim, minha hora de delícias. Vinhedo, Primavera de 2008.
CORAÇÃO Ah, coração cigano Que culpa tenho eu - - Se me mostras as belezas da vida – As paixões Os amores As lembranças queridas?... E assim vou eu, Pé na estrada, De cara pro vento, Coração aberto, Rumo nem sempre certo... Felicidade, Um trem de ferro na colina verdejante Margeando um rio que corre Caprichoso, sinuoso Cujos olhos teimam em ficar! Ah, coração Se me amas tanto Abranda de meu peito esta saudade Dá-me de teus sonhos para sonhar Abriga-me em tua ilusão Agora e sempre Para toda a vida Eternamente... Vinhedo, Verão de 2009. OFERENDA (das horas sem tempo...) Se quiseres [Ó dúvida cruel Por que esse desdém Se até as flores têm A dádiva do querer?...] Serei água cristalina Do riacho mais distante Escondido da vazante Que brota do teu olhar... Se quiseres Posso te ofertar A estrela derradeira Que um dia foi a primeira Que no céu eu vi brilhar... Se quiseres A vida inteira E mais além Nossas almas serão companheiras Por todos os séculos dos séculos Amém... Vinhedo, Verão de 2010. INÚTIL Queria dizer tantas coisas; Outras tantas fazer. O tempo passa... A vida passa... E há flores no jardim. Vinhedo, Verão de 2009. NÁUFRAGO Onde será que deixei aquela saudade doída que tanto me fez sofrer noite e dia sem parar?... Ainda guardo doces recordações daquela tarde O sol tingia de bordado as nuvens do céu Éramos um só coração a caminhar entre as flores E você era minha ternura e meu doce mel. A felicidade acompanhava nossos passos Em todos os cantos reinava a alegria Havia muito amor, eram tantos os laços E entre os abraços, uma suave sinfonia. Tudo agora ficou tão distante Não há mais tardes como aquela Você deixou uma saudade lancinante Neste navio naufragado, sem porto, sem vela... Cravinhos, Verão de 2009. ESSE AMOR O amor que trago em mim É uma suave canção É bálsamo para a minha alma É minha certeza e meu querer. Acorda-me com as manhãs E enfeita meu dia com risos. Pinta meu horizonte com as cores do infinito E se põe a brincar. À noite, traz-me poesia Enche-me de sonhos e de alegria E me convida para sonhar... Às vezes penso que a vida é mesmo assim Vou vivendo iludido Das dores e mágoas esquecido Amando esse amor em mim... Vinhedo, Verão de 2009. DEFINITIVAMENTE... Minhas manhãs não têm mais canto de pássaros não têm mais o odor das flores não têm mais meu sol de maravilhas... Meus dias perderam a cor perderam o candor e meu tempo é passado sem nenhum valor... Há muito minhas janelas se fecharam deixando-me um mundo solitário e triste. Houve um tempo... Agora... Não há mais tempo Não há mais alegria Há somente essa ausência dolorida de você na minha vida. Não mais canto de pássaros... Não mais o perfume das flores... Vinhedo, Verão de 2009. MINHA CANOA Minha canoa Navega por rios profundos Vai em busca de outros mundos Minha canoa vive a navegar... Como sempre tem um rumo Jamais perde o prumo E quando sai Não tem vontade de voltar... Ela singra rios e lagos É levada pelos ventos Ela lê meus pensamentos E me leva pra pescar... E assim Quando me ponho a sonhar A saudade até Arruma tempo pra ficar... Vinhedo, Verão de 2009. MEU MEDO Se algum dia eu me perder de mim é porque não tenho mais você na minha vida... Sabe... Tem hora que eu tenho medo: Medo da vida. Medo da morte. Medo de não ser mais eu. Medo de não ter você! Às vezes sonho e tudo se confunde porque não consigo enxergar você na minha vida... Tenho medo dos costumes tardios que não mais despertam paixões adormecidas... Tenho medo do amor. Faz muito tempo que já nem sei mais falar das manhãs que acordava com flores na minha janela. Esqueci-me por completo das cores do pôr-do-sol. Em dias de cinza, um vento manhoso arrasta meus pensamentos que voam como folhas arrancadas do livro do destino. Tenho medo de tudo! Estou prisioneiro das minhas emoções e esta solidão de você machuca-me a alma levando para longe de mim, teus carinhos e teu amor. Velhas canções despertam lembranças doces [ e amargas e povoam, impiedosamente, meus dias de solidão. Estou só... E sem você, tenho medo de mim... Cravinhos, Verão de 2008. DIAMANTE DE LUZ Ainda lembro, na mais tenra idade, o desvelo terno e doce com que me cuidavas. E depois ainda já na mocidade, maior era o amor que me dedicavas. E assim foi pela vida afora: cheia de cuidados e de amores. Até que um dia, serena, foste embora, levada pelos céus, deixando apenas dores. Ser querido, síntese da bondade. Essência suprema do Amor Maior. O mais precioso bem que se tem na vida. Tesouro de luz infinita a rutilar, para todo sempre hás de brilhar, no meu coração, minha mãe querida! Vinhedo, Verão de 2008. PACTO DO AMOR DISTANTE Acho que vivemos de espera, Acho que fizemos um pacto em outras eras... Acho... que sei eu, para dizer acho, deste amor por quem eu me racho e me esborracho? ... E este medo de amar esta indecisão, que coloca dúvidas na vida e tranca o coração! Mas... Até quanto isto tem de real? E quem sabe dizer se é amor? Se o que sei é que o poeta é um fingidor... É preciso sorrir nas tardezinhas E depositar os nossos cansaços nas distâncias que separam os sonhos enquanto é tempo no instante pequeno... Acho... Vinhedo, Verão de 2008. ASAS DO TEMPO Ah, essa vontade louca de ficar... A vida inteira, se pudesse eu ficaria, e a teu lado feliz eu viveria, horas e horas, sem ver o tempo passar. Ah, se pudesse, mas tudo me impede e me arrasta, e me sufoca numa histeria, que o espírito grita e o corpo cede, prostrando-me nesta sofrida agonia: Nas asas do tempo me faço refém, pedaços de sonho de coisas esquecidas, confundem-me a mente e a alma também. Aceno um adeus e vou seguindo além; como farrapos da vida enlouquecida, parto e reparto e já não sou ninguém. Vinhedo, Verão de 2008. MALDIÇÃO Quem se vê abandonado, sem amor Por todos desdenhado e sem carinho: Quem sofre a mais atroz e triste dor, Quem, em silêncio, chora as mágoas sozinho. Quem não pode descartado e esquecido Buscar carinho entre todos deste mundo. E a chorar vive como um vagabundo, Sem ter quem lhe chame de querido. Descansará desta vida tão ingrata, Cheia de dias vazios, de tristeza infinda, Que só aumenta a saudade que maltrata. E lá naquele lugar soturno e triste: Terá abrigo, numa fria e funda cripta, Ao lado de tantos que a vida foi madrasta! Vinhedo, Verão de 2008. ELA I Quem é aquela de nome bonito que chega airosa Tão bela, singela, desfilando encantos na passarela do meu olhar? II É a mesma de ares benditos, que passa depressa, levando consigo, meu coração... Vinhedo, Verão de 2008. VELA Há uma vela naquela janela... Quem será que ela vela?... Quisera ser ela... A vela que vela aquela donzela... Vinhedo, Verão de 2008. INÚTIL POESIA Sou simplesmente um ser, que ama, que sofre, e que canta, que nasce mil vezes, e morre outras tantas, que busca seu lume, no clarão das estrelas, que escreve saudades, no portal das lembranças, que anda sem pressa, mas que corre e que dança, e que, por isso, não sabe, se chora, ou se ri... Vinhedo, Verão de 2008. SANTUÁRIO Caminho por uma estrada florida Envolta de ternura e graça Até chegar a uma praça Onde se ergue tão bela ermida. Extasiado, quedo-me, de pé E adentrando em tão belíssimo templo Sinto aumentar a minha fé Enquanto ouço um suave alento. Mãe Rainha, és pioneira Nesta terra ínclita e ordeira Nesta Orlândia que admiro tanto. Sê Rainha de nossos corações Doce Mãe, sempre Altaneira Mãe do meu mais puro encanto! (para Celina, com amor e fé) Vinhedo, Verão de 2008. AMADA IMORTAL Por mais que o céu me condene Por mais que hajam castigos e dores Por mais que tudo neste mundo Seja um inferno de horrores Não hei de, em momento sequer Deixar marcas, nem rumores Mesmo que para isto houver Tesouros, riquezas e valores O que guardo no coração Recôndito perene da alma sofrida É aquilo que levarei na partida: Doces momentos de infinita paixão Amada minha, eterna ilusão Razão maior de toda minha vida! Vinhedo, Verão de 2008.
TURBILHÃO E vem essa vontade louca Que sacode a alma Esse querer ser teu e fazer-te minha Essa saudade intensa que a tudo invade Essa distância que cada vez mais se avizinha... E então sonho contigo em meus braços E nesses instantes sou teu e tu és minha E tudo é encanto, é riso, é sonho, é amor A vida vibra de luz, de som, de cor Sou teu, eternamente teu Em teus braços finalmente descanso Mas esse sonho infelizmente termina E vem essa tristeza imensa Nessa minha pobre sina... Vinhedo, Outono de 2009. QUANTO TEMPO MAIS... É preciso acreditar Embora a hora seja difícil... É preciso ter fé na vida Ter fé em Deus Crer no amor. Há que se viver perseguindo um sonho É preciso vibrar com o coração. É preciso acreditar embora tudo diga não É preciso viver a vida numa eterna paixão... Quanto tempo mais eu terei Para ver o sorriso de uma criança O desabrochar de uma nova flor O surgimento de um novo dia? O tempo passa E a vida é floco de paina Arrastada pelo vento... É preciso amar Pois só o amor permanece Quando nada mais restar E o silêncio for maior... Vinhedo, Outono de 2009. CANTIGA NOTURNA Ah, toda ternura Faz reacender Uma imensa saudade de você... Todos os beijos do mundo São como perfume de suas mãos, A espalhar amor feito canção... Como pirilampos primaveris, Que deixam sua luz Nas flores da noite, Meus sonhos são vôos de luz Pela madrugada silenciosa... Navego pela noite Meu sonho de amor... Nem por isso Sou alegre ou triste: Apenas navego e sou... É preciso saber florir Ser verso e raiz Para se ser realmente feliz! Ah, os espelhos! Silenciosos e frios, Guardam os olhares do mundo! Infelizes daqueles Que esqueceram neles O riso e a alegria de viver... Vinhedo, Outono de 2009. DE AURORAS E DE PAIXÃO I Tem horas que fico a pensar E nem sei se é bem assim. Há tanta coisa estranha na vida, Que lendo meus pensamentos Ou rio, ou choro ou fico quieto. Depois, ao longo da noite Imagino cantigas para dormir, Enquanto um vento ligeiro Visita meus sonhos... ... lá vou eu, hesitante Eterno cavaleiro andante Sem parada e sem amor. Às vezes canto, Às vezes me calo, A vida é um grande embalo... II Tenho pavor dos relógios Marcando as horas sem parar. Com eles meu tempo é efêmero E a vida uma casca de noz... III E agora que faço aqui parado À espera que o vento passe E que o tempo ressuscite A alegria de viver... IV Tento ler um livro e não consigo Não há flores no jardim. E os espinhos são agudos A ferir minha alma, pobre de mim... V Tantas coisas ficaram para trás... Tantos amores passaram Tanta dor, E essa solidão... VI Não há mais rastros nos caminhos de outrora. Todos os luares ficaram inúteis. Calaram violão e poeta. No papel branco apenas um verso de adeus. VII Ao longe Uma canção cigana Traz lembranças antigas De estradas e de auroras. Em seus versos Há marcas de paixão, Tingindo de vermelho Uma história de amor... VIII De onde venho Chovem pétalas de rosas Nas tardes de abril. Há uma cantina na esquina Onde há dança e bailarina Como nunca ninguém viu... IX Por outro lado Há um deserto Parece mais mar aberto De silêncio e imensidão. Não há mais canto de pássaros, Apenas um triste mormaço E em tudo só solidão... X As pessoas não morrem Apenas mudam... Há pouco tempo Numa cidade, outro lugar Encontrei um amigo que há tempos partiu Tomando cerveja na mesa de um bar... XI Vontade de rir há muita, De chorar também. Triste sina de ser alguém, Que vive aqui e ali À procura de um bem... Cravinhos, Outono de 2009. MEDIDA Aqueles que descansam No pó das estrelas; Que já colheram Do jardim as maçãs; São viajantes do cosmo Libertos da frágil casca: São novamente um. Por certo, Só contemplarão a luz, Se a ‘Caronte’pagaram A travessia do rio dos mortos... A Roda da Fortuna gira Não se sabe para quem... Não importa A chuva. O sol. O quente. O frio. Não importa... Nada mais importa... O amor é ilusão sem fim Que se mede pelo tamanho da nossa fé. E se não há muito para você Não há mais nada para mim... Vinhedo, Outono de 2009. ESSA QUE EU HEI DE AMAR... Essa que eu hei de amar um dia com um amor profundo e terno, será talvez o meu inferno, ou o meu céu de alegria. Não ficarei como o príncipe da poesia à espera do amor num calmo inverno. E tão absorto, nessa utopia a rabiscar alguns versos no caderno. Irei amá-la com todo meu amor, com tal paixão e zelo e com todo meu desvelo. Seremos um do outro com fervor, com ternura e todo anelo, nesse mundo encantador. (à memória de Guilherme de Almeida, que como Bilac também recebeu a honraria de “Príncipe dos Poetas Brasileiros”) Vinhedo, Outono de 2009. AMOR EM PEDAÇOS Eu te amei naquela manhã O céu pintava de dourado à espera do sol Flores brancas balançavam ao vento suave e macio E havia silêncio, quietude e paz... Eu te amei naquela tarde O sol partia deixando um rastro avermelhado A força do vento açoitava as flores tristes E tudo era paixão, lamento e dor... Eu te amei naquela noite Um luar prateado inventava magia Uma brisa calma trazia um doce perfume E o amor era rei, felicidade e alegria... Eu te amei pela minha vida inteira Foste o meu céu, o meu sol, a minha paz Meu vento de primavera, meu luar de encantos Meu doce silêncio, meu amor adorado... E eu te amarei pela eternidade toda... Cravinhos, Outono de 2009. SONHO Se de tristezas a tua alma invade E nada tens para fazer a cura Cerra teus olhos à realidade E sonha uma vida de ternura. Sonha, enquanto há tempo ainda. Sonha, é muito bom sonhar na vida. "Nas verdes asas da ilusão querida O sonho dá-nos felicidade infinda." Felizes os que vivem na quimera! Sonhar é ter um céu em plena terra! É viver numa eterna primavera! É ter as belezas que a vida encerra! Vinhedo, Outono de 2008. POESIA Poesia é um bem que brota da alma E passa pelos caminhos do coração Poesia é a palavra que acalma Transformando em amor uma paixão. É alegria, é prazer, é saudade É sentimento puro que define Que para ser feliz basta a vontade De viver de modo mais sublime. Por isso não se preocupe com a rima Vá colorindo o sonho, a flor, o amor Sê simples, que é assim que a vida ensina A ser poeta de real valor. Vinhedo, Outono de 2008. INFINITO Se fosse luz Se fosse paz Se fosse cor Se fosse mar Não era luz Não era paz Não era cor Não era mar Se fosse canção Se fosse luar Se fosse sonho Se fosse manhã Não era canção Não era luar Não era sonho Não era manhã Se fosse riso Se fosse mar Se fosse alegre Se fosse pão Não era riso Não era mar Não era alegre Não era pão Se fosse chegada Se fosse partida Se fosse encontro Se fosse adeus Não era chegada Não era partida Não era encontro Não era adeus Se fosse logo Se fosse cedo Se fosse tarde Se fosse já Não era logo Não era cedo Não era tarde Não era já É tudo isso E eternamente é o bem mais precioso da vida e que simplesmente se chama AMOR! Vinhedo, Outono de 2008. LEMBRANÇAS DO INFINITO Estou aqui porque chegaste acenando-me com uma espécie de véu Não sei até quando estarás comigo Nesta hora doce, neste belo céu. Surgiste com a manhã sorridente E trouxeste vinho, pão e mel De mãos dadas, olhar triunfante Vamos assim caminhando ao léu. Jardins imensos de infindas flores Enfeitam este céu deslumbrante Você e eu, eternos sonhadores Vivendo uma vida de amantes. E então, o tempo passa E o doce sonho chega ao fim Vejo o teu vulto pela vidraça distanciando-se de mim. Logo acordo e te procuro A realidade é solidão Lembranças deste sonho puro Alegram meu coração. Vinhedo, Outono de 2008. URGÊNCIAS É preciso amar com tal intensidade como se fosse o fim e o amanhã fosse algo distante no tempo... É preciso ver a nova estrela e uma nova flor. É preciso sorrir! É preciso marcar encontros com a vida. É preciso ouvir o vento que passa. É preciso dar asas ao sonho. É preciso ser um pouco louco para ser feliz... Vinhedo, Outono de 2008. AUSÊNCIA DE VOCÊ Esta ausência de você que me tortura Tornando a vida cinzenta e triste Envolve meus dias nessa amargura Pois sem seu amor nada mais existe. É um não-sei-quê sem definição É um vazio no peito que não acalma É um sofrer que maltrata o coração É um lamento triste que vem da alma. Se em algum lugar você estivesse E eu ao seu lado ficar pudesse Toda minha ternura eu lhe daria. Mas, a dura realidade a tudo fenece Tirando o bem, a paz e toda alegria Deixando a dor que não se esvanece! Vinhedo, Outono de 2008. VEREDAS Senhor, eis-me aqui de coração contrito para beber a água pura da fonte, à espera que depois venha o grito, que transforme esta muralha em ponte. Quero caminhar por Tuas Veredas, para enobrecer o passo e renovar a vida, buscando a luz em labaredas, que surge nos versos de Tua Medida. Feliz daquele que pode sonhar, e um dia ser verbo e ser canção espalhando amor, paz e união Já não estará sozinho a caminhar pois será um em todos a louvar a Tua Grandeza e o Teu Coração. Vinhedo, Outono de 2008. JANELAS Ah, janelas da minha vida! Como se pudesse delas enxergar o mundo! Ou milhões de outros que não conhecemos nem precisamos saber... Aliás, pouco se precisa para viver... Enquanto isso, outras janelas, milhares delas, se abrem em todos os lugares, com ares de saberes e quereres... Para que se preocupar com a existência de outros sóis, milhões deles enquanto não vemos a pequenina flor que se desabrocha nos jardins da vida?... E o tempo passa voraz, ágil , enquanto janelas se fecham para outra vez se abrirem e outras não mais se abrirem, e o tempo passar a vida levar o amor, a flor ... Vinhedo, Outono de 2008. NAS SENDAS DO ARCO-ÍRIS (Valhala) Nunca precisei de alguém como agora que esta dor me aguilhoa e me tortura. Não sei o que será de mim nesta piora. Punge-me a alma a sofrer esta amargura. De repente, tudo ficou triste e confuso, em meio a letras, títulos e pendências. Não sei até quando ficarei recluso, à espera que resolvam esta carência. Enquanto isto a dor agride, me apunhala o corpo, tudo, o coração, a mente, tal qual ignota e venenosa serpente. Serei certamente levado por Odin ao Valhala... Nas sendas do arco-íris descansarei, e entre valquírias e deuses viverei eternamente... Vinhedo, Outono de 2008. O QUERER Eu não te quero mais na minha saudade Eu não te quero mais apenas em ideias Eu não te quero mais apenas em sonhos Eu não te quero, mais musa distante Quero-te próxima, na minha frente Quero-te vivendo nos meus sonhos Quero-te realmente nos meus dias Quero-te infinita no meu tempo Quero-te no meu silêncio Quero-te no meu fogo Quero-te com ternura E assim tu estarás comigo E juntos seremos amor Querendo o infinito... Vinhedo, Outono de 2008.